quinta-feira, 23 de julho de 2026

Leo Rossi: “Vou defender o título contra a Cláudia Bradstone a 1 de agosto no Porto” (Parte 1)

Leo Rossi sagrou-se campeão no evento Morte Súbita (foto: bruno.filipe.hhh)  
Recém-coroado campeão nacional absoluto do Wrestlefest, tornou-se no único wrestler a vencer títulos em três promotoras portuguesas e a sagrar-se tetracampeão em Portugal, mas já sabe quando e contra quem vai defender o cinturão pela primeira de duas vezes… antes de deixar a fed da qual é um dos fundadores.
 
Em entrevista, Leo Rossi conta o que está previsto para o Wrestlefest nos próximos meses, explica porque protege tanto a personagem enquanto vilão e revela quais os lutadores que mais o inspiram e em que preciso momento decidiu tornar-se lutador de wrestling.  
 
David Pereira – Venceste o Campeonato Nacional Absoluto do Wrestlefest no evento Morte Súbita, o que faz de ti o primeiro wrestler a conquistar os títulos nacionais de três promotoras portuguesas e o primeiro tetracampeão em Portugal. Que significado é que isto tem para ti?
Leo Rossi – Para mim é importante, porque acho que todos nós sabemos a evolução que o wrestling nacional tem tido. Quando comecei a fazer wrestling, o meu objetivo era sempre ter o maior sucesso possível lá fora. Nunca tinha pensado a perspetiva do wrestling nacional e, depois, com a evolução, à medida que fui também continuando a ver o wrestling nacional, a acompanhar a evolução, eu próprio fui ganhando uma paixão pelo wrestling nacional e percebi que tinha esta possibilidade de fazer isto crescer cá. Chegar a este patamar para mim é importante porque estabeleci um recorde a bater e prova que eu sou melhor que toda a gente. É um recorde que faz olhar mais para estes aspetos do wrestling, que é a questão dos recordes e dos campeonatos e começarmos a criar aqui algum legado para os campeonatos nacionais em Portugal. Acho que o facto de haver estes números e já estamos a contar estas coisas dá credibilidade, mérito aos outros campeões e credibilidade em geral ao wrestling nacional. Por termos os campeões e as pessoas começarem a guardar estes números e a fazer estas comparações acaba-se por isto aqui.
 
 
Saíste por baixo na feud com o Ricky Boy, antes havias perdido um combate de coleira com O Gomes e não estavas anunciado para o combate Morte Súbita, o que me leva a pensar que este plano de surgires como um campeão enquanto messy heel estava a ser construído há pelo menos um ano. Foi algo mesmo muito planeado ou simplesmente as coisas foram acontecendo?
Acho que esta história que as pessoas estão a ver, o que acabou por acontecer foi que o Leo Rossi tentou dar uma oportunidade a esta nova geração, o que vai acontecendo há alguns anos, mas vai percebendo que não tem benefícios para ele quando tenta fazer as coisas bem. Basicamente, começou a ver toda a gente passar-lhe à frente: O Gomes, Ricky Boy, Paulo “Knockout” Cruz… Claro que eles têm novas oportunidades, ficam estrelas maiores por lhe ganhar. Mas com o Leo Rossi a perceber quem ele verdadeiramente é, volta a ter benefícios, voltar a ter uma nova capacidade de ganhar, que era o que não estava a acontecer quando ouvia os fãs. Agora que vai percebendo que não precisa do apoio dos fãs, o Leo Rossi percebe que ele é alguém que faz esquemas e é talentoso a fazer esquemas, porque existe talento a fazer esquemas no wrestling, e é assim que ele chega ao Campeonato Nacional Absoluto, porque percebeu que não é como outros lutadores que precisam do apoio dos fãs para conseguir chegar a esse estatuto. O Leo Rossi fez isso, agora o objetivo é mesmo acabar com o Wrestlefest, que foi uma criação para a qual o Leo Rossi contribuiu e sentiu durante muito tempo que não estava a ter o devido mérito pelo que estava a fazer pelo wrestling nacional. Agora chegou a altura de ganhar o Campeonato Nacional Absoluto e anular toda esta contribuição que fez, porque sentiu que não estava a ter o mérito que era suposto. Quando chegar ao fim do ano, como disse na promo, o Leo Rossi vai-se embora e vai levar o Campeonato Nacional Absoluto. Portanto é uma história que foi contada ao longo deste tempo todo, respondendo assim mais à tua pergunta, e é algo que acho que é mesmo um destino, que estava escrito há muito tempo e que agora tem a sua conclusão no final do ano.
 

“É preciso os vilões terem coragem de ser verdadeiros vilões”

Leo Rossi e Ricky Boy lutaram... até não dar mais
Falaste aí em Leo Rossi não precisar do apoio do público. Ao longo de mais de dez anos de carreira tens desempenhado sobretudo o papel de heel. É nessa condição que sentes que tens mais para oferecer?
Acho que o wrestling nacional tem muitos wrestlers populares, principalmente desta geração. Existe muito talento e com o talento vem também o apoio das pessoas. Acho que na história do wrestling português nunca houve wrestlers tão populares como Damião, Ricky Boy, Paulo “Knockout” Cruz ou O Gomes. São wrestlers que estão super populares. Dentro deste cenário, as pessoas começaram a ver o Leo Rossi como algo secundário. Depois também vi que não havia ninguém que realmente, à exceção de Luís Mestre, do Marcos Vitória ou dos Stus, que realmente percebesse que precisa de haver alguém que vá contra essas pessoas. As pessoas não têm sempre razão. Como Leo Rossi disse sempre ao longo da carreira: não é batota, é estratégia. Fica a faltar vilões, e bons vilões, e é isso que vende bilhetes e criar a dinâmica do wrestling. É preciso os vilões terem coragem de ser verdadeiros vilões, de não se deixarem levar pelo apoio do público, não ter medo de criar uma reação negativa no público, e acho que é isso que falta. Temos de abraçar esse ódio que os fãs começam a ter e perceber: “vocês querem-me odiar, então vou dar-vos ainda mais motivos para me odiarem”. Temos muito talento e temos, por exemplo, um vilão como o Mestre, que acho que é de facto um dos vilões puros agora do wrestling nacional, mas existem muitos babyfaces que têm esta capacidade, que têm um lado negro, mas as pessoas só não sabem que existem.
 
Levantas uma questão interessante: acreditas que faltam heels que vistam a 100% essa pele, que estejam com disposição total para apenas serem vaiados?
Acho que o objetivo de um vilão, quando finalmente aceitas quem é, tem de ir 100% a favor disso, que foi algo que sempre visto. Por exemplo, nunca me viste, em qualquer show que fiz de wrestling desde que comecei, e fui sempre o mau da fita, depois dos shows a tirar fotografias e a falar com as pessoas. Talvez no início tirava fotos com algumas pessoas porque era uma obrigação, chamemos-lhe contratual, nos tempos de CTW, em que fazíamos pós-shows e era algo que as pessoas pagavam, então eu também recebia por isso. Mas nos shows do Wrestlefest nunca me vês aí. Nunca fiz isso. Sempre abracei o facto de ser um vilão e não tenho interesse ou necessidade de ter apoio. Não existe um desejo intenso de ser amado e o papel de um vilão é exatamente este, ir contra os fãs.
 
Durante este trajeto no wrestling tens sido alguém precisamente muito reconhecido pela forma como protege a gimmick. Achas que ainda é algo que faz sentido, mesmo depois do lançamento de séries documentais como Unreal, sobre os bastidores da WWE?
Depende do contexto. Não sou um purista máximo e acho que há situações diferentes, há ambientes e locais para ter determinados comportamentos. Por exemplo, não podes vir querer falar comigo num show de wrestling. Não vais ter uma boa experiência, não vou ser simpático nem cordial contigo. Mas se me vires na rua e me quiseres cumprimentar, eu vou cumprimentar-te. Qualquer wrestler vá falar contigo vai dizer que aquilo é alguma dimensão da personalidade dele, que ele depois acaba por exagerar, mas eu sinto que deve haver sempre alguma magia nas coisas, da mesma forma como um mágico nunca te vai revelar os truques, porque basicamente é o que lhe dá o ganha-pão. Acho que deve haver alguma consideração por isso. Depois dos shows não vou estar super sério com algumas pessoas dentro do meu núcleo de colegas nem com outras com quem tenho de trabalhar, mas não vou estar num contexto mais relaxado com fãs, por exemplo. Toda a gente sabe a realidade do wrestling, que é pré-determinado, mas acho que devemos proteger esta indústria e manter sempre um espaço.
 

“A ideia é ganhar os dois combates e bazar com o título e a minha parte do Wrestlefest

No início desta semana foi exibida uma promo em que disseste que o teu contrato termina no final do ano, vais defender o título duas vezes até lá e depois vais deixar o Wrestlefest. Que história é esta? Estás a pensar retirar-te?
Qualquer wrestler que diga que se vai retirar, há sempre uma dúvida, portanto não respondo que me vou retirar. Já aconteceu antes eu sair, há mais ou menos dois anos, em que deixei o Wrestlefest e tirei uma pausa do wrestling nacional. Não digo que me vou retirar definitivamente, mas o que irá acontecer é que, como eu disse, não estou contente com algumas coisas do Wrestlefest. Tenho o cinturão do Campeonato Nacional Absoluto, então a ideia é chegar ao final do ano, após ganhar os dois combates, bazar com o título e com a minha parte do Wrestlefest, e isso envolve muitos contactos, nomeadamente com a Câmara de Almada e com o Ginásio Clube de Corroios. A ideia é que o Leo Rossi vai embora e o Luís Manuel e o Nelson ficam a arder, o que não garante que eu não vá depois aparecer com o título noutro sítio e faça alguma defesa. Mas basicamente o Campeonato Nacional Absoluto ficará meu. Eles podem fazer outra vez um cinturão novo, mas querem estar a fazer isso outra vez? Depois da situação com o Santos acho que não vale muito a pena. A minha ideia é pôr o máximo de constrangimento e de impacto negativo no Wrestlefest. O Leo Rossi agora está a tentar acabar com o Wrestlefest.
 
Já há datas definidas para essas duas defesas de título?
Posso dar-te aqui um exclusivo, já que o Nelson também te deu. Tive este confronto com a Cláudia e a primeira defesa tem de ser no Porto, dia 1 de agosto. Inicialmente não queria, mas depois pensei, como é alguém a quem já ganhei anteriormente e o pessoal quer ver outra vez este combate, porque toda a gente está muito interessada e diziam que ela deveria ter ganhado o primeiro combate e houve todos estes problemas associados, então decidi aceitar. A segunda defesa ainda não sei, estou à espera de confirmação, porque após o espetáculo em agosto poderemos ter mais um em setembro e também outro em outubro. Ainda não posso confirmar os locais, mas vai haver estes dois, a sul de Lisboa, mas não necessariamente na zona conhecida como margem sul.

Gostas de fazer combates intergénero
Depende de alguns fatores, como tamanho e peso. Acho que no wrestling há espaço, desde que seja um bom wrestler, para teres um duelo competitivo com qualquer pessoa, até porque já lutei com wrestlers muito mais pequenos e mais leves do que ela. Por ser precisamente a Cláudia, eu não tenho problemas, porque sinto que a Cláudia é alguém que, além de ter de admitir que é excelente no ringue, é uma pessoa que tem força, consegue aguentar com os golpes e dar boa ofensiva. É superexperiente. Já fiz um combate com a Cláudia no CTW pelo título nacional [no Incidente Internacional 2, a 14 de dezembro de 2019] e não senti diferença. Sinto que foi muito mais fácil lutar com ela, no sentido de não ter problemas, do que com outros wrestlers, que eram bem mais pequenos ou bem mais leve. Com ela não sinto isso, não sinto que estou a lutar contra alguém inferior.
 
 
Referia-me mais ao aspeto visual de ser um combate entre um homem e uma mulher…
Vai um bocado ao encontro do mesmo, porque acho que se tiveres uma dinâmica muito diferente, poderá fazer confusão a mim e a algumas pessoas. Se tiveres uma mulher muito mais pequena do que um homem, pode fazer alguma confusão, mas no wrestling qualquer coisa pode acontecer e há uma história que pode ser contada em tudo. No caso da Cláudia não acho que isso aconteça, porque é uma mulher alta e forte e, se a meteres no ringue com qualquer wrestler, acho que fica mais ou menos taco a taco. Agora estou mais pesado, mas quando lutei com ela, ela conseguiu aplicar-me um Tombstone. Para conseguir aplicar um Tombstone é porque não há assim uma diferença tão grande. Acho que as pessoas ainda a apoiam mais por ser a Cláudia, por lutar com estes homens todos, e ter quase o mesmo tamanho que muitos dos wrestlers cá em Portugal.
 

“Promotor campeão? O mais importante é a história que está a ser contada”

Leo Rossi é agora tetracampeão nacional
És campeão e também um dos fundadores e promotores do Wrestlefest, o que me leva a fazer duas perguntas: A primeira é se há sentimento diferente por se ser promotor, tendo em conta que já tinhas vencido os títulos de CTW e Wrestling Portugal; e a segunda é se achas que o roster aceitou bem o promotor ser campeão.
De um ponto de vista geral, é claro que é sempre uma consideração diferente, não levo com o mesmo ânimo e acho que há sempre perguntas que são levantadas quando é o promotor a ser campeão. Mas aqui acho que o mais importante, e creio que grande parte dos wrestlers do roster vão concordar, é a história que está a ser contada e qual é o objetivo de tudo isto. Acho que o mais importante sempre é vender bilhetes, contar uma boa história e as pessoas perceberem a narrativa, as coisas que aconteceram.   O facto de eu ter ganho o Campeonato Nacional é uma história que tem um sentido e existe uma paragem aqui no final desta história. Essa paragem vai trazer bilhetes e vai contar algo que beneficia o wrestling. Existe esta coisa de que eu permaneço na posição de promotor, mas, por outro lado, o Leo Rossi não quer saber disso, porque, se fosse possível, ele punha o cinturão nele e arranjava alguma forma de o obter, mas conseguiu dar a volta e arranjar uma outra forma de o ganhar. O meu objetivo é meter nojo ao pessoal, ganhando o Campeonato Nacional Absoluto de forma controversa, porque reapareci no fim do combate.
 
O Wrestlefest acaba de realizar o seu 25.º evento. Que balanço fazes do que foi feito até aqui?
O Wrestlefest foi um projeto que, tenho de admitir, por muitas diferenças que eu possa ter com as pessoas envolvidas e os outros promotores, foi um passion project que acabou por surgir, porque queríamos fazer algo diferente com o wrestling nacional e dar-lhe uma vertente de espetáculo. Claro que as outras promotoras têm todo o mérito do mundo pelo legado que têm deixado e por continuarem a fazer wrestling, é muito importante que o Wrestling Portugal e a APW conseguiam continuar a estar no panorama do wrestling nacional. O nosso objetivo não é de forma alguma criar um monopólio. O objetivo é dar o contrário: promover o talento do wrestling português para a sociedade, para toda a gente ver, e dar uma vertente de espetáculo a esse wrestling, fazer basicamente o wrestling do ponto de vista mais de show business, então daí termos feito a ponte com a Câmara Municipal de Almada e com, por exemplo, o Parque Mayer, que foi super importante para o Wrestlefest, e depois a parceria com a Invicta para levar o wrestling ao Norte. O objetivo sempre foi o benefício do wrestling nacional e a verdade é que tenho de admitir que esta geração do wrestling é algo inédito. A paixão que eles entregam ao wrestling, que é uma indústria ainda sem grandes meios e não oferece grande valor monetário, é o que faz isto existir. Nós no Wrestlefest só demos aqui ferramentas para eles conseguirem ter um palco, porque é isso que eles precisam. Precisam de experiência, de ter olhos a vê-los de outra forma, de serem visto por outros olhos, sob o contexto de luzes e de uma produção melhor. Acho que os wrestlers veem este contexto e ainda dão mais de si para ter algo para mostrar a outras promotoras, mesmo que não possam ter uma grande recompensa monetária. Mas pelo menos têm algo que possam mostrar, material de qualidade, bem gravado, que possam divulgar.
 
Como está a correr a venda de bilhetes para “Porto Wrestlefest: Bingança!”? No início deste mês já estavam mais de 400 vendidos…
Pelo que sei, acho que já ultrapassámos os 500. Acho que está a correr bem, vamos ver se chegamos aos mil. Mas dada toda a circunstância, estando ainda a duas semanas do show, há muita gente que vai comprar agora, mais para o final do mês. Acho que são bons números. Vai ser mesmo inédito, pelo menos a nível do Wrestlefest. Vai ser incrível. Pena que vai ser dos últimos shows.
  

Decidiu ser wrestler durante uma aula de filosofia

Voltando tudo atrás na linha do tempo. Nasceste a 5 de novembro de 1996. Quando começaste a ver wrestling, quais são tuas as primeiras memórias e o que achas que te atraiu?
Desde que comecei a ver, nunca achei que o wrestling fosse um desporto de combate legítimo, sempre percebi que havia um fator de entretenimento no wrestling. Devo ter começado a ver mais ou menos em finais de 2004, porque acho que uma das primeiras coisas que foi um Raw, uma cena em que os Evolution estavam presos numa jaula e o roster todo do Raw foi bater-lhes. Lembro-me de ter achado aquilo superinteressante. Também me lembro de ver o Batista e o Undertaker pela primeira vez. Foi na altura do boom do wrestling em Portugal já nos anos 2000, numa altura em que estava super popular cá. Depois fui acompanhando e nunca deixei de acompanhar. Claro que havia momentos em que via mais do que noutros, mas sempre fui super dedicado ao wrestling. Sempre adorei desenhar e então fazia as minhas próprias histórias de wrestling. Fazia storylines, desenhava os resultados dos shows da WWE e sempre tive esse interesse, sempre me imaginei nesse contexto, de ser wrestler.
 
Quais eram os teus wrestlers favoritos em criança e de que forma é que as tuas inspirações têm mudado ao longo dos anos?
Eu não consigo dar os wrestlers favoritos, há uns em que tenho mais interesse em determinada altura e trabalhos que admiro em determinada altura ou em determinados aspetos. Acho que muito do Leo Rossi vem, por exemplo, de um de The Rock ou de um Edge. Sinto-me bastante a fazer coisas que se calhar no meu subconsciente retirei do Edge. Mas é uma mistura de wrestlers. Acho o CM Punk superinteressante, incrível, porque ele é alguém que consegues perceber que é real, que dá um tom realístico ao produto, e acho que é isso que muitas vezes falta e que acaba por vender bilhetes. Admito muito o trabalho do CM Punk, porque não só é um bom wrestling como é alguém sempre real e quero sempre ouvir o que ele tem para dizer. Acho que atrai a atenção por isso, porque parece sempre genuíno e impactou-me muito. Mas lá está, é um número de wrestlers que fui vendo na minha infância e na minha adolescência, que ia variando. Também sempre gostei muito do Dalton Castle, por causa de todo o espetáculo à volta, por ser um wrestler incrível e super atlético. O Kurt Angle, pelas mesmas razões, era um wrestler que conseguia ser super engraçado, mas que também conseguia ser incrível no ringue.
 
Leo Rossi começou no CTW, onde foi bicampeão nacional
O que te levou a dar o passo de começar a treinar wrestling e qual a reação da tua família? Sempre viveste na margem sul, onde não havia academias…
Lembro-me que decidi ser wrestler durante uma aula de filosofia, no 11.º ano, sobre pensamentos filosóficos. Já não me lembro qual era o pensador que estávamos a estudar, mas o meu professor disse alguma coisa sobre viver o momento e ir à procura das coisas que realmente queremos. E a única coisa que me veio à cabeça quando ele disse isso foi que queria ser um lutador de wrestling. Na altura era algo que eu sabia que queria fazer, mas não sabia até que dimensão é que ia fazer. Mesmo do ponto de vista artístico, sempre tive esta necessidade de exprimir-me artisticamente, e acho que o wrestling era algo que me faltava fazer, era algo mais físico. Lembro-me de chegar ao carro e dizer à minha mãe que queria ser lutador de wrestling. Ela dizia que era impossível, porque não havia escola cá, que era só nos Estados Unidos, mas quando cheguei a casa pesquisei descobri o site do CTW. Acho que já tinha visto o do Wrestling Portugal, mas pensei que na altura não estivesse ativo ou algo do género. O site do CTW até era, na altura, super amador, e só tinha mesmo algumas informações limitadas. Na altura vi que era em Alcântara e pensei que quando fosse para a faculdade, que ia ser perto, ia aproveitar o transporte que usava durante a semana para ir para os treinos ao fim de semana. E assim foi.
Lembro-me que, quando cheguei ao meu primeiro treino, por volta de junho de 2014, quem me abriu a porta foi o Lobo Ibérico e eu perguntei se era ali que podia treinar wrestling. Depois conheci o Red Eagle, o Nelson Pereira e a Cláudia Bradstone. No meu segundo treino desloquei um cotovelo, ou algo sim, estive sem ir durante uns três ou quatro meses, porque caí mal a fazer um Leapfrog, mas depois voltei aos treinos.
 
Qual era o teu background desportivo? Praticaste alguma modalidade?
Sempre fui mais ou menos atlético, mas era meio descoordenado, então nunca fui bom a jogar futebol. Os únicos desportos que eu fazia bem era voleibol e barreiras. Corria barreiras super-rápido, até era gozado pelos meus colegas, porque só era bom a fazer barreiras. Então nunca tive um background desportivo muito evidente. Fiz jiu-jitsu durante um ano letivo, antes de ir para o CTW, no Gracie Barra Amora, com o Nelton Pontes.
 


 

 

 



Sem comentários:

Enviar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...