segunda-feira, 20 de julho de 2026

Wrestlefest “Morte Súbita” – Review

Mais uma casa cheia no anfiteatro do Ginásio Clube de Corroios, no último sábado, 18 de julho, no espetáculo “Morte Súbita”, do Wrestlefest. O prato forte do evento era o combate Morte Súbita, uma Royal Rumble à portuguesa, com 20 lutadores e possibilidade de eliminações também por pinfall ou submissão, e desta feita com o grande atrativo de o Campeonato Nacional Absoluto de Nico Angelo estar em jogo.
 
Ainda assim, confesso, foi o evento do Wrestlefest do qual sai menos agradado, ainda que lhe atribua uma nota positiva (um satisfaz menos, digamos). Não teve algo que considero elementar num show de wrestling, que é pelo menos uma vitória de um babyface sobre um heel. Começou com um babyface vs. babyface que em Portugal poucas vezes resulta em pleno; depois foi interrompido por um combate que não foi nada mau, mas que não contou para a trama, somente para uma obra de ficção que será transmitida pela RTP; e teve no final da primeira parte um duelo entre dois wrestlers pouco populares, que acabou com uma vitória do heel sobre o babyface via submissão, de forma limpa. Na segunda parte, o público esteve realmente entusiasmado a absorver tudo o que estava a acontecer no combate Morte Súbita, mas fiquei com o nariz torcido por duas ausências mal explicadas.
 

1 – Damião venceu Tiago Torres

Era suposto que os Murder Business (Damião e RAFA) defendessem o Campeonato Nacional de Tag Team diante da Alcateia (Luís Mestre e O Gomes) na final do Tag Fest, mas um acidente de viação de RAFA nas vésperas do evento deixou-o indisponível para comparecer. A solução encontrada foi Damião ir ao ringue e lançar um desafio aberto para um combate, que foi aceite por Tiago Torres.
Percebo que faça sentido ser um babyface a aceitar o repto e que o promissor Tiago Torres necessite de ganhar rodagem, porque tem revelado qualidade e só tem tido a plataforma Wrestlefest para o fazer, mas os duelos entre babyfaces em Portugal, salvo raras exceções, tendem a não ser muito aprazíveis. Ainda por cima, era o opener. O público, talvez indiferente quanto ao desfecho ou não querendo melindrar ninguém, remete-se muito ao silêncio. Nesse sentido, teria resultado melhor um duelo frente a um Rodrigues ou a um Drago G.
Ainda se tentou construir uma narrativa de Damião revelar alguma arrogância, algum excesso de confiança, na tentativa de estabelecer um agressor e um underdog, mas muito sinceramente não gostei de ver (mais uma vez…) um babyface tão estabelecido organicamente como o Young Killer meter-se fora de pé nesse aspeto. Não me parece que faça muito sentido a médio ou longo prazo, só para que aqueles dez minutos resultassem melhor.
No final de um combate disputado, equilibrado e com qualidade, Damião venceu após o Coup de Grace, mas depois foi brutalmente atacado por Mestre e Gomes e teve de voltar ao backstage amparado por Tiago Torres e por um árbitro.
 

 
De seguida tivemos um combate a contar somente para a obra de ficção a ser gravada pela RTP, no qual aquele que conhecemos como Pégaso bateu um aluno do Wrestling Portugal, Luís Miguel. Apesar da inexperiência do segundo, desempenhou muito bem o papel de heel, desenrascou-se muito bem em ringue e mostrou que poderá ter o debut oficial para breve. Foi um combate simples, uma espécie de genérico babyface vs. heel, mas que cumpriu em pleno e que teve qualidade mais do que suficiente para ser exibido num show de wrestling.
 
 

2 – Lobo Ibérico venceu Ricardo Neto para reter o Cinturão de Lisboa

Não foi um mau combate, mas faltou conexão emocional entre o público e o que se estava a fazer em ringue. Ricardo Neto era praticamente um desconhecido para quem estava na plateia e Lobo Ibérico não é propriamente um wrestler muito carismático, sobretudo fora da dinâmica de Alcateia. A juntar a isso, senti o duelo demasiado focado no trabalho técnico em ringue, tendo ficado a faltar mais interação com os fãs. Houve poucas near falls e o final foi algo inesperado tendo em conta que se esperavam mais false finishes, mais emoção, mais qualquer coisa, ainda por cima sendo a última luta antes do intervalo, mas terminou com um triunfo absolutamente limpo de Lobo Ibérico via submissão.
No final do combate, Nelson Pereira, que tinha prometido nunca mais defrontar Lobo Ibérico, mas que quer o Cinturão de Lisboa, revelou que 75 por cento dos fãs aceitam vê-lo a quebrar a promessa para lutar pelo título. Ainda assim, quis o aval do “Executor” e pediu-lhe para que aceitasse, nem que lhe tivesse de dar algo em troca. Então o campeão impôs uma condição: que Nelson coloque a carreira em jogo.
 
 
 

3 – Leo Rossi venceu o combate Morte Súbita para conquistar o Campeonato Nacional Absoluto

O prato forte do evento, um combate muito bem montado e no qual tivemos finalmente o público de Corroios a fazer-se verdadeiramente ouvir.
Nelson Pereira e Paulinho abriram as hostilidades e os primeiros seis faziam parte de três tag teams: SFB (Nelson Pereira e Ricky Boy), Claugarve (Paulinho e Cláudia Bradstone) e Alcateia (Luís Mestre e Lobo Ibérico). Um daquelas já habituais coincidências neste tipo de combates.
Houve interações especiais, como entre Nico Angelo e Cláudia, a eliminação de O Gomes com a contribuição dos comediantes nortenhos Alex Carvalho e Luís Jorge, o afastamento de Nelson Pereira às mãos de Lobo Ibérico, o reatar da feud entre Ricky Boy e Leo Rossi e a falsa conclusão do combate entre os velhos rivais Nico Angelo e Paulo “Knockout” Cruz. “Knockout” chegou a ser anunciado como vencedor após bater Nico Angelo via pinfall, mas depois lá reapareceu Leo Rossi, que havia saído do ringue por cima da segunda (e não da terceira) corda e seguido imediatamente para o backstage numa brawl com Ricky Boy, para eliminar o striker leiriense e conquistar o título, tornando-se assim no primeiro wrestler campeão em três promotoras portuguesas (no caso CTW, Wrestling Portugal e Wrestlefest).
Nota negativa para a falta injustificada de Rafa Pedras e para a ausência mal explicada de Damião. É verdade que o Young Killer foi atacado após o seu combate e que, quando o show sair no YouTube, tudo parecerá fazer sentido. Mas para quem estava presente, era bem visível que Damião estava na plateia, perto da zona do bar, com o rosto completamente destapado, animado, a ver o combate e até a mandar umas bocas, o que me faz pensar que pudesse entrar pelo meio dos fãs, talvez até com um copo de cerveja na mão. Afinal, foi somente um caso de kayfabe muito mal protegido.
 



 

 


 



 

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