quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Lobo Ibérico: “O Gomes terá face turn explosivo. Mestre é o maior diamante em bruto em Portugal” (Parte 3)

Lobo Ibérico esteve no CTW entre 2013 e 2023
Foi o primeiro grande nome a sair do CTW durante a debandada do início de 2023, numa altura em que já tinha em mente criar a Alcateia com O Gomes e Luís Mestre, um projeto que acabou por se tornar realidade após voltas, reviravoltas e um... Panteão.
 
Na terceira e última parte desta entrevista, Lobo Ibérico explica o que esteve na génese dos dois grupos, aborda a confusão que se gerou quando Alcateia e Panteão chegaram a existir em simultâneo, fala sobre os companheiros de stable, escolhe os melhores combates da carreira, desvenda que adversários gostaria de defrontar e conta as duas histórias mais hilariantes que viveu no wrestling.
 
DAVID PEREIRA – Acabaste por ser, obviamente a seguir à Cláudia, o primeiro a dar o passo de deixar o CTW na sequência do rebentamento do caso…
LOBO IBÉRICO – De certa forma não fui o primeiro, porque antes de mim, por uma questão de horas, um dos alunos, que na altura era conhecido como Johnny Dojo, também tinha anunciado que se ia embora, mas a seguir à Cláudia foi o maior nome a ir-se embora. Aliás, provavelmente foi o maior choque, eu anunciar logo que me ia embora, porque, a seguir à Cláudia, eu era o maior nome de lá. Depois houve malta que decidiu ainda assumir os compromissos e fazer aquele último show, do Irie [CTW Perigo Iminente, a 26 de março de 2023]. Simplesmente não quis vender a minha integridade por causa de um combate, de um compromisso. Dou mais valor à minha amizade com a Cláudia e ao respeito que eu tenho por ele do que a um combate, a um compromisso.
 
E desde então que não tens tido mais relação com alguém do CTW…
Zero, zero, zero, zero. Volta e meia, vão-me aparecendo clips ou posts do CTW ou do Red Eagle, mas tenho zero contacto com aquela malta. Há um ou outro que me manda mensagem, mas tomei uma atitude que é: se não te conheço pessoalmente, não te respondo. Se fosse um fã, ainda talvez faça like, uma respostazinha, mas tirando isso… Mas eu não sei até que ponto a malta que está lá agora sabe o que aconteceu. Se bem que honestamente, nesta altura do campeonato, não há desculpa para não saber ou não investigar.
 
Lobo Ibérico num combate com Red Eagle no CTW
Após deixares o CTW passaste pelo dojo do Wrestlefest e pelo WP. Que diferenças encontraste em relação à metodologia do CTW?
São backgrounds diferentes, por assim dizer. O Red Eagle, por todos os defeitos que tenha, era o que nós chamamos um estudante do business. Ele vive e respira wrestling. É a única coisa que lhe interessa. Então ele continuamente fazia pesquisa, procurava melhorar e trazia coisas para aprendermos. E ele focava-se muito na parte dos básicos, a aperfeiçoar os básicos até ao limite, coisas como correr nas cordas, saber sair do ringue e fazer um bom working punch, coisas básicas, mas que me parece que faltam muito hoje em dia.
No Dojo do Wrestlefest, posso dizer que havia uma dinâmica parecida, mas aquilo durou demasiado pouco para eu poder fazer um comentário em relação a isso.
No caso do WP, não digo que não se foquem tanto nos básicos, porque até se focam, mas os treinos são um bocado diferentes, sinto que não se expandem muito em termos de conteúdos. Mas eu também não estive lá muitas vezes. Se fui treinar meia dúzia de vezes a cada lado, é muito.
 

Ideia de trio com Gomes e Mestre remonta aos tempos do CTW

A estreia da Alcateia enquanto trio, no Almada Wrestlefest III
Já fora do CTW, formaste com O Gomes a tag team Alcateia, que se estreou no Almada Wrestlefest Vol. 2, a 9 de março de 2024, e depois se juntou a Pégaso para, por sua vez, formar a stable Panteão. O que esteve na génese da formação deste grupo?
Acho que foi um bocado de timeline de coisas a acontecerem que faziam sentido. Antes de todos bazarmos do CTW, o Gomes saiu antes de nós, quando ainda não se tinha estreado, porque ele também começou no CTW, só que teve uma desavença com o Red Eagle e acabou por sair de lá. Entretanto, ele começou a treinar no WP e penso que o Pégaso tinha tido a ideia de o Gomes ser o capanga dele, um bocado como o Diesel para o Shawn Michaels. Faz sentido. Era um Chickenshit heel com o maior gajo do wrestling português. E foi daí que os dois se juntaram.
No entanto, naquela altura eu já tinha uma ideia construída da Alcateia, tinha uma imagem do que eu queria da Alcateia. Por coincidência, acabou por ser com os membros que eu queria. Eu visualizava imenso: Eu, o Gomes e o Mestre como uma stable. Só que depois de todas as desavenças e storylines, acabou por não acontecer.
No entanto, o Gomes estreou-se, nós saímos do CTW e comecei a fazer shows no Wrestlefest. E mesmo o Gomes tendo saído do CTW, continuámos em contacto, continuamos a dar-nos e a falarmos e falámos imenso de nos juntarmos, de talvez fazer uma tag team, um grupo. A primeira gear que ele tem até foi da mesma estilista da minha última gear castanha. Então até combinávamos um bocado.
E lembro-me que o Nelson, na altura, queria começar a investir em tag team wrestling, porque ele é um apaixonado por tag team wrestling, e queria começar a criar equipas. Ele já estava a investir numa equipa que era os Mayhem, o Mira e o Mestre, e pensámos que seria giro criar uma dinâmica e apresentarmos a nossa monster faction. Na altura, o Leo Rossi até deu a ideia de se criar uma stable para o Baltazar, ele queria que eu e o Gomes nos juntássemos ao Baltazar, e até falámos disso e estávamos a tirar ideias de qual seria a dinâmica para juntar logo eu e o Gomes. Na altura pensei que criar a stable tal e qual eu queria nunca iria acontecer, mas que pelo menos tinha a tag team com um deles e juntámo-nos para fazer a Alcateia.
Ora, o WP, ao ver que estamos juntos e até ficamos bem, depois de nos termos juntado no Wrestlefest Straight Outta Almada (11 de novembro de 2023) ao atacar o Mira e o Mestre depois de um combate contra os SFB, tivemos a nossa estreia contra os Worst Generation, porque, entretanto, o Mira saiu do Wrestlefest e o Damião juntou-se ao Mestre e criaram os Worst Generation. Então, vendo a dinâmica Gomes-Lobo Ibérico, o WP pegou nisso e levou-me para lá. Então juntou-se o útil ao agradável, porque o Gomes já estava ligado ao Pégaso e fora do WP tinha uma tag team comigo. Então o elo de ligação foi, de certa forma, o Gomes. E foi assim que surgiu o Panteão. O nome vem depois, isso já são coisas do Pégaso…
 
 
Não sabes a origem?
Provavelmente tem um bocado a ver com ele ser o Pégaso e ter dois gigantes. O Pégaso gosta muito de mitologia e teatralidade, até porque ele é ator, então Panteão é um nome assim… grandioso. E vamos ser honestos: para nome de stable não é dos piores. Até é OK.
 
Lobo Ibérico, Pégaso e O Gomes formavam o Panteão
A junção do duo Alcateia a Luís Mestre gerou algumas críticas, com acusações de booking confuso, porque esse trio foi formado quando o Panteão ainda existia. Compreendes as críticas ou achas que ficou tudo explícito?
Eu consigo ver os dois lados da questão. Diziam que era a mesma coisa. Mas era e não era. Porque de um lado tinhas o Pégaso, que tinha dois lacaios atrás dele e basicamente éramos o Pégaso e a Alcateia. No caso do Mestre, foi mais ele juntar-se a mim e ao Gomes como alguém similar a nós. Foi-lhe dada a posição de líder da Alcateia porque era o único campeão na stable naquela altura, então criou-se essa imagem de que ele era o líder, e isso poderá ter gerado alguma confusão. Mas não eram duas stables iguais: de um lado tens um gajo com dois capangas, do outro tens três indivíduos em comum. O que causou confusão foi o que facto de que nos aliámos ao Mestre e ele tornou-se campeão de Lisboa e pareceu estar no mesmo patamar que o Pégaso. Mas eram duas coisas completamente diferentes.
É uma situação que em Portugal pode causar um bocado de confusão, porque é um nicho pequeno, mas em Londres, que tem mais companhias do que Portugal, é comum haver uma fação e membros dessa fação serem rivais noutra companhia, se calhar a meia hora de distância. Porque é que o booking de um tem de afetar o booking de outro? São duas companhias diferentes e as histórias não se cruzam. O fandom é quase igual, mas se fores ver o público do WP, 80% é diferente do público do Wrestlefest e depois há aqueles 20% que vão aos shows todos. A malta do WP é mais famílias e casuais, enquanto no Wrestlefest é malta mais hardcore. São públicos um bocado diferentes. Se existe essa confusão, é só para aqueles 20%, se pensarem um bocado, não é difícil ver as diferenças.
 

“Quando O Gomes fizer o face turn, será um dos maiores em Portugal”

O Gomes e Lobo Ibérico num show do Wrestlefest
Tens assistido desde o primeiro dia ao desenvolvimento dos teus companheiros de stable. Como tens visto a evolução e como avalias o que entrega atualmente O Gomes?
No que diz respeito ao Gomes, conseguimos ver a evolução dele de dia para dia. E vamos ser honestos: por um lado, ele tem a vantagem de ser um gajo de 1,90 m e 120 kg, facilita um bocado a situação, não precisa de dar tantas bumps e de fazer tanto selling, mas ele faz esse esforço para aprender a fazer selling; por outro lado, tem a desvantagem de que começou ainda mais tarde que eu, ele é mais velho do que eu uns três meses, temos basicamente a mesma idade, só que ele se estreou há quase três anos. Ou seja, ele estreou-se com 36 anos, numa idade em que a malta está no auge da carreira ou já está a começar a declinar.
No entanto, ele está a elevar-se cada vez mais e sinto que o tomam um bocado por garantido. Apesar de ter pouca experiência, é bastante bom no que faz e tomam-no um bocado por garantido porque é um gajo grande, não faz os saltos nem as cenas mais bonitas. Oiçam a reação do público! O público está sempre lá com ele. Acredito que, no dia em que o Gomes fizer o face turn, vai ser um dos maiores face turns em Portugal. Sendo heel, tem o público sempre ele. A reação que ele teve no Porto, aquela clássica “Oh Gomes, vai para o caralho!”, foi dos cânticos mais altos que se ouviram no Porto. E depois espalhou-se por todos os shows em que ele entra. Normalmente, quando tens um público que tem uma reação dessas, não é aquela reação de ódio, é aquela reação de quem está a mandá-lo abaixo porque gosta dele. Quando ele tiver o seu face turn, vai ser explosivo.
Acho que a malta tem de começar a perceber que se calhar é uma boa altura para começar a investir nele, porque já está a chegar aos 40. Ele diz que está bem e está novo e que tem muito para dar, muitos anos pela frente. Está bem Gomes, gosto muito de ti, adoro-te, mas vamos lá ter calma.
 

“O Mestre tem tudo. Agora é preciso que peguem nele

Lobo Ibérico e Luís Mestre enquanto adversários
E quanto ao Mestre?
O Mestre, ando a dizer isto há imenso tempo, ele para mim é o maior diamante em bruto no wrestling nacional. É um dos gajos que tem mais potencial para chegar longe atualmente. Porque ele basicamente tem tudo o que queres num wrestler de main event. Bom wrestler? Check! Bom look? Check! Boa personalidade? Check! Ele tem tudo e, pouco a pouco, vai ficando cada vez melhor. Facilmente conseguias construir uma companhia à volta dele. Para mim, o Mestre tem o potencial para ser o que o Rossi foi para o CTW há uns anos. Agora é preciso é que peguem nele.
 
Se dizes que o Mestre é um diamante em bruto, então o que falta para polir esse diamante? É só pegarem nele?
Pegar nele será uma dessas coisas. Estamos a falar de alguém que está nisto há quatro anos, talvez lhe falte um bocadinho mais de experiência, um bocadinho mais disto, um bocadinho mais daquilo. Mas a malta só ganha essa experiência se apostarem neles. Se não tivesse apostado num jovem Rossi há uns anos, ele não teria sido o monstro que se tornou hoje em dia.
 
Achas que é injusto mencionar-se quase sempre apenas Damião, Rafa Pedras e Paulo “Knockout” Cruz – e agora talvez se vá dizendo cada vez mais Ricky Boy também – como os principais talentos da nova geração e omitir-se o nome do Mestre? Ou será por esse trio ter aparecido ao mesmo tempo no WP?
Acho que é um bocado por aí, porque surgiram os três ao mesmo tempo e foram construídos ao mesmo tempo lá e estão sempre ela por ela. Não lhes tirando o crédito, porque são os três excelentes no que fazem e complementam-se perfeitamente entre eles, mas acho injusto. E é uma coisa que acredito que o deixe frustrado. O Mestre está sempre a ser comparado a isto e aquilo, mas quantas oportunidades foram dadas ao Mestre comparativamente a todos os outros? É porque estamos sempre a fazer foco nesses três, quando temos outros grandes talentos também. Temos o Mestre, o Gomes e o Ricky Boy. O Ricky Boy, que durante anos tem sido um dos maiores talentos que temos em Portugal, diria que está facilmente ao nível do Pedras ou do Damião em termos de qualidade no ringue, mas sempre foi posto em posições de… não diria de jobber, mas basicamente de elevar os outros. Foi preciso a rivalidade que teve com o Rossi e ir a Espanha para finalmente começarem a perceber que o Ricky sempre teve grande popularidade e grande qualidade.
Por outro lado, também percebo que é um nicho pequeno, só podes dar espaço no card a um número de pessoas e muitas vezes é mais fácil apostar no que já sabes que é seguro do que dar a volta.
 
Quais são os combates de que mais te orgulhas e com quem entendes ter melhor química em ringue?
No topo da lista está, provavelmente, o combate que tive com a Cláudia pelo título do CTW. Tenho muito orgulho desse combate, principalmente considerando que nós tínhamos tido uma ideia para o combate, que era o de um combate mais balançado, só que depois, quando chegámos ao dia do show, ela estava lesionada, tinha uma lesão qualquer na zona do peito. Então, decidimos que, se ela não podia levar arsenal mais pesado – e ela ainda levou bastantes golpes nesse combate –, tentei protege-la ao máximo e dar ao público o que eles mais queriam, que era a Cláudia arriar no Lobo. Acho que esse combate, em termos de dinâmica de momentos e de história, é provavelmente o combate, até agora, de que me orgulho mais.
 
 
Também gostei imenso do combate que nós fizemos no Porto, Anarquia na Madalena. Acho que esse combate também foi caos puro, mas foi o bom tipo de caos. E acho que todos tivemos os seus momentos.
 
 
E tenho o combate com o Nelson, no primeiro Wrestlefest.
 
 
Com quem tenho mais química é o Nelson, sem dúvida, porque já chegámos a uma altura em que basicamente conseguimos combinar um combate entre os dois, de olhos fechados. Nós já nos conhecemos muito bem e queremos sempre tentar elevar a fasquia. Lembro-me de uma vez o Nelson ter feito uma publicação a responder a uma pergunta de porque é que ele luta tantas vezes com o Lobo Ibérico. E ele disse que as coisas saem sempre bem e é sempre do caraças. As coisas entre nós simplesmente clicam. Há uma dinâmica entre os dois e talvez por isso temos tido uma rivalidade tão longa. As dinâmicas dos dois personagens clicam.
 

“Não sei se teria andamento para o Ricky Boy”

Lobo Ibérico e o velho rival Nelson Pereira
Por outro lado, com quem é que no cenário português gostavas de lutar entre os que nunca defrontaste? Pode ser alguém com quem tenhas lutado em tag team, mas não em singles ou dois indivíduos com quem tenhas lutado em singles, mas cuja tag team gostavas de defrontar…
Nunca defrontei o Ricky Boy em singles e sei que conseguiríamos fazer cenas giras, apesar de não saber se tenho andamento para o miúdo. Já o enfrentei várias vezes em tag team, mas em singles acho que nunca.
Também em singles tenho bastante curiosidade me ver o que conseguiria sacar com o Tiago Torres. Já tivemos o Tiago Torres em singles contra um dos seus mentores, o Mestre, e já o enfrentei em tag team, mas seria interessante ver o que conseguiríamos sacar.
Por outro lado, não tanto como adversário, mas pegando agora nas ideias de tag team, seria uma dinâmica interessante, lançar assim para o ar – não sei se isto alguma vez acontecerá – eu fazer equipa com a Cláudia ou com o Nelson. Como adversários já vimos que resulta. Mas como é que resultaria uma dinâmica de nós como equipa? É por acaso uma ideia que já muitas vezes me passa pela cabeça.
 
Talvez no teu combate de despedida, quem sabe. Confesso ter curiosidade em ver-te a defrontar o Bammer, acho que colavam bem um com o outro…
Podia começar com Technical e terminar em Two Big Boys Slapping meat. Por acaso não era um nome em que estava a pensar, mas não desgosto. Não desgosto da ideia do Bammer. Pégaso também seria uma ideia interessante, mas não sei se tenho andamento para o acompanhar num combate neste momento.
 

O velhote que insistia em urinar na sala de um show em Aberdeen

Lobo Ibérico ainda nos tempos do CTW
Para terminarmos com chave de ouro, peço para que contes a história mais hilariante que viveste relacionada com wrestling…
Tenho duas: uma em Portugal e uma na Escócia.
A de Portugal aconteceu antes do Covid, no meu primeiro ou segundo ano nisto. Lembro-me que era eu, o Red Eagle e mais dois macacos no meu carro na altura, à 1 da manhã. Andávamos a meter pósteres. Acho que tínhamos andado em Queluz e chegámos à zona de Monsanto, perto da Universidade, e fomos parados pela polícia. Pensei que estávamos lixados, porque o que andávamos a fazer não era propriamente bem visto pelas forças policiais. Pediram-nos para mostrar documentos, cartas e triângulo. Ainda por cima, eu na altura usava um Renault Chamade, um carro que todos no CTW conheciam como Chico Esperto, e as histórias que tivemos com esse carro na altura do CTW são lendárias. Como era um carro velho, era sempre parado pela polícia, porque é daqueles carros facilmente roubáveis, que normalmente são roubados ou estão a ser usados para tráfico. Numa Operação Stop, com aquele carro, regra geral, era sempre parado.
Enquanto eu falava com um polícia, um outro estava a falar com o Red Eagle e comecei a pensar: “mau, o que é que se passa ali?”. A documentação está toda OK, tenho o triângulo, o colete, tudo. Dissemos que fomos a uma festa e o polícia que falou comigo disse ao outro que iam embora. E o outro respondeu: “Espera aí que estou aqui a falar com o Red Eagle!” Basicamente, o Red aproveitou aquele momento em que eu estava a mostrar os documentos e começou à conversa com o polícia, a dizer que éramos wrestlers, que ele era o Red Eagle, e começou a vender o produto dele. E esse polícia olha para dentro do carro e perguntou: “Então este é o Red Eagle e tu és o quê? O Barba Negra?”.
 
Lobo Ibérico é o atual campeão de Lisboa
Agora a da Escócia…
Agora, chave de ouro: esta é a história mais hilariante que tenho de todo o wrestling. Aconteceu na WrestleZone. Tal como eu disse anteriormente, eles fazem shows pequeninos, mas têm os seus cinco shows grandes: um no Natal, outro no Halloween, têm a Wrestlemania deles, um show a que chamam Battle of the Nations (cujo conceito era Escócia contra outras nações, mas não sei se continua a ser assim) e o show da Rumble deles, que é o Regal Rumble. Ora, se bem me lembro, isto foi na Rumble que o Red Lightning ganhou [16 de março de 2019]. Esse show foi feito num hotel, o Northern Hotel, que é no topo de Aberdeen. Então, imagina, há a entrada, depois logo ali o lobby, umas escadas para cima, uma parte da entrada e uma porta que dá acesso ao hall, que por sua vez tem uma porta que dá acesso a outra, que é a sala onde dá para fazer o show, que é como aqueles salões em que se podem fazer festas de casamento, com um bar do lado esquerdo, um corredor imenso e o palco lá à frente, que foi onde eles montaram o ringue. Nesse hall, à frente da porta, onde está a sal do show, foi onde montámos as mesas do merchandising: metemos ali as mesas com t-shirts, posters, etc. Eu estava na equipa de merchandising, mas ao mesmo tempo, estava à porta a servir de segurança, a receber as pessoas. Ora, durante o show olho para trás e vi um velhote atrás da mesa, a ver o merchandising, e ele começou a querer baixar as calças para começar a urinar. Afastei o velho, chamei o barman e fui à receção dizer que estava lá um senhor, que parecia meio perdido, a querer urinar para cima das mesas do merchandising. E responderam-me: “Outra vez?”. E eu: “Como assim outra vez?”. Aparentemente, aquele velhote tinha sido lá deixado, abandonaram-no à porta do hotel e arranjaram-lhe um quarto para ficar lá enquanto descobriam o que é que se passava com o homem. Entretanto começou a Rumble e, de repente, olhei para trás e vi o homem outra vez, desta vez de boxers, a mijar-se todo na alcatifa. Fui a correr outra vez para a receção avisar que o homem tinha voltado e foram no lá busca-lo e metê-lo no quarto.
Entretanto, ficou ali uma poçazinha. E continuou a acontecer a Rumble. Normalmente, quando és eliminado voltas para o backstage, mas houve um indivíduo que foi eliminado e achou boa ideia ir até à entrada da sala a rastejar e vi que se estava a aproximar da poça. Cheguei ao pé dele e disse para ele não se mexer, porque havia urina no chão, mas ele não me percebeu bem e continuou a rastejar e parou exatamente onde estava a poça. Quando lhe sussurrei ao ouvido que um velho urinou ali e lhe disse para sair de lá, o gajo olhou para o chão, olho para mim e ficou em choque. Moral da história? Maltinha, se estiverem numa rumble, não inventem: saiam para o backstage, não vão para a entrada porque não sabem quem andou lá. 




 

 






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