sexta-feira, 17 de abril de 2026

O campeão europeu “infortunado” pelo FC Porto que virou comentador. Quem se lembra de Casagrande?

Casagrande passou pelo FC Porto no primeiro semestre de 1987
É um dos principais nomes do comentário desportivo no Brasil há cerca de três décadas, mas antes foi campeão europeu pelo FC Porto, em 1987. Um “campeão infortunado”, segundo palavras de Pinto da Costa, tendo custado um milhão de dólares e não ido além de nove jogos e dois golos de dragão ao peito.
 
Nascido a 15 de abril de 1963 em São Paulo, Walter Casagrande concluiu a formação e iniciou o percurso como sénior no Corinthians, mas um desentendimento com o treinador Oswaldo Brandão, numa altura em que tinha apenas 18 anos, motivou o seu empréstimo à Caldense.
 
Após brilhar no campeonato mineiro, voltou ao timão em 1982 e foi um dos líderes do célebre movimento da Democracia Corintiana, juntamente com Sócrates, Wladimir e Zenon, que criou uma espécie de autogestão no clube.
 
 
Apesar de ter sido emprestado ao São Paulo em 1984 após desagradar ao treinador Jorge Vieira por causa da sua vida boémia, viveu no Corinthians a melhor fase da carreira, até 1986, tendo conquistado dois campeonatos paulistas (1982 e 1983). Paralelamente, foi chamado pela primeira vez para a seleção brasileira, por Telê Santana, em abril de 1985, tendo disputado uma série de jogos na antecâmara do Mundial 1986 que lhe valeram a convocatória para a fase final do torneio, disputado no México.
 
No Campeonato do Mundo, “Casão” teve de se contentar com o estatuto de suplente de Careca e Müller, tendo fechado logo a seguir a sua história no escrete, ao fim de 19 internacionalizações e oito remates certeiros.
 
 
Em janeiro de 1987 foi contratado pelo FC Porto por um milhão de dólares, tornando-se na altura a maior contratação do futebol português até então. Estreou-se com um golo num empate a dois com o Vitória de Guimarães, nas Antas, e faturou também na semana seguinte, numa goleada ao Samora Correia para a Taça de Portugal (5-0).
 
Manteve a titularidade no jogo seguinte, uma visita ao Desp. Chaves (2-1), mas não marcou e foi relegado por Artur Jorge para o banco, até porque nessa altura a grande referência do ataque portista era Fernando Gomes.
 
Recuperou um lugar no onze na segunda-mão dos quartos de final da Taça dos Campeões Europeus, no terreno do Brondby, a 18 de março, mas lesionou-se ainda na primeira metade da primeira parte, tendo fraturado a tíbia numa disputa de bola. “Empatámos o jogo a um golo, mas perdemos um grande trunfo para alcançar os nossos objetivos. Mas o que impressionou, e nunca mais esqueci, foi que na viagem de regresso sentei-me a seu lado para o confortar, lamentando o seu e o nosso azar. Então, ele serenamente disse-me: ‘Presidente, importante é que passámos e eu vou ser campeão europeu.’ Fiquei sem palavras, mas orgulhoso de ouvir estas palavras de um atleta que só tinha quatro meses no nosso clube. Mais tarde, na meia-final, referi este episódio à equipa, antes do jogo FC Porto-Dínamo Kiev, para lembrar que um jogador assim tinha de ser campeão europeu. E foi! Foi um campeão infortunado, mas foi”, recordou Pinto da Costa no livro Azul até ao Fim, lançado em outubro de 2024.
 
 
Casagrande ainda voltou aos relvados antes do final da época, tendo participado jogos diante de Farense e O Elvas para o campeonato e estado no banco na final da Taça dos Campeões Europeus, diante do Bayern, em Viena.
 
Depois mudou-se para Itália, onde representou Ascoli e Torino. Em Turim formou uma parceira muito bem-sucedida com o belga Enzo Scifo e o italiano Gianluigi Lentini, tendo vencido a Taça de Itália em 1992-93 e contribuído para a caminhada até à final da Taça UEFA em 1991-92, marcando mesmo dois golos ao Ajax na primeira-mão da final europeia (2-2 em casa, antes de 0-0 em Amesterdão).
 
 
 
Após cerca de meia dúzia de anos afastado do seu país, regressou ao Brasil para vestir a camisola do Flamengo em 1993, tendo sido ovacionado pelos adeptos do Corinthians durante um jogo entre as duas equipas.
 
Acabou por voltar ao timão em 1994 para encerrar uma história com 256 jogos e 103 golos, tendo ainda representado os modestos Paulista de Jundiaí e São Francisco da Bahia antes de pendurar as botas em 1996, aos 33 anos.
 
Praticamente desde o momento em que encerrou a carreira de futebolista que tem sido comentador desportivo em vários canais de televisão no Brasil, tendo passado pela ESPN e pela rede Globo. Desde julho 2023 que está ligado ao portal de UOL.
 
Paralelamente, publicou três livros em parceria com o jornalista Gilvan Ribeiro: Casagrande e Seus Demônios (2013), Sócrates e Casagrande - Uma História de Amor (2016) e Travesia (2020).
 
Em maio de 2015 sofreu um enfarte e esteve internado numa unidade de cuidados intensivos, tendo sido sujeito a uma angioplastia e a um cateterismo.



 




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