O extremo baixinho e veloz que brilhou no Paços de Ferreira e no Boavista. Quem se lembra de Zé Manel?
Zé Manel jogou na I Liga durante dez anos, entre 2000 e 2010
Um extremo à moda antiga:
baixinho (1,68 m), veloz, vertical e dotado de qualidade técnica e forte
remate. Subiu a pulso desde a III Divisão Distrital da AF
Braga, mas foi bem a tempo de disputar 271 jogos na I
Liga, atuar na Taça
UEFA e somar duas internacionalizações pela seleção B, tendo brilhado
sobretudo ao serviço de Paços
de Ferreira e Boavista.
Nascido a 22 de fevereiro de 1975
em Fraião, no concelho de Braga, começou a jogar futebol num pequeno clube
local, o Maikes Fraião, tendo competido na II Divisão Distrital da AF
Braga entre 1992 e 1994 e no terceiro escalão bracarense entre 1994 e 1996.
“No meu tempo, não havia formação como hoje. Era praticamente juniores e
seniores. Comecei na minha freguesia e não pude assinar o meu primeiro
contrato, era menor. Quem assinou foram os meus pais. Nesse primeiro ano em que
joguei federado, a minha freguesia tinha dificuldades em arranjar jogadores.
Fizeram captações e eu, como muitos, fui treinar ao sábado de manhã e fui
surpreendido no final, se queria fazer parte do plantel para a época seguinte.
Assim começou”, recordou ao Maisfutebol
em abril de 2019. No verão de 1996 deu o salto para
os Caçadores
das Taipas, então na III Divisão Nacional, tendo contribuído para a subida
à II Divisão B em 1998. Ainda no clube
do concelho de Guimarães, destacou-se em 1997-98, na II B, tendo fechado a
temporada com 19 golos e um convite para rumar ao Paços
de Ferreira, por indicação de José Mota, então adjunto de Henrique Calisto. “No Taipas,
a época correu-me lindamente, surgindo vários convites na II
Liga. O Mota foi ver dois jogos e deu aval para me contratar. Optei pelo Paços
e fiz bem, longe de saber que, passado um ano, estava na I
Liga. Longe de ter obsessão de ser profissional de futebol. Fui porque
surgiu a oportunidade, naturalmente. Em 2000, estreei-me como jogador da I
Liga, onde permaneci dez anos, que passaram a correr”, lembrou o extremo,
que em 1999-00 ajudou os pacenses
a conquistar o título de campeão do segundo
escalão. Figura da equipa da Mata Real na I
Liga entre 2000 e 2004, apontou o primeiro bis no patamar
maior do futebol português frente ao clube do coração, o Sp.
Braga, em pleno Estádio 1º de Maio, a 6 de abril de 2001. Na época seguinte
marcou num triunfo em casa sobre o Benfica
a 8 de dezembro de 2001 e tornou-se internacional B em janeiro de 2002, tendo
atuado em dois jogos de quinas ao peito. Depois de uma temporada um pouco mais
apagada em 2002-03 – apesar
de uma jogada maradoniana numa vitória caseira sobre o FC Porto com Cadú a
roubar-lhe o golo sobre a linha –, explodiu a nível individual em 2003-04,
com 12 golos entre campeonato e Taça
de Portugal, mas não conseguiu impedir a descida de divisão.
Após a despromoção mudou-se para
o Boavista,
tendo vivido três anos positivos no Bessa, com destaque para a primeira época,
2004-05, na qual apontou 14 golos entre campeonato e Taça.
No verão de 2007, quando já tinha
32 anos, ingressou no “seu” Sp.
Braga. Foi maioritariamente uma segunda linha no plantel, mas atuou em 23
jogos, dos quais três para a Taça
UEFA.
Por fim, no que à I
Liga diz respeito, representou o Leixões
entre 2008 e 2010, tendo reencontrado José Mota em Matosinhos. Na primeira
temporada contribuiu para a obtenção de um honroso sexto lugar, mas na segunda
não conseguiu evitar a descida de divisão.
Seguiram-se dois anos no Trofense,
na II
Liga, antes de regressar ao Boavista
para jogar na II Divisão B em 2012-14 e aos Caçadores
das Taipas para competir na I Divisão Distrital da AF
Braga entre 2013 e 2015. Por fim, despediu-se da carreira de futebolista
após uma época com a camisola do Académico de Martim, em 2015-16, quando já
tinha 41 anos.
Após pendurar as botas comprou
uma vinha com quase um hectare e tornou-se condutor numa empresa de transporte
de mercadorias em veículos pesados.
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