sexta-feira, 24 de julho de 2026

Leo Rossi: “Quando comecei tinha a ideia de interpretar um Fantasma das 7 Colinas” (Parte 2)

Leo Rossi é campeão nacional absoluto desde dia 18
Além de único wrestler tetracampeão em Portugal e a conquistar títulos em três promotoras, partilhou o ringue com Mike Bailey e Pete Dunne, fez um seminário com Zack Sabre Jr. e já lutou no Japão… onde se viu obrigado a passar uma noite ao relento, junto a uma estação de comboio.
 
Em entrevista, Leo Rossi passa a carreira em revista, fala sobre os tempos que passou e a forma como saiu do CTW, conta como está a relação com Red Eagle, explica a evolução da personagem e a origem da catch phrase “topas?”, desvenda os principais ensinamentos que as estrelas internacionais lhe passaram e revela combates favoritos e os dois lutadores portugueses que gostaria de defrontar.
 
David Pereira – Estreaste-te nos ringues em maio de 2015, começaste por usares o ring name Leonardo Rossi e inicialmente eras muito magrinho e chegaste a ter guarda-costas. Entretanto passaste a “Pai Grande” Leo Rossi, que pelo menos enquanto foste babyface pareceu algo religioso. Qual foi o processo de construção e evolução tanto em termos de gimmick em geral como in ring em particular?
Leo Rossi Quando comecei, lembro-me que as duas personagens que eu queria ter eram completamente distintas. Sempre gostei de coisas mais misteriosas, personagens mais misteriosas, então eu tinha a ideia de interpretar um Fantasma das Sete Colinas, com pintura fácil e uma apresentação mais eclética, porque na altura seria algo diferente. Estava entre isso e o Leonardo Rossi, que acabava por ser uma dimensão da minha personalidade, basicamente um aristocrata. Na altura tinha a consciência de que eu não era um Adonis, que não era super atlético e musculado, e que se fosse o fantasma das sete colinas teria de ser super-rápido, super ágil e fazer coisas incríveis. Mas se arranjasse simplesmente um gajo maior que eu, um gajo grande que me conseguisse defender e garantir que eu consigo ganhar os meus combates, conseguiria uma forma de impactar as pessoas, porque seria um menininho que só ganhava porque tem um gajo grande com ele. Então optei por ser o Leonardo Rossi. Nos primeiros combates que fiz, eu tinha um segurança, o Igor Machado, que me ajudava nos combates e depois foi despedido porque caí em cima dele e ele rasgou as calças, mas humilhou-se e ele próprio humilhou o Leonardo Rossi. E foi aí que descobri o Santos, que tinha começado a treinar há pouco tempo no CTW e tornou-se o meu guarda-costas, porque era um gajo grande, bem maior que eu, mais forte do que eu.
Depois eu próprio comecei a ficar mais forte e melhor wrestler e deixei de ter essa necessidade de ter alguém, porque achava que já não precisava. Depois as coisas foram evoluindo. Leonardo Rossi era mais um aristocrata, algo mais beto, e depois percebi que não sou assim, que não me identifico assim tanto com a personagem. Eu tenho descendência angolana, os meus pais são angolanos, tenho avós angolanos, o meu avô é cabo-verdiano, e então sempre tive esta influência africana na minha vida. Lembro-me, que quando jogava ou fazia alguma coisa com os primos, dizia-lhes que era o “Pai Grande”. E então, num show, acho que até foi quando lutei com o Jigsaw, estava a fazer comentários do show e comecei a gritar que era o “Pai Grande”. Depois reduzi Leonardo, que era algo mais longo e beto, para Leo.
 
 
Já no Wrestlefest, quando levo uma surra do Paulo “Knockout” Cruz, a ideia que quis criar foi que este Leo Rossi morreu e que houve uma ressurreição do Leo Rossi, então acabei por misturar um bocado esta ideia que eu já tinha do Fantasma das Sete Colinas, que era um bocado o gajo que voltou dos mortos. Após esse combate com o Paulo, tive uma visita ao hospital, porque senti alguma coisa que depois percebi que não era assim nada de gravíssimo, mesmo tive mesmo de ir lá, porque sentia que me doía a respirar e essas coisas todas.  Mas, basicamente, o Leo Rossi teve de ficar fora de cena e voltar com uma coisa um bocado mística. E foi essa dimensão que dei ao Rossi, daí ter o poncho e ter trocado a música para ser algo mais religioso, sem querer ferir suscetibilidades.
 
 
De onde surgiu a catch phrase “topas?”?
Acho que foi uma cena que comecei a dizer e que agora serve um bocado como muleta, então às vezes dou por mim a dizer mais vezes do que gostava. É algo que faz parte de mim, faz parte do Leo Rossi, principalmente porque é uma coisa foi um bocado perdida, as pessoas não diziam. Lembro-me bem que, quando legendavam a catch phrase do Booker T, “Can you dig it, sucka!?”, traduziam para “topas?”. E eu sempre tentei usar coisas diferentes, que as pessoas normalmente não usava, para tentar também deixar a minha marca.
 
Foste o primeiro campeão nacional da história do CTW e acabaste por ter dois reinados como campeão nacional, um superior a um ano e outro de mais de dez meses. Também foste presença assídua no main event durante vários anos e tiveste desempenhos que te valeram o prémio de lutador do ano da página Hoje Falo Eu em 2018 e 2019. Que memórias tens desses tempos no CTW?
Do CTW tenho boas memórias dessa altura, principalmente pelas oportunidades que me deu. Aprendi bastante, foi um grande tempo de aprendizagem, no qual tive a oportunidade de trabalhar com grandes lutadores como Mike Bailey, Pete Dunne e Tamura, que é um lutador japonês que não é o mais conhecido do muito, mas que é mesmo incrível e que foi um oponente formidável. O CTW abriu-me a porta a algumas experiências, experiências nas quais eu tive que investir, mas isso já são outros quinhentos. Também tive a oportunidade de ir ao Japão, de conhecer toda outra uma dimensão do wrestling que eu não conhecia e foi uma grande experiência, então eu tenho boas memórias. Claro que era uma altura em que eu também estava a crescer, estava a amadurecer, e então há outras dinâmicas mais fora do ringue que eu se calhar não pensava de determinada forma, mas que agora se calhar, com os olhos de hoje, já seria mais assertivo em certas coisas, como por exemplo em fazer shows noutros sítios, que na altura não podíamos fazer. Depois comecei a pensar porque é que eu não poderia fazer um show à APW ou ao WP ou tentar abrir um bocadinho estas portas, que foi o que acabámos por fazer muito com o Wrestlefest. Apesar de todos os problemas que houve com o CTW, e eles agora estão a fazer a cena deles, tenho muito boas memórias e aprendi bastante.
 
 

Os ensinamentos de Pete Dunne, Mike Bailey e Zack Sabre Jr.

Já defrontaste nomes conceituados internacionalmente como os que mencionaste e participaste ainda em seminários com outros, entre os quais Zack Sabre Jr. O que mais recordas desses combates e seminários e o que aprendeste com cada um deles?
Conceitos que achei interessantes, coisas que até hoje estou a tentar dominar. Por exemplo, no seminário do Pete Dunne, ele disse que sempre quis convencer o pai, que nunca foi fã de wrestling, que o wrestling era a sério. Lembro-me de ele dizer que fazia os shows a pensar que queria convencê-lo, que era uma competição, então acho que muita dessa intensidade que vês nos combates do Pete Dunne parte um bocado disso. O que ele nos queria ensinar é a meter intensidade em tudo o que fazemos, para passar essa imagem às pessoas.
O Zack Sabre Jr. falou sobre o conceito de wrestling técnico, chain wrestling, e disse que não existe chain wrestling. É wrestling, algo que existe do início ao fim do combate, e que o chain wrestling não é uma altura que aparece no início do combate em que se fazem chaves, basicamente é algo que é aplicado durante o combate todo.
O Mike Bailey ensinou-me que, nos dias de hoje, tens de ter movimentos fixes, que sejam bons. Pensar que claro que existe toda a psicologia à volta do wrestling, mas que é importante destacar-se e ter bons moves, bem feitos, ter uma boa ofensiva. E eu sempre foi um lutador mais conservador, mais tradicional, nem sempre tive isso em mente, porque achava que não era o meu papel enquanto vilão, que era ganhar através de qualquer meio possível. Isso deu-me outra perspetiva e se calhar devia ter investido mais nisso, chamar mais a atenção pelos meus movimentos, aplicar mais esse ensinamento, mas foram aspetos que ficaram na minha cabeça.
 
 
Depois desse feedback, sobretudo o do Mike Bailey, houve algum move que passaste a adotar?
Na altura ainda comecei a fazer algumas coisas e tinha umas ideias até de fazer dives e tudo mais, mas depois acabei por deixar de ter isso em mente, mas ainda acrescentei algumas coisas. Comecei a fazer mais outros movimentos, mas acho que podia ter feito mais, podia ter acatado mais esse conselho. Mas pronto, fica aqui também para outros wrestlers lerem e também terem isso em conta.
 

A saída do CTW, o ingresso no WP e a relação "nem sequer cordial" com Red Eagle

Leo Rossi com Pete Dunne no show de 18 fevereiro de 2017
Despediste-te dos ringues do CTW precisamente no combate em que perdeste o Título do CTW, a 29 de fevereiro de 2020, imediatamente antes do surgimento da pandemia de covid-19 em Portugal, bem antes de rebentar o caso da Cláudia. Depois só voltaste a lutar em dezembro de 2021, num evento da Lucha Libre Barcelona, e passaste a fazer parte dos eventos do WP a partir de outubro de 2022. O que te levou a sair do CTW, a ingressar no WP e a estar tanto tempo afastado dos ringues entre esses dois momentos?
O Covid-19 teve um impacto grande na minha família, porque tive familiares que estiveram hospitalizados e em risco de vida, e foi muito difícil para mim. Nesse ano de 2020 perdi pessoas mesmo fora do contexto do Covid e mesmo na comunidade de wrestling houve pessoas que morreram, como um rapaz do Reino Unido que treinou connosco e fazia shows connosco, e um rapaz que era músico que era da Cuca Monga, a editora dos Capitão Fausto, que também morreu. Também tive perdas familiares, como a minha avó, e então perdi interesse pelo wrestling e dei prioridade a outros aspetos da minha vida. Foi também por isso que saí do CTW, porque deixei de investir tanto, deixei de ir aos treinos, embora mantivesse disponibilidade para o que fosse preciso no CTW, mas isso não foi visto da mesma forte pelos dois lados. Quando os números do Covid já estavam a descer, já havia disponibilidade da minha parte em voltar, mas já não havia disponibilidade do outro lado e acordámos que íamos para caminhos diferentes. Depois, comecei sempre a pensar no que é que poderia ser diferente na minha personagem, queria fazer mais shows, e na altura acho que já tinha falado com o WP na possibilidade de eu fazer shows quando a nova season começasse e também já tinha o contactado com o promotor da Lucha Libre Barcelona, o Jeffrey Pac, que já conhecia do CTW, sobre a possibilidade de eu fazer um show deles. Então decidi ir lá treinar com eles, fazer um show e visitar Barcelona, o que é sempre bom. Depois quando voltei, no ano seguinte, fui para o WP.
 
Como ficou a tua relação com o Red Eagle?
Nós não temos propriamente uma relação. Estou muito grato por tudo o que ele fez por mim e por me ter treinado, porque é um ótimo treinador, mas de facto desde que saí do CTW não vou dizer que é uma relação de ódio, mas não é uma relação próxima nem sequer cordial.
 
A 15 de outubro de 2023 derrotaste Bernardo Barreiros para te sagrares campeão nacional do Wrestling Portugal e minutos depois perdeste o título para o Pégaso. Que sabor teve esse momento para ti? Por um lado, o Título do WP foi quase sempre gerido de uma forma bastante simbólica e o teu nome está lá na galeria dos campeões; mas por outro, foram apenas uns minutos…
É sempre uma honra ter essa possibilidade de ser campeão do WP. Por muito que tenha sido curto, conta como um reinado, até porque depois acabei por ser um bocado roubado pelo Trunfo na Manga do Pégaso. É sempre uma honra e tenho muito respeito pelos wrestlers e pela direção do WP, porque quando fui do CTW para lá, tratavam-me muito bem, apreciavam o meu trabalho e deram-me a oportunidade de fazer logo algo fixe, que foi ganhar a Taça Real [na estreia, a 23 de outubro de 2022] e trabalhar com o campeão, o Bernardo Barreiros. Tentei sempre entregar o máximo de mim e esse foi um dos motivos pelos quais eu saí do WP, porque eu não conseguia da o máximo, porque não podia dar o máximo, e acho que era importante eles também terem garantias de talento e de alguém que consiga, de facto, dedicar-se ao WP, que eles merecem.

 
 
Quando falas em não conseguires entregar o máximo, tem a ver com o quê?
Tem a ver com disponibilidade temporária. Com o Wrestlefest e a minha vida, não conseguia dedicar-me aos shows do Wrestling Portugal por inteiro.
 
Ia precisamente perguntar-te porque estavas há tanto tempo afastado dos shows do WP e porque nunca fizeste parte de um evento da APW…
Não é nada contra ninguém. Acho que o facto de existirem é meritório. E devem continuar a existir, porque têm importância, mas simplesmente não tenho disponibilidade para estar nos espetáculos deles.
 
Já lutaste em Espanha, em França e no Japão. Como correram essas experiências internacionais e como foi trabalhar públicos em culturas tão diferentes? No Japão o público é conhecido por ser silencioso…
Lembro-me de ver entrevistas de wrestlers a dizer que no Japão havia muito esta coisa do silêncio durante grande parte do combate, mas que depois acontece alguma coisa e há uma reação. Lembro-me que no primeiro show que fiz lá fiquei surpreendido porque nunca senti isso, nunca houve aquele silêncio constante. Senti mais diferenças na forma como os fãs apoiavam, porque se calhar em vez de estarem a fazer cânticos ou algo do género, gritavam o nome do wrestler que apoiavam vezes e vezes sem conta. Claro que existem sempre as palmas e essas coisas todas, mas vi uma comunidade muito dedicada, principalmente no Japão, e foi lá que eu mais me senti uma estrela. Houve uma situação em que me enganei a sair do backstage, então saí mesmo pela zona por onde o público estava a sair, e lembro-me que me senti o Hulk Hogan nos anos 1980, porque vieram todos ao meu encontro, no show em que ganhei o Título do CTW. Era um show muito grande, o maior que eu alguma vez fiz, com mais de mil pessoas, e então foi muito gratificante essa parte.
Depois houve os shows de França, que tem muito este contexto europeu, e em Espanha a mesma coisa, mas é sempre bom e dá para ver, principalmente pelo talento que encontrei dentro dos espetáculos, não só coisas que se podem trazer para cá e, agora nem tanto, muitas coisas que o wrestling português pode aprender mesmo do ponto de vista da organização e do talento. 
 
Quais são os combates de que mais te orgulhas e com quem entendes ter melhor química em ringue?
Dos mais recentes gostei dos meus combates com O Gomes, com o Ricky Boy e com o Paulo “Knockout” Cruz, pelo impacto que o primeiro combate teve nas pessoas. E depois tenho o combate com o Tamura, que eu adoro. O primeiro e o segundo combate que tive com ele são dos meus combates favoritos, porque o Tamura é um lutador que eu sempre tive uma química muito grande e, não falando a mesma língua, conseguimos comunicar super bem. E o combate do Mike Bailey foi um combate em que percebi o nível em que ele estava, e que eu gostava, e acho que nunca fiquei nervoso para um combate a não ser o combate com ele.
 
  
 

Gostava de defrontar Damião e… Baltazar

Por outro lado, com quem é que no cenário português gostavas de lutar entre os que nunca defrontaste?
Há dois nomes em que o penso logo: o Baltazar e o Damião. São mesmo os dois wrestlers com quem eu gostava de trabalhar e ter um combate com eles. As circunstâncias ainda não permitiram que isso acontece, mas tenho muito interesse.
 
Um eventual combate com o Baltazar parece estar a ser cozinhado em lume brando há vários anos, uma vez que são ambos os únicos duas vezes considerados “Lutador do ano” nos prémios do Hoje Falo Eu, tu em 2018 e 2019 e o Baltazar em 2023 e 2024…
Acho que sim. Até para ver quem é que é o verdadeiro lutador do ano. Acho que o vencedor deveria ser o lutador do ano no ano em que o combate acontecer, para desempatar.
 
Já sofreste alguma lesão grave?
Não sei se pode chamar grave, mas já tive duas lesões mais ou menos do mesmo género que demoraram um mês a recuperar, uma delas há pouco tempo. No ano passado sofri uma rotura no ombro e na altura do CTW volte a deslocar o cotovelo, que curiosamente foi o que tinha acontecido no meu segundo treino, mas continuei a fazer espetáculos. No espetáculo a seguir tinha combate com o Flash Morgan Webster, então fiz o máximo para poder lutar. Depois também tive aquela situação após o combate com o Paulo [“Knockout”], em que tive de ir ao hospital.
 
És um especialista em redes sociais e alguém com formação na área de marketing e comunicação. O que é que isso te tem ajudado no wrestling, mais precisamente enquanto wrestler?
Sinto que sou o técnico de redes sociais que menos se dedica às redes sociais no que toca ao Leo Rossi. Não entendi como deveria investir nas redes sociais do Leo Rossi, mas sinto que isto acabou por ter todo um destino, porque depois comecei a fazer gestão de redes sociais. Através da minha formação, sou licenciado em Ciências de Comunicação e conheci, por exemplo, a Glaucia e a Giovanna, que são do +55 Lab, a agência de comunicação que trabalha connosco no Wrestlefest desde o segundo espetáculo. O meu projeto final de faculdade foi com a Glaucia, o espetáculo do Lisboa Wrestlefest. Então acabou por ter sempre uma influência, assim como na comunicação do Wrestlefest.
 
Leo Rossi e Mike Bailey defrontaram-se em novembro de 2019 
Para terminarmos com chave de ouro, peço para que contes a história mais hilariante que viveste relacionada com wrestling…
Uma é de quando estive no Japão. Houve um dia e quem o Zack Sabre Jr. me convidou a mim e ao Red Eagle para ir jantar com ele, só que nós já tínhamos jantado com o Tamura. Mas como o Zack nos convidou fomos a Shibuya ter com ele e não tínhamos fome, mas ele quis ir a um restaurante de sushi e disse para comermos, que ele nos pagava o jantar. Mas depois a noite foi muito malpassada. Fiquei bem cheio, super empanturrado, e depois fui apanhar o comboio para voltar ao Dojo, que era onde eu estava a dormir, mas adormeci no comboio e acordei no fim da linha, sem qualquer possibilidade de voltar porque os comboios tinham acabado naquele dia. Então fiquei lá um aquário que havia com livros a passar a noite até passar o comboio das 5 da manhã. Mas o senhor que trabalhava lá e não falava inglês disse, com gestos, que iam fechar a estação. Então tive de ficar a noite toda na rua, ainda por cima com vontade de ir à casa de banho porque tinha comido muito, mas tive de me conter. Havia táxis, mas não sabia dizer para onde é que eu queria ir e estava sem bateria no telemóvel. Estive ali mais ou menos umas cinco ou seis horas parado, a olhar para o boneco porque não podia dormir. A única coisa boa foi que pude tirar um café lá das máquinas da rua. Depois, quando cheguei de manhã ao Dojo e estava lá um lutador que era o Tetsuya Izuchi, que estava lá a dormir e terá ficado a pensar que andei na vida noturna.
A outra história que eu tenho é com o Vítor Amaro. Estávamos a lutar pelo Título da APW no CTW [a 9 de setembro de 2017, no Fight Your Demons, em Azeitão]. Vi-o a treinar uma coisa que ele queria fazer, que era saltar do palco para o chão, e ele estava decidido. Quando chegou à altura do combate, ele ia saltar para cima de mim com um Crossbody, eu desviei-me e quando ele aterra em pé sofreu uma lesão grave no tornozelo ou no pé, e isso influenciou todo o resto do combate. E eu, sendo Leo Rossi, decidi trabalhar no pé. A certa altura, oiço o árbitro, o Luís Manuel, a dizer que o Vítor me estava a dizer para não trabalhar no pé. Também houve um momento em que era para ele rasgar a camisola, mas não conseguiu e então tentou usar os dentes. É das coisas que mais falamos até hoje. Ainda me lembro de ele estar lá fora a queixar-se e de o Red Eagle estar a abanar uma toalha na cara do Vítor Amaro. Ainda hoje nos lembramos disso com muita nostalgia.
 
 


 

 

 



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