quarta-feira, 27 de março de 2024

O ex-gangster que se catapultou para o estrelato em Campo Maior e no Bessa. Quem se lembra de Jimmy Floyd Hasselbaink?

Jimmy brilhou no Campomaiorense e no Boavista
Jimmy Floyd Hasselbaink foi um dos grandes avançados do seu tempo. Foi melhor marcador da Premier League em duas ocasiões (em 1998-99 pelo Leeds United e em 2000-01 pelo Chelsea), marcou presença no Mundial 1998, fartou-se de marcar golos no Atlético Madrid e ajudou o modesto Middlesbrough a chegar à final da Taça UEFA em 2005-06. Mas a fama e o prestígio internacional que ganhou teriam sido muito difíceis de obter caso o Campomaiorense não o tivesse trazido para o futebol português.

Nascido no Suriname a 27 de março de 1972, foi viver para os Países Baixos com a mãe e três irmãos e começou por ser guarda-redes nas camadas jovens do modesto Gestaagt Volharding Overwint (GVO).

Entretanto juntou-se a um gang e esteve envolvidos em vários roubos, tendo chegado a passar três meses num centro de detenção juvenil e a ser expulso de um clube. Mesmo quando transitou para sénior continuou a acumular problemas disciplinares, tendo sido dispensado pelo Telstar, então na II Liga Holandesa, após ter chegado atrasado a vários jogos.

Após ter passado pelo AZ Alkmaar, esteve a treinar à experiência em clubes dos Países Baixos, da Áustria e... no Campomaiorense, acabando por impressionar o treinador Manuel Fernandes no verão de 1995. "O meu empresário da altura era muito amigo de um outro empresário em Portugal, que conhecia pessoas em Campo Maior. O clube precisava de um avançado na altura e uma coisa levou à outra. Foi assim que eu apareci em Campo Maior", contou ao Maisfutebol em abril de 2023.

Na altura, era conhecido no seu país apenas pelo apelido, Hasselbaink, mas Rui Nabeiro deu-lhe o nome "Jimmy". "Ele não queria que ninguém soubesse que eu estava em Campo Maior à experiência e veio com essa ideia de me chamarem Jimmy. O meu nome é Jerrel Floyd Hasselbaink e na altura eu era conhecido como Hasselbaink. Foi ele que me colocou Jimmy e partir daí toda a gente me chamava Jimmy. Aliás, em Inglaterra fiquei como Jimmy Floyd Hasselbaink", acrescentou.


Embora tivesse chocado com as diferenças no país, idioma, clima e cultura, adaptou-se rapidamente a Campo Maior e ficou encantado com a simpatia dos locais. Em campo, desatou a marcar golos. "Boa gente. Foi a partir deles que eu tive a minha oportunidade. Se não fosse Campo Maior e a família Nabeiro eu não seria o Jimmy Floyd Hasselbaink que sou hoje. Estou-lhes muito grato e naturalmente deixo as minhas condolências à família. Rui Nabeiro era um homem fantástico. Falava um inglês ok, um pouco forçado, e lembro-me que nos divertíamos. Ríamo-nos muito juntos. Não tenho uma única coisa má recordação de Campo Maior, da família Nabeiro ou do Campomaiorense", confessou o antigo ponta de lança.

Ao serviço do conjunto alentejano apontou 12 golos em 34 jogos oficiais em 1995-96, mas mostrou-se impotente para impedir a despromoção à II Liga. Ainda assim valorizado, deu o salto para o Boavista. "Era um nível acima, jogava as competições europeias, tinha grandes jogadores como o Sanchez, o Artur, o Nuno Gomes, enfim. Era um clube maior, numa cidade muito diferente, com mais pressão, mas também um clube muito simpático e que me tratou sempre bem. A família Loureiro, que estava à frente do clube, foi também muito boa para mim", lembrou o neerlandês, que ao serviço dos axadrezados somou 24 remates certeiros em 38 encontros, tendo conquistado a Taça de Portugal na única época que passou no Bessa, em 1996-97. Os 20 tentos que somou na I Liga nessa temporada só foram superados pelos 30 de Jardel.


Depois veio o estrelado. No verão de 1997 foi transferido para o Leeds United por dois milhões de libras (equivalente a 2,78 milhões de euros ao câmbio da altura) e em Inglaterra viveu o auge da carreira. Em 1998-99 sagrou-se o melhor marcador da Premier League, tendo dividido o prémio com Michael Owen e Dwight Yorke, todos com 18 golos. Antes, fez a estreia pela seleção neerlandesa e marcou presença no Mundial 1998.


Seguiu-se nova transferência, mas para o Atlético Madrid, por um valor equivalente a 16,7 milhões de euros. Individualmente viveu na capital espanhol uma época de sonho, ao apontar 35 golos em 47 partidas, mas coletivamente vivenciou um pesadelo, uma impensável despromoção à II Liga Espanhola.


Contudo, como tinha uma cláusula de despromoção no seu contrato, teve facilidade em regressar à Premier League pela porta do Chelsea, que pagou o equivalente a 22,5 milhões de euros pelos seus serviços. Em Stamford Bridge acabou por reencontrar Claudio Ranieri, que o havia orientado nos colchoneros, e voltou a sagrar-se melhor marcador da liga inglesa, com 23 golos em 2000-01. Nessa temporada venceu ainda a FA Charity Shield, a Supertaça de Inglaterra.


Haveria de permanecer em Londres já para lá do início da era Roman Abramovich, mas foi dispensado por José Mourinho no verão de 2004. Acabou por rumar ao Middlesbrough, ajudando o emblema do Riverside a atingir a final da Taça UEFA em 2005-06.


Na curva descendente da carreira representou ainda Charlton e Cardiff antes de pendurar as botas em 2008, aos 36 anos.







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