quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

A minha primeira memória de… um jogo entre Benfica e Shakhtar

Avançado paraguaio Óscar Cardozo brilhou no frio da Ucrânia
Não tinha muito por onde escolher. A minha primeira memória de jogos entre o Benfica e o Shakhtar Donetsk remonta ao final de 2007, quando os dois clubes se defrontaram na fase de grupos da Liga dos Campeões. Os dois encontros entre águias e ucranianos foram, até fevereiro de 2020, os únicos de cariz oficial entre as duas equipas em toda a história.


Na altura, o treinador romeno Mircea Lucescu ainda não estava a meio de um reinado de 12 anos no comando técnico do Shakhtar, entre 2004 e 2016, mas já se notava a presença de brasileiros no plantel. Brandão, Ilsinho, Jádson, Fernandinho e Willian eram os elementos que davam um toque de samba ao gélido futebol da formação do leste europeu.

O emblema do Donetsk estava a começar a colocar em causa a hegemonia interna do Dínamo Kiev, que nos 15 anos anteriores tinha conquistado 12 campeonatos. Porém, o Shakhtar nunca tinha ultrapassado a fase de grupos da Liga dos Campeões, prova que disputava pela quarta vez, e o melhor que tinha feito nas competições europeias foi chegar aos quartos de final da Taça das Taças em 1983-84, tendo sido eliminado na altura pelo FC Porto.

Já o Benfica participava pela terceira época consecutiva na Champions, depois de ter estado ausente entre 1999-00 e 2004-05, e tinha investido forte no reforço do plantel nessa época com as contratações de Óscar Cardozo (ex-Newell's Old Boys, 11,67 milhões de euros), Ángel Di María (ex-Rosario Central, 8 M), Maxi Pereira (ex-Defensor, 5,7 M), Gonzalo Bergessio (ex-Racing Club, 2,5 M), Edcarlos (ex-São Paulo, 1,8 M) ou Freddy Adu (ex-Salt Lake, 1,5 M).


O primeiro jogo entre as duas equipas foi na Luz e referente à 2.ª jornada da fase de grupos, depois de o Shakhtar ter batido em casa o Celtic (2-0) e o Benfica ter sido derrotado em San Siro pelo AC Milan (1-2) na ronda inaugural. A 3 de outubro de 2007, as águias foram derrotadas em Lisboa pelos ucranianos por 0-1.

O único golo do encontro foi apontado por Jádson, que rematou à vontade no coração da área após combinação com Fernandinho, na sequência de uma perda de bola do lateral benfiquista Nélson, aos 42 minutos.


“Noite de ineficácia deu em nova derrota. Está difícil a vida do Benfica, que ainda não somou qualquer ponto ao cabo de duas jornadas de Liga dos Campeões. As águias estão sós no último lugar do Grupo D depois de uma derrota caseira com o Shakhtar, e as contas para o apuramento são agora bem complicadas. Na base do insucesso das águias esteve mais uma vez a enorme ineficácia do seu ataque, isto porque, mesmo realizando uma exibição pouco conseguida, foram muitas as oportunidades desaproveitadas pelos encarnados. E, como é hábito dizer-se, quem não marca arrisca-se a sofrer, como veio, de facto, a suceder. Jádson foi o carrasco da equipa de José António Camacho, marcando, aos 42 minutos, num lance de contra-ataque bem gizado pelos ucranianos, depois de uma inadmissível perda de bola de Nélson. Um golo que valeu três pontos ao Shakhtar, que soma por vitórias os seus dois jogos”, resumiu o jornal O Jogo, acerca de uma partida da qual pouco ou nada me lembrava.

Dois meses depois, a 4 de dezembro, as duas equipas defrontaram-se na última jornada. O Benfica partia para a última ronda com quatro pontos, na quarta posição, já afastado do apuramento para os oitavos de final da Liga dos Campeões mas com a possibilidade de ser repescado para a Taça UEFA em caso de vitória. Por outro lado, o Shakhtar já não pontuava desde a partida da Luz e necessitava de vencer o Benfica e esperar por uma derrota do Celtic em San Siro para seguir em frente na Champions.


Apesar de jogar fora e logo numa altura em que já se fazia sentir o inverno rigoroso da Ucrânia, o Benfica foi a Donetsk vencer por 2-1. Ao contrário do jogo da Luz, recordo-me vagamente de ter acompanhado este encontro e de Óscar Cardozo ter tido um plantel fundamental. Só não me lembrava ao certo qual tinha sido o resultado, mas a Internet serve para este tipo de coisas.

O avançado internacional paraguaio, conhecido por Tacuara, apontou os dois golos benfiquistas. O primeiro logo aos seis minutos, depois de aproveitar um passe errado do médio defensivo internacional polaco Mariusz Lewandowski e de ter tirado do caminho o guarda-redes internacional ucraniano Andriy Pyatov, que ainda hoje se mantém no plantel do Shakhtar. O segundo aos 22', de cabeça, na resposta a um cruzamento de Maxi Pereira.

Os ucranianos reduziram à passagem da meia hora por intermédio do avançado internacional italiano Cristiano Lucarelli, que na primeira metade dessa época jogou pelo clube de Donetsk depois de ter brilhado no Livorno ao longo de quatro temporadas, entre os quais em 2004-05, quando foi melhor marcador da Série A, com 25 golos. Apesar de haver mais uma hora para se jogar, o resultado não sofreu alterações.

“Cardozo não é só pé esquerdo. Contas saldadas entre o Benfica e o Shakhtar Donetsk, com os encarnados a vingarem-se da derrota sofrida em casa, a 34 de Outubro, e a garantirem o apuramento para aos 16 avos-de-final da Taça UEFA, graças a uma entrada demolidora em campo. Com efeito, a águia convidou o Shakhtar Donetsk a assumir o controlo das operações para depois lhe dar a provar do próprio veneno usado pelo conjunto ucraniano quando jogou (e ganhou) no Estádio da Luz: o contra-ataque”, podia ler-se no jornal O Jogo.




















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