sábado, 15 de junho de 2019

Os 10 concelhos mais populosos de Portugal que nunca tiveram clubes na I Liga

Sintrense e 1º Dezembro em dérbi no Campeonato de Portugal
Nem sempre o futebol acompanha a densidade populacional ou o volume do tecido empresarial de um concelho. Estar na metrópole pode ajudar, mas não é decisivo. Tanto assim é que os dez municípios mais populosos de Portugal (segundo os censos de 2015) que nunca tiveram clubes na I Liga estão todos inseridos nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto. Uns ainda tiveram (ou têm) equipas bem perto da elite, na II Liga, mas outros nunca estiveram próximos de realizar esse sonho. Saiba quais são.


10. Paredes (86.554 habitantes)

Em 1991 ascendeu à categoria de cidade, mas no futebol nunca subiu à categoria máxima, num registo desportivo discreto que se estende às outras modalidades.
O clube concelhio que esteve mais perto de alcançar esse feito foi o Aliados Lordelo, que com Jaime Pacheco na equipa ficou em 2.º lugar na Zona Norte da antiga II Divisão em 1978-79 e não conseguiu bater a concorrência do Académico de Viseu na fase de promoção. Na época seguinte foi despromovido à III Divisão e nunca mais conseguiu um desempenho tão assinalável, estando atualmente na Divisão de Elite da AF Porto.

9. Valongo (95.188 habitantes)

Em Valongo, o desporto-rei é o hóquei em patins. Em 2014, a Associação Desportiva de Valongo intrometeu-se entre os grandes e conquistou não só o título nacional como a Supertaça.
Em termos de futebol, o Ermesinde quase deu um ar de sua graça em 1945-46, mas o Famalicão acabou por levar a melhor na luta pela passagem à fase de promoção à I Divisão. Melhor não fez o Valonguense, que no início da década de 1980 esteve na II Divisão mas sempre na metade de baixo da tabela da Zona Norte.

8. Maia (135.678 habitantes)

O Águas Santas é presença assídua no primeiro escalão do andebol português e a União Ciclista da Maia patrocinada por companhias como Jumbo, CIN, Milaneza e MSS foi uma equipa importante na Volta a Portugal nas décadas de 1990 e 2000, mas no futebol nunca houve verdadeiramente uma formação à altura dessas duas no concelho maiato.
Ainda assim, o Futebol Clube da Maia não foi promovido à I Liga em 2000-01 por uma unha negra. Com Mário Reis ao leme, ficou em quarto lugar na II Liga, com os mesmos 64 pontos que Varzim e Vitória de Setúbal, que subiram de divisão como segundo e terceiro classificados. Embora tivesse ficado nos dez primeiros lugares nas quatro temporadas seguintes, acabou por sofrer uma queda vertiginosa que lhe ditou a extinção, tendo sido refundado em 2009 como Maia Lidador.

7. Odivelas (154.462 habitantes)

Do norte ao sul, Odivelas nunca conseguiu ter grande expressão não só no futebol como no desporto em geral. O principal clube do concelho é o Odivelas Futebol Clube, que desde 2015 que não tem qualquer atividade na modalidade. O melhor conseguiu em 80 anos de história foi dois oitavos lugares na Zona Sul da antiga II Divisão, em 1976-77 e 1983-84, curiosamente quando ainda pertencia ao concelho de… Loures.

6. Almada (164.625 habitantes)

É o concelho de onde é natural um Bola de Ouro, Luís Figo, e que viu nascer outros desportistas de eleição como a judoca Telma Monteiro, o motociclista Miguel Oliveira e o piloto de rali Carlos Sousa, mas nunca teve um clube na I Liga.
Esse sonho até poderá estar próximo, pois o Cova da Piedade está desde 2016 a uma divisão de distância, mas estes anos na II Liga têm ficado mais marcados por lutas pela permanência do que pelo alimentar dessa ambição. O emblema azul-grená somou mais de duas dezenas de participações na Zona Sul da II Divisão nas décadas de 1960, 1970 e 1980. O melhor que conseguiu foi três terceiros lugares, em 1962-63, 1966-67 e 1979-80.
Mais perto da bênção do Cristo Rei, o Almada Atlético Clube esteve bastante próximo da elite do futebol português quando ficou em 2.º lugar da sua série/zona em 1945-46, 1946-47, 1950-51 e 1965-66.


5. Oeiras (168.339 habitantes)

Oeiras deveria aparecer com um asterisco, uma vez que o Belenenses SAD no Taguspark, mas atendendo a que os azuis não são oeirenses de gema, excluir o concelho deste exercício só o desvirtuaria.
Oeiras é o município de todo o complexo do Jamor, da conceituada Faculdade de Motricidade Humana, onde estão sediadas federações de várias modalidades e que tem clubes respeitados nas modalidades de pavilhão como o Paço de Arcos no hóquei em patins e os Leões de Porto Salvo no futsal ou, noutro âmbito, o Sport Algés e Dafundo na natação, ginástica, judo e vela. No entanto, no futebol nunca esteve perto de cheirar a I Liga.
A Associação Desportiva de Oeiras, que venceu por três vezes consecutivas a Taça das Taças de hóquei em patins (1976-77, 1977-78 e 1978-79), não foi além de uma presença na extinta II Divisão B em 2012/13, caindo imediatamente nos distritais.

4. Gondomar (173.644 habitantes)

Colado ao Porto, Gondomar foi o concelho que viu nascer o múltiplas vezes melhor jogador de futsal do mundo Ricardinho e até teve em Valentim Loureiro alguém que liderou em simultâneo a Câmara Municipal e a Liga de Clubes, mas ainda procura afirmar-se no futebol.
O Gondomar Sport Clube participou na II Liga entre 2004-05 e 2008-09, mas o melhor que conseguiu foi um 5.º lugar em 2006-07. Anos antes, quando ainda estava na II Divisão B, causou furor ao eliminar o Benfica da Taça de Portugal em pleno Estádio da Luz.

3. Loures (205.870 habitantes)

Nos arredores de Lisboa, Loures viu nascer o comendador Beto, campeão europeu em 2016, mas ainda nenhum clube do concelho atingiu a elite do futebol português.
O que esteve mais perto de conseguir foi o Sport Clube Sacavenense, que contabilizou mais de 20 presenças na antiga na II Divisão. Em 1962-63, 1971-72, 1979-80 e 1981-82, alcançou o quarto lugar na Zona Sul. Já Águias de Camarate, Loures e Fanhões nunca passaram do terceiro escalão nacional.


2. Vila Nova de Gaia (301.172 habitantes)

A sul do Douro, Vila Nova de Gaia é o concelho onde trabalha diariamente o FC Porto, no centro de treinos e formação do Olival, mas os gaienses ainda não tiveram oportunidade de ver uma equipa da terra na I Divisão. Já no futsal, o Modicus é uma das principais equipas nacionais, assim como o Valadares Gaia no futebol feminino.
Vários clubes participaram na II Divisão, mas nenhum conseguiu ascender até entre os grandes da modalidade. Em 1941-42, o Vilanovense venceu a sua série, mas caiu na fase de apuramento de campeão, tendo ficado longe desse sonho nas restantes participações no segundo escalão, durante as décadas de 1940 e 1970. Na época seguinte, o Candal passou o mesmo, caindo aos pés do Leça.
Avintes, Oliveira do Douro, Valadares Gaia e Coimbrões também participaram no segundo escalão, mas sem o mesmo protagonismo.

1. Sintra (382.521 habitantes)

De acordo com os últimos dados, Sintra tem mais de quase 25 mil habitantes do que a Islândia, país cuja seleção nacional esteve no Euro 2016 e no Mundial 2018, mas tal tem valido de pouco para os clubes do concelho, embora por lá tivessem passado os campeões europeus Danilo Pereira (Arsenal 72), William Carvalho (Algueirão e Mira Sintra) e Nani (Real).
O Real Sport Clube até esteve recentemente na II Liga, em 2017-18, mas não foi além do último lugar. Antes, nas décadas de 1960 e 1970, o Sintrense obteve classificações honrosas na Zona Sul da II Divisão, mas o melhor que conseguiu foi a 5.ª posição em 1964-65. Já o 1º Dezembro tem sido mais feliz no futebol feminino, tendo conquistado o campeonato nacional por 12 vezes, 11 delas consecutivas.













1 comentário:

  1. Análise muito curiosa e interessante. Mas faltou falar da componente feminina .

    Acrescentaria o Valadares como tendo futebol feminino de primeira. O Colégio de Gaia é campeão nacional de andebol feminino (ainda que infelizmente muito fechado e pouco divulgado até nas redes sociais o que é uma pena).
    Penso que em Sintra, o Massamá tb se destaca no hóquei feminino.

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