terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

As 10 eliminatórias da Liga dos Campeões mais marcantes de sempre

Eliminatórias da Champions são pautadas pelas emoção
Desde que em 1992 mudou de formato e de nome, de Taça dos Campeões Europeus para Liga dos Campeões, a prova milionária tornou-se mais elitista, deixando apena entreaberta a porta aos campeões dos campeonatos menores e escancarou-a a outras equipas que não as campeãs das principais ligas.
 
Embora a fase de grupos seja uma das bandeiras da era Champions League, tem sido a fase a eliminar a protagonizar autênticos duelos de titãs, entre várias das principais equipas do planeta, em que qualquer baixar de guarda pode custar bem caro, pois do outro lado está sempre um adversário fortíssimo.
 
Entre reviravoltas inesperadas, eliminações surpreendentes, chuvas de golos e golpes de teatro ao cair do pano, vale a pena conferir a nossa lista de dez eliminatórias mais marcantes da Liga dos Campeões, por ordem cronológica.
  
 

1998-99: Meias-finais

1ª mão: Manchester United 1-1 Juventus
A forma como o Manchester United venceu a final da Liga dos Campeões frente ao Bayern Munique em 1999 foi de tal forma épica, que poucas vezes se fala da epopeia que os homens de Alex Ferguson protagonizaram nas meias-finais.
Na primeira-mão, em Old Trafford, a Juventus esteve mais de uma hora em vantagem, depois de Antonio Conte ter inaugurado o marcador aos 25 minutos, mas permitiu que Ryan Giggs restabelecesse o empate ao cair do pano. Ainda assim, uma igualdade a um golo fora continuava a ser um resultado bastante interessante para a vecchia signora, então orientada por Carlo Ancelotti.
 
 
 

2003-04: Quartos de final

1ª mão: AC Milan 4-1 Deportivo
2ª mão: Deportivo 4-0 AC Milan
Campeão europeu e com um plantel recheadíssimo de estrelas como Cafú, Maldini, Pirlo, Seedorf, Kaká, Rui Costa, Shevchenko e Inzaghi, o AC Milan de Carlo Ancelotti entrou como claríssimo favorito frente a um Deportivo que nunca tinha ido além dos quartos de final.
Embora Wálter Pandiani tivesse colocado o emblema da Corunha em vantagem na primeira-mão, em San Siro, Kaká restabeleceu o empate à beira do intervalo. Na segunda parte, os rossoneri entraram de forma demolidora e marcaram três golos no espaço de oito minutos, por Shevchenko (46’), Kaká (49’) e Pirlo (53’).
No entanto, foi tudo bem diferente no Riazor. Endiabrados, os galegos de Javier Irureta já se tinham colocado em vantagem na eliminatória quando o árbitro apitou para intervalo, graças aos golos de Pandiani (5’), Valerón (35’) e Luque (44’). No segundo tempo, Fran deu a estocada final (76’).
 
 
 

2003-04: Quartos de final

1ª mão: Real Madrid 4-2 Mónaco
2ª mão: Mónaco 3-1 Real Madrid
24 horas depois de o Deportivo ter chocado a Europa ao eliminar o campeão europeu AC Milan de forma humilhante, o Mónaco protagonizou outra grande surpresa ao eliminar o Real Madrid dos galácticos.
Mas voltemos ao início. Tal como o AC Milan em San Siro frente ao Deportivo, o Real Madrid de Carlos Queiroz começou a eliminatória com um triunfo aparentemente confortável sobre o Mónaco no Santiago Bernabéu. Depois de Squillaci ter adiantado os monegascos de Didier Deschamps no final da primeira parte (43’), os merengues deram a volta com quatro golos em meia hora, da autoria de Helguera (51’), Zidane (70’), Figo (77’) e Ronaldo (81’). No entanto, o emblema do Principado ainda reduziu a desvantagem, e logo por intermédio de um jogador emprestado pelos blancos, Morientes (83’).
Duas semanas depois, em Monte Carlo, o Real Madrid ficou em posição ainda mais privilegiada para seguir para as meias-finais quando Raúl inaugurou o marcador aos 36 minutos. Porém, depois emergiram as duas principais estrelas do Mónaco: Ludovic Giuly e Fernando Morientes. Depois de servir o francês para o 1-1 à beira do intervalo (45’), o espanhol colocou os monegascos a vencer logo após o interregno (42’). A meio da segunda parte, um mágico toque de calcanhar de Giuly fez a bola passar por entre as pernas de Roberto Carlos e entrar na baliza de Casillas (66’).
 
 
 

2004-05: Oitavos de final

1ª mão: Barcelona 2-1 Chelsea
2ª mão: Chelsea 4-2 Barcelona
Frente a frente, duas das melhores equipas da Europa, que haveriam de conquistar nessa temporada os campeonatos de Espanha e Inglaterra.
Na primeira-mão, em Camp Nou, um autogolo de Belletti colocou o Chelsea de José Mourinho em vantagem. No entanto, tudo mudou na segunda parte. Primeiro, foi a expulsão de Drogba a deixar os londrinos reduzidos a dez. Depois, foi o recém-entrado avançado argentino Maxi López, que um mês antes esteve nas cogitações do Benfica, a causar impacto, tendo apontado o golo do empate (67’) e feito a assistência para o 2-1, da autoria de Eto’o (73’).  
Após o jogo, Mourinho acusou o árbitro do encontro, o conceituado sueco Anders Frisk, de ter convidado o treinador do Barcelona, Frank Rijkaard, para entrar no balneário dele durante o intervalo. A UEFA castigou o português, mas acabou por ser Frisk o mais castigado, uma vez que anunciou a sua retirada na sequência de ameaças dirigidas à sua família.
Na segunda-mão, em Stamford Bridge, o Chelsea foi demolidor durante os primeiros 20 minutos e colocou-se rapidamente a vencer por 3-0, com golos de Gudjohnsen (8’), Lampard (17’) e Duff (19’). Contudo, a eliminatória ainda não estava resolvida, como provou o mágico Ronaldinho, que faturou por duas vezes até ao intervalo, primeiro de grande penalidade (27’) e depois através de um remate colocadíssimo após ter sambado perante Ricardo Carvalho (79’), recolocando o Barcelona em vantagem na eliminatória. Porém, um cabeceamento certeiro do capitão John Terry carimbou o apuramento dos blues para os quartos de final (76’).
 
 
 
 

2008-09: Quartos de final

1ª mão: Liverpool 1-3 Chelsea
2ª mão: Chelsea 4-4 Liverpool
Ainda com o homem do leme da conquista do título europeu em 2005, Rafa Benítez, e outro espanhol a marcar golos atrás de golos na frente de ataque, Fernando Torres, o Liverpool vivia um grande momento em 2009, tendo chegado a sonhar em sagrar-se campeão inglês 19 anos depois. Do outro lado, um Chelsea que mantinha as pedras basilares da equipa que José Mourinho construiu, mas que, sob a orientação do holandês Guus Hiddink, procurava vencer a Liga dos Campeões pela primeira vez.
O jogo da primeira-mão, em Anfield, começou praticamente com um golo de Fernando Torres, logo aos seis minutos. No entanto, dois cabeceamentos certeiros do defesa sérvio Ivanovic (39’ e 62’) e um golo de Drogba já na reta final (80’) deram a vitória ao Chelsea.
Em Stamford Bridge, o Liverpool começou muito bem, fazendo renascer o espírito que levou os reds a dar a volta a um 0-3 na final de 2005. À meia hora, o conjunto orientado por Rafa Benítez já vencia por 2-0, com golos de Fábio Aurélio (19’) e Xabi Alonso (28’, g.p.), e ficou a apenas um remate certeiro de passar para uma situação vantajosa. Na segunda parte o Chelsea deu a volta ao jogo, por intermédio de Drogba (51’), Alex (57’) e Lampard (76’), mas o Liverpool marcou dois golos de rajada, por Lucas Leiva (81’) e Dirk Kuyt (82’), e voltou a ficar a um do apuramento. Os últimos dez minutos foram dramáticos, mas Lampard fez o 4-4 aos 89’ e sentenciou a eliminatória.
O resultado do jogo de Londres ainda hoje está na história da Liga dos Campeões como o empate com mais golos alguma vez registado na fase a eliminar da prova.
 
 
 
 

2012-13: Quartos de final

Em estreia absoluta na Liga dos Campeões, o Málaga propriedade do sheik qatari Abdullah ben Nasser Al Thani, orientado por Manuel Pellegrini e com jogadores como Demichelis, Toulalan, Júlio Baptista, Joaquín, Isco, Saviola, Santa Cruz e os portugueses Eliseu, Antunes e Duda estava a ser uma das grandes sensações da prova. Após ter vencido um grupo que também incluía AC Milan, Zenit e Anderlecht, eliminou o FC Porto na Liga dos Campeões. Já o Borussia Dortmund, orientado por Jurgen Klopp, atingia os quartos de final pela primeira vez desde 1998.
Na primeira-mão, no Estádio La Rosaleda, registou-se um empate a zero que deixou tudo em aberto para o segundo jogo, na Alemanha.
Embora o Borussia Dortmund fosse favorito, até porque se tratava do bicampeão alemão, esteve a maior parte do encontro no Signal Iduna Park em desvantagem na eliminatória.  Joaquín adiantou os andaluzes aos 21 minutos, Lewandowski empatou aos 40’ e Eliseu (em posição de fora de jogo) colocou a equipa espanhola com pé e meio nas meias-finais quando fez o 1-2 aos 82’. Quanto Marco Reus empatou o encontro aos 90+1’, parecia estar apenas a consolar um pouco os fervorosos adeptos germânicos, mas o brasileiro Felipe Santana (também em fora de jogo) fez o 3-2 final aos 90+3’.
 
 
 

2016-17: Oitavos de final

1ª mão: Paris Saint-German 4-0 Barcelona
2ª mão: Barcelona 6-1 Paris Saint-Germain
Dotado de um investimento avultado por parte do grupo Qatar Sports Investments, detido por Nasser Al-Khelaifi, o Paris Saint-Germain de Unai Emery procurava desesperadamente chegar pela primeira vez à final da Liga dos Campeões e parecia ter argumentos para o fazer.
Na primeira-mão, no Parc des Princes, os parisienses mostraram todo o seu poderio e golearam por 4-0, com golos de Di María (18 e 55 minutos), Draxler (40’) e Cavani (71’).
A missão parecia quase impossível para o Barcelona de Luis Enrique, mas quem tinha à disposição um trio atacante composto por Neymar, Suárez e Messi só podia sonhar. Um golo madrugador de Suárez aos três minutos e um autogolo de Kurzawa aos 40’ levaram os catalães para intervalo a ganhar por 2-0. No início de segundo tempo, Messi dilatou a vantagem (50’), mas pouco depois de hora de jogo Cavani reduziu para 3-1 - ou seja, de repente o Barça passou de estar a um golo de igualar a eliminatória a ter de marcar mais três golos para seguir em frente. O resultado manteve-se até bem perto do fim, mas nos últimos minutos o génio de Neymar entrou em cena, ao marcar de livre direto (88’) e penálti (90+1’) antes de fazer a assistência para o golo decisivo de Sergi Roberto (90+5’).
Pela primeira – e por enquanto única – vez na história, uma equipa recuperou de uma desvantagem de quatro golos numa eliminatória europeia.
 
 
 
 

2016-17: Oitavos de final

1ª mão: Manchester City 5-3 Mónaco
2ª mão: Mónaco 3-1 Manchester City
Orientado por Pep Guardiola e semifinalista na época anterior, o Manchester City era claro favorito no duelo frente ao Mónaco de Leonardo Jardim, que em 2016-17 estava a interromper a hegemonia do Paris Saint-Germain em França.
Ainda que a equipa do Principado tivesse estado duas vezes em vantagem e desperdiçado uma grande penalidade, os citizens confirmaram o favoritismo na primeira-mão, no Etihad Stadium, e venceram por 5-3. Sterling (26’), Aguero (58’ e 71’), Stones (77’) e Sané (82’) marcaram para os ingleses, Falcao (32’ e 61’) e Mbappé (40’) para os monegascos.
No segundo jogo, em Monte Carlo, o desfecho foi bem diferente. Mesmo sem Falcao, o Mónaco chegou à meia hora a vencer por 2-0, com golos de Mbappé (8 minutos) e Fabinho (29’). Sané reduziu a desvantagem e recolocou os citizens na frente da eliminatória aos 71’, no que parecia ser um balde água fria para a equipa de Leonardo Jardim. Contudo, um cabeceamento certeiro de Bakayoko (77’) levou os monegascos para os quartos de final.
 
 
 
 

2017-18: Quartos de final

1ª mão: Barcelona 4-1 Roma
2ª mão: Roma 3-0 Barcelona
Um ano depois de ter protagonizado um dos momentos mais mágicos de sempre da Liga dos Campeões, o Barcelona era claro favorito frente a uma Roma que não atingia as meias-finais desde que foi finalista na sua primeira participação na ainda designada por Taça dos Campeões europeus, em 1983-84.
Na primeira-mão, em Camp Nou, o Barcelona de Ernesto Valverde fez o que toda a gente estava à espera e venceu confortavelmente os romanos por 4-1, beneficiando de autogolos de Daniele De Rossi (38’) e Manolas (55’) e dos remates certeiros de Piqué (59’) e Suárez (87’) – pelo meio, Dzeko (80’) reduziu a desvantagem.
O segundo jogo, no Olímpico de Roma, parecia estar destinado para mero cumprimento de calendário. No entanto, a formação da capital italiana, comandada por Eusebio Di Francesco, acreditou na reviravolta e operou-a. Depois do golo madrugador de Dzeko (seis minutos), na segunda parte os dois homens que na semana anterior tinham marcado na própria baliza, De Rossi (58’, g.p.) e Manolas (82’), viraram heróis.
 
 
 
 

2018-19: Meias-finais

1ª mão: Barcelona 3-0 Liverpool
2ª mão: Liverpool 4-0 Barcelona
Num confronto entre dois históricos do futebol europeu à procura de reconquistar o velho continente, o Barcelona de Ernesto Valverde fez valer o fator casa na primeira-mão tendo vencido por 3-0, com golos de Suárez (26 minutos) e Messi (75’ e 82’).
Embora os catalães tivessem dado uma grande demonstração de superioridade em Camp Nou, o jogo de Anfield foi completamente diferente. Mesmo sem as estrelas Salah e Firmino, o Liverpool de Jurgen Klopp foi esmagador e goleou por 4-0. Origi abriu (7’) e fechou a goleada (79’), mas pelo meio Wijnaldum também bisou (54’ e 56’). O quarto golo dos reds teve a particularidade de ter sido obtido numa rápida execução de um pontapé de canto, com um apanha-bolas a servir rapidamente o executante do canto, Alexander-Arnold, que apanhou a defesa do Barça completamente desprevenida.
 
 













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