quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

A minha primeira memória de… um jogo entre FC Porto e Juventus

Portista Jorge Andrade disputa a bola com bianconero Salas
Eu não era nascido aquando da final da Taça das Taças de 1983-84, mas recordo-me dos jogos entre FC Porto e Juventus na fase de grupos da Liga dos Campeões em 2001, ainda que não tenha assistido a nenhum, uma vez que ainda não tinha Sport TV e era um miúdo de nove anos que treinava futebol no Fabril às terças-feiras e tinha de ir para a cama cedo. Ainda assim, lembro-me dos resultados.
 
Orientados por Octávio Machado, os dragões estavam de regresso à Champions, mas atravessavam uma fase de transição, já sem grande parte dos obreiros do penta e ainda sem algumas das figuras que venceram a Taça UEFA em 2003 e a Liga dos Campeões no ano seguinte.
 
Já a Juventus, que na década anterior tinham marcado presença em três finais da Liga dos Campeões e vencido uma (1996), procurava regressar à glória nacional e europeia, tendo nas suas fileiras vários jogadores da seleção italiana, como Buffon, Ferrara, Iuliano, Zambrotta, Pessotto e Del Piero, e de outras importantes seleções estrangeiras, como Tudor (Croácia), Thuram e Trezeguet (França), Montero e O’Neill (Uruguai), Davids (Holanda), Nedved (República Checa) e Salas (Chile).

 
Quando as duas equipas se defrontaram pela primeira vez, nas Antas, a Juventus liderava o grupo com quatro pontos, mais um do que FC Porto e Celtic e mais três do que o Rosenborg. E à mesma hora que o Celtic batia o Rosenborg em Glasgow, portistas e bianconeri empataram a zero.
 
“Palmada de Ovchinnikov a evitar o golo de Salas, logo no reinício do jogo, e a volta ao texto ficou traçada: nunca mais o FC Porto conseguir controlar as operações e ficou mesmo à mercê do poderio dos italianos, que subiram consideravelmente de rendimento, como fica claramente patente na estatística: seis remates na segunda parte, contra apenas um dos dragões (Hélder Postiga) já na ponta final. Ao intervalo, os quarenta mil espectadores estavam satisfeitos e acreditavam que, finalmente, o FC Porto iria quebrar o longo jejum de vitórias nas Antas frente a italianos. E, provavelmente, teria sido isso que iria acontecer, se o técnico da vecchia signora não tivesse reajustado as pedras no terreno, passando de uma situação de dominado a dominador. Para desalento dos adeptos, assistiu-se a um jogo daqueles com duas partes distintas”, resumiu o Record.
 
 
Na semana seguinte, FC Porto venceu o Celtic nas Antas por 3-0 e a Juventus bateu o Rosenborg pela margem mínima em Turim, resultados que levaram portugueses e italianos para os dois lugares de acesso à fase seguinte antes de novo duelo entre ambas as equipas, no Delle Alpi.
 
Desse jogo, recordo um golo de Clayton de livre direto a dar vantagem aos azuis e brancos (aos 13 minutos) e o resultado de 3-1 favorável à vecchia signora. Del Piero empatou de livre direto (32’), Montero deu a volta ao resultado através de um cabeceamento certeiro na resposta a um canto de Del Piero (47’) e Trezeguet sentenciou o resultado a passe de Nedved, que desarmou Ibarra unto à área portista (73’).
 
“Começou muito bem e acabou muito mal este FC Porto do Delle Alpi. Esteve a ganhar com um golo madrugador de Clayton, acabou por perder claramente, com uma equipa completamente entregue e sem já saber muito bem o que fazia e, para terminar, um cartão amarelo estúpido a Hélder Postiga tira-o do jogo decisivo com o Rosenborg – e os noruegueses, com a vitória de ontem, ainda vão às Antas com uma esperança. Não era nada fácil a tarefa do FC Porto. A Juventus jogava a primeira final da época – e venceu-a, com a qualificação para a segunda fase – e por isso apostava tudo. Mas vinha de maus jogos, tinha um Del Piero com um dedo empanado, e ainda teve de se confrontar com o golo do FC Porto. Só que a equipa de Octávio fez a pior exibição na Liga dos Campeões e, mesmo durante os 20 minutos que esteve a ganhar, nunca deu ideia de grande poder. Pelo contrário, se a função atribuída a cada jogador era relativamente bem desempenhada, depois falhava o resto – ter a lucidez de colocar a bola onde devia e não de qualquer maneira, ter a calma para fazer a gestão dela. O FC Porto dos primeiros minutos ainda logrou criar dificuldades à Juventus nalgumas iniciativas individuais bem conseguidas, mas nunca foi capaz de ser um coletivo”, escreveu o Record no dia seguinte.
 









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