quinta-feira, 12 de março de 2020

Os 9 internacionais angolanos que jogaram nas big five

Restrito lote de internacionais angolanos que jogaram nas big five
Os campeonatos de Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha e França são considerados os principais no panorama europeu e até mundial, o que lhes vale a designação de big five.

Embora muitos mais jogadores nascidos em Angola ou com origem angolana tenham disputado pelo menos uma destas cinco ligas, se contabilizarmos apenas os que jogaram pelos Palancas Negras, que tiveram o seu primeiro encontro oficial em 8 de fevereiro de 1976, o lote fica restrito a apenas nove futebolistas.


A história de internacionais angolanos nas big five foi iniciada em novembro de 1993, na Alemanha, o país que recebeu mais futebolistas com o carimbo da seleção angolana: quatro. Ainda assim, foi em Inglaterra que um jogador natural da terra da Palanca conseguiu contribuir para a conquista de um título e em Espanha que um clube recebeu dois internacionais angolanos.

Vale por isso a pena conhecer esta lista.


Quinzinho (1 jogo)

Quinzinho jogou no Rayo
Começamos esta lista com um avançado, nascido em Luanda e que no verão de 1999 reforçou os espanhóis do Rayo Vallecano por empréstimo do FC Porto, já depois de ter saído de Angola, onde representava o ASA, e de ter estado cedido a União de Leiria e Rio Ave.
Apesar de ir integrar uma equipa recém-promovido à I Liga espanhola e de já ter no currículo duas participações na Taça das Nações Africanas (1996 e 1998) e algumas dezenas de jogos na I Liga portuguesa, não foi feliz no clube dos arredores de Madrid.
Apenas foi utilizado num encontro, e por apenas 16 minutos, numa derrota em casa com o Saragoça (0-1), na 5.ª jornada. Nessa aventura, que terminou em janeiro de 2000, teve como companheiro de equipa o guarda-redes Julen Lopetegui e o médio português Hélder Batista.
Depois de meio ano em Espanha regressou a Portugal para concluir a época no Farense. Seguiram-se aventuras no Desportivo das Aves, Alverca e Estoril no futebol luso, sete anos na China e o regresso a Angola para representar Recreativo da Caála e a casa-mãe, o ASA.
Pela seleção angolana disputou 36 jogos e marcou sete golos entre 1995 e 2005.
Curiosamente, o seu filho, Xande Silva, já atuou na Premier League ao serviço do West Ham durante 17 minutos numa derrota às mãos do Burnley em dezembro de 2018, o que lhe poderá valer a entrada nesta lista caso opte pelos Palancas Negras. Por enquanto nada aponta nesse sentido, uma vez que nasceu em Lisboa e tem representado as seleções jovens portuguesas.


José Vunguidica (1 jogo)

José Vunguidica
Mais um avançado nascido em Luanda. Porém, Vunguidica emigrou para a cidade alemã de Neuwied quando tinha apenas dois anos, para fugir à guerra civil que assolava Angola. Foi na Alemanha que começou a jogar futebol, no Oberbieber, tendo rumado aos 15 anos para o Colónia, clube pelo qual assinou o seu primeiro contrato profissional e fez a estreia na Bundesliga.
A 13 de novembro de 2010 entrou aos 65 minutos numa derrota caseira às mãos do Borussia M'gladbach (0-4), tendo jogado ao lado de Geromel, antigo central do Vitória de Guimarães, e sobretudo do internacional alemão Lukas Podolski. Também teve como companheiro de equipa o antigo internacional português Petit.
Na segunda metade da época esteve emprestado ao Kickers Offenbach, da III Liga, patamar em que passou boa parte da carreira, também ao serviço de Preussen Munster e Wehen Wiesbaden. Ainda jogou na II liga alemã ao serviço do Sandhausen e desde o verão de 2018 que atua no Saarbrücken, nos campeonatos regionais.
Pela seleção angolana contabilizou 14 internacionalizações entre março de 2009, quando ainda atuava na equipa de sub-21 do Colónia, e novembro de 2014, quando estava na III Liga, tendo participado no CAN 2012. “Todos os jogadores gostam de jogar para as equipas da sua terra”, afirmou em novembro de 2013 ao site DW.



Luís Delgado (3 jogos)

Luís Delgado
Também nascido em Luanda, o lateral esquerdo Luís Delgado viu o seu bom desempenho Mundial 2006 ser premiado com uma transferência para o Metz, clube francês ao qual chegou proveniente do Petro de Luanda, já depois de também ter passado pelo 1º de Agosto.
Na época de estreia em França, em 2006-07, contribuiu para a promoção de les grenats à Ligue 1, competição em que disputou três jogos na temporada seguinte, diante de Lille, Valenciennes e Lyon, todos como titular e nas primeiras oito jornadas do campeonato. Nessa época teve como companheiros o médio bósnio Miralem Pjanic e o avançado senegalês Papiss Cissé, entre outros.
Porém, a aventura na elite do futebol gaulês durou apenas uma época, pois o Metz foi despromovido. Ainda continuou mais um ano no clube e depois permaneceu na Ligue 2 ao serviço do Guingamp, que lhe possibilitou a estreia na Liga Europa, antes de terminar a carreira em Angola com a camisola do Progresso Sambizanga.
Pelos Palancas Negras somou 21 internacionalizações e um golo. Além do Campeonato do Mundo da Alemanha, disputou a Taça das Nações Africanas em 2006 e 2008.

Bruno Gaspar (15 jogos)

Bruno Gaspar representou a Fiorentina em 2017-18
Filho de pai angolano natural do Huambo, Bruno Gaspar nasceu na cidade portuguesa de Évora, de onde a mãe também é natural. Depois de se ter iniciado no futebol no modesto clube eborense Canaviais, de ter completado a formação no Benfica e de ter evoluído na I Liga portuguesa com a camisola do Vitória de Guimarães, assinou pelos italianos da Fiorentina no verão de 2017, numa transferência que rendeu quatro milhões de euros aos cofres dos vimaranenses.
Ao serviço do emblema de Florença teve a oportunidade de jogar num dos melhores campeonatos do mundo, tendo participado em 15 jogos, dos quais apenas seis como titular. Apesar da pouca utilização, partilhou o balneário com futebolistas como o malogrado central italiano Davide Astori, o médio internacional croata Milan Badelj ou o avançado italiano Federico Chiesa e defrontou grandes equipas como Juventus, Roma, Nápoles ou AC Milan.
No final dessa época voltou a Portugal pela Portugal a título definitivo pela porta do Sporting em junho de 2018, numa fase em que Bruno de Carvalho estava à beira de ser destituído. Em Alvalade ganhou uma Taça da Liga e uma Taça de Portugal na época de estreia, mas foi quase sempre segunda opção, tendo sido emprestado no último verão aos gregos do Olympiacos.
Depois de 14 internacionalizações pelas seleções jovens portuguesas, decidiu no ano passado representar Angola e foi chamado para o CAN 2019.




Miguel Pereira (16 jogos)

Miguel Pereira
Miguel Pereira nasceu em Luanda mas fez toda a carreira na Alemanha, tendo feito a estreia na Bundesliga a 5 de novembro de 1993 com a camisola do Schalke 04, quando tinha apenas 18 anos. O avançado angolano entrou aos 62 minutos num triunfo caseiro sobre o extinto Leipzig por 3-1.
As oportunidades no emblema de Gelsenkirchen foram poucas durante as cinco épocas que esteve ao serviço do clube, entre 1993-94 e 1994-95 e entre 1996-97 e 1998-99, mas conseguiu somar 16 jogos no primeiro escalão do futebol alemão. Pelo meio passou pelo Preussen Munster (1995-96) e representou Angola no CAN 1998, tendo apontado um golo no empate a três bolas com a Namíbia.
Em junho de 1995 chegou mesmo a marcar um golo numa vitória em casa sobre o Friburgo (2-1). Foi, por isso, o primeiro internacional angolano a jogar e a marcar num dos cinco principais campeonatos europeus. Durante esses anos, teve como companheiros o guarda-redes alemão Jens Lehmann, o defesa alemão Thomas Linke e o médio belga Marc Wilmots, entre outros.
Depois disso jogou nas divisões secundárias do futebol germânico por St. Pauli, Munique 1860 B, Hüls e Wattenscheid.
Ao serviço da seleção angolana disputou 11 jogos e marcou dois golos em 1998 e 1999.


Bastos (58 jogos)

Bastos
Nascido na capital angolana a 27 de março de 1991, Bastos começou a jogar futebol a nível profissional no Petro de Luanda, clube pelo qual venceu duas Taças e uma Supertaça de Angola.
As boas exibições no emblema da capital levaram-no ao CAN 2013 e uma transferência para os russos do Rostov. Na Rússia estabeleceu-se como titular indiscutível e venceu uma taça logo na época de estreia, em 2013-14.
As boas campanhas não passaram despercebidas aos italianos da Lazio, que o contrataram no verão de 2016 por cinco milhões de euros. Em Roma não tem sido um titular indiscutível, mas não há treinador que abdique de o ter no plantel. Em quase quatro anos, já disputou 58 jogos e marcou seis golos na Série A, tendo partilhado o balneário com craques como o central holandês Stefan de Vrij, o médio argentino Lucas Biglia, o médio ofensivo sérvio Milinkovic-Savic, o extremo brasileiro Felipe Anderson ou o goleador italiano Ciro Immobile.
Em 2019 ajudou a formação laziale a conquistar a Taça de Itália, atuando de início na vitória sobre a Atalanta na final (2-0), e um mês depois esteve Taça das Nações Africanas ao serviço dos Palancas Negras, pelos quais soma já meia centena de internacionalizações e dois golos.




Rui Marques (79 jogos)

Rui Marques
Rui Marques nasceu em Luanda mas emigrou para Portugal aos sete anos devido à Guerra Civil de Angola. Começou a jogar na margem sul do Tejo, no Moitense e na Quimigal, antes de chegar ao Benfica, que o colocou a rodar no Olivais, nos suíços do Baden e, em 1999-00, no Ulm, equipa que nessa época participou pela única vez da sua história na Bundesliga.
A boa campanha (32 jogos) valeu-lhe a transferência para o Hertha de Berlim, mas não chegou a jogar no campeonato pelo clube da capital germânica e por isso mudou-se no mercado de inverno para o Estugarda, onde foi mais feliz.
Durante duas épocas e meia no clube este central disputou 47 encontros, tendo jogado o lado de futebolistas como guarda-redes alemão Timo Hildebrand, o lateral alemão Andreas Hinkel, o central/médio defensivo português Fernando Meira, médio ofensivo búlgaro Krasimir Balakov, o médio ofensivo bielorrusso Aliaksandr Hleb ou o avançado alemão Kevin Kurányi.
Em 2002-03 ajudou a equipa a sagrar-se vice-campeã nacional e a vencer a Taça Intertoto e na época seguinte continuou vinculado ao emblema germânico, mas não foi utilizado em qualquer partida.
Depois regressou a Portugal para representar o Marítimo e voltou a emigrar, desta vez para Inglaterra, onde jogou com as camisolas de Hull City e Leeds na II Liga (Championship). É já nesta fase da carreira que se torna internacional angolano, tendo contabilizado 21 jogos pelos Palancas Negras, que representou no Mundial 2006 e nas Taças das Nações Africanas de 2008 e 2010.


Nando Rafael (120 jogos)

Nando Rafael
Mais um caso de um futebolista nascido em Luanda e que teve de deixar Angola devido à Guerra Civil. No caso do avançado Nando Rafael, emigrou ilegalmente para os Países Baixos aos oito anos depois de os pais terem sido assassinados.
Depois de ter passado pela formação do Ajax, não recebeu autorização por parte das autoridades holandesas para poder trabalhar no país, por não estar legal, o que o fez mudar-se de armas e bagagens para a Alemanha. No verão de 2002, aos 18 anos, ingressou no Hertha de Berlim, clube pelo qual efetuou 70 encontros e marcou 16 golos na Bundesliga entre 2003 e 2006. Como companheiros teve jogadores internacionais como o defesa alemão Marko Rehmer, o central croata Josip Simunic, o lateral direito alemão Arne Friedrich, o lateral esquerdo brasileiro Gilberto, o médio defensivo croata Niko Kovac, o médio belga Bart Goor e o avançado alemão Fredi Bobic.
Entretanto recebeu nacionalidade alemã em 2005 e representou a seleção sub-21 germânica, tendo marcado presença no Campeonato da Europa da categoria em 2006, que se realizou em Portugal.
Em janeiro de 2006 mudou-se para o Borussia Mönchengladbach, tendo atuado em 33 encontros e marcado seis golos no campeonato, alguns dos quais ao lado de jogadores como o central português Zé António, lateral direito dinamarquês Thomas Helveg, o lateral esquerdo alemão Marcell Jansen, o médio ofensivo alemão Marko Marin, o avançado brasileiro Élber e o avançado alemão Oliver Neuville. Porém, não evitou a descida de divisão em 2006-07.
Entre 2008 e 2010 esteve no futebol dinamarquês ao serviço do Aarhus, tendo voltado à Alemanha em janeiro de 2010 pela porta do Augsburgo, clube que ajudou a promover à Bundesliga em 2011, tendo contabilizado mais seis partidas e dois golos no primeiro escalão do futebol germânico nessa aventura. A meio da época de regresso ao campeonato alemão, em 2011-12, esteve no CAN 2012 ao serviço de Angola, tendo amealhado aí as duas internacionalizações que tem no currículo pelos Palancas Negras.
Na temporada seguinte despediu-se do campeonato alemão com a camisola do Fortuna Düsseldorf, com a qual disputou 11 jogos e apontou dois golos no campeonato.
Seguiu-se uma aventura na China, o regresso à Alemanha para representar o Bochum na II liga alemã em 2015-16 e uma pausa na carreira até julho do ano passado, quando assinou pelo Birklar, dos escalões secundários do futebol germânico.




Manucho (158 jogos)

Manucho jogou no Manchester United
Se a maioria dos internacionais angolanos que chegaram às principais ligas europeias deixaram Angola em tenra idade e cresceram na Europa, Manucho saltou diretamente do Petro de Luanda para o Manchester United aos 24 anos, depois de ter iniciado a carreira no Benfica de Luanda.
Na primeira época de vínculo aos red devils, esteve emprestado ao Panathinaikos. A estreia na Premier League aconteceu somente em 2008-09, quando entrou para o lugar de Carlos Tévez aos 75 minutos numa goleada caseira sobre o Stoke City (5-0), numa época em que a equipa orientada por Alex Ferguson conquistou o título inglês. Participou ainda em dois jogos da Taça da Liga, contribuindo para a conquista dessa prova, tendo treinado e jogado ao lado de autênticas vedetas do futebol mundial, como Cristiano Ronaldo, Nani, Wayne Rooney, Van Der Sar, Ryan Giggs, Nemanja Vidic, Paul Scholes e Rio Ferdinand.
A meio dessa temporada foi emprestado ao Hull City, clube pelo qual apontou dois golos em 13 partidas na liga inglesa, ajudando a equipa a fugir à despromoção.
Em 2009-10 rumou ao Valladolid, onde foi companheiro dos portugueses Sereno e Pelé e do avançado hispano-brasileiro Diego Costa, com o qual haveria de rivalizar por um lugar no eixo do ataque. Somou 28 jogos e quatro golos na liga espanhola, insuficiente para evitar a descida de divisão.
Entretanto esteve cedido aos turcos do Bucaspor e do Manisaspor antes de ajudar o Valladolid a subir de divisão em 2012, tendo permanecido no clube até 2014, quando voltou a ser despromovido. Em mais duas épocas em La Liga efetuou 51 jogos e apontou 11 golos, dois deles ao Real Madrid num encontro disputado em dezembro de 2012.
No verão de 2014 transferiu-se para o Rayo Vallecano, onde ficou quatro temporadas, as duas primeiras na I Liga espanhola, competição em que disputou mais 65 jogos e marcou mais nove golos. Nesta fase foi colega de equipa dos portugueses Zé Castro, Licá e Bebé. Manteve-se na equipa quando o Rayo foi despromovido em 2016 e ajudou o clube a regressar à elite do futebol espanhol e a sagrar-se campeão da II Liga na época de despedida, em 2017-18.
Na temporada seguinte representou o Cornellà, da II Divisão B espanhola, estando desde julho do ano passado sem clube. Embora já tenha 37 anos, não anunciou a retirada.
Internacional angolano por 52 vezes entre 2006 e 2017, marcou 22 golos ao serviço dos Palancas Negras e competiu na Taça das Nações Africanas em 2008, 2010, 2012 e 2013.















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