sexta-feira, 18 de setembro de 2026

O “Fenómeno” que resistiu a múltiplas e brutais lesões. Quem se lembra de Ronaldo?

Ronaldo marcou oito golos no Mundial 2002, que venceu
Um dos melhores avançados de sempre, um jogador que despontou graças a uma capacidade invulgar para desequilibrar as defesas adversárias através da velocidade, força física, técnica, drible e veia goleadora e que se conseguiu reinventar após graves lesões no joelho direito, com uma qualidade de finalização ainda mais aprimorada.
 
Nascido a 18 de setembro de 1976 no Rio de Janeiro, começou a jogar futebol no São Cristóvão, um clube local, mas o seu talento rapidamente captou a atenção dos maiores emblemas do Brasil, tendo dado o salto para o Cruzeiro em 1993, quando tinha apenas 16 anos.
 
Nesse mesmo ano não só se estreou como se tornou um jogador decisivo na raposa, com 20 golos em 21 jogos. No ano seguinte apontou 24 golos em 26 encontros, ajudando o conjunto mineiro a conquistar o campeonato estadual. 


Os bons desempenhos conduziram-no à estreia pela seleção brasileira e inclusivamente à convocatória para o Mundial 1994 que o escrete veio a ganhar, mas Ronaldo não chegou a jogar no torneio.
 
Em 1994 mudou-se para os Países Baixos para representar o PSV Eindhoven, que também havia sido o primeiro clube na Europa daquele que era, na altura, o melhor jogador brasileiro, Romário. Em duas temporadas, apontou 54 golos em 57 jogos, tendo vencido a taça nacional em 1995-96 e, a nível individual, o prémio de melhor marcador do campeonato na época anterior (com 30 remates certeiros). Pelo meio foi finalista vencido da Copa América em 1995.

 
Em julho de 1996 transferiu-se para o Barcelona por uma verba recorde na altura, equivalente a 15 milhões de euros, e após ter ajudado o Brasil a vencer a medalha de bronze olímpica em Atlanta teve impacto imediato na equipa então orientada por Bobby Robson, o que lhe valeu, nesse mesmo ano, o prémio de melhor jogador do mundo para a FIFA, tornando-se no mais jovem a recebê-lo aos 20 anos, numa cerimónia que decorreu no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.
 
Ao serviço dos catalães apontou 47 golos em 49 jogos em 1996-97 e afirmou-se definitivamente numa das grandes estrelas do futebol mundial, impressionando pela velocidade e potência dos seus slaloms no meio-campo adversário. Nessa época venceu Taça das Taças, Taça do Rei e Supertaça de Espanha, o que lhe valeu a Bola de Ouro em 1997, tornando-se também no mais jovem a ganhar o galardão, aos 21 anos, e mais um prémio de melhor jogador do mundo para a FIFA.

 
No verão de 1997 voltou a ser a ser o protagonista da transferência recorde, ao mudar-se para o Inter de Milão por uma verba equivalente a 26,5 milhões de euros, depois de alguns problemas para renovar contrato com o Barça.
 
Em Itália ganhou a alcunha de “Il Fenomeno” (“O Fenómeno”) e confirmou o estatuto de superestrela. Na época de estreia marcou 34 golos em todas as competições e guiou os nerazzurri à conquista da Taça UEFA, tendo marcado no triunfo sobre a Lazio na final (3-0), em Paris.

 
Poucas semanas depois marcou presença no Mundial 1998, ajudando o Brasil a atingir a final graças a quatro golos ao longo da prova. Horas antes do jogo decisivo, diante da anfitriã França (0-3), Ronaldo sofreu uma crise epilética e chegou a ser colocado de fora da ficha de jogo, mas à última da hora foi incluído após ter afirmado sentir-se bem e pedido para jogar. No entanto, exibiu-se de forma apática durante o encontro. Teorias da conspiração e questões éticas foram levantadas por especialistas em saúde e pela imprensa durante as semanas, meses e até anos.

 
Depois das convulsões, vieram as lesões no joelho direito. Depois de alguns problemas físicos na temporada 1998-99, que o afastaram dos relvados durante um período combinado de mais de dois meses, mas que não o impediram de vencer a Copa América em 1999, sofreu uma rotura do tendão rotuliano em durante um jogo com o Lecce a 21 de novembro de 1999, numa altura em que já era capitão de equipa. Foi operado e voltou a 12 de abril de 2000, num encontro com a Lazio, mas só durou seis minutos em campo, devido a uma rotura completa do tendão rotuliano. “A rótula dele explodiu mesmo”, descreveu o fisioterapeuta do atacante brasileiro Nilton Petrone, que apelidou a lesão de a pior que alguma vez tinha visto.

 
Os estragos foram tantos que Ronaldo ficou toda a temporada 2000-01 sem jogar, tendo passado por duas operações e reabilitação antes de regressar à competição, de forma muito paulatina, em setembro de 2001, 524 dias depois. Durante a época 2001-02 só atuou em 16 encontros pelo clube, sendo que apenas em três cumpriu os 90 minutos, também por culpa de problemas musculares na coxa.
 
Apesar de não ter feito partidas de qualificação e da concorrência de nomes como Romário e Mário Jardel, que ficaram de fora, Luiz Felipe Scolari convocou Ronaldo para o Mundial 2002. E em boa hora o fez, uma vez que “R9” apontou oito golos em sete jogos, contribuindo decisivamente para que o escrete vencesse o Campeonato do Mundo pela quinta vez.

 
Após o Mundial transferiu-se para o Real Madrid por 46 milhões de euros, incluindo a equipa dos Galácticos, da qual já faziam parte jogadores com Roberto Carlos, Zidane e Figo. Começou a primeira época na capital espanhola com uma lesão muscular. No jogo de estreia, diante do Alavés, saltou do banco aos 63 minutos e marcou 61 segundos depois. Na primeira época nos merengues venceu a Taça Intercontinental e o campeonato. Pelo meio, venceu o prémio de melhor jogador do mundo para a FIFA e a Bola de Ouro em 2002.
 
Embora também tivesse vencido a Supertaça de Espanha em 2003 e contribuído de forma ligeira para o título espanhol de 2006-07 – a meio da época mudou-se para o AC Milan –, a contabilidade de troféus vencidos ao serviço dos blancos foi muito pobre tendo em conta as expetativas geradas, inclusivamente após a chegada de outros galácticos como David Beckham ou Michael Owen.

 
Pelo meio, Ronaldo tornou-se o melhor marcador da história dos Mundiais durante o Campeonato do Mundo de 2006, com 15 golos, ultrapassando Gerd Müller – a marca viria posteriormente a ser superada por outro alemão, Miroslav Klose.
 
Em janeiro de 2007 regressou a Itália, mas voltou a vivenciar problemas físicos, incluindo uma rotura do tendão rotuliano do joelho esquerdo, numa altura em que estava já muitos quilos acima do peso ideal. Ao serviço dos rossoneri não foi além de 20 jogos e nove golos.

 
No verão de 2008 terminou contrato com o AC Milan, enquanto ainda estava lesionado, e prosseguiu o processo de recuperação no Flamengo, que lhe abriu as portas para assinar contrato. No entanto, em dezembro Ronaldo assinou pelo rival Corinthians, ao serviço do qual venceu o campeonato paulista e a Copa do Brasil em 2009, tendo marcado 35 golos em 69 jogos até decidir pendurar as botas no início de 2011, aos 34 anos.

 
Após retirar-se, Ronaldo dedicou-se a diferentes projetos empresariais e desportivos. Em 2018 tornou-se proprietário do Real Valladolid, em Espanha, passando a desempenhar funções na gestão do clube. Em 2021 adquiriu também o Cruzeiro, assumindo um papel importante no processo de reconstrução da instituição. 



 
 
 





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