O “Fenómeno” que resistiu a múltiplas e brutais lesões. Quem se lembra de Ronaldo?
Ronaldo marcou oito golos no Mundial 2002, que venceu
Um dos melhores avançados de
sempre, um jogador que despontou graças a uma capacidade invulgar para
desequilibrar as defesas adversárias através da velocidade, força física,
técnica, drible e veia goleadora e que se conseguiu reinventar após graves lesões
no joelho direito, com uma qualidade de finalização ainda mais aprimorada.
Nascido a 18 de setembro de 1976
no Rio de Janeiro, começou a jogar futebol no São Cristóvão, um clube local,
mas o seu talento rapidamente captou a atenção dos maiores emblemas do Brasil,
tendo dado o salto para o Cruzeiro
em 1993, quando tinha apenas 16 anos. Nesse mesmo ano não só se estreou
como se tornou um jogador decisivo na raposa,
com 20 golos em 21 jogos. No ano seguinte apontou 24 golos em 26 encontros,
ajudando o conjunto mineiro a conquistar o campeonato estadual.
Os bons
desempenhos conduziram-no à estreia pela seleção
brasileira e inclusivamente à convocatória para o Mundial
1994 que o escreteveio a ganhar, mas Ronaldo não chegou a jogar no
torneio. Em 1994 mudou-se para os Países
Baixos para representar o PSV
Eindhoven, que também havia sido o primeiro clube na Europa daquele que
era, na altura, o melhor jogador brasileiro, Romário.
Em duas temporadas, apontou 54 golos em 57 jogos, tendo vencido a taça nacional
em 1995-96 e, a nível individual, o prémio de melhor marcador do campeonato na
época anterior (com 30 remates certeiros). Pelo meio foi finalista vencido da
Copa América em 1995.
Em julho de 1996 transferiu-se
para o Barcelona
por uma verba recorde na altura, equivalente a 15 milhões de euros, e após ter
ajudado o Brasil a vencer a medalha de bronze olímpica em Atlanta teve impacto
imediato na equipa então orientada por Bobby
Robson, o que lhe valeu, nesse mesmo ano, o prémio de melhor jogador do
mundo para a FIFA, tornando-se no mais jovem a recebê-lo aos 20 anos, numa
cerimónia que decorreu no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. Ao serviço dos catalães
apontou 47 golos em 49 jogos em 1996-97 e afirmou-se definitivamente numa das
grandes estrelas do futebol mundial, impressionando pela velocidade e potência
dos seus slaloms no meio-campo adversário. Nessa época venceu Taça
das Taças, Taça
do Rei e Supertaça de Espanha, o que lhe valeu a Bola de Ouro em 1997,
tornando-se também no mais jovem a ganhar o galardão, aos 21 anos, e mais um
prémio de melhor jogador do mundo para a FIFA.
No verão de 1997 voltou a ser a ser
o protagonista da transferência recorde, ao mudar-se para o Inter
de Milão por uma verba equivalente a 26,5 milhões de euros, depois de
alguns problemas para renovar contrato com o Barça. Em Itália ganhou a alcunha de “Il
Fenomeno” (“O Fenómeno”) e confirmou o estatuto de superestrela. Na época
de estreia marcou 34 golos em todas as competições e guiou os nerazzurri
à conquista
da Taça UEFA, tendo marcado no triunfo sobre a Lazio na final (3-0), em Paris.
Poucas semanas depois marcou
presença no Mundial 1998, ajudando o Brasil
a atingir a final graças a quatro golos ao longo da prova. Horas antes do jogo
decisivo, diante da anfitriã França
(0-3), Ronaldo sofreu uma crise epilética e chegou a ser colocado de fora da
ficha de jogo, mas à última da hora foi incluído após ter afirmado sentir-se
bem e pedido para jogar. No entanto, exibiu-se de forma apática durante o encontro.
Teorias da conspiração e questões éticas foram levantadas por especialistas em
saúde e pela imprensa durante as semanas, meses e até anos.
Depois das convulsões, vieram as
lesões no joelho direito. Depois de alguns problemas físicos na temporada
1998-99, que o afastaram dos relvados durante um período combinado de mais de
dois meses, mas que não o impediram de vencer a Copa América em 1999, sofreu
uma rotura do tendão rotuliano em durante um jogo com o Lecce a 21 de novembro
de 1999, numa altura em que já era capitão de equipa. Foi operado e voltou a 12
de abril de 2000, num encontro com a Lazio,
mas só durou seis minutos em campo, devido a uma rotura completa do tendão
rotuliano. “A rótula dele explodiu mesmo”, descreveu o fisioterapeuta do
atacante brasileiro Nilton Petrone, que apelidou a lesão de a pior que alguma
vez tinha visto.
Os estragos foram tantos que
Ronaldo ficou toda a temporada 2000-01 sem jogar, tendo passado por duas
operações e reabilitação antes de regressar à competição, de forma muito
paulatina, em setembro de 2001, 524 dias depois. Durante a época 2001-02 só
atuou em 16 encontros pelo clube, sendo que apenas em três cumpriu os 90
minutos, também por culpa de problemas musculares na coxa. Apesar de não ter feito partidas
de qualificação e da concorrência de nomes como Romário e Mário Jardel, que
ficaram de fora, Luiz
Felipe Scolari convocou Ronaldo para o Mundial
2002. E em boa hora o fez, uma vez que “R9” apontou oito golos em sete
jogos, contribuindo decisivamente para que o escrete
vencesse o Campeonato
do Mundo pela quinta vez.
Após o Mundial transferiu-se para
o Real
Madrid por 46 milhões de euros, incluindo a equipa dos Galácticos, da qual
já faziam parte jogadores com Roberto
Carlos, Zidane
e Figo.
Começou a primeira época na capital espanhola com uma lesão muscular. No jogo
de estreia, diante do Alavés,
saltou do banco aos 63 minutos e marcou 61 segundos depois. Na primeira época
nos merengues
venceu a Taça Intercontinental e o campeonato. Pelo meio, venceu o prémio de
melhor jogador do mundo para a FIFA e a Bola de Ouro em 2002. Embora também tivesse vencido a
Supertaça de Espanha em 2003 e contribuído de forma ligeira para o título
espanhol de 2006-07 – a meio da época mudou-se para o AC
Milan –, a contabilidade de troféus vencidos ao serviço dos blancos
foi muito pobre tendo em conta as expetativas geradas, inclusivamente após a
chegada de outros galácticos como David
Beckham ou Michael Owen.
Pelo meio, Ronaldo tornou-se o
melhor marcador da história dos Mundiais durante o Campeonato
do Mundo de 2006, com 15 golos, ultrapassando Gerd Müller – a marca viria
posteriormente a ser superada por outro alemão, Miroslav Klose. Em janeiro de 2007 regressou a
Itália, mas voltou a vivenciar problemas físicos, incluindo uma rotura do
tendão rotuliano do joelho esquerdo, numa altura em que estava já muitos quilos
acima do peso ideal. Ao serviço dos rossoneri
não foi além de 20 jogos e nove golos.
No verão de 2008 terminou
contrato com o AC
Milan, enquanto ainda estava lesionado, e prosseguiu o processo de
recuperação no Flamengo,
que lhe abriu as portas para assinar contrato. No entanto, em dezembro Ronaldo
assinou pelo rival Corinthians,
ao serviço do qual venceu o campeonato paulista e a Copa do Brasil em 2009,
tendo marcado 35 golos em 69 jogos até decidir pendurar as botas no início de
2011, aos 34 anos.
Após retirar-se, Ronaldo
dedicou-se a diferentes projetos empresariais e desportivos. Em 2018 tornou-se
proprietário do Real Valladolid, em Espanha, passando a desempenhar funções na
gestão do clube. Em 2021 adquiriu também o Cruzeiro,
assumindo um papel importante no processo de reconstrução da instituição.
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