O trinco discreto e simples que foi tricampeão pelo FC Porto. Quem se lembra de Paulo Assunção?
Paulo Assunção disputou 103 jogos pelo FC Porto entre 2005 e 2008
Não era particularmente vistoso.
Jogava de forma simples, mas eficaz, desarmava sem ser demasiado viril e estava
no sítio certo para manter a sua equipa equilibrada. Foi fundamental para Co
Adriaanse e Jesualdo
Ferreira nas três épocas que passou na equipa principal do FC
Porto, que terminaram da mesma forma: com o título nacional.
Nascido a 25 de janeiro de 1980
em Várzea Grande, no estado brasileiro de Mato Grosso, iniciou a carreira
profissional no Palmeiras
em 1999, mas pelo verdão atuou apenas em partidas do Paulistão, Copa do Brasil
e Torneio Rio-São Paulo. No verão de 2000 foi emprestado
ao FC
Porto, mas atuou apenas pela equipa B dos dragões,
na II Divisão B, durante a temporada 2000-01. Chegou a ser convocado para Fernando
Santos para um clássico com o Benfica
na Taça
de Portugal, mas não saiu do banco. “Treinava com o plantel principal
durante a semana e ao domingo jogava pela equipa B. Conheci o Aloísio, o Chaínho,
o Paulinho Santos, o Jorge Costa, aprendi muita coisa com eles”, contou ao Maisfutebol
em novembro de 2020. Entretanto voltou ao Palmeiras,
mas ao fim de 24 jogos no Brasileirão reentrou no futebol português pela porta
do Nacional
da Madeira em janeiro de 2003, ainda com José
Peseiro no comando técnico. Disputou todos os 16 jogos desde a sua chegada
à Choupana até ao final da época, marcou um golo maradoniano em Paços de
Ferreira e ajudou os alvinegros
a alcançar um 11.º lugar na I
Liga, longe de sobressaltos. “Os meus amigos dizem sempre que eu fazia
poucos golos e eu respondo que depois desse golo eu não precisava de fazer mais
nenhum. Peguei a bola ainda perto da nossa área, não soltei para ninguém e fui
até ao fim. Ganhei muitos prémios com esse golo”, recordou.
Na temporada seguinte foi um dos
pilares da equipa que, às ordens do brasileiro Casemiro
Mior, concluiu o campeonato na quarta posição, a melhor classificação de
sempre dos insulares
– feito, entretanto, igualado em 2008-09. Foi titular nas 34 jornadas e só não
foi totalista porque foi substituído na reta final de dois encontros, tendo
cumprido 3052 minutos em 3060 possíveis.
Valorizado pelos bons desempenhos
no Nacional,
teve uma proposta do Sporting,
mas acabou por ser novamente contratado pelo FC
Porto no verão de 2004, mas foi imediatamente emprestado ao AEK Atenas,
então orientado por Fernando
Santos, juntamente com Bruno Alves. “Eu até fui triste para lá, porque já
me sentia em condições de jogar no FC
Porto. Mas acabou por ser a melhor opção para a minha carreira. Ainda por
cima reencontrei o Fernando
Santos. Nós estávamos só a jogar na liga grega, tínhamos tempo para treinar
e aprendi com ele tudo o que me faltava aprender. Ele foi como um pai para mim.
Sentava-se comigo, tomávamos café e desenhava num papel tudo o que eu tinha de
fazer em campo: ‘Paulo, tens de fazer assim, assim.’ Se não fosse o Fernando,
não sei o que teria sido da minha carreira. Ele é um paizão, vê tudo e explora
tudo o que um jogador pode dar. A forma como tocámos na bola, como saímos de
uma situação, explica as coisas com calma. Grande treinador”, lembrou. Em 2005-06 integrou, finalmente,
o plantel principal dos portistas,
beneficiando da saída de Costinha
e da adaptação de Bosingwa ao lado direito da defesa. Nessa época foi um dos
esteios do 3x3x4 com que Co
Adriaanse guiou os azuis
e brancos à conquista da dobradinha. “Ele adorava-me. Não me conhecia bem e
apostou bastante em mim. Eu só jogava com o Pepe atrás de mim. Ganhei títulos e
dei um salto no meu futebol”, afirmou, sobre o sistema tático e modelo de jogo
do treinador
neerlandês. Já nas duas temporadas que se
seguiram foi pedra basilar do 4x3x3 com que Jesualdo
Ferreira venceu os campeonatos de 2006-07 e 2007-08. Pelo meio, venceu
ainda a Supertaça
Cândido de Oliveira de 2006 às ordens de… Rui
Barros. Após 103 encontros (e zero golos)
em três anos de dragão ao peito e depois de ter sido ameaçado com um tiro no joelho
caso não renovasse contrato, manteve a decisão de não prolongar o vínculo e transferiu-se
para o Atlético
Madrid no verão de 2008. Com uma adaptação rápida à
capital espanhola, ajudou os colchoneros
a estabelecerem-se como equipa de Liga
dos Campeões. Curiosamente, dois dos três troféus que ganhou foi a… Liga
Europa (2009-10 e 2011-12).
O outro foi a Supertaça Europeia (2010).
Porém, ao longo dos anos foi
perdendo espaço no plantel, o que o levou a regressar ao Brasil para
representar o São
Paulo no segundo semestre de 2012. Porém, em janeiro de 2013 voltou a
Espanha para representar o Deportivo
da Corunha, não conseguindo impedir a despromoção à II Liga.
Após um ano sem jogar, assinou em
2014 pelos gregos do Levadiakos, mas não chegou a estrear-se, tendo pendurado
as botas após essa fugaz passagem pelo futebol helénico, aos 34 anos. Em 2019 voltou a Portugal para
viver, precisamente na mesma altura em que o filho Gustavo Assunção assinou
pelo Famalicão.
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