quinta-feira, 20 de agosto de 2026

O trinco discreto e simples que foi tricampeão pelo FC Porto. Quem se lembra de Paulo Assunção?

Paulo Assunção disputou 103 jogos pelo FC Porto entre 2005 e 2008
Não era particularmente vistoso. Jogava de forma simples, mas eficaz, desarmava sem ser demasiado viril e estava no sítio certo para manter a sua equipa equilibrada. Foi fundamental para Co Adriaanse e Jesualdo Ferreira nas três épocas que passou na equipa principal do FC Porto, que terminaram da mesma forma: com o título nacional.
 
Nascido a 25 de janeiro de 1980 em Várzea Grande, no estado brasileiro de Mato Grosso, iniciou a carreira profissional no Palmeiras em 1999, mas pelo verdão atuou apenas em partidas do Paulistão, Copa do Brasil e Torneio Rio-São Paulo.
 
No verão de 2000 foi emprestado ao FC Porto, mas atuou apenas pela equipa B dos dragões, na II Divisão B, durante a temporada 2000-01. Chegou a ser convocado para Fernando Santos para um clássico com o Benfica na Taça de Portugal, mas não saiu do banco. “Treinava com o plantel principal durante a semana e ao domingo jogava pela equipa B. Conheci o Aloísio, o Chaínho, o Paulinho Santos, o Jorge Costa, aprendi muita coisa com eles”, contou ao Maisfutebol em novembro de 2020.
 
Entretanto voltou ao Palmeiras, mas ao fim de 24 jogos no Brasileirão reentrou no futebol português pela porta do Nacional da Madeira em janeiro de 2003, ainda com José Peseiro no comando técnico. Disputou todos os 16 jogos desde a sua chegada à Choupana até ao final da época, marcou um golo maradoniano em Paços de Ferreira e ajudou os alvinegros a alcançar um 11.º lugar na I Liga, longe de sobressaltos. “Os meus amigos dizem sempre que eu fazia poucos golos e eu respondo que depois desse golo eu não precisava de fazer mais nenhum. Peguei a bola ainda perto da nossa área, não soltei para ninguém e fui até ao fim. Ganhei muitos prémios com esse golo”, recordou.
 
 
Na temporada seguinte foi um dos pilares da equipa que, às ordens do brasileiro Casemiro Mior, concluiu o campeonato na quarta posição, a melhor classificação de sempre dos insulares – feito, entretanto, igualado em 2008-09. Foi titular nas 34 jornadas e só não foi totalista porque foi substituído na reta final de dois encontros, tendo cumprido 3052 minutos em 3060 possíveis.
 
 
Valorizado pelos bons desempenhos no Nacional, teve uma proposta do Sporting, mas acabou por ser novamente contratado pelo FC Porto no verão de 2004, mas foi imediatamente emprestado ao AEK Atenas, então orientado por Fernando Santos, juntamente com Bruno Alves. “Eu até fui triste para lá, porque já me sentia em condições de jogar no FC Porto. Mas acabou por ser a melhor opção para a minha carreira. Ainda por cima reencontrei o Fernando Santos. Nós estávamos só a jogar na liga grega, tínhamos tempo para treinar e aprendi com ele tudo o que me faltava aprender. Ele foi como um pai para mim. Sentava-se comigo, tomávamos café e desenhava num papel tudo o que eu tinha de fazer em campo: ‘Paulo, tens de fazer assim, assim.’ Se não fosse o Fernando, não sei o que teria sido da minha carreira. Ele é um paizão, vê tudo e explora tudo o que um jogador pode dar. A forma como tocámos na bola, como saímos de uma situação, explica as coisas com calma. Grande treinador”, lembrou.
 
Em 2005-06 integrou, finalmente, o plantel principal dos portistas, beneficiando da saída de Costinha e da adaptação de Bosingwa ao lado direito da defesa. Nessa época foi um dos esteios do 3x3x4 com que Co Adriaanse guiou os azuis e brancos à conquista da dobradinha. “Ele adorava-me. Não me conhecia bem e apostou bastante em mim. Eu só jogava com o Pepe atrás de mim. Ganhei títulos e dei um salto no meu futebol”, afirmou, sobre o sistema tático e modelo de jogo do treinador neerlandês.
 
Já nas duas temporadas que se seguiram foi pedra basilar do 4x3x3 com que Jesualdo Ferreira venceu os campeonatos de 2006-07 e 2007-08. Pelo meio, venceu ainda a Supertaça Cândido de Oliveira de 2006 às ordens de… Rui Barros.
 
Após 103 encontros (e zero golos) em três anos de dragão ao peito e depois de ter sido ameaçado com um tiro no joelho caso não renovasse contrato, manteve a decisão de não prolongar o vínculo e transferiu-se para o Atlético Madrid no verão de 2008.
 
Com uma adaptação rápida à capital espanhola, ajudou os colchoneros a estabelecerem-se como equipa de Liga dos Campeões. Curiosamente, dois dos três troféus que ganhou foi a… Liga Europa (2009-10 e 2011-12). O outro foi a Supertaça Europeia (2010).
 
 
Porém, ao longo dos anos foi perdendo espaço no plantel, o que o levou a regressar ao Brasil para representar o São Paulo no segundo semestre de 2012. Porém, em janeiro de 2013 voltou a Espanha para representar o Deportivo da Corunha, não conseguindo impedir a despromoção à II Liga.
 
 
Após um ano sem jogar, assinou em 2014 pelos gregos do Levadiakos, mas não chegou a estrear-se, tendo pendurado as botas após essa fugaz passagem pelo futebol helénico, aos 34 anos.
 
Em 2019 voltou a Portugal para viver, precisamente na mesma altura em que o filho Gustavo Assunção assinou pelo Famalicão.
 






  

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