segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Caparica Wrestlefest – Review

Era talvez o card do Wrestlefest com menos star power dos últimos tempos e acabou por ser um evento muito mais focado em desenvolver do que finalizar as histórias em andamento, uma espécie de Saturday Night’s Main Event à portuguesa.
 
Talvez por isso, a afluência de público foi menor. Cerca de uma centena de pessoas estiveram presentes no Grupo Amigos da Costa da Caparica no último sábado, 26 de setembro, para um show que tinha como prato forte o primeiro duelo de sempre entre o campeão Leo Rossi e Baltazar, pelo Título Nacional Absoluto e que serviu para dar tempo e espaço a novas estrelas, numa altura em que Damião está emigrado na Alemanha e Nelson Pereira poderá estar a um mês do final da carreira, entre outras potenciais baixas futuras.
 
Vamos à review, combate a combate.
 

1 – Rodrigues (com Michael Stu) venceu Tiago Torres, Big Chill e Matador numa “Molhada a Quatro” para ganhar uma oportunidade para lutar pelo Cinturão de Lisboa

Quem estava anunciado para participar neste combate era Michael Stu, que acabou por estar presente, mas como manager de Rodrigues, que acabou por sair vencedor.
Foi um match entretido, sem períodos mortos, ainda com um ou outro golpe com mau aspeto. Rodrigues assumiu um papel importante por ser o único heel, numa fase de crescente protagonismo, ainda que todos tivessem momentos de brilho.
A vitória de Rodrigues foi surpreendente tendo em conta que o campeão também é heel – também por isso, julgava que seria Tiago Torres a sair vencedor –, o que pode dar a entender que Nelson Pereira vencerá o Título vs. Carreira diante do campeão Lobo Ibérico (já lá vamos…), que esteve nos comentários. Ou então é para precisamente nos levar a pensar isso…
Matador sofreu o pinfall que deu a vitória a Rodrigues e após o combate foi atacado por André Mota, que havia regressado no Wrestlefest Morte Súbita.
 
 

2 – Daniel de Pombal venceu Goddamn Guerra

Dois produtos da Invicta Wrestling pela primeira vez longe de casa. Se o público mais hardcore mas menos viajado ainda conhecia Daniel de Pombal de shows do Wrestlefest no Porto, através das transmissões do YouTube, a única referência em relação a Goddamn Guerra foi uma discreta participação na Battle Royal no Level Zero do Porto Wrestlefest: Bingança.
Surgiram ambos de calças vermelhas e com barba. “São parecidos”, sussurrou-me o meu filho (de cinco anos), que ainda me perguntou durante a entrada de Goddamn Guerra se ele era bom ou mau. Reparos pertinentes de uma inocente criança, mas que fazem todo o sentido: os wrestlers devem diferenciar-se mais e mesmo os babyfaces que não sejam tão dados a high fives talvez devessem tentar de forma mais vincada criar ligação emocional com os fãs quando e onde não estão estabelecidos.
Ainda assim, o belíssimo heel work de Daniel, com a utilização das cordas para ganhar vantagem e o golpe baixo antes da aplicação do seu belo finisher, entre outros momentos, foi criando paulatinamente uma narrativa entre um vilão e um herói, com algum público a entoar cânticos de apoio a Guerra.
Após o combate, Korvo entregou um flyer a Daniel de Pombal, propondo-se a agenciar o “Marquês do Wrestling Português”.
 
 

3 – Nelson Pereira venceu Paulinho (com Claudia Bradstone)

Os combates entre babyfaces em Portugal tendem a não resultar muito bem, porque o público geralmente acaba por se remeter ao silêncio para não melindrar ninguém, até porque estamos a falar de um nicho em que grande parte das pessoas se conhece. No entanto, este duelo foi uma exceção à regra.
Foi um belíssimo match, bem trabalhado, com o pormenor delicioso de ambos terem ido até às cordas pedir conselhos a Claudia Bradstone, que fez de manager de Paulinho, mas é uma grande amiga de Nelson Pereira.
Ambos ameaçaram aplicar os respetivos finishers, mas somente Nelson Pereira conseguiu aplicar o seu, uma espécie de Flying Codebreaker.
Após o combate, Nelson respondeu finalmente ao desafio de Lobo Ibérico para um combate Título vs. Carreira. Não só o aceitou, como disse que a contenda se realizará a 24 de outubro, em Corroios, num duelo em que as cordas serão substituídas por correntes.
 
 
 

4 - Andy Hendrix venceu Rúben Bento

Depois de se ter estreado no Wrestlefest de forma oficiosa no Level Zero do Porto Wrestlefest: Bingança, Rúben Bento estreou-se oficialmente, frente a um adversário mistério.
Depois de uma longa entrada na qual fez uso do seu megafone, Andy Hendrix fez o seu regresso aos ringues nacionais após mais de um ano de ausência, mostrando não ter perdido o seu wrestling cativante, elegante, subtil e refinado.
Foi um combate equilibrado, com Rúben Bento a aproveitar uma incursão ao exterior do ringue para ganhar alguma vantagem, fazendo com que “The Timeless Classic” caísse de cordas na borda do ringue, mas Hendrix venceu como era esperado, através de um pinfall engenhoso, mas tecnicamente sublime, como é seu apanágio.
 
 
 

5 – Leo Rossi venceu Baltazar para reter o Campeonato Nacional Absoluto

Um combate que merecia um build up melhor, talvez com um video package a traçar paralelismos entre as carreiras de ambos e a recordar os desafios há muito lançados por Baltazar em entrevistas, e não ser tratado quase como um random title match de um evento (felizmente) ensanduichado por outros na linha do tempo. Afinal, era a primeira vez que estes dois grandes nomes do wrestling português se defrontavam.
São dois lutadores pouco dados a golpes de enorme espetacularidade ou a grandes saltos, mas muito fortes em todas as outras componentes de um combate de wrestling, e foi isso mesmo que vimos: intensidade, storytelling e emoção.
Vimos Leo Rossi a vestir o casaco de Baltazar (e também a própria capa), Baltazar a gritar “Pai Pequeno”, Baltazar a aplicar a Bancarrota e Rossi a executar o Porta Chaves, ou seja, os finishers do adversário. Vimos também Rossi a sobreviver a um Porta Chaves e Baltazar a safar-se após um Sick Kick e uma Bancarrota.
Na reta final do duelo Baltazar executou o seu novo finisher, o Patada na Bouca, mas quando ia avançar para o pinfall apareceu Michael Stu para puxar a perna ao árbitro, Mascarenhas. Entretanto gerou-se alguma confusão, com o árbitro a expulsar Stu e Rodrigues da zona do ringue, tendo Rossi aproveitado para usar o cinturão para atingir a cabeça de Baltazar antes do pinfall… botchado e do pinfall vitorioso.
Após o combate Michael Stu e Rodrigues tentaram atacar Baltazar, mas Big Chill fez o save, para encerrar o show com dois babyfaces por cima.



 

 




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