Hoje faz anos a lenda soviética que treinou o Marítimo. Quem se lembra de Anatoliy Byshovets?
Byshovets orientou o Marítimo na reta final da época 2002-03
Uma lenda do futebol soviético,
com um percurso assinalável como jogador e treinador. Orientou o Marítimo
nas derradeiras nove jornadas da I
Liga em 2002-03 e, apesar dos bons resultados que levaram os insulares
do 13.º ao 7.º lugar, a passagem pelos Barreiros ficou marcada por
desentendimentos com o presidente Carlos Pereira.
Nascido a 23 de abril de 1946 em
Kiev, no tempo da União
Soviética, Anatoliy Byshovets fez toda a carreira no Dínamo local, clube da
sua formação, entre 1963 e 1973, estabelecendo-se como um dos mais temíveis
avançados do seu país. Venceu o campeonato soviético por quatro vezes (1966,
1967, 1968 e 1971) e a taça soviética em duas ocasiões (1964 e 1966). Em 1965-66 fez parte da primeira
equipa soviética a participar nas competições europeias, porque até então o
regime comunista que vigorava na URSS
não aceitava a possibilidade de os seus atletas e clubes perderem para
adversários de países capitalistas, preferindo jogar pelo seguro e impedi-los
de participar.
Em termos internacionais,
disputou 39 jogos e apontou 15 golos pela seleção
da União Soviética e marcou presença no Euro 1968
e no Mundial 1970, tendo brilhado no Campeonato do Mundo disputado no México ao
apontar quatro golos – bisou diante de Bélgica
e El Salvador na fase de grupos.
Depois de terminar precocemente a
carreira em 1973, aos 27 anos, devido a uma lesão num joelho, Byshovets começou
a trabalhar como treinador nas camadas jovens do Dínamo Kiev, tendo passado em
1982 para os quadros da Federação da União
Soviética. Em 1988 guiou a seleção olímpica
da URSS
à medalha de ouro nos Jogos de Seul, tendo posteriormente orientado a seleção
principal e a transitória seleção da Comunidade dos Estados Independentes
(CEI), tendo sido o selecionador da CEI no Euro 1992,
numa participação que se esgotou à fase de grupos. Nesse período ficou
conhecido como o “Gorbatchev do futebol”, devido ao processo de renovação que
encetou.
Entretanto, também dirigiu clubes
importantes do leste europeu, como Dínamo Moscovo (1988 a 1990), Zenit (1997 a
1998) e Shakhtar
Donetsk (1998 a 1999), tornou-se no primeiro estrangeiro a comandar a seleção
da Coreia do Sul (1994 a 1996) e foi selecionador da Rússia
(1998). Numa altura em que estava já há
alguns anos sem clube, foi convidado para treinar o Marítimo
em março de 2003. Em nove jogos, somou 16 pontos, fruto de cinco vitórias e um
empate. Chegou aos Barreiros com os insulares
em 13.º lugar, com três pontos de avanço sobre a primeira equipa em zona de
despromoção, e deixou-os no 7.º posto. Nessa aventura, contou com Rui
Águas e Vasily
Kulkov, antigos jogadores de Benfica
e FC
Porto, como adjuntos, e implementou um estilo descrito como militar – Alan,
que chegou a ser relegado à equipa B, que o diga. A passagem pelo Funchal ficou
marcada, porém, por desentendimentos com o presidente Carlos Pereira. O
treinador alegou que lhe estava a ser imposto treinar com todos os jogadores da
equipa B na equipa principal, ou seja, ter de dirigir treinos para cerca de 30
atletas. Ainda antes do final da época teve de entregar o carro que o clube lhe
havia dado para as mãos, sob o pretexto de que a viatura necessitava de ir
fazer a revisão, e recebeu uma ordem para deixar a escola hoteleira onde estava
hospedado desde a chegada à Madeira, tendo sido obrigado a procurar um novo
hotel para morar. E também viu um estágio da equipa antes de um jogo ser
cancelado sem o seu conhecimento. Embora tivesse mais um ano de contrato, a
rescisão tornou-se inevitável. Após a aventura no futebol
português trabalhou como consultor de Anzhi Makhachkala (2003), Kuban Krasnodar
(2009) e Ufa (2011), foi vice-presidente do Khimki (2003 a 2004), diretor
desportivo dos escoceses do Hearts (2004 a 2005) e treinador do Lokomotiv (2006
e 2007), tendo vencido uma Taça da Rússia ao leme dos moscovitas.
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