Carrasco do Benfica na Taça de Portugal e lenda do Beira-Mar. Quem se lembra de Cílio Souza?
Cílio Souza marcou mais de 50 golos pelo Beira-Mar
Somou mais de 50 remates
certeiros pelo Beira-Mar
em várias divisões durante as duas passagens pelo clube
aveirense, no qual exerce atualmente as funções de treinador-adjunto. Pelo
meio marcou, ao serviço do Gondomar, o golo que eliminou o Benfica
da Taça
de Portugal em pleno Estádio
da Luz.
Possante (1,85 m) ponta de lança brasileiro
nascido a 15 de abril de 1976 em Goiânia, fez toda a formação no Goiás,
mas quando transitou para o futebol sénior começou pelo Atlético
Goianiense, tendo ainda passado por Guarani
e América Mineiro antes de entrar no futebol europeu pela porta do Dínamo
Tbilisi em 1998. Na única época completa na Geórgia
sagrou-se campeão e, de acordo com alguns registos, terá marcado 14 golos. Ainda assim, a experiência no
leste europeu foi desagradável, o que levou a regressar ao Brasil, tendo
pensado, inclusivamente, em nunca mais se aventurar no estrangeiro. Porém, pela
mão do empresário Geraldão, reforçou o Beira-Mar
em janeiro de 2000, numa altura em que os aurinegros
estavam desprovidos de Fary, a representar o Senegal
na Taça das Nações Africanas. A primeira coisa que fez quando
chegou a Aveiro foi oxigenar o cabelo, de forma a assinalar uma “nova etapa” na
sua vida. A segunda foi desatar a marcar golos: apontou 12 em 17 jogos na II
Liga até ao final da época 1999-00, incluindo um na estreia, na Covilhã, um
hat trick ao Moreirense
e um póquer ao União
de Lamas. Foi, naturalmente, considerando um dos obreiros da subida dos aurinegros,
então orientados por António Sousa, ao primeiro
escalão, apesar de um outro período de menor regularidade exibicional. Cílio Souza acompanhou o Beira-Mar
no regresso à I
Liga, mas não foi feliz no patamar
maior do futebol português. Remetido quase sempre para o papel de suplente
de Fary, não foi além de um golo em 25 jogos (cinco a titular) ao longo de ano
e meio. Em janeiro de 2002 mudou-se para
o Rio
Ave, então na II
Liga, uma passagem de meia época que se traduziu em apenas dois remates certeiros
em oito partidas. Com a cotação a baixar, viu-se obrigado
a descer mais um degrau, tendo rumado ao Gondomar, da II Divisão B, em 2002-03.
E foi precisamente ao serviço dos gondomarenses que, de forma improvável, viveu
o momento de maior notoriedade da carreira a 24 de novembro de 2002, quando
marcou o golo solitário de uma vitória sobre o Benfica
para a Taça
de Portugal, num magnífico e potente remate na execução de um livre direto.
“Foi o golo mais bonito, pela notoriedade que me deu. Nessa manhã tinha dito ao
meu colega de quarto que iríamos vencer por 1-0, comigo a marcar o golo de
penalti. Afinal foi de bola parada, mas não de penálti. Às vezes ainda ponho a
rodar aqui em casa a cassete. O meu filho adora. É único”, contou ao Maisfutebol
em outubro de 2016.
Na sequência desse
tomba-gigantes, Jesualdo
Ferreira foi despedido do cargo de treinador do Benfica.
Já Cílio continuou a marcar golos na II Divisão B: 15 pelo Gondomar em 2002-03
e dez pelo Amora
e oito pelo Barreirense
em 2003-04. Após passagens por Imortal
na III Divisão, Nelas e Operário
na II B, assim como pelos malásios do Terengganu e pelos chineses do Nanjing
Yoyo, voltou ao distrito de Aveiro em janeiro de 2012, mais uma vez para se
afirmar como goleador: marcou 15 vezes pelo Oliveira do Bairro entre 2012 e
2013, 12 pelo Gafanha entre 2013 e 2015 e 43 pelo Beira-Mar
entre 2015 e 2017. Entretanto, iniciou uma nova vida fora de campo, tendo
começado a trabalhar numa fábrica ligada ao ramo automóvel.
Pendurou as botas em 2017, aos 41
anos, mas após deixar de jogar tornou-se treinador-adjunto na equipa principal
do Beira-Mar. O seu filho Francisco Silva,
nascido em Ílhavo em setembro de 2007, também é ponta de lança. Pertence aos
quadros do… Benfica.
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