quinta-feira, 26 de março de 2026

O lateral paraguaio que não deixou saudades no Benfica. Quem se lembra de Rojas?

Rojas disputou 42 jogos pelo Benfica entre 1999 e 2001
Há quem diga que foi muito regular no Benfica: jogava sempre mal. Atuava à direita ou à esquerda na defesa e esteve em alguns dos piores momentos dos encarnados na viragem do milénio: a goleada sofrida em Vigo (0-7), a chocante eliminação na Taça UEFA às mãos do Halmstads e derrotas difíceis de digerir para a Taça de Portugal diante de Sporting (1-3 na Luz) e FC Porto (0-4 nas Antas).
 
Lateral nascido a 26 de janeiro de 1971 em Posadas, na Argentina, foi jogar para o país dos avós, o Paraguai, quando tinha 20 anos. Começou pelo Cerro Corá em 1991, mas no ano seguinte mudou-se para o mais conceituado Libertad, no qual se começou a destacar.
 
Em 1994 voltou à Argentina para vestir a camisola do Estudiantes, clube ao serviço do qual disputou mais de 120 jogos em cinco anos.
 
Curiosamente, foi enquanto jogava no país-natal que decidiu representar a seleção do Paraguai, pela qual se viria a estrear em junho de 1997, num particular diante dos Estados Unidos antes da Copa América, prova em que veio a participar. Nos meses que se seguiram manteve-se nas escolhas da albirroja, tendo sido convocado para o Mundial 1998, torneio em que não chegou a jogar. Depois não voltou a ser chamado, tendo encerrado a carreira internacional com apenas oito internacionalizações.
 
No verão de 1999, quando já tinha 28 anos, transferiu-se para o Benfica na companhia do companheiro de equipa Carlos Bossio, uma mudança à qual Ricardo Rojas se referiu como o “ponto mais alto” do seu percurso como futebolista profissional. “Um empresário espanhol estava mandatado por Jupp Heynckes para ver jogadores na Argentina. Esteve num jogo do Estudiantes, viu-me e recomendou-me. Depois disso, chegaram a um acordo e fui jogar para lá”, recordou, em entrevista ao jornal O Jogo, em dezembro de 2013.
 
Na primeira temporada na Luz foi titularíssimo para o treinador alemão, tendo atuado em 30 jogos em todas as competições, entre os quais a célebre goleada sofrida em Vigo (0-7) e uma derrota em casa diante do Sporting que ditou a eliminação na Taça de Portugal (1-3).
 
Em 2000-01 também começou no onze, mas foi expulso logo na primeira partida da época, uma derrota às mãos do FC Porto nas Antas na primeira jornada do campeonato (0-2). Voltou num desaire com o Halmstads na Suécia (1-2), ainda com Heynckes como homem do leme, e a 23 de setembro de 2000 foi titular no Bessa, no primeiro jogo de sempre de José Mourinho como treinador principal. Porém, esteve diretamente associado a essa derrota frente ao Boavista (0-1), conforme lembrou o técnico num livro biográfico da autoria de Luís Lourenço: “Nas minhas preleções defino sempre situações-tipo do adversário, ou seja, aquelas jogadas que eles normalmente ensaiam, que são estudadas. O Boavista, na manobra atacante, apostava muito nos cruzamentos e nas diagonais dos alas, igualmente ao primeiro poste. Disse e redisse estas situações aos jogadores do Benfica antes do início do jogo. Nem de propósito! Na primeira jogada ofensiva do Boavista houve um cruzamento, com uma entrada ao primeiro poste e golo. Disse para mim: 'que jogador é este, o Rojas? Será que ele percebe português ou tenho de falar em espanhol para me entender?'”
 
 
Entretanto foi perdendo espaço para o recém-contratado lateral direito jugoslavo Ivan Dudic e para o jovem lateral esquerdo Diogo Luís, proveniente da equipa B, não tendo ido além de 12 jogos oficiais disputados nessa sua segunda época em Lisboa, o último dos quais numa goleada sofrida às mãos do FC Porto, nas Antas, para a Taça de Portugal (0-4).
 
No início de 2001 regressou à Argentina para defender as cores do River Plate, inicialmente por empréstimo e posteriormente já como jogador do emblema de Buenos Aires a título definitivo.
 
Ao serviço dos millonarios alternou com Matías Lequi no lado esquerdo da defesa, venceu três campeonatos argentinos (clausura em 2002, 2003 e 2004) e marcou um golaço num dérbi com o Boca Juniors, que lhe valeu a alcunha de “vaselina”. Pelo meio rejeitou a convocatória para o Mundial 2002, para que o seu filho não sentisse a ausência do pai durante mais de um mês.
 
 
Ficou no River até 2006, tendo encerrado a carreira no ano seguinte, aos 36 anos, após uma curta passagem pelo Belgrado.
 
Após deixar o futebol voltou à terra-natal e dedicou-se à agricultura.



 
 




 

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