quinta-feira, 4 de março de 2021

Katchana. O alentejano que jogou com Jardel e brilhou na região de Aveiro

Ricardo Katchana jogou pelo Beira-Mar em 2006 e 2017
No cartão de cidadão é Ricardo Felisberto, mas no mundo do futebol é conhecido por Katchana. Natural de Almodôvar, despontou em clubes como Castrense e Mineiro Aljustrelense antes de dar o salto para o Beira-Mar. Em Aveiro sagrou-se campeão da II Liga, foi orientado por Augusto Inácio e companheiro de equipa de Mário Jardel.
 
Em entrevista, o agora já retirado médio alentejano passa em revista uma carreira que iniciou no Baixo Alentejo, passou pelo Chipre, mas que acabou por ser em boa parte passada na região aveirense.
 
RUI COELHO - O Ricardo Katchana tem 37 anos e esta época não tem jogado futebol a nível federado. Já decidiu retirar-se? O que é feito de si?
KATCHANA - Sim é verdade, decidi retirar-me. Neste momento resido na Suíça e jogo apenas a nível amador, numa equipa chamada Association Portugaise de Genève, apenas pelo prazer e para matar o bichinho, claro.
 
O que o fez emigrar para a Suíça? O que tem feito por lá?
Apareceu a oportunidade e decidi, juntamente com a minha família, que seria bom para nós.
 
Chama-se Ricardo Jorge Guerreiro Felisberto, mas no mundo do futebol é mais conhecido por Katchana? Qual é a origem dessa alcunha?
Essa alcunha surgiu através de um amigo do meu pai, mas nunca conseguimos descobrir a origem, mas é certo que ficou desde bem pequeno.
 
Nasceu na região do Baixo Alentejo, mais precisamente na região de Almodôvar. Como e quando entrou a bola para a sua vida?
Creio que aos meus sete anos entrou com naturalidade. Eu gostava de jogar e tinha paixão pelo jogo, então digamos que foi normal.
 
Em 2002 iniciou a carreira de futebolista sénior no Castrense, então nos distritais de Beja, regressando assim a um clube que já tinha representado na formação. Quais as principais recordações que tem dos anos em que jogou em Castro Verde?
Guardamos sempre boas recordações nos escalões juvenis, acabamos por fazer amigos para a vida.
 

“O Mineiro Aljustrelense é um clube especial, com uma mística incrível”

Katchana passou duas vezes pelo Mineiro Aljustrelense
Em 2004-05 estreia-se nos campeonatos nacionais com a camisola do Mineiro Aljustrelense, clube ao qual haveria de voltar em 2007 para se sagrar campeão da Série F da III Divisão e subir à II Divisão. Que balanço faz das suas passagens por Aljustrel e que significado teve o emblema tricolor para a sua carreira?
O Mineiro é um clube especial, com uma mística incrível. Teve grande significado, porque foi o clube que me abriu algumas portas. O balanço é claramente positivo, vivi coisas incríveis com a camisola tricolor.
 
Quais são as principais dificuldades que se vivem no futebol alentejano e o que tem faltado aos clubes para conseguirem atingir as ligas profissionais?
Em primeiro lugar são geográficas, com enormes deslocações, dificuldade em contratar atletas com qualidade, daí resultarem as dificuldades em conseguirem manter-se nos campeonatos nacionais. Acho que também a falta de investimento nos clubes do Alentejo torna difícil aos mesmos chegarem às ligas profissionais.
 
 

O fechado Augusto Inácio e o bem-disposto Mário Jardel

De Aljustrel deu o salto para o Beira-Mar em 2006. Como surgiu a possibilidade de transitar de um clube em dificuldades na III Divisão para o líder da II Liga e como viveu esse passo?
Tive alguma dificuldade em adaptar-me, foi um salto enorme na carreira e não estava preparado.
 
Como encarou a mudança do Sul para o norte do país e quais foram as primeiras impressões que teve relativamente ao clube e à cidade de Aveiro?
Foi uma mudança boa, por motivos positivos. A cidade de Aveiro é lindíssima.
 
No Beira-Mar trabalhou com o treinador Augusto Inácio e chegou a ter Mário Jardel como companheiro de equipa. O que achou de cada um? Tem algumas histórias com estas duas figuras do futebol português que possa contar?
Em relação ao mister Inácio não deu para conhecer muito, porque é uma pessoa algo fechada, mas foi uma boa aprendizagem com ele. O super Mário é uma pessoa muito bem-disposta e um ser humano de excelência.
O mister Inácio adorava terminar os treinos com os grandes golos do Jardel. Sempre que fazíamos uma pelada, o Jardel fazia um bom golo e depois o mister acabava com o treino.
 
Acabou por não chegar a estrear-se na I Liga quando esteve no Beira-Mar. É a maior mágoa da sua carreira?
Posso dizer que sim.
 

Mafra é um grande clube, com um grande presidente”

Katchana representou o Mafra entre 2009 e 2011
No verão de 2009 rumou ao Mafra. O que achou do clube e do mister Chiquinho Carlos? Tem alguma história com ele? Surpreende-o emblema de a zona saloia estar a afirmar-se na II Liga?
Mais um grande clube que tive o prazer de representar, e pelo qual guardo enorme carinho. O Mister Chiquinho, é talvez a pessoa mais humilde que conheci no futebol, sempre a aconselhar os mais novos. Não me surpreende nada as boas épocas do Mafra, é um grande clube, com um grande presidente.
 
Depois do Mafra, decidiu emigrar para o Chipre. Como surgiu essa possibilidade e como se adaptou à cultura, ao clima e ao futebol cipriota e à distância da família?
Surgiu através de um empresário, mas infelizmente as coisas não correram muito bem.  Não foi difícil a adaptação, porque até são um povo bastante acolhedor, um pouco à nossa imagem. O difícil é a distância da família...
 

“Vivi momentos fantásticos no Recreio de Águeda

Katchana foi feliz no Recreio de Águeda entre 2014 e 2016
Regressou a Portugal em 2014, para representar o Recreio de Águeda, tendo conquistado cinco troféus ao serviço dos Galos do Botaréu, então nos distritais de Aveiro. Foram as suas melhores épocas? Que memórias guarda do clube?
Sim, é verdade, foram duas épocas e meia fantásticas, com muitos troféus coletivos e individuais. Posso dizer que vivi momentos fantásticos.
 
Em 2016-17 voltou a jogar nos campeonatos nacionais seis anos depois, desta vez com a camisola do Anadia, e a época correu-lhe bem, tendo apontado sete golos no Campeonato de Portugal. Que balanço faz da sua passagem pelo clube?
Estava a precisar de algo mais aliciante na carreira e decidi ir para o Anadia. Acabámos por fazer um grande campeonato, mas não atingimos os objetivos que tínhamos traçado, ir ao playoffs de subida, e acabámos por ficar a um ponto do objetivo. Mas o balanço é positivo, claramente.
 

“O Beira-Mar é clube grandioso, a sua história fala por si”

Katchana foi campeão da II Liga no Beira-Mar
Apesar da boa temporada no Anadia, em 2017-18 voltou aos distritais da AF Aveiro e dividiu a época entre Beira-Mar e Pampilhosa, clubes que já tinha representado cerca de uma década antes. Que diferenças encontrou em ambos relativamente às suas primeiras passagens pelos clubes?
Uma enorme diferença pela positiva no caso do Pampilhosa. O Beira-Mar com muito menos força do que àquela que tinha, mas sempre um clube grandioso, a sua história fala por si.
 
Ainda assim, o último clube que representou foi o Mourisquense. Que significado teve a sua passagem pelo clube?
Sim foi o meu último clube, o clube da terra, um clube que me recebeu bem e que tive muito prazer em representar.
 
Embora tenha nascido e crescido no Baixo Alentejo, acabou por fixar-se na região de Aveiro. O que o levou a fazê-lo?
Gostei desta zona do país, criei algumas raízes e decidi ficar.
 
Propomos-lhe um desafio. Elabore um onze ideal de jogadores com os quais jogou.
Guarda-redes: Manuel Gama
Lateral direito: Ricardo
Defesa central: Fábio Barros
Defesa central: Alcaráz
Lateral esquerdo: Joãozinho
Médio defensivo: Diakité
Médio centro: Daniel fontes
Médio centro: Labarthe
Extremo direito: Roma
Extremo esquerdo: Rui Lima
Ponta de lança: Mário Jardel
 
E que treinadores mais o marcaram e porquê?
O treinador que mais me marcou foi o Augusto Semedo, nas épocas do Recreio de Águeda. É um grande treinador e um grande homem.
 
 
Entrevista realizada por Rui Coelho









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