quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

A minha primeira memória de… um jogo entre Benfica e Desp. Aves

Benfiquista Fernando Meira conduz a bola vigiado por avense Nilton
Não assisti à transmissão do jogo, tampouco no estádio, mas lembro-me de ter acontecido e do resultado. Estávamos em janeiro de 2001, na última jornada da primeira volta, e o Benfica começava a ganhar fôlego após a chegada de Toni para o comando técnico, depois de um arranque de temporada conturbado, marcado pela saída de Vale e Azevedo e a entrada de Manuel Vilarinho para a presidência do clube e pela dança de cadeiras no banco da equipa, depois de Jupp Heynckes e Mourinho terem deixado o cargo de treinador. O Desportivo das Aves de Carlos Carvalhal, naquela que era a sua segunda presença na I Liga, levava sete jogos sem vencer no campeonato e ocupava a zona de despromoção.


A passar o fim de semana no Alentejo, só me recordo de as águias terem goleado na Luz por 5-1, horas antes de um Boavista-FC Porto que assisti através da televisão. Na altura, os avançados João Tomás e Pierre van Hooijdonk passavam por um grande momento de forma. O português apenas marcou meio golo (já lá vamos...), mas o holandês apontou um hat trick, faturando pelo terceiro jogo consecutivo.


Foi precisamente o antigo jogador de Roosendaal, NAC Breda, Celtic e Nottingham Forest a inaugurar o marcador, aos 15 minutos, através de um cabeceamento certeiro na sequência de um cruzamento de Carlitos. À meia hora, João Tomás fez o 2-0 a meias com o defesa adversário Nené. E ainda antes do intervalo, Carlitos fez o terceiro na recarga a um remate de Escalona defendido por Carlitos.

No segundo tempo Van Hooijdonk fez o 4-0, de cabeça, na resposta a um livre de Chano (51'); Quinzinho reduziu para os avenses, também de cabeça, depois de um livre de Abílio (63'); e o holandês completou o hat trick e sentenciou o resultado a partir da marca de grande penalidade.

“Voando sobre um ninho de passarinhos. E aí está a primeira vitória de Toni no Estádio da Luz. Nada de extraordinário, nada de transcendente. Apenas o corolário lógico de uma atuação com alguns pontos altos e de uma resposta do Aves que se caracterizou sempre por uma gritante fragilidade, atenuada, aqui e acolá, com uma ou outra aventura no reino da águia, muito por culpa de uma certa passividade da defesa encarnada. A águia, nem sempre bem, soube voar com desenvoltura, nos momentos fatais, sobre aquele alegre chilrear de uns passarinhos que, bem vistas as coisas, nunca colocaram a vitória do Benfica em risco. Atuando com três centrais, dois na marcação à dupla de pontas-de-lança constituída por Van Hooijdonk e João Tomás, a equipa de Carlos Carvalhal não aguentou aquele voo pelas alturas mais do que 15 minutos, curiosamente numa recuperação do avançado holandês, logo concluída pelo protagonista com um belo golpe de cabeça”, resumiu o jornal O Jogo.


As duas equipas voltaram a defrontar-se na última jornada do campeonato, desta vez na Vila das Aves. A formação nortenha já tinha visto confirmada a descida de divisão, enquanto o Benfica sabia que não iria além do quinto lugar, a pior classificação de sempre do clube e a primeira vez desde 1940-41 que as águias falhavam o pódio.


Ainda assim, as duas equipas presentearam o público com oito golos, quatro para cada lado. O Desp. Aves não só marcou primeiro como aos 23 minutos já vencia por 3-0, com golos do avançado camaronês Douala (3' e 23') e do médio Abílio (19'). Van Hooijdonk (30') e João Tomás (35') reduziram ainda antes do intervalo e o holandês empatou já no segundo tempo (64'). Porém, ainda haveria tempo para mais: o central Marco Aleixo marcou para os avenses (77'), o avançado brasileiro André para os benfiquistas (89'), mas não evitou a queda para o 6.º lugar no final do campeonato.

“Foi, como já se referenciou, uma tarde penosa para ambas as equipas, passe o sentido espirituoso da frase. Para as águias e para o Aves, a época não correu bem e este último jogo foi disso reflexo. Marcaram–se oito golos, é verdade, facto sempre digno de relevo, mais a mais quando são repartidos. Mas foi menos a vontade de os conseguir e mais a incapacidade de os evitar que contribuíram para o avolumar do marcador. Tanta ineficácia defensiva teria obrigatoriamente de ser castigada e para quem, antes do início do jogo, sentisse dificuldades em perceber como Aves e Benfica chegaram... onde chegaram, este derradeiro prélio foi esclarecedor”, sintetizou o jornal O Jogo.






















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