terça-feira, 3 de setembro de 2019

Idrissa Doumbia faz o Sporting jogar para a frente

Médio Idrissa Doumbia está no Sporting desde janeiro de 2019
Nem tudo são más notícias para um Sporting que começou a temporada com uma derrota pesada na Supertaça às mãos do rival Benfica depois de uma pré-época em que não conseguiu vencer qualquer jogo. A saída de Gudelj, médio defensivo titularíssimo em 2018-19, abriu as portas do onze a Idrissa Doumbia, que tem feito crescer água na boca aos sportinguistas… e ao Liverpool.


Numa posição que durante cinco temporadas teve como dono e senhor William Carvalho, o jovem médio costa-marfinense tem mostrado atributos técnicos superiores aos do internacional português, embora ainda esteja longe de atingir a fase de maturação desejada. A principal valência do jogador recrutado aos russos do Akhmat Grozny é a capacidade que tem de fazer a equipa progredir no terreno, de a fazer jogar para a frente.

Quando recebe a bola, o centrocampista de 21 anos evidencia visão de jogo e qualidade de passe, descobrindo rapidamente um companheiro numa posição mais adiantada e entregando-lhe o esférico redondinho. Dá a ideia que não precisa de muito tempo para pensar na melhor solução, tal a velocidade com que toma decisões acertadas. E quando não faz a equipa progredir através do passe vertical, fá-lo pela via do transporte de bola, conseguindo galgar terreno com ela dominada pelo meio-campo ofensivo em passada larga.

Autêntica viga, de 1,87 m, utiliza o corpo para ganhar os lances e exibe agilidade notável pela forma como recupera a bola ao esticar a perna, o que o torna um médio-defensivo muito completo em termos de atributos técnicos e físicos, algo muito apreciado pelos principais clubes europeus. É o complemento ideal para o motor Wendel e o maestro Bruno Fernandes na zona nevrálgica dos verde e brancos.

Autêntico diamante em bruto para Marcel Keizer ir polindo nos próximos meses, Doumbia carece ainda de algumas qualidades táticas, faltando-lhe descobrir os melhores terrenos para pisar para deixar a equipa equilibrada. Os leões têm estado muito expostos a transições rápidas neste início de temporada e necessitam que o seu médio mais posicional, que tanto lhes dá em termos ofensivos – embora nem sempre o jogar para a frente seja o mais apropriado -, possa ser bem mais eficiente nas tarefas de cobertura e funcione como um tampão à frente da linha defensiva.


Ainda assim, há que atribuir muito mérito a quem o descobriu num campeonato para o qual o futebol português está mais habituado a exportar do que a importar e lhe identificou grande talento antes dos principais emblemas russos.

































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