sábado, 26 de maio de 2018

Verdade desportiva. A classificação da II Liga sem Gil Vicente (e sem Sporting B e restantes bês)

U. Madeira e Sp. Covilhã na lutaram pela permanência

A edição 2017/18 da II Liga ficou marcada pela decisão administrativa, a meio do campeonato, de integrar o Gil Vicente no primeiro escalão, em virtude do desfecho do Caso Mateus. Lida a sentença, a equipa de Barcelos deixou de ter objetivos concretos, perdeu competitividade e caiu a pique na tabela classificativa, terminando mesmo zona de despromoção.

Na próxima época, antes de regressar à I Liga, os minhotos vão competir no Campeonato de Portugal, mas os resultados dos seus jogos não contarão. A possibilidade de os pontos obtidos nos jogos dos gilistas não serem contabilizados já na temporada que agora se concluiu chegou a estar em cima da mesa, mas acabou por não se concretizar.


Assim sendo, o Gil acabou por inflacionar a classificação. Num exercício meramente especulativo, se os seus jogos não tivessem contado, teria subido o Penafiel e não o Santa Clara, e teriam descido Sp. Covilhã e Sp. Braga B em vez de União da Madeira e Sporting B.

Luta pela subida sem jogos do Gil Vicente

Luta pela permanência sem jogos do Gil


Por falar em Sporting B, com a carruagem em andamento os responsáveis leoninos decidiram que 2017/18 seria a última temporada dessa equipa, não mostrando vontade de a conciliar com a futura formação sub-23. Essa decisão também teve impacto no conjunto verde e branco, que também caiu a pique na tabela e acabou por fechar o campeonato na zona de despromoção.

A falta de verdade desportiva foi assim reforçada. Curiosamente, se os jogos de Sporting B e Gil Vicente não tivessem contado, Nacional e Santa Clara seriam os promovidos, tal como foi ditado pela classificação real. Contudo, no fundo da tabela, teria sido o Sp. Covilhã a descer, em vez do União da Madeira.

Luta pela subida sem Sporting B e Gil Vicente

Luta pela permanência sem Sporting B e Gil


No entanto, o facto de os bês não poderem subir à I Liga faz com que os restantes clubes se queixem de que estas formações secundárias rodam em demasia a equipa, apresentando onzes muito fortes em algumas ocasiões e menos capazes noutras.

Num exercício bem mais complexo, se não fossem contabilizados os jogos do Gil Vicente e de todos os bês, teria sido promovido o Penafiel e não o Santa Clara. E embora um potencial cenário da permanência seja mais difícil de traçar, o Sp. Covilhã teria de olhar para cima para encontrar o União da Madeira.

Classificação sem equipas B e Gil Vicente

U. Madeira o mais prejudicado, Sp. Covilhã o mais beneficiado

Estes exercícios, volto a frisar, são de natureza meramente especulativa, mas podem tirar-se algumas conclusões. Afinal, nos três casos, o União da Madeira, que acabou por ser despromovido ao Campeonato de Portugal, é claramente a equipa que sai mais prejudicada pelos casos que assolaram a II Liga – incluindo o da não utilização de um mínimo de jogadores sub-23 do Santa Clara. Por outro lado, o Sp. Covilhã é a formação que sai mais beneficiada, pois acabou por permanecer no segundo escalão.

No topo da tabela, o Nacional seria sempre campeão. Contudo, em dois dos três exercícios especulativos, teria sido o Penafiel a acompanhar os madeirenses e não o Santa Clara. Já o Académico de Viseu, que por estes dias vai lutando na secretaria pela subida à I Liga, em nenhum dos três casos seria promovido.

No entanto, a frieza destes números não compreendem as várias nuances que existem no futebol: quem ganha, geralmente entra mais confiante no jogo seguinte; quem perde, normalmente entra mais retraído; os cartões vistos nos jogos frente a Gil Vicente e bês acabaram por ajudar a retirar jogadores de outros encontros, devido a castigo; e o facto de terem havido outras equipas que entraram nas últimas jornadas conhecedoras do seu destino no campeonato, como o Real e as do meio da tabela.






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