Por quatro vezes Portugal esteve
representado numa decisão da Supertaça Europeia, sempre pelo FC
Porto, mas apenas por uma vez o troféu foi conquistado por uma equipa lusa,
na edição de 1987, ainda que o vencedor só tivesse sido apurado no início do
ano seguinte, a 13 de janeiro de 1988.
Na altura, a Supertaça Europeia
opunha o vencedor da Taça
dos Campeões Europeus, neste caso o FC
Porto, e o vencedor da Taça das Taças (e da primeira Supertaça Europeia, em
1973), os neerlandeses do Ajax.
Depois de em 1986 a final se ter decidido pela primeira vez num único jogo no
Stade Louis II, no Mónaco, no ano seguinte a competição voltou a ser disputada
em duas mãos. Os dragões,
comandados por Tomislav Ivic, que havia sucedido a Artur
Jorge, começaram por vencer no Estádio Olímpico Amesterdão, a 24 de
novembro de 1987, graças a um golo solitário de Rui Barros aos cinco minutos. “Foi
um golo muito especial, até porque era o dia do meu aniversário. Fiz uma tabela
com o Gomes, à entrada do meio-campo, ganhei terreno em velocidade, driblei o
Menzo e, depois de me reequilibrar, fiz o golo. (…) Na temporada anterior
jogava no Varzim
e nem imaginava, nos meus sonhos, que no ano seguinte estaria no FC
Porto e a ganhar títulos internacionais”, recordou Rui Barros em janeiro de
2013. Na segunda-mão, nas Antas, uns azuis
e brancos já sem Rabah
Madjer, herói das finais da Taça
dos Campeões Europeus e da Taça
Intercontinental então recém-transferido para o Valencia,
confirmaram a conquista do troféu com nova vitória por 1-0. Desta feita, o
autor do golo foi António Sousa, aos 70 minutos. “Lembro-me como se fosse hoje.
São momentos que não esquecemos nunca, por muitos anos que passem. Foi um golo
importante e uma grande conquista. (…) Ivic leu bem o jogo do adversário e
soube fazer ver a melhor estratégia para vencer. Queríamos ganhar. Tínhamos
plantel para, mesmo face às dificuldades que nos esperavam, conseguir mais uma
vitória histórica, para nós e para o futebol português”, lembrou Sousa.
Desengane-se quem pensar que era
um Ajax
qualquer. Johan
Cruyff era o treinador e no plantel pontificavam alguns jogadores que meses
depois viriam a conquistar
o Campeonato da Europa pela seleção dos Países Baixos, nomeadamente Aron
Winter, Arnold Mühren, Jan Wouters, John van 't Schip e John Bosman. A dar os
primeiros passos na equipa principal estava um jovem avançado de 18 anos
chamado Dennis Bergkamp. O FC
Porto voltaria a disputar a Supertaça Europeia em 2003,
2004 e 2011,
mas foi derrotado por AC
Milan, Valencia
e Barcelona,
respetivamente.
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