quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Fábio Espinho. O cimento que une a equipa do Feirense

Fábio Espinho brilha com a camisola do Feirense aos 35 anos
É um atentado ao bom futebol ver Fábio Espinho a jogar na II Liga. Terá sido seduzido por um projeto de subida de divisão de um clube da sua zona de residência ou terá sido mais uma vítima do preconceito que afasta trintões capazes da elite do futebol português? Afinal, foi apenas há dois anos que era ele a pegar na batuta e a assumir o papel de maestro no meio-campo do competente Boavista de Jorge Simão.
 
Desde o ano passado no Feirense, às ordens de Filipe Rocha – ou Filó, como preferirem –, Fábio Espinho vai funcionando como um pedaço de cimento que une a equipa durante a fase de organização ofensiva. Nº 10 na camisola e na função em campo, associa-se com praticamente todos os companheiros em campo: recua no terreno para receber a bola diretamente dos centrais, abre para os laterais para congestionar o jogo, circula o esférico com os outros dois médios à procura de ultrapassar a pressão exercida pelos homens mais adiantados do adversário e ainda aparece nos últimos 30 metros a combinar com os extremos e a servir o ponta de lança.
 
Clarividente, esclarecido e evoluído tecnicamente, junta a qualidade de execução à de raciocínio e vai ligando, com critério e precisão de passe, todos os ataques do Feirense. De trás para a frente, das zonas mais povoadas aos espaços vazios, descaindo ligeiramente para os flancos quando necessário, é este antigo médio ofensivo de Moreirense e Boavista que vai funcionando como a peça que completa o puzzle e assegura a progressão no terreno.
 
E quando não é em bola corrida, é em bola parada. Fábio Espinho é o dono da bola, o homem que executa cantos e livres de todo o tipo, porque se há alguém em quem o treinador confia para levar a bola com a precisão ideal ao destino certo, é ele.
 
 
Geralmente, este tipo de jogadores é protegido em termos defensivos pelos treinadores, que os colocam estrategicamente ao lado do ponta do ponta de lança à frente de duas linhas mais recuadas e sem ordens para correr muito à procura da bola. Mas neste Feirense, Fábio Espinho não é demitido de tarefas defensivas, por isso, ele vai lá atrás lutar pela recuperação do esférico. E se necessário, vai ao choque e aplica um carrinho.
 
Logicamente que 35 anos não são 25 e que essa pedalada é difícil de manter durante os 90 minutos. Assim sendo, e porque está em vigor uma regra que permite cinco substituições e os fogaceiros têm um plantel recheado de soluções, é raro o encontro em que este talentoso e cerebral centrocampista oiça o apito final no interior do retângulo de jogo.













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