quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Miguel Rosa, um guerreiro de luxo para a batalha da II Liga

Miguel Rosa disputou sete jogos pelo Belenenses esta época
Causou alguma surpresa, nos últimos dias, a notícia de que Miguel Rosa tinha deixado o Belenenses para rumar ao Cova da Piedade. Em primeiro lugar, porque era dos jogadores mais identificados com a mística do emblema do Restelo. Depois, porque é um futebolista cuja qualidade tem na I Liga um contexto competitivo mais adequado, até porque está ainda à beira dos 29 anos – completa-os no sábado - e foi titular em 80 dos 104 jogos que disputou no patamar maior do futebol português.


Nada habituado a sair da zona geográfica de conforto – Estoril, Carregado, Belenenses e Benfica B foram as equipas que representou enquanto sénior -, encontrou na formação do concelho de Almada uma oportunidade para prosseguir a carreira perto de casa. Se foi ou não isso que mais pesou, ficam a ganhar os piedenses, atualmente três pontos acima da zona de despromoção ao Campeonato de Portugal e a nove da de promoção à I Liga.

Ficam a ganhar porque Miguel Rosa pode fazer a diferença num nível competitivo que, a meu ver, está abaixo do dele, e num campeonato em que já mostrou que encaixa muito bem. É o único jogador que venceu o prémio de melhor da II Liga por duas vezes, em 2010/11 pelo Belenenses e em 2012/13 pelo Benfica B.

Olhando também para o sistema tático e modelo de jogo do Cova da Piedade, pode encaixar na perfeição no 4x3x3 de Bruno Ribeiro, que tenta colocar a equipa a praticar um futebol apoiado mas que em muitas situações acaba por tentar chegar ao último terço através de um estilo mais direto, em transições. Algo inevitável pela natureza da competição e pelas dimensões reduzidas do relvado do Estádio Municipal José Martins Vieira.

Embora possa ser utilizado nas duas alas e atrás do ponta de lança – com Júlio Velázquez chegou mesmo a ser segundo avançado e falso ponta de lança em algumas partidas -, é a partir do lado esquerdo de ataque que tem mais para dar. As diagonais de fora para dentro com a bola colocada ao pé direito constituem algo que faz muito bem, podendo culmina-las com uma tabelinha com um companheiro, um último passe ou um remate. O seu remate forte, colocado e espontâneo é mesmo uma das suas maiores virtudes futebolísticas, tendo apontado assim muito dos golos que tem na carreira, fazendo-o também com o pé esquerdo e na execução de livres diretos. E o espírito lutador e a garra que exibe em campo podem ser um aliado de peso na conquista de segundas bolas no último terço.

Se não tiver problemas de adaptação, a sua contratação vai significar seguramente um grande upgrade em relação ao que Dieguinho pode oferecer no corredor esquerdo e um acréscimo de qualidade no acompanhamento a homens como Ballack, Cléo ou Hugo Firmino nos derradeiros 30 metros.






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