quarta-feira, 11 de novembro de 2020

Os 10 jogadores com mais jogos pelo Lusitano de Évora na I Divisão

Dez jogadores que fizeram história no Lusitano de Évora

 Fundado a 11 de novembro de 1911 por um grupo de rapazes eborenses que reuniam no adro da Igreja da Graça, o Lusitano Ginásio Clube viveu o período áureo da sua história entre 1952 e 1966, quando somou as 14 presenças (consecutivas) que contabiliza na I Divisão.

 

Com o passar dos anos, os jovens que formaram o clube tornaram-se homens e paralelamente o clube foi progredindo, ao ponto de em 1917-18 ter vencido pela primeira vez o Campeonato de Évora.

 

Inicialmente designado por Lusitano Futebol Clube, o emblema alentejano substituiu a palavra “Futebol” por “Ginásio” no nome numa Assembleia Geral na Esplanada do Edem Teatro em setembro de 1925. Mais tarde, em 1931 o clube comprou o Campo Estrela, que ainda hoje é palco dos seus jogos.

 

Após ter jogado entre os grandes durante as décadas de 1950 e 1960, tendo inclusivamente alcançado o 5.º lugar em 1956-57 e as meias-finais da Taça de Portugal em 1952-53 e 1958-59, o Lusitano de Évora tem estado arredado da elite do futebol português.

 

Em 1983 esteve perto do regresso à I Divisão, quando disputou uma liguilha de acesso à competição, mas não o conseguiu. Desde então que tem estado remetido para as divisões não profissionais, como as antigas II Divisão, II Divisão B e III Divisão, mas também para os distritais da AF Évora, tendo chegado mesmo a extinguir a equipa sénior durante um ano em 2011.

 

Atualmente é representado por uma equipa no Campeonato de Portugal, mas essa formação pertence à SAD criada em julho de 2016 e que está num litigioso conflito com o clube. Perante esta situação, o clube criou em 2019 a Associação Lusitano Évora 1911, que compete nos distritais da AF Évora.

 

Em 14 participações na I Divisão, 102 futebolistas jogaram pelo Lusitano de Évora. Vale por isso a pena recordar os dez que o fizeram por mais vezes.

 

 

10. Augusto Batalha (114 jogos)

Augusto Batalha

Médio esquerdo natural de Sesimbra, começou a jogar no clube da terra natal, tendo depois se estreado na I Divisão ao serviço do Vitória de Setúbal e jogado no Benfica antes de reforçar o Lusitano na primeira época dos eborenses no primeiro escalão, em 1952-53.

Com uma entrada com o pé direito, marcou o primeiro golo da história do clube na I Divisão, numa vitória por 1-0 no terreno do Estoril. Mas não se ficou por aí: ao longo de oito tempos nos lusitanistas foi uma das figuras das equipas que em 1952-53 e 1958-59 atingiram as meias-finais da Taça de Portugal e que em 1956-57 alcançou um histórico quinto lugar no campeonato.

Essa temporada da melhor classificação de sempre da formação alentejana no patamar maior do futebol português foi precisamente a melhor da carreira de Augusto Batalha, que apontou 15 golos em 26 jogos entre a elite.

Após 39 remates certeiros em 114 partidas na I Divisão pelo Lusitano mudou-se em 1960 para o Estremoz, clube que ajudou a catapultar pela primeira vez para a III Divisão em 1961.

Em 1969-70 voltou aos lusitanistas para integrar a equipa técnica de Alberto Cunha.

Primeiro golo de sempre do Lusitano de Évora na I Divisão
 

 

9. Polido (129 jogos)

Polido

Defesa polivalente natural de Évora e que principiou nos juniores do Lusitano, esteve na histórica conquista do título nacional da II Divisão e consequente promoção ao primeiro escalão em 1952.

Seguiram-se seis anos consecutivos como titularíssimo na última linha dos lusitanistas no patamar maior do futebol português, tendo feito parte de momentos como a caminhada até às meias-finais da Taça de Portugal em 1952-53 e da obtenção do histórico quinto lugar em 1956-57.

Pelo meio, jogou quatro vezes pela seleção nacional “B” entre 1955 e 1958, tendo atuado ao lado de vultos como Fernando Cabrita, Mário Coluna, Vicente Lucas e Pérides.

Após 129 jogos e três golos pelos eborenses na I Divisão transferiu-se em 1958 para o Vitória de Setúbal, tendo estado na base do período dourado dos sadinos nas décadas de 1960 e 1970.

 

 

8. Flora (136 jogos)

Flora

Avançado de origem guineense, reforçou o Lusitano em 1951-52, época que ficou marcada pela conquista do título nacional da II Divisão e consequente histórica promoção à I Divisão.

Nos oito anos que se seguiram, com maior ou menor utilização, foi ajudando os eborenses não só a permanecerem no primeiro escalão, mas também a chegar por duas vezes às meias-finais da Taça de Portugal (1952-53 e 1958-59) e a obterem honrosas classificações como o quinto lugar em 1956-57, temporada que foi a melhor da carreira de Flora: 13 golos em 25 jogos.

Em 1960, ao fim de 136 encontros e 36 remates certeiros no patamar maior do futebol português, deixou os lusitanistas para rumar ao Marinhense, então na II Divisão.

 

 

7. Teotónio (173 jogos)

Teotónio

Defesa alentejano natural de Vila Viçosa, surgiu na equipa principal do Lusitano em 1954-55, quando o clube já se encontrava na I Divisão.

Em 12 temporadas no Campo Estrela a militar no primeiro escalão foi utilizado em 11, uma vez que não atuou em qualquer jogo em 1956-57, precisamente a temporada em que eborenses lograram a melhor classificação de sempre. Porém, foi a tempo de participar na obtenção de um honroso sexto lugar em 1957-58 e de atingir as meias-finais da Taça de Portugal na época seguinte.

Em 1966, após a descida à II Divisão e um percurso de 173 partidas (e nenhum golo) entre a elite do futebol português, decidiu pendurar as botas.

 

 

6. Vicente (183 jogos)

Vicente

Médio proveniente do Sporting, clube pelo qual se sagrou tricampeão nacional apesar dos poucos jogos realizados, reforçou o Lusitano no verão de 1954.

Presença habitual no meio-campo eborense ao longo de nove temporadas, esteve em momentos históricos como a obtenção do quinto lugar em 1956-57 e a caminhada até às meias-finais da Taça de Portugal em 1958-59.

Conhecido por ser um jogador extremamente correto, Vicente foi reconhecido em 1962 pela Federação Portuguesa de Futebol por ter disputado 400 jogos em sofrer castigos.

Um ano depois da distinção pendurou as botas, ao fim de 183 encontros e um golo (à Académica em 156-57) pelos lusitanistas na I Divisão.

 

 

5. Caraça (221 jogos)

Caraça

Possante avançado natural de Évora, começou a jogar no Juventude, passou pelas reservas do Benfica e estreou-se na I Divisão com a camisola do Vitória de Guimarães antes de voltar à cidade natal para reforçar o Lusitano no verão de 1954.

Com impacto imediato na equipa, foi um dos goleadores de serviço em algumas das mais memoráveis temporadas de sempre do clube, tendo ultrapassado a dezena de golos em quatro delas, contribuindo com dez para a obtenção do quinto lugar em 1956-57. Ainda assim, a melhor época em termos individuais foi a de 1955-56 (12 golos), seguida de 1958-59 e 1959-60 (11 remates certeiros em ambas).

Em onze temporadas pelos lusitanistas no primeiro escalão amealhou 221 encontros e 73 encontros, tendo pendurado as botas em 1965, encerrando assim a carreira antes da descida à II Divisão.

 

 

4. Paixão (246 jogos)

Paixão

Um dos quatro jogadores que estiveram em todas as 14 participações (consecutivas) do Lusitano na I Divisão. Curiosamente, este polivalente defesa (capaz de atuar à esquerda e ao centro) natural de Beja apenas jogou nos eborenses ao longo desses 14 anos.

Após ter jogado no Despertar e no Desportivo de Beja rumou a Évora em 1952, vivendo no Campo Estrela momentos como as caminhadas até às meias-finais da Taça de Portugal em 1952-53 e 1958-59 e a obtenção do quinto lugar em 1956-57.

Figura emblemática da história lusitanista, marcou cinco golos ao longo dos 246 encontros que disputou pela formação alentejana no primeiro escalão entre 1952 e 1966. Após a descida à II Divisão rumou ao vizinho União de Montemor, então a militar na III Divisão, onde terminou a carreira aos 36 anos.

 

 

3. Falé (271 jogos)

Falé

Defesa/médio natural do Redondo, jogou nos juniores do Lusitano antes de ascender à equipa principal em 1951-52, época que ficou marcada pela conquista do título nacional da II Divisão e consequente promoção ao primeiro escalão.

Seguiram-se 14 temporadas a jogar entre os grandes do futebol português, sempre no Campo Estrela, ao mesmo tempo que desempenhava a sua profissão de sapateiro. Demorou, mas conquistou o seu espaço e tornou-se num dos indiscutíveis da equipa, tendo participado em momentos como a obtenção do quinto lugar em 1956-57 e as caminhadas até às meias-finais da Taça de Portugal em 1952-53 e 1958-59, mas também na descida à II Divisão em 1965-66.

Paralelamente, jogou algumas vezes pela seleção militar de futebol.

Após a despromoção ainda continuou mais um ano no clube, mas depois rumou ao vizinho União de Montemor.

Depois de encerrar a carreira tornou-se treinador e chegou a orientar os juniores do Lusitano.

 

 

2. José Pedro (302 jogos)

José Pedro

Extremo esquerdo natural de Mora, trocou o Luso Morense pelo Lusitano no verão de 1952, quando os eborenses tinham ascendido à I Divisão.

Seguiram-se 14 temporadas no Campo Estrela a jogar no primeiro escalão, sempre com grande qualidade e golos para amostra, até porque se tornou o melhor marcador de sempre dos lusitanistas no patamar maior do futebol português, com 85 remates certeiros. A temporada mais produtiva foi a de 1954-55, quando faturou por 12 vezes, tendo posteriormente atingido a dezena de golos em 1958-59.

Em termos coletivos contribuiu para a obtenção do quinto lugar em 1956-57 e para as caminhadas até às meias-finais da Taça de Portugal em 1952-53 e 1958-59. Por outro lado, não conseguiu evitar a despromoção em 1966, tendo encerrando a carreira de seguida.

Os bons desempenhos valeram-lhe chamadas às seleções nacionais. Disputou dois jogos pela seleção nacional “AA” e atuou em quatro partidas e marcou outros tantos golos pela equipa das quinas “B”.

Viria a falecer em abril de 2016, na véspera de completar 84 anos.

 

 

1. Dinis Vital (342 jogos)

Dinis Vital

Guarda-redes natural de Grândola, começou a jogar no Grandolense e foi de lá que saltou para o Lusitano no verão de 1951, tendo contribuído para a conquista do título nacional da II Divisão e consequente promoção ao primeiro escalão logo na temporada de estreia.

Seguiram-se 14 temporadas consecutivas na baliza lusitanista na I Divisão, marcando presença em momentos históricos como a obtenção do quinto lugar em 1956-57 e as caminhadas até às meias-finais da Taça de Portugal em 1952-53 e 1958-59.

Por outro lado, não evitou a descida à II Divisão em 1965-66. Curiosamente, nessa época… marcou um golo ao Barreirense. “O lance foi curioso. Vital pôs a bola em jogo com um longo pontapé que a levou à baliza do Barreirense. Bráulio pretendeu socá-la e deu-lhe o caminho da rede!”, descreveu o Diário de Notícias.

Além desse golo marcado, sofreu 668 em 342 partidas em quase década e meia ao serviço dos eborenses no patamar maior do futebol português. Ao longo desse percurso foi premiado com uma internacionalização pela seleção nacional “AA”, num jogo frente à Suíça em maio de 1959, depois de ter representado a equipa das quinas “B” no ano anterior.

Após a despromoção à II Divisão continuou a jogar ao mais alto nível no Vitória de Setúbal, clube pelo qual venceu uma Taça de Portugal e jogou nas competições europeias, tendo ainda passado por Juventude de Évora e União de Montemor antes de pendurar as luvas. Porém, a passagem pelo rival Juventude valeu-lhe a hostilidade de alguns adeptos lusitanistas.

Entretanto tornou-se treinador, tendo orientado o Lusitano em 1982-83, entre 1990 e 1992 e em 2000-01 e 2001-02.

Viria a falecer em setembro de 2014, aos 82 anos. Em jeito de homenagem, a Associação de Futebol de Évora batizou a sua Taça de futebol sénior de Taça Dinis Vital.











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