Hoje faz anos o “Flying Dutchman” que trocou o Arsenal pelo Manchester United. Quem se lembra de Van Persie?
Van Persie apontou golo icónico a Espanha no Mundial 2014
Um dos melhores avançados da sua
geração, um atacante refinado tecnicamente que percorreu várias posições no último
terço antes de especializar como ponta de lança e sobretudo goleador, ao ponto
de ter chegado a ser o melhor marcador de sempre da seleção
dos Países Baixos (50 golos) e de ter sido o artilheiro-mor da Premier
League em duas épocas consecutivas (2011-12 e 2012-13).
Nascido a 6 de agosto de 1983, em
Roterdão, filho de uma pintura e de um escultor, cresceu no seio de uma família
ligada às artes, mas desde cedo que o futebol se tornou na sua grande paixão. Iniciou a formação no Excelsior,
mas terminou-a no Feyenoord,
tendo feito a estreia pela equipa principal na temporada 2001-02, quando tinha
apenas 18 anos. Logo nessa época venceu a Taça UEFA – foi
titular no triunfo sobre o Borussia Dortmund, numa final disputada em casa –
e recebeu o prémio de melhor jovem talento do ano. Nas épocas seguinte, ainda como
extremo, foi reforçando paulatinamente o seu estatuto no clube, o que fez com
que Arsène
Wenger tivesse apostado na sua contratação para o Arsenal
durante o verão de 2004, por cerca de 4,5 milhões de euros. Os primeiros anos no norte de
Londres ficaram marcados por algumas lesões e também por uma adaptação à zona central
do ataque, nas costas do ponta de lança e como avançado, com o intuito de
preparar a sucessão de Dennis Bergkamp e Thierry Henry. Ainda assim, contribuiu
para a conquistas da Community Shield [equivalente à Supertaça] em 2004 e da
Taça de Inglaterra em 2004-05 e para a caminhada até à final da
Liga dos Campeões em 2005-06. Paralelamente, estreou-se pela seleção
dos Países Baixos em junho de 2005. Embora fosse presença assídua na seleção
neerlandesa e tivesse marcado presença nas fases finais dos Mundiais 2006
e 2010
(no qual foi finalista vencido) e do Euro 2008,
só explodiu verdadeiramente durante a temporada 2011-12, quando somou 37 golos
e nove assistências em 48 jogos em todas as competições. Nessa época sagrou-se
melhor marcador da Premier
League, com 30 golos, e recebeu os prémios de melhor jogador do ano em
Inglaterra da Associação de Futebolistas Profissionais (PFA) e da Associação de
Jornalistas Desportivos (FWA).
Porém, nesse período o Arsenal
vivia uma crise desportiva. O último título nacional havia sido conquistado em
2004, o último troféu em 2005 e todos os anos saíam jogadores importantes,
alguns dos quais para clubes rivais, como foram os casos de Ashley Cole (Chelsea)
ou Kolo Touré, Gael Clichy, Samir Nasri ou Emmanuel Adebayor (Manchester
City). No verão de 2012, foi a vez de Van Persie assinar pelo Manchester
United, uma transferência de 30,7 milhões de euros que gerou grande
contestação por parte dos adeptos dos gunners.
Apesar disso é, ainda hoje, o melhor marcador de sempre do Estádio
Emirates (64). Já para o avançado neerlandês, revelou-se
uma escolha acertada. Não só revalidou o estatuto de melhor marcador da Premier
League, com 26 golos, como se sagrou finalmente campeão inglês logo na
época de estreia, 2012-13. No início da temporada seguinte, já com David
Moyes no lugar de Alex
Ferguson, venceu também a Community Shield. No entanto, os red
devils entraram num período de instabilidade – do qual ainda não saíram,
tantos anos depois – após a saída de Fergie
e o já trintão Van Persie também foi perdendo protagonismo.
Pelo meio, fez um grande Mundial
2014, ajudando os Países
Baixos a alcançar o terceiro lugar numa campanha na qual apontou quatro
golos, entre os quais um cabeceamento fantástico numa goleada sobre Espanha
(5-1), na fase de grupos, que lhe valeu a alcunhar de “the flying dutchman”
[o holandês voador]. Foi a redenção após um pobre Euro 2012,
no qual a seleção
laranja não foi além da fase de grupos.
Em julho de 2015 transferiu-se
para o Fenerbahçe,
por 6,5 milhões de euros, tendo continuado a mostrar qualidade na Turquia ao
longo de dois anos e meio, apesar da falta de troféus.
Em janeiro de 2018, aos 34 anos,
regressou ao Feyenoord
para terminar a carreira no clube onde a começou, tendo conquistado a Taça e a
Supertaça dos Países Baixos em 2018 antes de se despedir dos relvados em maio
de 2019.
Internacionalmente somou 102
jogos e 50 golos pela sua seleção.
Chegou a ter o estatuto de melhor marcador de sempre da equipa
laranja, mas, entretanto, foi superado por Memphis Depay, que já leva 55.
Após pendurar as botas iniciou a
carreira de treinador. Começou por trabalhar na formação do Feyenoord,
assumindo posteriormente funções na equipa principal como adjunto. Após uma
experiência como treinador principal do Heerenveen, regressou ao emblema de
Roterdão para assumir o comando técnico da equipa principal.
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