Recém-coroado campeão da WWE, Sami
Zayn é um dos homens do momento no mundo do wrestling. Já veio a Portugal
por duas vezes ao serviço da promotora norte-americana, em 2017 e este ano, mas
a primeira ocasião em que visitou o nosso país foi ainda como lutador independente,
no evento WSW Impacto Total 3, da World Stars Of Wrestling, em 28 de fevereiro
de 2009.
Na ocasião, sob o ring nameEl
Generico, com o qual se celebrizou em empresas como Pro Wrestling Guerrilla
(PWG) e Ring of Honor (ROH), defrontou o português Ultra Psycho, na altura um
dos wrestlers mais conceituados da APW. O combate nunca esteve disponível na
Internet, mas quem assistiu refere que ficou marcado por um dive no qual
Psycho não protegeu Generico. “O combate não foi mau e também
não foi nada de especial. O que há na Net são clips, não há o combate todo. Eu
tenho o combate todo e já vi o combate todo. O problema foi que depois dessa dive
eu apaguei e aí passei a pedir-lhe desculpa o tempo inteiro. E ele dizia para
continuar. No final ele deu-me um raspanete e, curiosamente, não foi por causa
do dive. O raspanete foi porque eu depois apaguei. Fiquei a pensar no
que tinha acontecido em vez de ficar concentrado no resto do combate”, contou o
já retirado Ultra Psycho ao videocast Espaço do Fontes em
janeiro de 2020. “O que aconteceu foi o seguinte:
quando estávamos a combinar o combate, ele falou-me desse dive, mas eu fiquei a
perceber que seria um dive… [mais convencional, tipo Suicide Dive].
Mas o que ele fez foi uma cambalhota no ar. Não o apanhei porque me posicionei
mais atrás, à espera de outro tipo de dive. Ainda estiquei os braços, o
que não faz sentido, mas foi a minha reação natural. As minhas mãos ainda
tocaram nas pernas dele, mas ele caiu de rabo. Não foi de cabeça, como andaram
a dizer. Não se aleijou, mas podia ter-se aleijado. O erro foi de falta de
comunicação”, recordou o wrestler português, que chegou a ser campeão
nacional da APW durante 111 dias entre 31 de julho e 19 de novembro de 2011. “As pessoas metem a culpa toda em
mim, mas eu faço uma pergunta: como é que um gajo que faz uma dive se atira sem
se certificar que o adversário está na posição certa para o apanhar?”,
questionou. Ultra Psycho lembra que, nessa
altura, aquele que atualmente conhecemos como Sami
Zayn era um high-flyer, um “luchador do Canadá”, e que
gostava de planear o combate ao detalhe. “Ele montou o combate todo,
porque ele é assim e acho que até o Chris
Jericho se queixou do mesmo. Ele combina tudo. Tem de ser tudo spot
a spot. Tentei funcionar assim e não consigo. E acho que quase ninguém
consegue, por isso não é vergonha nenhuma. Até acho mal que se façam combates
assim, tudo scriptado. Depois dá no que dá. Depois do dive eu
apaguei e a partir daí é que começou a correr mal. Até aí não estava a correr
mal. Para o meu nível de experiência, que não era muito – o dele era muito mais
–, fizemos o que conseguimos. Foi muito claro com ele: lucha libre não é
a minha cena. Sou um gajo que não é de acrobacias, não tenho atleticismo para
isso. Sou um gajo mais de contar estórias no ringue, cenas técnicas. Também não
sou um powerhouse. Nem powerhouse nem lucha libre. Estou
ali no meio, gosto de contar estórias”, prosseguiu.
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