segunda-feira, 1 de março de 2021

Inverno. As superstições de Martelinho, o fervor dos adeptos do Lourosa e o regresso ao seu Arrifanense

Bruno Inverno regressou ao Arrifanense em 2018
Com o fim de carreira e o centenário do seu Arrifanense no horizonte, o goleador Inverno tenta, nesta época marcada pela pandemia, recolocar o clube que o formou no primeiro escalão da AF Aveiro.
 
Em entrevista, o avançado fala da ligação a um emblema que pretende continuar a servir quando pendurar as botas, explica a origem da alcunha, recorda as várias subidas de divisão, a forma fervorosa como os adeptos do Lusitânia Lourosa vivem o clube, o troféu de melhor marcador distrital e as superstições do seu antigo treinador e antiga glória boavisteira Martelinho em dias de jogos.
 
RUI COELHO - A viver a terceira época desde que regressou pela segunda vez ao Arrifanense, o Bruno Inverno leva três jogos. Como tem corrido esta temporada repleta de sobressaltos causados pela Covid-19?
BRUNO INVERNO - Iniciámos a preparação da época com bastante entusiamo e confiança. Fizemos uma pré-época boa, com alguns jogos de preparação pelo meio, que nos deixou confiantes para o futuro do campeonato e para os nossos objetivos. De repente, tivemos que parar por causa da Covid-19, pois o campeonato tinha sido adiado assim como os treinos.
Quando houve novamente abertura aos treinos, iniciámos nova pré-época e lá conseguimos iniciar o campeonato com muito esforço da AF Aveiro. Deixe-me salientar que neste interregno de campeonato, tive colegas de equipa que acabaram por desistir, não só pela desmotivação que se criou como pelo medo da propagação do vírus.
Fizemos apenas dois jogos para o campeonato (uma derrota e uma vitória) e um jogo para a Taça de Aveiro - perdemos nas grandes penalidades -, devido a adiamentos de jogos e por as equipas terem vários jogadores em isolamento e até contaminados. Passadas quatro semanas o campeonato voltou a parar novamente. É desmotivante, não posso esconder, mas compreensível ao mesmo tempo.
Via com bastante agrado voltar a ter a terceira pré-época este ano. Era sinal que as coisas estavam melhor. Veremos como vai ser, mas gostava de terminar a época. Sinto saudades de fazer desporto, neste caso futebol, que amo tanto.
 
O Arrifanense é uma das mais antigas coletividades do distrito de Aveiro. O que há de diferente no clube desde que iniciou a sua formação em 1993 e o que justificou a queda do emblema do concelho de Santa Maria da Feira, que chegou a militar na II Divisão B?
O Clube Desportivo Arrifanense é o clube da minha formação, não só enquanto jogador, mas também como homem, tenho muito orgulho neste clube. Foi o meu pai que me levou para o Arrifanense em 1993, tinha eu 10 anos e ele jogava lá.
É difícil responder a essa pergunta, pois o clube tem quase 100 anos de história, onde teve momentos altos e baixos, como se passa em quase todos os clubes ao redor. Sabendo nós que se um clube anda bem e a lutar por títulos e subidas, existe mais apoios, traz mais povo ao futebol.  Se correr menos bem, o povo, neste caso os sócios e simpatizantes e até jogadores vão-se afastando, enfraquecendo o clube. É natural que numa vila como Arrifana seja difícil conseguir imensos apoios como já aconteceu no passado, quando grandes empresas e grandes dirigentes conseguiam patrocinar o clube.
Depois, quando se desce aos distritais, é muito difícil voltar a subir aos nacionais como eu gostava de voltar a ver. Simplesmente aconteceu, é normal num ano teres uma grande equipa e em outros anos não. Isso faz parte do futebol e dos clubes, o Arrifanense não foge á regra.
 
Apesar de todas as adversidades vividas de momento, confia num reatamento do campeonato? Se sim, o que podemos esperar deste Arrifanense versão 2020-21?
Tenho esperança que sim, que volte a iniciar o campeonato, pois é curto, existem apenas onze equipas por grupo. Contando que não existam mais desistências na equipa, acho que temos um plantel unido e com qualidade para estar entre os primeiros lugares na tabela. A nossa equipa técnica é muito exigente e não nos deixa adormecer. Treinamos sempre nos limites.
 

“Em tempos servi-me do Arrifanense, agora é altura de servir o clube”

Bruno Inverno nas camadas jovens do Arrifanense
Qual é o sentimento de regressar a casa e logo numa altura em que o clube se prepara para comemorar o centenário? Qual é o espírito dos associados e simpatizantes?
Regressar a casa esteve sempre em mente. Saí do clube com normalidade, fruto do interesse de outros clubes, que na altura pagavam melhor e tinham outros objetivos. O sentimento é de orgulho, pois em tempos servi-me do clube, agora é altura de servir o clube, ainda mais nesta fase do centenário.  Sinto-me capaz ainda de ajudar a equipa, tenho o reconhecimento da direção, da equipa técnica, dos colegas de equipa e dos sócios. Sinto o carinho deles quando estou a jogar.
 
Com uma carreira pautada por conquistas e golos, é no Arrifanense que tudo se inicia. Quem foram as pessoas mais importantes para si no processo de formação, enquanto jogador?
Só posso estar grato pelas pessoas que conviveram comigo, por tudo o que me ensinaram, desde diretores, treinadores e jogadores. Todos foram importantes, com as suas qualidades e defeitos. Só posso dizer que os tenho sempre na memória, eles sabem quem são.
 

Estreou-se pela equipa principal aos 17 anos na II Divisão B

Nessa altura, para um jovem de 17 anos, trabalhar com a equipa principal numa II Divisão B, foi certamente um motivo de muito orgulho…
Sim, ainda era júnior quando fui chamado para treinar com a equipa sénior do Arrifanense, liderada pelo mister Silva Morais. Ainda por cima numa II Divisão B recheada de bons jogadores. Felizmente ainda participei em alguns jogos e marquei alguns golos. Estou muito grato por essa oportunidade, que acho que agarrei com unhas e dentes, pois qualquer jogador da formação tem como objetivo chegar à equipa principal do seu clube.  Na formação jogávamos num campo ainda pelado. Era uma diferença enorme jogar no relvado, nem chuteiras com pitões de alumínio tinha.
 

As memórias dos tempos do Cesarense, Milheiroense e Carregosense

Avançado Bruno Inverno quando jogava no Cesarense
Em 2003-04 surge o convite do Cesarense, onde jogou uma temporada. O que o levou a aceitar?
Nesse ano, já contava com duas épocas enquanto sénior no Arrifanense, uma na II Divisão B e outra na III Divisão. O convite surgiu nessa época, devido a ter feito uma boa época individual. Daí ter despertado interesse ao Cesarense, liderado na altura pelo mister António Coelho, que também militava na III Divisão, tinha outros objetivos e monetariamente oferecia-me muito mais. Decidi aventurar-me com um pouco de receio, mas confiante. Sempre decidi pela minha cabeça, o meu pai nunca interferiu nas minhas decisões.
 
Seguiram-se Milheiroense (2005-06) e Carregosense (2006 a 2008). O que o fez rumar a esses clubes?
O convite do Milheiroense, que também jogava na III Divisão era treinado pelo mister Carlos Miragaia (coordenador técnico da AF Aveiro) marcou-me imenso, não só pelo excelente grupo de jogadores, diretores e presidente que conheci, mas também pela aprendizagem futebolística.
Não tive uma época perfeita, com titularidade absoluta, mas sempre que entrava notava-se a diferença. Ajudava a equipa a crescer, sentia isso pelos meus colegas, como pelo público. Ganhei um carinho enorme por eles. Saí no final da época por iniciativa própria, senti que fui prejudicado taticamente, mas cresci muito nesse ano. Amadureci.
No Carregosense, recebi o convite do mister Paulinho, que já me conhecia do Cesarense. O projeto era tentar subir. Dei um passo atrás na minha carreira, pois fui jogar para os distritais, mas o mister convenceu-me.  Fiz duas épocas fantásticas, levando o Carregosense à melhor classificação de sempre, um terceiro lugar, apesar de sentir que os distritais não eram tão exigentes como o nível a que eu estava habituado. Ganhássemos ou perdêssemos no final dos jogos, lá nos encontrávamos e juntávamo-nos no bar do clube para confraternizar e beber umas cervejas com adeptos e familiares. Pensava eu ter dado um passo atrás na carreira, mas felizmente acabei por dar dois em frente.
 

No Bustelo para fugir aos pelados

Ainda assim, em 2008 acaba por rumar ao Bustelo, também dos distritais da AF Aveiro…
As boas prestações da equipa do Carregosense começaram a despertar interesse do Bustelo, liderado pelo mister Carlos Manuel. No início da época, alguns colegas de equipa já tinham assinado pelo Bustelo e daí o meu nome também ficar associado. O Bustelo ia nesse ano colocar sintético no seu campo, o que ajudou na minha decisão. Penso que foi por isso, pois continuava a jogar no Campeonato Distrital. Mais uma aventura…
 
Em 2009-10, sobe de divisão e conquista a Taça e Supertaça de Aveiro ao serviço do Bustelo. É nessa época que começa a despontar verdadeiramente. Concorda?
Concordo. Nessa época subimos de divisão em 2.º lugar [atrás do Alba], conquistámos a Taça de Aveiro contra o Estarreja e a Supertaça contra o Cesarense. Foi um ano muito bom a nível coletivo e individual, tendo terminado o campeonato como um dos três melhores marcadores.
 

Subiu novamente de divisão no Valecambrense

Bruno Inverno com a camisola do Valecambrense
Depois desses dois bons anos em Bustelo, mudou-se para o Valecambrense. O que o levar a tomar essa decisão? Curiosamente alcança mais uma subida...
A minha saída para o Valecambrense foi motivada pelo projeto de subida do clube e, claro, pela vertente monetária. O Valecambrense fez uma superequipa nesse ano, mas faltava alma aos adeptos, estavam um pouco retirados do futebol. Tentámos aproxima-los nesse ano com a subida aos campeonatos nacionais, novamente em 2.º lugar. Foi um ano difícil, pois tive três treinadores. Sempre saí a bem dos clubes, dando sempre a cara, com uma atitude correta, deixando sempre a porta aberta para um possível regresso. Nunca fui mal-agradecido com quem me ajudou.
 
Volta novamente a Bustelo em 2011-12 para fazer história com uma subida inédita à II Divisão B. O que representou essa conquista para si e para as gentes de Bustelo?
Meu Deus! Nesse ano, aconteceu-nos tudo, tivemos inúmeras contrariedades e tínhamos um plantel muito curto. Penso que só o mister Miguel Oliveira acreditava na subida do clube, com a sua crença e sabedoria. O que é certo é que lá fomos nós, devagarinho, subindo na tabela. Tínhamos muitas dificuldades em ganhar fora de casa, mas em casa mandávamos nós. Penso que não perdemos nenhum jogo em casa esse ano. Esse foi o no nosso ponto forte. A força da união da equipa, da direção que com tão pouco tanto fez, da equipa técnica e dos adeptos fantásticos. Deixe-me dizer que Bustelo é mesmo muito pequeno, onde todas as pessoas se conhecem. Foi inédito para o clube subir à II Divisão B, fiquei muito orgulhoso em fazer parte da história desse clube.
 

“Adeptos do Lusitânia Lourosa são fervorosos. Nunca tinha sentido algo assim”

Ainda assim, regressa depois aos distritais para jogar pelo Lusitânia Lourosa. O que o fez mudar de ares? Curiosamente, voltou a ser campeão…
O Lourosa tinha descido dos para os distritais e na altura o vice-presidente, que era Vítor Manaia (ser humano incrível), pretendia subir o clube o mais rápido possível. Fui contactado pelo treinador adjunto João Alves, que jogou comigo em Carregosa e que me motivou para fazer parte daquele super plantel liderado pelo mister Martelinho. Mais uma vez era um projeto de subida e monetariamente melhor. O plantel foi construído a dedo, com muita objetividade e cuidado nas escolhas para cada posição. Foi um ano fantástico, fomos campeões sem derrotas e vencemos a Supertaça de Aveiro, individualmente também, pois fui o terceiro melhor marcador do campeonato. O segredo foi mesmo a organização excelente que o clube teve com toda a gestão do plantel, treinadores e diretores. Existia muita união e qualidade nos jogadores, e a direção também não nos deixava faltar nada.
Os adeptos eram muito fervorosos pelo clube e pelos jogadores. Posso dizer que tive mesmo gosto de jogar em Lourosa, nunca tinha sentido algo assim. O estádio estava sempre bem composto, com cerca 1000 pessoas a apoiar a equipa nos jogos, mas os adeptos eram muito exigentes. Lembro-me de estarmos a ganhar por 4-0 e eles assobiavam para que não baixássemos o ritmo. Queriam mais golos.
Mais uma vez fiquei orgulhoso pelo feito conquistado e por entrar também para a história do clube.
 

Melhor marcador distrital em 2014-15 com 38 golos

Inverno festejou subida à II Divisão B no Bustelo
No verão de 2014, voltou ao Bustelo. Como surgiu essa possibilidade? Acabou por se sagrar melhor marcador do campeonato distrital…
Sempre que saí de Bustelo, saí a bem. Ganhei um carinho especial por aquele clube e as pessoas por mim. Depois de dois anos em Lourosa com o mister Martelinho, houve mudança de treinador. O novo treinador não se identificava comigo taticamente, não sei, apenas não fui convidado a continuar. As notícias correm rápido e chegou aos ouvidos do mister Miguel Oliveira, em tempos adjuntos do mister Carlos Manuel, e convidou-me para fazer parte da equipa dele, mais uma vez com o objetivo de subida. Foi então que cheguei a acordo novamente com o Bustelo. Sabia que seria muito difícil ser campeão, pois existiam mais umas três ou quatro equipas com o mesmo objetivo. 
Um dos segredos das equipas de Bustelo era sempre manter a espinha dorsal do plantel. Podia sair um ou outro, mas compunha-se rapidamente com outros jogadores. Iniciámos muito bem o campeonato, onde mais uma vez o fator casa contou muito, pois éramos mesmo muito fortes a jogar em casa. Fomos muito regulares, tínhamos muitos bons jogadores.
Na reta final, quando sabíamos que era possível e dependíamos apenas de nós para ficar em primeiro, fomos muito rigorosos e competentes, chegando ao último jogo do campeonato a precisar de apenas um ponto. Conseguimos e fomos campeões. Foi uma alegria enorme para jogadores, direção, diretores e treinadores, porque trabalhámos muito ao longo do ano para esse objetivo. Foram notórias as lágrimas de alegria e o sentimento de dever cumprido.
A nível pessoal, foi sem dúvida a melhor época de sempre, apenas não joguei um jogo, salvo erro por castigo. Marquei 38 golos nessa época, e num só jogo contra a Ovarense marquei cinco golos. Estive também quatro jogos seguidos a bisar, de facto os jogadores trabalhavam muito em equipa, daí depois ser mais fácil marcar tantos golos. Dou esse mérito a eles também, pois sozinho era impossível. Fui o melhor marcador Campeonato Distrital e o segundo melhor marcador a nível nacional, perdi apenas para um jogador, por ter menos minutos de jogo que eu, pois eu até tinha mais golos que ele. Nunca pensei que fosse possível, pois em primeiro lugar esteve sempre a equipa. Os golos foram saindo naturalmente e nunca foram uma obsessão. Mas fiquei feliz por esse prémio, obviamente. Qualquer avançado vive de golos.
 
Em 2016 regressa a terras de Santa Maria da Feira para vestir as camisolas de Lusitânia Lourosa e Fiães. O que o levou a mudar novamente de clube?
Faz parte, no final das épocas, existir o interesse de outros clubes. Ingressar nesses clubes foi as melhores opções na altura. Quando existe mútuo acordo e se está feliz, tudo bem. Adorei representá-los e sempre dei o meu melhor pela camisola que vestia, daí tive sempre o sentimento de dever cumprido.
 

“Martelinho era supersticioso. Aos domingos andava sempre com a mesma roupa”

Bruno Inverno jogou três anos no Lusitânia Lourosa
Em três anos de leão ao peito cruzou-se com duas figuras conhecidas do futebol português, Tonel e Martelinho, o que achou dos métodos de trabalho deles? Sei que tem algumas histórias com eles…
Identifiquei-me logo com o mister Martelinho, pois o esquema tático dele era o 4x4x2, ao qual já estava habituado e era o sistema que me sentia melhor. Era bastante exigente, mas eu adorava os treinos dele. Raramente repetia treinos, variava muito e dava uma moral incrível aos jogadores. À sexta-feira havia treino de finalização e no final os avançados iam marcar um penálti cada. Se por acaso falhasse mandava repetir até marcar, para não ir embora sem moral. Revelava a equipa que ia jogar no domingo, dizia ele que era para dormirmos descansados, sem ansiedades. É uma pessoa super simples, que adorei conhecer, e ainda mantenho contato com ele. Também era muito supersticioso, pois aos domingos andava sempre com a mesma roupa. Gozávamos com ele, mas ele dizia que se ganhássemos não trocávamos de roupa ao domingo e vinha sempre com a mesma.
O mister Tonel chegou já a meio da época juntamente com a nova direção. Mudou logo a tática para 4x3x3, pelo tive de me adaptar, mas tive a confiança dele e marquei vários golos nesse sistema. Era mais sério, não tão brincalhão como o Martelinho, pelo menos no inicio, mas obviamente que os treinos e as ideias eram diferentes. São dois treinadores com personalidades fortes. O Tonel era muito simples também, gostei de o conhecer e de trabalhar com ele.
 
O Lourosa foi um dos clubes que mais cresceu nos últimos anos. Há pouco tempo jogava nos distritais e agora tem vindo a ameaçar a subida à ll Liga. O que acha que está por detrás de tal crescimento?
Sem dúvida o investimento do Presidente Hugo Mendes, que fez e está a fazer um trabalho magnifico. Gostava que tivesse muito sucesso. Acredito vivamente que o consiga, o Lourosa tem uma massa adepta incrível, que empurra a equipa para as vitórias, seja em casa ou fora. Lembro-me bem de jogar contra a Sanjoanense no meu ano lá nos distritais e estarem 5000 pessoas a ver o jogo. Era incrível a emoção em jogar assim.
 
Quais foram os melhores treinadores e jogadores com quem partilhou o balneário?
É difícil dizer. Foram imensos cada um à sua maneira. Uns mais relevantes que outros, como é natural. Talvez na formação, onde havia muita alegria, o valor humano sentia-se mais.
 
Aos 38 anos de idade e a representar o seu clube, Arrifanense, sente que está para breve o anúncio do fim de carreira?
Sim, penso que já é altura de dar lugar aos mais novos, não porque me sinta incapaz, mas acho que está na hora de o fazer. Talvez possa assumir novos cargos no clube, onde me sinta capaz de ajudar, mas claro que o bichinho vai permanecer. Irei jogar para a velhas guardas do clube. A minha mulher mata-me.
 

Herdou alcunha do avô

Por fim, é inevitável não falar da conhecida família Inverno. Porque adotou essa alcunha? O seu filho vai dar continuidade ao legado?
A alcunha Inverno já vem do meu avô, pois guardava gado e quando vinha ao final do dia para casa a chover, os seus vizinhos começavam a dizer “Lá vai o Inverno”.  Ficou para ele… e para a descendência.
O meu pai também foi jogador e era conhecido por essa alcunha. Por mais que tenha nome próprio, acabavam por dizer que era o filho do Inverno ou o Inverno mais novo. Vai ficando.
 Já tenho o meu filho Tiago, com 10 anos, jogar desde os cinco no Arrifanense. Por acaso acho que tem jeito, por isso penso que o legado irá continuar.
 
 
Entrevista realizada por Rui Coelho







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