quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

A minha primeira memória de… um jogo entre Benfica e equipas inglesas

Cristiano Ronaldo e Léo disputam a bola no Estádio da Luz
Se também contabilizarmos jogos particulares, recordo-me vagamente de o Benfica ter defrontado Liverpool e Aston Villa na pré-época de 2000-01 e o Chelsea de José Mourinho e o West Bromwich na de 2005-06. Mas se tivermos apenas em conta encontros oficiais, os primeiros de que tenho memória remontam aos derradeiros meses de 2005, quando as águias defrontaram duas vezes o Manchester United na fase de grupos da Liga dos Campeões.
 
Campeão português em título, o Benfica era orientado pelo holandês Ronald Koeman e, embora tivesse perdido o habitual titular Miguel no verão, havia reforçado a equipa com o central Anderson, os laterais Nélson e Léo, o médio Beto e o avançado Miccoli.
 
Já os red devils, comandados pelo eterno Alex Ferguson, estavam em processo de renovação. Gary Neville, Ryan Giggs e Paul Scholes eram os principais resistentes da equipa campeã europeia de 1999, mas era o sangue novo de Cristiano Ronaldo e Wayne Rooney que dava que falar. Na altura, ambos tinham apenas 20 anos.
 
À entrada para o primeiro duelo entre as duas equipas, em Old Trafford, o Benfica liderava o grupo com três pontos. O Manchester United tinha apenas um, tal como o Villarreal – e o Lille ainda não tinha pontuado.
 

No teatro dos sonhos, Ryan Giggs inaugurou o marcador aos 39 minutos, na execução de um livre direto no qual a bola ainda desviou na barreira antes de entrar na baliza de Moreira. No segundo tempo, Simão Sabrosa respondeu na mesma moeda, batendo Van der Sar na transformação de um livre (59’). Empatar num dos palcos mais míticos do futebol mundial parecia possível para as águias, mas um golo de Van Nistelrooy já nos derradeiros minutos (85’), após um canto apontado a partir da direita, deu a vitória aos ingleses.  
 
“O Benfica desperdiçou uma soberana oportunidade de alterar a história e, principalmente, de dar um passo de gigante rumo à fase seguinte da Liga dos Campeões, tendo perdido em Old Trafford um confronto que não quis ganhar. Confuso? Nem por isso, especialmente se recordarmos a atitude dos jogadores encarnados até perto do minuto 70 – foram cínicos, pragmáticos e ambiciosos até ao momento em que Simão viu Van der Sar evitar aquele que seria o segundo golo encarnado (e também o número dois do capitão de equipa.)”, podia ler-se na crónica do jornal O Jogo, assinada por Ricardo Lemos, que anos depois passou a integrar o departamento de comunicação do Benfica.
 
 
Os dois conjuntos voltaram a medir forças na derradeira jornada, para a qual partiram com todos os cenários em aberto, num grupo bastante embrulhado, liderado pelos espanhóis do Villarreal (sete pontos), seguidos de perto por Manchester United, Lille (ambos com seis) e Benfica (cinco). Ou seja, todos podiam sonhar e quase todos podiam ficar fora da Europa.
 
Embora as águias jogassem em casa, os red devils eram os favoritos e até abriram o ativo logo aos seis minutos, por intermédio de Paul Scholes, após cruzamento rasteiro de Gary Neville a partir da direita. No entanto, o Benfica galvanizou-se e deu a volta ao resultado. Primeiro foi Geovanni a marcar, mergulhando para cabecear uma bola cruzada por Nélson pelo lado direito (16’). Depois foi a vez do improvável Beto, através de um disparo forte de fora da área que ainda desviou em Scholes (34’).
 
O jogo também ficou marcado por um incidente envolvendo Cristiano Ronaldo, que se deixou perturbar pelas vaias das bancadas da Luz e mostrou o dedo do meio aos adeptos benfiquistas quando foi substituído.
 
“Há muito que o epíteto Glorioso, adquirido no tempo em que o Benfica dominava a Europa a seu bel-prazer, não era digno de ser empregue. Perante um adversário mais poderoso, os encarnados mereceram na plenitude o adjetivo. O Benfica não chorou os ausentes – e quem se terá lembrado deles? –; não se intimidou com as estrelas do Manchester; não receou contrariar a história, que registava uma total ausência de vitórias sobre os red devils em jogos oficiais, e correspondeu ao apelo da sua maior glória. ‘Joguem com concentração, alma e paciência. Não quero que vinguem os 4-1, mas deem tudo pelo triunfo e façam história rapazes’, havia pedido Eusébio. A história foi mesmo feita. O Benfica, contra a lógica, mas graças a uma atitude de campeão, permanece na Liga milionária, e empurrou para a vergonha o Manchester, que há dez anos não era afastado nesta fase das provas europeias”, escreveu o Diário de Notícias.
 
 
Quis o destino que nos oitavos de final o Benfica voltasse a defrontar uma equipa inglesa, o então campeão europeu Liverpool. Embora os reds fossem claros favoritos, as águias venceram na Luz por 1-0, na primeira-mão, graças a um golo de Luisão, na sequência de um livre apontado por Petit.
 
 
E no jogo de Anfield, o Benfica silenciou os ruidosos adeptos do Liverpool com dois golos espetaculares. Depois de Simão ter inaugurado o marcador com um remate colocadíssimo aos 36 minutos, Miccoli fez o 0-2 através de um gesto acrobático já nos derradeiros instantes (89’).
 



     








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