quarta-feira, 25 de novembro de 2020

A minha primeira memória de… um jogo entre FC Porto e equipas francesas

Derlei tenta passar pelo defesa Coulibaly no jogo das Antas

Tenho uma bastante vaga recordação da eliminatória entre FC Porto e Nantes para a Taça UEFA em 2000-01, mas a minha primeira memória a sério de jogos entre dragões e equipas francesas é relativa a um duplo confronto entre os portistas e o Lens dois anos depois, a contar para a 3.ª ronda da segunda competição europeia de clubes.

 

O emblema da Invicta, então orientado por José Mourinho, tinha afastado Polónia Varsóvia e Áustria Viena nas eliminatórias anteriores e começava a demonstrar um poderio que o haveria de levar à vitória na competição.

 

Porém, na altura o Lens era um peixe graúdo, uma presença habitual nas provas europeias, e nessa época tinha sido repescado para a Taça UEFA após ter concluído o grupo da morte da Liga dos Campeões em terceiro lugar, atrás de AC Milan e Deportivo da Corunha e à frente do… Bayern Munique (!). Nas épocas anteriores, a formação do norte de França tinha sido campeã nacional em 1997-98, semifinalista da Taça UEFA em 1999-00 e vice-campeã do seu país em 2001-02.

 

No plantel dos gauleses constavam nomes como o lendário central internacional camaronês Rigobert Song, o central internacional polaco Jacek Bak, o médio internacional maliano Seydou Keita, o talentoso médio francês Antoine Sibierski, o avançado internacional nigeriano John Utaka ou o avançado internacional francês Daniel Moreira.

 

No entanto, a qualidade e mentalidade vencedora do FC Porto veio ao de cima. Na primeira-mão, nas Antas, os dragões presentearam os gauleses com uma incontestável vitória por 3-0. Lembro-me na altura de ter sabido do resultado através da rádio e ter ficado surpreendido, porque esperava um desfecho mais equilibrado.


Hélder Postiga inaugurou o marcador aos 34 minutos, num remate até algo frouxo de fora da área, muito por culpa de uma escorregadela do avançado português. Ainda assim, o experiente guarda-redes Guillaume Warmuz deixou a bola passar por baixo do corpo.

 

À beira do apito do intervalo, mais do mesmo: Postiga rematou forte de fora da área e a bola parecia controlada por Warmuz, porém, o guardião gaulês deixou escapar o esférico entre as mãos, deixando-o entrar na baliza. Um frango monumental, ainda maior do que o primeiro.

 

A vitória dos azuis e brancos nunca esteve em causa, mas faltava dar uma estocada final na eliminatória. Acabou por ser o lituano Edgaras Jankauskas, que rendeu o ovacionado Postiga, a fazer o 3-0 final, a passe de Costinha.

 

“Uma grande exibição do FC Porto valeu ontem uma vitória confortável por 3-0 sobre o Lens e, salvo imponderáveis, suficiente para permitir à equipa seguir em frente na Taça UEFA. Foi um jogo atípico, porque a equipa de Mourinho teve muitas oportunidades de golo e acabou por marcar por três vezes com alguma sorte – nos dois primeiros houve a colaboração do guarda-redes Warmuz, no terceiro o remate de Jankauskas sofreu um desvio no relvado e só acabou nas malhas. Mas quem joga tão bem como fizeram ontem Deco, Postiga e Cª mereceu até aquela ajuda. Warmuz, capitão da equipa, tem sido posto em causa pelo treinador e depois do jogo é bem capaz de ter perdido o lugar para Itandje, guarda-redes da seleção francesa sub-21”, escreveu o jornal Record.


Na segunda-mão, Mourinho teve respeito pelo adversário e apresentou o melhor onze disponível. O Lens mostrou outra cara e venceu por 1-0, com golo de Rigobert Song à beira da meia hora de jogo, na sequência de um canto, num lance em que Vítor Baía parece ser carregado no interior da pequena área. No entanto, o FC Porto seguiu conseguiu o apuramento para a quarta eliminatória.

 

“O FC Porto valeu-se da confortável vantagem de três golos que trazia da primeira mão para seguir na Taça UEFA. Numa noite calma, só um golo a meio da primeira parte – e marcado em falta sobre Baía – agitou um pouco as águas, mas não o suficiente para alguma vez a equipa portista estar em verdadeiro perigo. O jogo não foi grande coisa, mas ficou evidente no conjunto das duas mãos quem era mais forte. E ontem, sob um frio terrível, num campo muito difícil e frente a uma equipa rugosa, o onze de José Mourinho soube negociar bem o que faltava da eliminatória. Faltou, isso sim, ligar um pouco mais o seu jogo e partir para o ataque com a desenvoltura habitual de modo a não perder o encontro e interromper assim uma série que ia em nove vitórias e em 12 jogos sempre a marcar golos”, resumiu o Record, acerca de um encontro disputado a 12 de dezembro de 2002, duas semanas depois da partida das Antas.











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