sexta-feira, 29 de junho de 2018

São Patrício finalmente num campeonato de topo

Rui Patrício assinou por quatro temporadas pelos Wolves
Rui Patrício é, hoje, reconhecido como um dos melhores guarda-redes da Europa. Os seus desempenhos ao serviço do Sporting há muito que eram elogiados, mas faltava-lhe aparecer numa grande montra internacional, lacuna colmatada no Euro 2016.

Mas a opinião da crítica era bem diferente quando, em 2008, um jovem de 20 anos era aposta persistente de Paulo Bento para a baliza dos leões. Dadas as suas falhas comprometedoras em alguns encontros, a persistência do técnico até podia ser facilmente confundida com teimosia.


Patrício não era fiável. Era desengonçado. Saía mal aos cruzamentos. Tremia e fazia tremer quando jogava com os pés. Basicamente, transmitia pouca segurança a colegas e adeptos, que reclamavam – e até assobiavam - uma melhor solução para a baliza leonina. Sabendo o que se sabe hoje, a frase anterior pode soar a crítica aos sportinguistas, mas não há que ser hipócrita: eles não tinham mesmo razões para ficarem descansados!

O tempo foi passando, o guarda-redes - descoberto por Joaquim Carvalho, antigo guarda-redes leonino entre 1958 e 1970 - foi evoluindo e os adeptos acalmando. Os menos atentos ou mais assertivos irão apenas falar de uma evolução natural de um guardião que foi ganhando calo, experiência, calma e conhecimento para tomar as melhores decisões.

Mas quem o tem visto in loco ano após ano nota outro tipo de diferenças. Rui Patrício já não é o tipo desengonçado de há uns anos. Está elegante e atlético. Diria até que terá uma percentagem de massa gorda muito reduzida, comparativamente com a que já terá tido desde que chegou à elite do futebol nacional.

O físico elegante e atlético, certamente fruto de muito trabalho extra, têm-lhe conferido uma elasticidade, rapidez, flexibilidade, agilidade e amplitude de movimentos que antes não tinha. A experiência pode dar muito a um jogador – e especificamente a um guarda-redes -, mas não dá tudo.



Não se pode falar apenas em evolução natural. Não é só o passar dos anos. Também não serão apenas as sessões de yoga ou no divã da psicóloga. É a quantidade de suor. Li uma frase do meu ex-colega António Simões durante o Euro 2016 que lhe assenta que nem uma luva: Portugal tem um Cristiano Ronaldo na baliza.

Também não será só o treino e a experiência que o ajudam a fazer defesas impossíveis e vistosas - e a ser considerado um especialista na arte de defender grandes penalidades -, como aquela estirada a cabeceamento de Griezmann na final do Europeu. A sua postura durante as partidas também faz a diferença. Quando a bola está longe, não fica parado com as mãos na cintura a ver o que acontece. Vê-se isso em Casillas, mas nele não. Patrício fica a fazer exercícios de braços e pernas, de forma a que as articulações estejam quentes e ativas para poderem responder à altura quando forem chamadas a intervir.

Os adeptos do Sporting – e agora também os da Seleção Nacional – chamam-lhe - ou chamavam-lhe... - São Patrício, mas todos os atributos que fazem dele um dos melhores do mundo não caíram do céu.

Agora, aos 30 anos e após rescindir por justa causa com os leões - um processo que ainda promete fazer correr muita tinta -, chega àquela que é para muitos a melhor liga do mundo, a Premier League. Muitos questionarão se não merecia melhor do que o recém-promovido Wolverhampton, mas quando se olha para a composição de cada plantel daquele campeonato, encontramos jogadores que custaram dezenas de milhões e que são internacionais pelos seus países até nas equipas menos cotadas. É uma realidade à parte, da qual todos querem fazer parte.











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