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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Entrevista a Ricardo "Slammer" Costa (11/01/2010)


David Pereira - Sejam bem-vindos ao Highlight Reel. Senhoras e senhores, hoje tenho comigo um antigo wrestler do WP, ele é um dos melhores e mais promissores “high-flyers” do wrestling português… RICARDO “SLAMMER” COSTA! Sê bem-vindo!

Ricardo “Slammer” Costa - Bem, antes de mais queria agradecer o convite para esta entrevista. Fico contente que estejam a tentar conhecer melhor os lutadores das duas promoções nacionais.


DJP - Ricardo, diz-nos a tua idade, onde vives e o que fazes da tua vidinha…

RC - O meu nome é Ricardo Costa, tenho 20 anos e vivo no Porto. Sou, actualmente, programador de software de gestão numa empresa de informática em Águas Santas.


DJP - Todos sabemos que és do Porto e que todas as semanas tinhas que te deslocar a Queluz, isso constituiu um factor desmotivante para a tua vida como wrestler?

RC - Ao início talvez, porque para além de ser longe, as viagens ficam bastante caras. Depois de começar a trabalhar comecei a possuir maiores posses económicas para poder treinar mais frequentemente e a distância deixou de ser um problema.


DJP - Quando e como te tornaste fã de wrestling?

RC - Bem, como muitos outros, lembro-me de ver alguns combates quando era pequeno, penso que era na RTP. O mais marcante foi ver o Hulk Hogan trilhado nas cordas a levar uma valente porrada do Undertaker. Tal como muitos filmes de kung fu, também aquelas batalhas me ficaram na memória.
Depois de o wrestling ter sido retirado do ar, não pensei mais no assunto até que para aí aos 15 anos ou 16 veio para SIC Radical e aí tornei-me mesmo fã.
Na altura era a Velocity e gostava bastante do produto, era um produto mais high-flyer o que pessoalmente é o que me agrada.


DJP - Fala-nos um pouco da tua curta carreira, conta-nos tudo desde o inicio, qual o teu percurso no mundo do wrestling?

RC - Carreira ainda não existe infelizmente. Eu basicamente comecei por tentar descobrir a existência de algum grupo ou até mesmo federação de wrestling aqui em Portugal. Descobri a NWR e comecei a falar com alguns membros desse grupo, tentado ver quais as minhas possibilidades em ingressar no grupo, mas tal nunca aconteceu. Mais tarde encontrei a FPW que foi onde me iniciei no mundo do wrestling. Depois de alguns treinos na FPW, conheci o Cougar, que na altura havia saído da APW e então comecei a fazer alguns treinos com os ETT, Cougar, Pégaso e Pavão. Frequentei também o curso de verão do WP, onde em três semanas aprendi muita, mas mesmo muita coisa podendo assim integrar o plantel do WP. Estreei-me no Web Show 1 no qual penso, sinceramente, que foi das minhas piores prestações até à data no WP.


DJP - De onde surgiu o ring name "Slammer"?

RC - Bem, estava a ver a Velocity e estava a ver o Hardcore Holly a aplicar o Alabama Slam noutro wrestler que já não me lembro do nome. Aquando da aplicação do golpe, o Tazz chama ao Holly "Alabama Slammer", gostei da alcunha e retirei o "Slammer".


DJP – Todos sabemos o teu estilo de luta. Muitos “high-flyers” são acusados de apenas se viciarem nos spots e não terem uma boa psicologia de ringue, como te defines nesse aspecto?

RC - É verdade que muitos high-flyers fazem isso mesmo, spots e spots, mas eu pessoalmente tento ao máximo não chegar a esse extremo.
Na academia do Wrestling Portugal é das coisas mais batalhadas, psicologia de ringue, pois é o core de um combate. Sem psicologia o combate torna-se chato e sem sentido, ficando sem se saber qual é a suposta história que os dois lutadores estão a tentar passar ao público.



DJP - Na minha opinião o grande problema dos high-flyers, que não os fazem atingir o topo, é não serem conhecidos pela sua personalidade ou personagem, mas sim pelos golpes espectaculares que fazem. Evan Bourne (aka Matt Sydal), por exemplo, não é conhecido pelos fãs pelas suas características psicológicas mas sim pelo "Shooting Star Press". Concordas comigo?

RC - Sim, concordo. Os high-flyers costumam ter sempre mais alguma dificuldade em ser notados pois também os seus corpos não são nada por aí além. Para isso eles aproveitam a sua agilidade e destreza para poderem mostrar ao público as suas capacidades atléticas.


DJP - Tu és um high-flyer, no WP também tiveste um parceiro que também o era, o Cougar. Ele foi o teu "principal" treinador lá? Que opinião tens sobre ele?

RC - Sim, pode-se dizer que sim, visto que temos o mesmo estilo de luta fazia sentido ele ser o treinador ideal para mim como também para outros.
O Cougar é das pessoas mais prestáveis no wrestling nacional, ajudou-me muito no início, deu-me muitos conselhos e é sem dúvida um grande amigo daqueles que o rodeiam.


DJP – Não leves a mal, mas é opinião do consenso que não tens um corpo grande. Pensas que esse facto poderia limitar o sucesso da tua carreira?

RC - Lá fora, talvez, mas até lá fora já se começa a ver alguns wrestlers indies com um corpo bastante reduzido. Penso que aqui em Portugal, como isto ainda está a dar os primeiros passos, todas as promoções não se deveriam preocupar muito com isso, pois o que interessa acima de tudo é entreter o público e isso pode ser atingido com ou sem músculos.


DJP - Ao que se deveu a tua saída do WP?

RC - Como podes imaginar não vou entrar em pormenores aqui, digo apenas que foram assuntos pessoais e que nada teve a ver com o WP directamente.


DJP - Para quando um regresso aos ringues?

RC - Em breve, espero eu.


DJP - Para os leitores do blog saberem com o que podem contar quando virem um combate teu, quais são os principais moves que constituem o teu move-set e como é a tua gimmick?

RC - Bem, eu sou um lutador, ou pelo menos tento ser, em constante inovação, pois gosto de executar moves que são ainda estranhos ao público, gosto de ter sempre alguns golpes novos na “manga” em cada combate. Moves característicos tenho o Flying DDT, Headscissors, Slammer face buster, Tilt a wirld DDT e claro o 450.
Quanto à minha gimmick, não lhe posso chamar isso. Posso chamar sim uma personalidade. Sou um lutador que batalha bastante para que o nome "Norte" esteja presente no panorama do wrestling nacional e não, não sou campónio (lol).


DJP – Quando saíste do WP eras “face” e tinhas o público contigo, preferes fazer esse papel ou ser o mau da fita?

RC - Sempre fui face, nunca experimentei o contrário, a não ser em treinos. Mas espero um dia puder fazer um heel turn.


DJP – Li por aí uns rumores de que tu eras o Zé de Manteigas, isto é verdade? Não interpretaste essa personagem, pelo menos, uma vez?

RC - Pois, são rumores, logo podem não corresponder à verdade. Apesar de fisicamente ser parecido com o Zé de Manteigas, nunca o fui, até porque costumo durar mais que dez segundos nos meus combates (lol).


DJP - Já tiveste alguma lesão com alguma gravidade?

RC - Até à data não.


DJP - Sabendo que existem essencialmente duas apetecíveis companhias norte-americanas (WWE e TNA), onde pretendes chegar neste mundo do wrestling?

RC - Já pretendi ir para fora, mas actualmente é impossível e isto em Portugal até nem está a correr muito mal, logo WWE e TNA não estão nos meus planos actualmente.


DJP - Qual foi o combate que mais te prazer deu fazer?

RC - Slammer vs Cougar -> Curso de Verão.


DJP - Qual foi o melhor wrestler que já defrontaste?

RC - O melhor wrestler que já defrontei foi Cougar, que para mim é um dos melhores lutadores nacionais.


DJP - Geralmente, todos os lutadores têm os seus ídolos do mundo do pro wrestling e aqueles lutadores que querem seguir as pisadas, quais são os teus?

RC - Ídolos tenho alguns, olha deixa ver... Hayabusa, Paul London, Kendrick, Austin Aries, Senshi, Noble, Rey Mysterio e CM Punk.


DJP - Se te dessem a oportunidade de escolher um wrestler de todo o mundo para um combate, quem escolherias?

RC - Uma pergunta um bocado difícil. Em circunstâncias normais escolheria Hayabusa, mas devido ao seu estado a minha escolha cai para Paul London.


DJP - Em todas as federações há sempre wrestlers que não estão de acordo com algumas politicas que a sua companhia opta. Há algo com que discordavas com a direcção do WP?

RC - Não.


DJP - O WP tem conteúdos seus no Videoclube do Zon e do Meo, achas que o número de fãs da federação irá ter um aumento significativo?

RC - Penso que sim, a Zon e a Meo são as SupraSuma em Portugal no que toca a televisão, logo penso que teremos melhor projecção a nível nacional do que anteriormente.


DJP - Agora que já estão no Videoclube, qual achas que pode ser o próximo passo para o WP?

RC - Tudo a seu tempo, nunca se deve pôr a carroça à frente dos bois. Se isto do videoclube se revelar um sucesso, penso que o próximo passo para o WP seria arranjar um tempo de antena num canal nacional.




DJP - Tu que estiveste por dentro de uma das federações portuguesas diz-me, sentes que há rivalidade entre APW/WSW e WP?

RC - Iria mentir se dissesse que não HOUVE, mas actualmente, pelo menos por parte do WP, isso passa ao lado. O WP quer fazer o seu trabalho e dar a conhecer cada vez melhor o seu produto sem entrar em rivalidades com outras promoções.


DJP - Que opinião tens tu sobre a APW/WSW?

RC - Pessoalmente é um produto que não aprecio. Tem alguns bons wrestlers, mas às vezes nos combates dá para entender que ainda anda ali muita gente perdida. Mas com treino e dedicação tudo é possível e penso que a APW/WSW está melhor actualmente do que estava à por exemplo um ano atrás (Estou-me a referir, claro, aos wrestlers portugueses).


DJP - Em todas as federações do mundo, exceptuando praticamente as "main streams", os wrestlers têm um contrato livre com as suas federações que lhes permite lutar em outras. Muitas pessoas dizem que o único país onde isso não existe é em Portugal, onde a WSW nunca deixaria os seus wrestlers participarem em eventos do WP, concordas com esta política?

RC - Actualmente, como o Wrestling Nacional está a crescer, penso que não seria má ideia haver troca de talentos entre as duas promoções, até porque isso só iria favorecer cada uma delas e assim trabalhava-se com um único objectivo, desenvolver o Wrestling em Portugal para ser visto como um desporto de entretenimento único e sério.


DJP - O Wrestling Portugal tenta passar uma imagem de que é a única companhia a fazer wrestling decente em Portugal, mas no entanto, faz algumas menções indirectas à APW/WSW, estou-me aqui a recordar de quando o Pavão ameaçou “fazer as malas para Portimão” ou do perfil do Zé de Manteigas que é o “Mantorras do wrestling nacional” e tem a mesma data de nascimento (fictícia) do “Cristiano Ronaldo do wrestling nacional”, Mad Dog, o que tens a dizer sobre esta situação?

RC - Não há muito a dizer, apenas posso dizer que o Wrestling Portugal vende o seu peixe e bem.


DJP - Dadas estas referências à APW e WSW, essas federações são assim tão faladas entre os membros do WP?

RC - Sinceramente? Nem por isso. O WP preocupa-se mais com o seu produto do que andar atrás dos produtos e ideias de outros.


DJP - Como vês o wrestling nacional daqui a 10 anos? O que terá sucesso?

RC - Penso vê-lo, pelo menos, com um programa semanal na televisão. E quem terá sucesso irá ser aquele que trabalhar para isso.


DJP - Quem são, para ti, as verdadeiras estrelas do wrestling nacional? E quem são. Para ti, as futuras estrelas do wrestling nacional?

RC - Actualmente, as estrelas do Wrestling Nacional ainda não são muitas, mas os mais marcantes serão Tony de Portugal, Bammer, Pégaso, Iceborg e Cougar.
Futuramente penso que veremos alguns lutadores promissores a chegar ao TOPO, tais como Salvador, Ricky, Hugo Santos e Xana.


DJP - Uns elogiam, outros criticam, e tu, que opinião tens sobre o actual momento da WWE?

RC - Como não vejo WWE há algum tempo, não tenho uma opinião concreta sobre o assunto.


DJP - Sheamus, que ainda há dois anos participou num evento da APW como um mero desconhecido entre os fãs portugueses é agora Campeão da WWE. Surpreende-te esta rápida ascensão?

RC - Ainda não vi assim muito dele, mas do que vi parece ser um dos próximos prodígios da WWE a todos os níveis.


DJP - Recentemente Hulk Hogan ingressou na TNA e prometeu fazer concorrência à companhia de Vince McMahon. Pensas que oferecerá luta à WWE ou que será o começo do fim da TNA?

RC - Já fui um grande fã da TNA em tempos. Mas aos poucos e poucos a TNA tem vindo a cavar a cova para o caixão. Ao contratar o Hulk Hogan, comprou o dito caixão. E nada mais tenho a dizer sobre este assunto.


DJP - Costumas visitar alguns blogs de wrestling nacionais? Se sim, quais?

RC - Todos os dias passo uma vista de olhos no Wrestling Noticias e PTWrestling.


DJP - Estarias receptivo a um convite para integrares a redacção de um blog de wrestling?

RC - Até gostaria, mas actualmente não tenho tempo disponível para tal.


DJP - O AWP Wrestling, blog para o qual é concedida esta entrevista, tem como principal objectivo neste seu terceiro ano de existência promover mais o wrestling nacional, queres aproveitar para deixar aqui algum conselho ou sugestão?

RC - Se querem apoiar o Wrestling NACIONAL, deveram dar a mesma atenção às duas promoções existentes em Portugal.




DJP - O que estás a achar desta série de entrevistas a wrestlers das federações nacionais promovida pelo AWP?

RC - Já é um grande contributo para a divulgação do wrestling nacional e os seus lutadores.


DJP - E ficamos por aqui, foi um prazer poder-te entrevistar, muito obrigado pela paciência e desejo-te as maiores felicidades.

RC - Obrigado eu e continuem a apostar no Wrestling Nacional, pois sem fãs e sem apoiantes o wrestling não vai longe em Portugal. 

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