O Sporting
foi, durante anos, o clube grande que mais se queixou das arbitragens.
Um dos árbitros que os
responsáveis leoninos tinham na lista negra era João
Ferreira, que em setembro de 2006 apitou o célebre
jogo da “mão de Ronny”, no qual foi validado um golo irregular que deu a
vitória ao Paços de Ferreira e que teve séries implicações na atribuição do
título nacional dessa época. Porém, o juiz setubalense foi nomeado
para apitar uma visita
do Sporting ao Beira-Mar da 2.ª jornada do campeonato de 2011-12, a 21 de agosto de 2011, uma
nomeação contestada publicamente em Alvalade.
Em resposta, João
Ferreira pediu escusa, alegando falta de condições psicológicas. Entretanto, os restantes árbitros
da primeira categoria recusaram-se a substituir o juiz da Associação de Futebol
de Setúbal, tendo a Federação Portuguesa de Futebol (FPF), contactada pela
Liga, declinado indicar um árbitro amador, uma vez que não lhe competia tomar
decisões relacionadas com competições profissionais. Assim sendo, e de acordo com os
regulamentos, competiu aos delegados do Beira-Mar
e do Sporting
procurar, nas bancadas, um árbitro oficial que se disponibilizasse para substituir
João
Ferreira. E nas bancadas estava Fernando
Idalécio Martins, um árbitro dos distritais da AF Aveiro há 19 anos, juntamente
com os assistentes Fábio Silva e Nuno Simões e o quarto árbitro Nuno Soares. “Tinha
ido ver o jogo como um cidadão normal. Depois fui chamado por alguém ligado ao Beira-Mar
e perguntaram-me se tinha a minha equipa de arbitragem em condições físicas e psicológicas”,
explicou, em entrevista ao Maisfutebol, admitindo que estava presente um
árbitro de Setúbal disponível para apitar. A equipa começou com mais de dez
minutos de atraso em relação à hora marcada, mas o jogo
fez-se, terminou empatado a zero e o árbitro teve uma atuação irrepreensível. “O
árbitro teve a coragem de vir apitar. Tirando um lance em que me dá a sensação
que Wolfswinkel é carregado pelas costas, esteve muito bem”, elogiou o treinador
do Sporting
daquela altura, Domingos
Paciência.
A “mais gratificante experiência
profissional” na carreira de Fernando Idalécio Martins chegou acompanhada por
1188 euros, um valor superior aos 60 euros que auferia por cada jogo no
distritais de Aveiro.
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