segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Wrestlefest Metal Pesado – Review

Certamente um dos shows mais sólidos do Wrestlefest este ano, um espetáculo atrativo à partida só de olhar para o card e que cumpriu em pleno, com o main event como cereja no topo do bolo.
 
Cerca de 150 pessoas presenciaram no sábado, 24 de outubro, um evento abrilhantado por algumas das principais atrações nacionais em quase todas as lutas, mas marcado sobretudo pelo combate Metal Pesado, título contra carreira, entre o até então campeão de Lisboa, Lobo Ibérico, e o seu velho rival e um dos líderes do Wrestlefest, Nelson Pereira.
 
Vamos à review, combate a combate.
 

1 – Ricky Boy venceu Tiago Torres

Grande opener, na dose certa. Foi um duelo que pautou pela ação veloz e furiosa entre dois babyfaces, mas que foi servido na dose certa: com espetacularidade, mas sem ser demasiado épico.
Tiago Torres assumiu subtilmente o papel de heel, que já desempenha no Porto, e contou com o apoio do presidente da Entidade Reguladora da Luta Livre Americana (ERLA), Luís Manuel, junto ao ringue. Quando assim é, é porque está um push a caminho.
Ainda assim, mais uma vez TT lutou como nunca e perdeu como sempre, tal como era esperado, com Ricky Boy a alcançar o triunfo após um 450 Splash.
O combate não foi isento de uma ou outra falha de comunicação, incluindo o final. Deu a entender que Ricky Boy estava à espera que TT se levantasse para aplicar algum move, possivelmente o Boy Destroyer, mas TT permaneceu deitado e Ricky Boy acabou por avançar diretamente para o seu finisher.
Após a luta, Ricky Boy fez uma promo – não é, de todo, a praia dele – a anunciar que seria ele a defrontar o vencedor de um eventual combate entre o campeão Leo Rossi e Paulo “Knockout” Cruz pelo Título Nacional Absoluto.
 
 
 

2 – Matador venceu André Mota

Provavelmente o combate mais curto do show, que viveu muito da dinâmica babyface vs. heel, entre um Matador que é muito querido do público e um André Mota que consegue muito facilmente recolher um heat bastante audível.
Depois de Matador ter eliminado Mota no combate Morte Súbita e de o ex-membro da Stuciedade ter atacado o antigo árbitro no Caparica Wrestlefest, Matador levou a melhor neste mano a mano entre ambos, alcançado a vitória após um Headbutt, depois de um Backbreaker.
Nem todos os combates são para ser banger, nem todos são para ser cinco estrelas, mas apenas para cumprir a sua função nos contextos do card e da storyline, e este cumpriu em pleno.
Nota ainda para o facto de este combate ter sido arbitrado por Mascarenhas, que supostamente… estava suspenso.
 
 
 

3 – Dragões de Ouro (Drago G e “Ouro Sobre Azul” Pedro Ferraz) e Tony de Portugal venceram Claugarve (Paulinho e Cláudia Bradstone) e Andy Hendrix

Um combate que serviu para o build up daquele que provavelmente será o combate que vai decidir os futuros detentores do título nacional de tag team, entre os Dragões de Ouro e os Claugarve. Quando os belts ficaram vagos, a lógica seria pensar que o caminho estava escancarado para a dupla composta por Paulinho e Cláudia Bradstone, mas o booking está a começar a meter toda a gente a pensar – e bem! – que, afinal, não vai ser um passeio no parque.
E não vai ser um passeio no parque porque estamos a assistir a uma storyline em que Cláudia Bradstone vai revelando problemas de autoconfiança e porque os Dragões de Ouro, que nesta noite tiveram Tony de Portugal como parceiro mistério, estão a ser construídos como candidatos fortes aos cinturões.
Quando parecia difícil imaginar numa theme song que pudesse transmitir mais energia do que “Atira-te ao Mar” dos Iris, eis que os Claugarve agora passaram a entrar ao som de “Everybody (Backstreet's Back)” dos Backstreet Boys, talvez a boys band mais mítica da década de 1990, e subiram o nível. Um possível indicador de que a identidade desta dupla está a ser reforçada…
Não foi um combate em que algum dos lutadores tivesse particular momentos de brilho. Hendrix, uma adição que acasalou muito bem com a dinâmica dos Claugarve, liderou um spot em que os três membros da equipa babyface colocaram os heels de rabo para o ar, num dos vários momentos de espetacularidade desse trio como um todo. Do outro lado, batota, batota e mais batota, com constantes situações de dois contra um, de dedos nos olhos e puxões de cabelo.
Cláudia Bradstone, que começou o combate a ouvir incentivos de Paulinho – “acredita em ti, Cláudia!”, foi bem audível –, preparava-se para aplicar o seu Piledriver em Pedro Ferraz quando Drago G lhe colocou os dedos nos olhos. Depois Ferraz agarrou-a pelo cabelo e permitiu que Drago G avançasse para a cabeçada que deu a vitória à equipa heel, com pin de Ferraz em Cláudia. No final, uma cabisbaixa Cláudia foi amparada por Paulinho e acarinhada pelo público.
Mais um combate que não era para ser um banger, não era para ser épico, mas que servia para o build up de algo maior e para dar continuidade a uma narrativa. Dentro desse quadro, cumpriu plenamente.
 
 
 

4 – Damião venceu Arménio

Damião está de volta aos ringues nacionais após um mês na Alemanha e resolveu dar um reboot à sua persona, mostrando um estilo ainda mais shoot e legítimo, muito orientado para submissões. A amostra ainda é muito curta, falta vê-lo em mais dinâmicas do que num combate babyface vs. babyface, mas à primeira vista pareceu-me um Damião que, embora visivelmente mais apetrechado em ringue, se poderá estar a tornar mais genérico, o típico wrestler que faz a transição do jiu-jitsu ou da MMA para os ringues. Mas os próximos eventos tratarão certamente de desmistificar ou confirmar essa perceção.
O ex-campeão nacional do WP, que também se apresentou com nova theme song e nova imagem em termos de gear e titantron, com referências a aranhas (o que faz sentido tendo em conta o reboot exibido em ringue), assumiu mais um papel de heel diante de um Arménio que esteve muito over em Corroios.
O “Botas Fofas”, que tem evoluído imenso nos últimos meses e é um dos mais sérios candidatos a tornar-se no primeiro campeão da Invicta Wrestling, vendeu cara a derrota e brilhou frente a um dos mais conceituados wrestlers nacionais, mas acabou por perder via submissão. Depois de muito insistir num Ankle Lock, Damião prendeu o adversário no centro do ringue com uma chave nas pernas enquanto continuava a torcer-lhe o tornozelo, e obrigou-o a desistir.
No final, o jovem da Tapada das Mercês fez uma promo a candidatar-se ao Campeonato Nacional Absoluto.
 

 
Depois do quarto combate fomos para intervalo, até para permitir a transformação do ringue – as cordas foram retiradas e, no lugar delas, foram colocadas correntes. Paralelamente, Leo Rossi fez uma promo a referir que vai defender o Campeonato Nacional Absoluto uma última vez a 19 de dezembro, na Casa Amarela, em Almada, com a condição de se tornar dono de todo o Wrestlefest em caso de triunfo. E caso tal aconteça, prometeu acabar com a promotora.
 
 
 

5 – Nelson Pereira venceu Lobo Ibérico num combate Metal Pesado para conquistar o Cinturão de Lisboa e salvar a carreira

O combate mais esperado da noite e certamente um dos mais violentos de sempre da história do wrestling português. Houve correntes em vez de cordas, arame farpado num dos lados do ringue, um kendo stick, três cadeiras, uma corrente, um martelo, um bastão, um ferro com arame farpado, um tabuleiro de metal, uma mesa, pioneses, pauzinhos para espetadas, uma tábua com arame farpado e sangue na cabeça de Nelson Pereira.
O público foi delirando pela forma como ambos foram gradualmente subindo a fasquia nos métodos de infligir dor e as reações foram bastante audíveis. Ainda assim, creio que os gritos de agonia e a sinalização de que iam utilizar determinados objetos por parte dos wrestlers poderiam ter sido mais expressivos.
O momento mais arrepiante do combate foi quando Nelson Pereira ficou com um amontado pauzinhos para espetadas… espetados na cabeça durante alguns segundos, mas o momento em que Lobo Ibérico atirou contra um amontado de cadeiras e quando mergulhou para cima de Nelson para partir uma mesa e o Spear de Nelson Pereira que fez Lobo Ibérico atravessar a tábua com arame farpado foram outros dos momentos altos.
Depois de near falls após um Piledriver de Nelson, um Reverse STO de Lobo Ibérico e do tal Spear para cima da tábua envolta em arame farpado, Nelson pegou no ferro envolto em arame farpado e aplicou uma espécie de Crossface com o mesmo, fazendo Lobo Ibérico desistir.
Seguiu-se uma celebração curta e um momento em que Lobo Ibérico deixou a máscara no ringue e foi homenageado pelos restantes elementos da Alcateia, Luís Mestre e O Gomes, num momento surpreendente que terá assinalado o fim da carreira.
 


 

 

 
 




Sem comentários:

Enviar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...