segunda-feira, 18 de maio de 2026

Wrestlefest “Lutas & Vinho Verde” - Review

Mais de uma centena de pessoas encheram no sábado, 16 de maio, o Anfiteatro do Ginásio Clube de Corroios, para o espetáculo “Lutas & Vinho Verde”, do Wrestlefest. Uma casa muito boa tanto em quantidade como em qualidade, porque o público esteve barulhento e participativo, e logo num espetáculo para o qual não estava agendado previamente qualquer combate por títulos e numa noite em que Sporting e Benfica definiam à mesma hora o segundo classificado na I Liga.
 
Apesar da ausência do campeão nacional absoluto Nico Angelo, de alguns dos principais nomes do panorama nacional como Paulo “Knockout” Cruz ou os Stus, foi entregue ao público um espetáculo de grande qualidade, em que até o combate menos apelativo mereceu claramente uma nota de “Satisfaz Mais”.
 
Foi a primeira vez em que fui a um evento do Wrestlefest. Apenas tinha visto os últimos shows no YouTube, e posso dizer que a produção mais cuidada e o conceito em si só engrandecem os lutadores e o espetáculo.
 

1 - Alcateia (Gomes e Lobo Ibérico) venceram Claugarve (Cláudia Bradstone e Paulinho)

Tinha comentado com o meu filhote que muito provavelmente esta seria o combate de abertura, pela energia que a música e a entrada de Paulinho e agora dos Claugarve passam para o público. Já tem vindo a ser assim, uma aposta contínua, mas sempre ganha do Wrestlefest, para abrir o show. E mais do que o rácio de vitórias ou o palmarés, diz muito de como Paulinho em particular e os Claugarve em geral estão over.
Luís Mestre é que era para ser o parceiro de Gomes, mas uma suposta lesão fez com que o campeão de Lisboa, Lobo Ibérico, o substituísse.
Gostei imenso da dinâmica dos Claugarve. Estão cada vez mais estabelecidos como equipa. As características de ambos os elementos não apenas estão bem compatibilizadas como muito bem complementadas.
Já depois do hot tag em Cláudia, numa altura em que o público vibrava com um eventual tag em Paulinho que pudesse sentenciar o combate, Mestre apareceu em cena para aplicar um golpe baixo nos algarvio e deixar Cláudia à mercê de Gomes e Lobo Ibérico, que asseguraram a vitória após uma combinação de Chokeslam e Powerbomb.
 
 
 

2 – “The Centerpiece” David Francisco bateu Rafa Pedras

Um hino ao storytelling, um combate completo, que deve ser mostrado aos aprendizes a wrestler em Portugal. Pareceu uma autêntica peça de teatro.
Surpreendentemente, não foi o main-event, porque foi de certa forma o combate cabeça de cartaz durante as semanas que antecederam o evento. Esperava um Banger, mas um Banger com ingredientes diferentes.
Foi um combate que opôs um David Francisco experiente e rodado lutador num dos circuitos mais conceituados do planeta, o britânico; e um dos pilares da chamada geração de ouro do wrestling nacional, Rafa Pedras. E eles assumiram esses papéis durante todo o combate, que em momento algum foi um despejar de golpes.
David Francisco cedo tentou valer toda a sua experiência, com um chain wrestling muito evoluído, mas encontrou quase sempre uma resposta na mesma moeda por parte de Pedras. Inicialmente, o combate pautou pelo respeito mútuo, mas, gradualmente, David Francisco foi ficando menos confiante e, consequentemente, encontrando artimanhas para tentar superiorizar-se, como meter o árbitro à sua frente para fazer de escudo ou utilizar a contagem de rope break até ao limite. No final do combate, “The Centerpiece” colocou os dedos nos olhos de Pedras e aplicou um Claymore e um Stalling Ura-Nage para alcançar a vitória.
Fiquei boquiaberto com a derrota de Pedras, porque vinha de uma sequência de resultados menos desfavoráveis, o primeiro combate já tinha sido vencido por heels e sobretudo porque tudo apontava para que David Francisco voltasse a desaparecer do mapa do wrestling português durante mais uns tempos, mas… talvez não seja assim. Talvez possa vir a ser um part time player ao estilo de Nico Angelo. E, se for assim, esta vitória faz sentido.
 
 
 

3 – Murder Business Inc. (Damião e RAFA) venceram Arma Secreta (Ricky Barceló e Nathan De Wind) pelo Campeonato Nacional de Tag Team

Mais um banger, mas diferente do anterior, com um peso menor de storytelling, mas ação veloz e furiosa a um nível que não deixa nada a desejar em relação à qualidade média dos combates de tag team da WWE. Um ritmo altíssimo, uma espetacularidade de golpes superlativa e uma grande interação por parte do público.
Não era para ser um combate pelo Campeonato Nacional de Tag Team, mas Damião disse que no ringue eram os lutadores que mandavam e os cinturões passaram a estar em jogo. Apesar de algumas near falls que chegaram a fazer pairar no ar a ameaça de mais estes títulos irem parar a mãos estrangeiras, os Murder Business continuaram campeões após uma combinação de um Shining Wizard de Damião e de um pontapé nas pernas de RAFA em Nathan De Wind.
Curiosamente, no segundo combate de tag team da noite, o hot tag voltou a ser feito no wrestler da equipa babyface aparentemente menos over – RAFA, depois de Cláudia. Acredito que não haja propriamente uma regra, mas costuma ser mais vezes ao contrário.
 
 
 

4 – Nélson Pereira venceu Tiago Torres

O combate menos apelativo da noite, por vários motivos: o menor estatuto dos lutadores, tratar-se de um babyface vs. babyface e a ausência de uma história como background.
Mas foi muito satisfatório, com Nélson Pereira a fazer rir o público ao rolar como um caranguejo antes de alcançar o triunfo depois um Flying Codebreaker, num combate relativamente rápido.
No final, Nélson voltou a apontar ao Cinturão de Lisboa, apesar de ter ficado estabelecido que não voltaria a defrontar Lobo Ibérico em singles matches, e foi atacado pelo campeão.
 
 
 

5 – Ricky Boy venceu “Pai Grande” Leo Rossi num Combate Até Não Dar Mais

A noite em que nasceu uma estrela: Ricky Boy.
Acompanho o wrestling português desde 2008, estive num primeiro evento ao vivo em 2009, entretanto fui-me afastando a partir de 2013 e voltei às plateias recentemente. Já assisti ao vivo à decisão de um Torneio Tarzan Taborda, estive num torneio do Campeonato Europeu da APW, entre várias defesas de títulos, e posso dizer que os dois momentos que mais me marcaram enquanto fã de wrestling nacional em espetáculos ao vivo aconteceram já este ano: Damião conquistar o Título Nacional do WP e ter este grudge match que teve cadeiras, correntes, um kendo stick e… sangue e pioneses.
Estou habituado a ver Ricky Boy com um wrestling mais artístico, mas ambos souberam interpretar a história: este não era um combate para manobras espetaculares, era uma rivalidade muito pessoal entre dois ex-amigos, agora melhores inimigos, sedentos de se destruírem um ao outro… até não dar mais. E ambos tiveram grandes performances.
Perante um público que esteve ao rubro, a puxar por Ricky Boy, Leo Rossi dominou durante boa parte do tempo, consolidando-se como um dos principais vilões do wrestling português. Houve um momento em que o próprio pai de Ricky Boy, que tem estado muito envolvido ao longo da feud, esteve prestes a atirar com uma toalha ao chão, sinalizando a desistência do filho. Mas, a partir de certa altura, Ricky Boy, de tão amassado que já estava, pareceu ficar imune à dor e fez o seu comeback, perante um público em delírio. Ainda foi o primeiro a cair nos pioneses, mas minutos depois aplicou um Powerbomb em Rossi para cima dos mesmos. Logo a seguir, apertou uma corrente à volta da cara e do pescoço de Leo Rossi e fê-lo dizer, repetidamente, “Eu desisto!”.
 



  




 

Sem comentários:

Enviar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...