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| David Francisco |
David Pereira – Hoje o meu
convidado é a “Sensação do Momento”, o “Apogeu do Entretenimento”, “ADKid”
David Francisco!
David Francisco - Boas, minha
gente! É um prazer estar aqui, e um prazer maior ainda ser convidado a
partilhar este palco com o David.
DP – ADKid, o teu nome
verdadeiro parece que já sabemos, mas diz-nos a tua idade, onde vives e o que
fazes da tua vidinha…
DF – O meu nome já roda por todos
os olhos e ouvidos de quem gosta de me acompanhar, mas já agora, para os mais
distraídos, volto a repeti-lo... Chamo-me David Francisco, tenho 16 anos e 11
meses e meio (está quase...) moro no coração de Lisboa e para além de estudar
no 12.º ano, no curso de Ciências Sociais e Humanas, vejo wrestling, pratico
wrestling, respiro wrestling... e sou escuteiro.
DP – Bem, David Francisco é o
teu nome, mas de onde surgiu “ADKid”?
DF – Isso agora é um grande
mistério... Com certeza adivinhas que não és o primeiro que me faz essa
pergunta. Pois o "ADKid" tem um significado muito especial... Que eu
juro que confirmo se alguém conseguir adivinhar o que está por trás das três
letrinhas. Que comece a especulação...
DP – Com certeza que não chego
lá... Desde quando acompanhas wrestling?
DF – Lembro-me que comecei a
acompanhar o SmackDown
depois da WrestleMania
21 quando este passava na SIC Radical às 21h00 de 2.ª feira. É desde
aí que acompanho a sério, apesar de já ter conhecimento deste desporto. Ao
princípio estranhei imenso, era como violência, mas cedo isso mudou... é como
disse o Pessoa: "Primeiro estranha-se, depois entranha-se"...
DP – Exatamente... E como
surgiu a tua entrada na APW?
DF – Descobri a APW com o
Impacto Total 1, que passou pelo Campo Pequeno, aqui em Lisboa. Ao descobrir os
cartazes com Kurt
Angle espalhados, pensei que era a TNA que iria passar por cá, mas ao ver
melhor percebi que era uma promotora/companhia portuguesa que estava
responsável pelo evento: a APW. Fui ao
site (ainda o antigo) e vi lá a notícia que em fevereiro começavam os treinos
em Lisboa, na altura na ADCEO. Claro que quis experimentar, e dia 11 de fevereiro
de 2007 apareci nos treinos. Já lá vão dois anos...
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| David num show da APW em julho de 2011 |
DP – Para quem desconhece como é ser treinado numa federação, diz-nos o que é que se vai aprendendo primeiro, o que vem a seguir, todos os passos até se estar pronto para um combate oficial.
DF – A primeira regra no
wrestling, aquele fator que está acima de todos os outros, é a segurança.
Assim, a primeira coisa que se aprende são as quedas, como cair. A partir daí,
aprende-se o básico, no que toca a movimentos. Clothesline, Shoulder
Block, Arm Drag, Hip Toss, Body Slam, Chain
Wrestling (para os menos adaptados à terminologia, coisas como um Head
Lock, ou um Hammer Lock)... coisas deste género. Os movimentos mais
elaborados já serão dependendo da nossa condição física e da nossa personagem
e, acima de tudo, da nossa vontade. Por exemplo, eu posso aprender a fazer um Moonsault,
mas terei assim tanto a necessidade de o utilizar, tendo em conta que tenho
1,80 m e que o cartaz dos potenciais shows já está recheado de high-flying
com o Arcanjo ou o Seth Bollinger? Ao mesmo tempo que isto, aprendemos a teoria
do wrestling, que é complexa, mas entusiasmante. Coisas como a estrutura de um
combate, a psicologia de ringue ou a construção e desenvolvimento de
personagens são-nos semanalmente ensinadas, de maneira a que quando chegarmos a
um combate consigamos ter a melhor prestação possível. Mas tudo isto é o mais
básico dos básicos. O único local onde realmente se aprende é no ringue, com
público à nossa frente, tal como só se aprende a jogar futebol tendo jogos
atrás de jogos. Por isso, quando estamos minimamente preparados, fazemos
combates de maneira a que a nossa prestação em ringue vá evoluindo de dia para
dia. Num treino, todos têm direito a subir ao ringue e tentar, e melhorar, pois
é para isso que treinam. Logo, encorajamos todos os alunos a experimentarem, e
fazemos com que as oportunidades surjam, pois só assim se ganha experiência:
combate atrás de combate atrás de combate.
DP – Os fãs portugueses ainda
não puderam assistir a um combate teu, no entanto, para os preparar melhor,
conta-nos as tuas principais características no ringue…
DF – Aí é que o wrestling se
torna extremamente divertido... A nossa personagem e as nossas características
devem ser como que um exagero de nós mesmos para que a consigamos desempenhar
na perfeição. Eu sou um rapaz que gosta de entretenimento (foi isso que me
atraiu no wrestling) e que, acima de tudo, gosta de entreter os outros, fazê-los
sentirem-se bem. Assim, a principal característica de "ADKid" David
Francisco, a personagem que eu desempenho, é o facto de ser um showman.
Está lá é para entreter o público (é face). Assim, gosta de brincar com
o adversário que o desrespeite ou desrespeite o público e gosta de criar reações
na plateia. Um palhacinho, como muitos dizem. Quanto a movimentos, sou um pouco
equilibrado. Faço o Pontapé no Céu da Boca e Arm Drags, e tudo
isso, ao mesmo tempo que salto do canto ou faço Spinebusters ou TKO...
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| David na Taça Tarzan Taborda da APW em 2011 |
DP – Neste momento és árbitro,
muitas pessoas devem julgar que esse trabalho é fácil… mas com certeza que não
deve ser assim tão fácil. Afinal qual é o verdadeiro papel dos árbitros nos
combates?
DF – É mais importante do que se
possa imaginar... O árbitro serve como veículo de comunicação entre os
bastidores, o ring announcer (que tem como função avaliar o estado do
público perante o combate) e os lutadores. Normalmente a informação que mais me
dão para informar os lutadores é a do tempo, quando me pedem para avisar os
lutadores para irem para o fim do combate, mas já aconteceu uma ou duas vezes
pedirem-me para dizer aos lutadores que o combate foi completamente alterado,
devido a uma lesão repentina ou a outro qualquer fator. Imagina se o árbitro
não estivesse no combate. Os lutadores estariam completamente alheios de tudo o
que se passava à volta deles!
DP – Embora ainda não tivesses
feito nenhum combate oficial, por aquilo que tens feito nos treinos, qual foi o
melhor wrestler com quem já partilhaste o ringue?
DF – Essa é uma pergunta
difícil... Todos os lutadores com quem já partilhei o ringue foram muito bons
no que fizeram, e proporcionaram-me bons momentos no ringue. Desde o Tiago [Red Eagle],
um dos meus parceiros de treino, ao Seth Bollinger, ao Ultra Psycho, ao atual
Campeão da APW
Juan Casanova, todos eles fizeram um excelente trabalho, logo é difícil
escolher o melhor. Mas como é óbvio, pela experiência, há que destacar o Ultra
Psycho, meu treinador, e o Juan Casanova.
DP - No Record está
também uma entrevista do Seth Bollinger, no qual o próprio refere que ele, o
Tiago e mais uns amigos treinam num ringue que está alojado num quintal. Isto
significa que vocês fazem os "trabalhos de casa"?
DF – (risos) É mesmo esse o
ringue do qual o Seth fala! Naquele ringue tive a oportunidade de estar em
contacto pela primeira vez com, lá está, um ringue. O Tiago é o aluno da APW com quem
eu há mais tempo treino, logo aquele com quem os combates e os exercícios de
treino saem melhor. Já nos conhecemos há muito tempo... No início, quando a APW tinha apenas
um ringue, esse ringue estava no Algarve, logo a Academia de Lisboa tinha de
praticar em colchões. O plano B, para fazermos os "trabalhos de
casa", como lhes chamaste, era irmos a esse ringue (eu e o Tiago,
principalmente) e treinarmos o que aprendemos nos treinos. Aliás, foi nesse
ringue que pus em prática pela primeira vez o que nos ensinaram sobre como
fazer combates. Foi lá, com o Tiago, que fiz os meus primeiros combates que
resultaram muito bem. Tenho um grande apreço por esse ringue e pelo Tiago, o
meu parceiro de treinos favorito.
DP – Se te dissessem que só
poderias fazer em toda a tua vida um combate de wrestling, mas que poderias
escolher qualquer wrestler do planeta como teu adversário, quem escolherias?
DF – Sem qualquer tipo de margem
para dúvidas, escolheria Shawn
Michaels. A razão é óbvia e, ao mesmo tempo, lógica. "HBK"
é o meu lutador favorito. É nele que baseio grande parte das minhas atitudes no
ringue, e a admiração que tenho por ele supera qualquer outra pessoa. Assim, um
combate com ele seria um combate de sonho. Aliás, é mesmo um sonho. Adoraria
conhecê-lo e, se possível, aprender com ele. Talvez um dia...
DF – Já pensei sobre isso, mas
nunca me decidi. Tenho 16 anos e uma vida pela frente... Gostava de estar por
lá, como é óbvio, mas como ainda não estou pronto para tentar, não coloco a
hipótese com força. Vou pensando sobre isso, sonhando com isso, já que é, como
adivinhas, o sonho de qualquer wrestler chegar ao main event da WrestleMania.
Adoraria estar por lá, seria um grande orgulho, mas neste momento, porque se
tentasse iria falhar, não é uma ambição.
DP – Quando te estreares
oficialmente, preferes começar como heel ou face?
DF – Face. Apesar de
muitas vezes ser mal interpretado, sendo acusado de querer ser o centro das
atenções, gosto de dar espetáculo e gosto que o público que esteja a assistir
ao meu espetáculo goste do espetáculo que estou a fazer. Só como face consigo
isto. Nos treinos, consigo fazer com que quem esteja a assistir me aplauda e
grite por mim, e isso é bom, faz-me sentir bem. É uma relação mais próxima com
os fãs que, enquanto heel, não consigo estabelecer. Não digo que seja
condição definitiva, penso que não daria um mau heel, mas gosto
realmente do público que me rodeia, logo prefiro não atuar como se do contrário
se tratasse. Assim, sempre quis ser face, e gosto de o ser.
DP – Nos “Impacto Total” que a
APW tem
promovido, temos tido a presença de estrelas internacionais como Eugene, Raven,
Joey Mercury, Shannon Moore, Lance Cade. Como é que estrelas reputadas como
essas lidaram com os wrestlers nacionais nos balneários? Achavam-se superiores
a vocês e eram mesmo algo arrogantes ou eram humildes e tentavam ajudar-vos em
alguns aspetos?
DF – São poucos os arrogantes.
Eu, pessoalmente, não tenho nenhuma razão de queixa, mas há lutadores que as
têm. Mas a maioria são extremamente simpáticos, e apesar de parecer que se
colocam à parte, isso só acontece por causa da barreira da linguagem. Se
encontrasses um português no meio da China, seria com ele que mais te darias...
Mas se te dirigires a eles,
recebes sorrisos e simpatia em troca, e não é nada difícil estabeleceres boas
relações com eles. Tens muitos exemplos: Quando, no Verão de 2007, a All Pro
Wrestling veio ao norte de Portugal fazer 4 shows com a Associação Portuguesa
de Wrestling (APW
vs. APW), os lutadores da All Pro dignaram-se a nos ajudarem a montar o ringue,
chamaram-nos ao ringue para nos ensinar coisas novas e esclarecer as nossas
dúvidas, e o Mr. Prime Time, um deles, foi tão porreiro que eu consegui ter uma
empatia excelente com ele, declarando ele a todo o mundo que eu era aquele que
ele mais gostou de conhecer... Outro exemplo é o de Eugene, que no Impacto
Total (IT) 2 nos chamou depois dos combates e disse o que tinha sido feito bem
e o que tinha sido feito mal, o que melhorou em muito a nossa prestação da
primeira para a segunda noite. Por fim, agora, no IT3, Joe E. Legend, uma das
melhores pessoas que conheci no wrestling, veio vestir-se, despir-se e até
tomar banho no nosso balneário. Como vês, eles não são nada arrogantes. São até
muito simpáticos. Nós é que muitas vezes vamos ao encontro deles com uma
espécie de preconceito, pensando que eles não gostam de nós e que nós somos
insignificantes para eles, o que não é, de todo, verdade.
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| David Francisco quando tinha apenas 19 anos |
DP – Na Comunidade de Wrestling
Online correram rumores durante o ano de 2007 de que havia muita tensão na
federação onde lutas, afinal, como é o clima na APW?
DF – Não eram rumores. Houve
situações um pouco tensas nessa altura, com a chegada de Axel, o abandono dos atuais
elementos do WP
e a presença de um elemento à volta do qual se gerou muita polémica. Esse tal
elemento saiu da APW e desde
aí que as coisas ficaram mais calmas. Neste momento o ambiente que se vive na APW é um
ambiente de reconstrução e união. Ou seja, até aqui, as duas escolas da APW tinham
pouca interação, mas o esforço é de as aproximar. Tanto que se fala em treinos
conjuntos esporádicos. De resto, neste momento não há confusões de balneário,
nem picardias entre elementos. Por outro lado, com a introdução da APW na WSW, o
ambiente é mais competitivo, já que não existe a necessidade de preencher o
cartaz. Os padrões ficaram mais altos, e é preciso ser-se mesmo muito bom para
conseguir um lugar. No entanto, não é nada impossível, e se atingires esses
padrões, tens a tua oportunidade garantida. Tanto que no IT3, entre tantos
internacionais, 50% dos lutadores foram da APW, o que me
parece uma excelente marca.
DP - Esse tal elemento era o
Ravel?
DF – Não. O Ravel nunca teve
qualquer ligação à APW enquanto
organização. Ele esteve envolvido, sim, com a Escola Tarzan Taborda (ETT) e com
a New Wrestling Revolution (NWR), mas nunca esteve na APW.
DP – No passado dia 28 de fevereiro
ocorreu o WSW Impacto Total 3 e Ric Flair não compareceu nesse evento por
alegados problemas nos voos. Muitas pessoas chamam a isso de fraude. Sendo tu
alguém que partilha balneários com os mais altos dirigentes da APW, qual é a
tua posição sobre o assunto?
DF – A minha posição quanto a
isso. Quanto àqueles jornalistas que foram fazer a cobertura do evento e foram
completamente subjetivos, só os tenho que mandar para um sítio que, quanto a
mim, é grande e grosso, e dá a volta ao pescoço. A imagem que passaram é a de
que a APW
é fraudulenta e, pior ainda, ridícula (quando dizem coisas como "os
empregados de mesa deixaram, durante o evento, de servir cafés para irem
arbitrar os combates" ou "o homem de saia com orientação sexual
duvidosa deixou o campeão das calcinhas aos coraçõezinhos a sangrar"),
cuspindo na cara de qualquer fã, não só da APW, mas do
wrestling em geral. Sendo que ali em jogo estava a imagem do wrestling enquanto
desporto. Aqueles que não foram ao evento e criticaram o IT3 apenas baseando-se
no facto que referiste, volto a repetir uma frase que tu adoras: Criticar um
show de wrestling sem terem assistido é como dizerem que uma rapariga é boa na
cama sem nunca a terem comido. Quanto ao resto, só tenho que reiterar as
desculpas que o Axel pediu no início do evento. Como disse no PCB [Pontapé no Céu
da Boca], estava lá quando tudo aconteceu, e vi bem o desespero na cara dos
mais altos responsáveis da APW quando
isto aconteceu. Não pela imagem que poderiam passar, mas sim pelo facto de
desiludirem aquelas pessoas que tinham pago bilhete para verem Ric Flair. Mas
também deixo uma promessa: Ric Flair é o General Manager da WSW e vai estar
presente no próximo evento da WSW.
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| "O Fantástico" David Francisco em ação |
DP – Muitas pessoas acusam o
Mad Dog de ter falta de carisma e de ser um Jeff Jarrett um pouco ao estilo
português. Qual é a tua opinião sobre o assunto?
DF – As acusações ao Mad Dog,
apesar de por muitas vezes serem exageradas, têm uma base que é verdadeira. Ele
próprio o admite: a sua capacidade em ringue não é a melhor, ele não é nenhum Bret
Hart. No entanto, tem duas coisas que se destacam, e que fazem com que ele
tenha sempre sido o main eventer por excelência da APW, e campeão
por 15 meses. A primeira é a sua imagem. O seu físico e o facto de lutar com um
kilt é original e fica na cabeça de qualquer um. Qualquer pessoa que
acompanhe minimamente o wrestling português ou que, pelo menos, tenha assistido
às Tardes da Júlia naquele dia, se lembra do Mad Dog. Ou seja, a sua
imagem resulta, e foi o passaporte para o sucesso da APW, tal como
a imagem de Hulk
Hogan foi o trampolim para o salto da WWE (numa escala bem mais pequena,
como é óbvio). So para tu veres, lá no IT3, no meio do mar de gente que rodeava
o Mad Dog, descobriram-se dois irmãos que têm o quarto cheio de merchandise
do Mad Dog (estiveram no Pavilhão Rosa Mota, no Porto): fotografias, cartazes,
autógrafos... E foram juntar os cartazes e os tapetes de rato vendidos pela
primeira vez no IT3. O segundo fator para o seu sucesso é a sua paixão e
dedicação. Se não me engano, o Mad Dog é o único lutador a não ter faltado a um
único evento da APW,
logo é alguém com quem os responsáveis podem sempre contar. Nos eventos
trabalha que se farta, sendo um dos responsáveis pelo ringue, por exemplo, cuja
arrumação e montagem coordena, juntamente com o Jorge. É uma dedicação incrível
ao wrestling e à APW, que
passa para todos nós (ele sempre se disponibilizou a ajudar-nos no que fosse
necessário, e já aprendi muita coisa com ele). Por isso, tudo o que ele
conseguiu é merecido. Quanto ao carisma, o que tenho a dizer é que os dois
combates de Mad Dog que estão na Net são os piores que ele já fez. Experimentem
ir a um evento da APW um dia, e
vejam a energia que ele consegue passar para o público. Não é nenhum The
Rock, nem nenhum Steve
Austin, mas quem se pode comparar a eles em Portugal?
DP – Falando um pouco sobre a
outra companhia portuguesa, por vezes nos balneários não se fala de Wrestling
Portugal? O que se costuma dizer sobre essa companhia?
DF – Foste tocar na ferida...
(risos) Fala-se do WP,
claro que se fala. Tal como acredito que no WP
um grande tema de discussão é a APW. Fala-se,
sobretudo, acerca de assuntos internos e situações caricatas, que muitas vezes
nos fazem rir. Quando saiu o Web Show, ele foi discutido, como é óbvio. A
opinião do pessoal da APW acerca do
WP
é o de que o caminho que eles estão a tomar não é o correto, já que a aposta no
público da internet não permite investimento, pois dessa maneira o wrestling
não é considerado o que realmente é: um negócio. Discute-se também o que é
chamado de "vírus WP",
que consiste no facto de aqueles que passam pelo WP
são infetados com um ódio genuíno à APW, mesmo se
a única coisa que sabem sobre esta é que a APW tem um
lutador chamado Mad Dog. Um fenómeno que, aliás, facilmente passou para a Net.
Mas nunca se fala sobre o WP
com arrogância nem superioridade. Muito sinceramente, desejamos-lhes o melhor
dos sucessos, pois o seu sucesso é mais um passo para o sucesso do wrestling em
Portugal. Há muito para dizer acerca da guerra APW/WP...
DP – Alguns membros do WP
estiveram na APW
anteriormente e hoje criticam essa federação de uma forma acérrima. Achas que
essas pessoas estão a “cuspir no prato onde comeram”?
DF – Não vejo por aí. A APW foi uma
oportunidade para eles, e eles fizeram alguns shows com a APW, ganharam
experiência. A forma como saíram foi atribulada, como é óbvio, e isso
levantou-lhes um rancor que faz com que a chuva de críticas aconteça. É normal
que isso aconteça, mas, sinceramente, sinto que está na altura de deixar isso
para trás. Na APW
isso acontece. É cada vez mais rara a confusão começada por um membro da APW contra um
membro do WP
(a última de que me lembro foi a minha com o Salvador).
No entanto, alguns elementos do WP
insistem em abrir uma ferida que quer naturalmente fechar-se. E isso vê-se pela
forma como o WP
começou, e como publicita o seu trabalho: "WP
= 0% Trapalhice" (acusando a APW de ser
100% trapalhice). O WP
apresentou-se como alternativa, e conseguiu algum sucesso com isso, mas já
passou a altura de deixar isso para trás e cimentar o WP
por ser o WP
e não por ser, alegadamente, melhor do que a APW... Mas o WP
(alguns dos seus membros, não generalizemos) insiste em apresentar-se como
alternativa. A alternativa nunca é a escolha mais comum, a que tem mais
sucesso. A TNA apresenta-se como alternativa à WWE e, assim, nunca singrou
verdadeiramente... Se o WP
insiste em ser a alternativa, então será sempre a alternativa.
DF – Sinceramente, em tempos já
teve. As críticas do WP
à APW já
tiveram coerência. Éramos maus tecnicamente, e os nossos combates eram
horríveis. Mas atualmente isso já não acontece. Evoluímos tecnicamente e
percebemos a essência de um combate, e quem não o fez simplesmente abandonou a APW. Neste
momento o roster da APW está
cheio de talentos que, pessoalmente, me entretêm muito mais do que muitos do WP.
Posso parecer pendente para um dos lados e não completamente objetivo, como é
óbvio devido à minha posição, mas acreditem que durante muito tempo disse que o
WP
era melhor do que a APW. Mas as
coisas agora mudaram. Um dia destes fiz um exercício de comparação com uns
amigos meus. Sem lhes dizer nada de nada, mostrei-lhes o combate do Cougar e do
Bammer do Web Show 1 e o combate entre Ultra Psycho e El
Generico que encontrei na Net. Eles disseram-me que, apesar de terem
gostado das manobras que viram no primeiro, preferiram o segundo, pois com
menos manobras e menos espetaculares, o combate foi mais divertido e entreteve
mais. Voltei a questioná-los acerca do primeiro e eles disseram que houve
alturas em que já estavam fartos do combate. Nunca vi ninguém farto de um combate
da APW. Ou
seja, o main event do WP
deixou de entreter, que é o principal objetivo do wrestling. Penso que isto diz
tudo.
DP – Como vês o futuro do
wrestling em Portugal?
DF – Com muito bons olhos. Neste
momento estamos a evoluir, e as oportunidades têm surgido cada vez mais. Não
sei quanto ao futuro do WP,
mas quanto à APW
sei que a divulgação vai aumentar cada vez mais, e esse será um fator
importante para o crescimento do wrestling em Portugal. Vejo os eventos a
aumentarem e a popularidade dos nossos lutadores a ser cada vez maior. É um
processo moroso, é verdade, e vai dar trabalho, para além de que não atingirá a
dimensão que o wrestling tem nos EUA (não há 10 mil pessoas para encher casas
em Portugal...), mas será proporcional a Portugal (1500, 2000 pessoas). Vai
correr tudo muito bem, espero, e espero estar envolvido nesse mundo...
Publicado originalmente a 19 de março de 2009






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