quinta-feira, 19 de março de 2009

David Francisco em entrevista: “As críticas do WP à APW já tiveram coerência. Éramos maus tecnicamente…” (2009)

David Francisco

David Pereira – Hoje o meu convidado é a “Sensação do Momento”, o “Apogeu do Entretenimento”, “ADKid” David Francisco!
David Francisco - Boas, minha gente! É um prazer estar aqui, e um prazer maior ainda ser convidado a partilhar este palco com o David.
 
DP – ADKid, o teu nome verdadeiro parece que já sabemos, mas diz-nos a tua idade, onde vives e o que fazes da tua vidinha…
DF – O meu nome já roda por todos os olhos e ouvidos de quem gosta de me acompanhar, mas já agora, para os mais distraídos, volto a repeti-lo... Chamo-me David Francisco, tenho 16 anos e 11 meses e meio (está quase...) moro no coração de Lisboa e para além de estudar no 12.º ano, no curso de Ciências Sociais e Humanas, vejo wrestling, pratico wrestling, respiro wrestling... e sou escuteiro.
 
DP – Bem, David Francisco é o teu nome, mas de onde surgiu “ADKid”?
DF – Isso agora é um grande mistério... Com certeza adivinhas que não és o primeiro que me faz essa pergunta. Pois o "ADKid" tem um significado muito especial... Que eu juro que confirmo se alguém conseguir adivinhar o que está por trás das três letrinhas. Que comece a especulação...
 
DP – Com certeza que não chego lá... Desde quando acompanhas wrestling?
DF – Lembro-me que comecei a acompanhar o SmackDown depois da WrestleMania 21 quando este passava na SIC Radical às 21h00 de 2.ª feira. É desde aí que acompanho a sério, apesar de já ter conhecimento deste desporto. Ao princípio estranhei imenso, era como violência, mas cedo isso mudou... é como disse o Pessoa: "Primeiro estranha-se, depois entranha-se"...
 
DP – Exatamente... E como surgiu a tua entrada na APW?
DF – Descobri a APW com o Impacto Total 1, que passou pelo Campo Pequeno, aqui em Lisboa. Ao descobrir os cartazes com Kurt Angle espalhados, pensei que era a TNA que iria passar por cá, mas ao ver melhor percebi que era uma promotora/companhia portuguesa que estava responsável pelo evento: a APW. Fui ao site (ainda o antigo) e vi lá a notícia que em fevereiro começavam os treinos em Lisboa, na altura na ADCEO. Claro que quis experimentar, e dia 11 de fevereiro de 2007 apareci nos treinos. Já lá vão dois anos...
David num show da APW em julho de 2011

DP – Para quem desconhece como é ser treinado numa federação, diz-nos o que é que se vai aprendendo primeiro, o que vem a seguir, todos os passos até se estar pronto para um combate oficial.
DF – A primeira regra no wrestling, aquele fator que está acima de todos os outros, é a segurança. Assim, a primeira coisa que se aprende são as quedas, como cair. A partir daí, aprende-se o básico, no que toca a movimentos. Clothesline, Shoulder Block, Arm Drag, Hip Toss, Body Slam, Chain Wrestling (para os menos adaptados à terminologia, coisas como um Head Lock, ou um Hammer Lock)... coisas deste género. Os movimentos mais elaborados já serão dependendo da nossa condição física e da nossa personagem e, acima de tudo, da nossa vontade. Por exemplo, eu posso aprender a fazer um Moonsault, mas terei assim tanto a necessidade de o utilizar, tendo em conta que tenho 1,80 m e que o cartaz dos potenciais shows já está recheado de high-flying com o Arcanjo ou o Seth Bollinger? Ao mesmo tempo que isto, aprendemos a teoria do wrestling, que é complexa, mas entusiasmante. Coisas como a estrutura de um combate, a psicologia de ringue ou a construção e desenvolvimento de personagens são-nos semanalmente ensinadas, de maneira a que quando chegarmos a um combate consigamos ter a melhor prestação possível. Mas tudo isto é o mais básico dos básicos. O único local onde realmente se aprende é no ringue, com público à nossa frente, tal como só se aprende a jogar futebol tendo jogos atrás de jogos. Por isso, quando estamos minimamente preparados, fazemos combates de maneira a que a nossa prestação em ringue vá evoluindo de dia para dia. Num treino, todos têm direito a subir ao ringue e tentar, e melhorar, pois é para isso que treinam. Logo, encorajamos todos os alunos a experimentarem, e fazemos com que as oportunidades surjam, pois só assim se ganha experiência: combate atrás de combate atrás de combate.
 
DP – Os fãs portugueses ainda não puderam assistir a um combate teu, no entanto, para os preparar melhor, conta-nos as tuas principais características no ringue…
DF – Aí é que o wrestling se torna extremamente divertido... A nossa personagem e as nossas características devem ser como que um exagero de nós mesmos para que a consigamos desempenhar na perfeição. Eu sou um rapaz que gosta de entretenimento (foi isso que me atraiu no wrestling) e que, acima de tudo, gosta de entreter os outros, fazê-los sentirem-se bem. Assim, a principal característica de "ADKid" David Francisco, a personagem que eu desempenho, é o facto de ser um showman. Está lá é para entreter o público (é face). Assim, gosta de brincar com o adversário que o desrespeite ou desrespeite o público e gosta de criar reações na plateia. Um palhacinho, como muitos dizem. Quanto a movimentos, sou um pouco equilibrado. Faço o Pontapé no Céu da Boca e Arm Drags, e tudo isso, ao mesmo tempo que salto do canto ou faço Spinebusters ou TKO...
 
David na Taça Tarzan Taborda da APW em 2011
DP – Neste momento és árbitro, muitas pessoas devem julgar que esse trabalho é fácil… mas com certeza que não deve ser assim tão fácil. Afinal qual é o verdadeiro papel dos árbitros nos combates?
DF – É mais importante do que se possa imaginar... O árbitro serve como veículo de comunicação entre os bastidores, o ring announcer (que tem como função avaliar o estado do público perante o combate) e os lutadores. Normalmente a informação que mais me dão para informar os lutadores é a do tempo, quando me pedem para avisar os lutadores para irem para o fim do combate, mas já aconteceu uma ou duas vezes pedirem-me para dizer aos lutadores que o combate foi completamente alterado, devido a uma lesão repentina ou a outro qualquer fator. Imagina se o árbitro não estivesse no combate. Os lutadores estariam completamente alheios de tudo o que se passava à volta deles!
 
DP – Embora ainda não tivesses feito nenhum combate oficial, por aquilo que tens feito nos treinos, qual foi o melhor wrestler com quem já partilhaste o ringue?
DF – Essa é uma pergunta difícil... Todos os lutadores com quem já partilhei o ringue foram muito bons no que fizeram, e proporcionaram-me bons momentos no ringue. Desde o Tiago [Red Eagle], um dos meus parceiros de treino, ao Seth Bollinger, ao Ultra Psycho, ao atual Campeão da APW Juan Casanova, todos eles fizeram um excelente trabalho, logo é difícil escolher o melhor. Mas como é óbvio, pela experiência, há que destacar o Ultra Psycho, meu treinador, e o Juan Casanova.
 
DP - No Record está também uma entrevista do Seth Bollinger, no qual o próprio refere que ele, o Tiago e mais uns amigos treinam num ringue que está alojado num quintal. Isto significa que vocês fazem os "trabalhos de casa"?
DF – (risos) É mesmo esse o ringue do qual o Seth fala! Naquele ringue tive a oportunidade de estar em contacto pela primeira vez com, lá está, um ringue. O Tiago é o aluno da APW com quem eu há mais tempo treino, logo aquele com quem os combates e os exercícios de treino saem melhor. Já nos conhecemos há muito tempo... No início, quando a APW tinha apenas um ringue, esse ringue estava no Algarve, logo a Academia de Lisboa tinha de praticar em colchões. O plano B, para fazermos os "trabalhos de casa", como lhes chamaste, era irmos a esse ringue (eu e o Tiago, principalmente) e treinarmos o que aprendemos nos treinos. Aliás, foi nesse ringue que pus em prática pela primeira vez o que nos ensinaram sobre como fazer combates. Foi lá, com o Tiago, que fiz os meus primeiros combates que resultaram muito bem. Tenho um grande apreço por esse ringue e pelo Tiago, o meu parceiro de treinos favorito.
 
DP – Se te dissessem que só poderias fazer em toda a tua vida um combate de wrestling, mas que poderias escolher qualquer wrestler do planeta como teu adversário, quem escolherias?
DF – Sem qualquer tipo de margem para dúvidas, escolheria Shawn Michaels. A razão é óbvia e, ao mesmo tempo, lógica. "HBK" é o meu lutador favorito. É nele que baseio grande parte das minhas atitudes no ringue, e a admiração que tenho por ele supera qualquer outra pessoa. Assim, um combate com ele seria um combate de sonho. Aliás, é mesmo um sonho. Adoraria conhecê-lo e, se possível, aprender com ele. Talvez um dia...
 
As promos antes dos combates eram habituais
DP – Ambicionas chegar às grandes companhias americanas?
DF – Já pensei sobre isso, mas nunca me decidi. Tenho 16 anos e uma vida pela frente... Gostava de estar por lá, como é óbvio, mas como ainda não estou pronto para tentar, não coloco a hipótese com força. Vou pensando sobre isso, sonhando com isso, já que é, como adivinhas, o sonho de qualquer wrestler chegar ao main event da WrestleMania. Adoraria estar por lá, seria um grande orgulho, mas neste momento, porque se tentasse iria falhar, não é uma ambição.
 
DP – Quando te estreares oficialmente, preferes começar como heel ou face?
DF – Face. Apesar de muitas vezes ser mal interpretado, sendo acusado de querer ser o centro das atenções, gosto de dar espetáculo e gosto que o público que esteja a assistir ao meu espetáculo goste do espetáculo que estou a fazer. Só como face consigo isto. Nos treinos, consigo fazer com que quem esteja a assistir me aplauda e grite por mim, e isso é bom, faz-me sentir bem. É uma relação mais próxima com os fãs que, enquanto heel, não consigo estabelecer. Não digo que seja condição definitiva, penso que não daria um mau heel, mas gosto realmente do público que me rodeia, logo prefiro não atuar como se do contrário se tratasse. Assim, sempre quis ser face, e gosto de o ser.
 
DP – Nos “Impacto Total” que a APW tem promovido, temos tido a presença de estrelas internacionais como Eugene, Raven, Joey Mercury, Shannon Moore, Lance Cade. Como é que estrelas reputadas como essas lidaram com os wrestlers nacionais nos balneários? Achavam-se superiores a vocês e eram mesmo algo arrogantes ou eram humildes e tentavam ajudar-vos em alguns aspetos?
DF – São poucos os arrogantes. Eu, pessoalmente, não tenho nenhuma razão de queixa, mas há lutadores que as têm. Mas a maioria são extremamente simpáticos, e apesar de parecer que se colocam à parte, isso só acontece por causa da barreira da linguagem. Se encontrasses um português no meio da China, seria com ele que mais te darias...
Mas se te dirigires a eles, recebes sorrisos e simpatia em troca, e não é nada difícil estabeleceres boas relações com eles. Tens muitos exemplos: Quando, no Verão de 2007, a All Pro Wrestling veio ao norte de Portugal fazer 4 shows com a Associação Portuguesa de Wrestling (APW vs. APW), os lutadores da All Pro dignaram-se a nos ajudarem a montar o ringue, chamaram-nos ao ringue para nos ensinar coisas novas e esclarecer as nossas dúvidas, e o Mr. Prime Time, um deles, foi tão porreiro que eu consegui ter uma empatia excelente com ele, declarando ele a todo o mundo que eu era aquele que ele mais gostou de conhecer... Outro exemplo é o de Eugene, que no Impacto Total (IT) 2 nos chamou depois dos combates e disse o que tinha sido feito bem e o que tinha sido feito mal, o que melhorou em muito a nossa prestação da primeira para a segunda noite. Por fim, agora, no IT3, Joe E. Legend, uma das melhores pessoas que conheci no wrestling, veio vestir-se, despir-se e até tomar banho no nosso balneário. Como vês, eles não são nada arrogantes. São até muito simpáticos. Nós é que muitas vezes vamos ao encontro deles com uma espécie de preconceito, pensando que eles não gostam de nós e que nós somos insignificantes para eles, o que não é, de todo, verdade.
 
David Francisco quando tinha apenas 19 anos
DP – Na Comunidade de Wrestling Online correram rumores durante o ano de 2007 de que havia muita tensão na federação onde lutas, afinal, como é o clima na APW?
DF – Não eram rumores. Houve situações um pouco tensas nessa altura, com a chegada de Axel, o abandono dos atuais elementos do WP e a presença de um elemento à volta do qual se gerou muita polémica. Esse tal elemento saiu da APW e desde aí que as coisas ficaram mais calmas. Neste momento o ambiente que se vive na APW é um ambiente de reconstrução e união. Ou seja, até aqui, as duas escolas da APW tinham pouca interação, mas o esforço é de as aproximar. Tanto que se fala em treinos conjuntos esporádicos. De resto, neste momento não há confusões de balneário, nem picardias entre elementos. Por outro lado, com a introdução da APW na WSW, o ambiente é mais competitivo, já que não existe a necessidade de preencher o cartaz. Os padrões ficaram mais altos, e é preciso ser-se mesmo muito bom para conseguir um lugar. No entanto, não é nada impossível, e se atingires esses padrões, tens a tua oportunidade garantida. Tanto que no IT3, entre tantos internacionais, 50% dos lutadores foram da APW, o que me parece uma excelente marca.
 
DP - Esse tal elemento era o Ravel?
DF – Não. O Ravel nunca teve qualquer ligação à APW enquanto organização. Ele esteve envolvido, sim, com a Escola Tarzan Taborda (ETT) e com a New Wrestling Revolution (NWR), mas nunca esteve na APW.
 
DP – No passado dia 28 de fevereiro ocorreu o WSW Impacto Total 3 e Ric Flair não compareceu nesse evento por alegados problemas nos voos. Muitas pessoas chamam a isso de fraude. Sendo tu alguém que partilha balneários com os mais altos dirigentes da APW, qual é a tua posição sobre o assunto?
DF – A minha posição quanto a isso. Quanto àqueles jornalistas que foram fazer a cobertura do evento e foram completamente subjetivos, só os tenho que mandar para um sítio que, quanto a mim, é grande e grosso, e dá a volta ao pescoço. A imagem que passaram é a de que a APW é fraudulenta e, pior ainda, ridícula (quando dizem coisas como "os empregados de mesa deixaram, durante o evento, de servir cafés para irem arbitrar os combates" ou "o homem de saia com orientação sexual duvidosa deixou o campeão das calcinhas aos coraçõezinhos a sangrar"), cuspindo na cara de qualquer fã, não só da APW, mas do wrestling em geral. Sendo que ali em jogo estava a imagem do wrestling enquanto desporto. Aqueles que não foram ao evento e criticaram o IT3 apenas baseando-se no facto que referiste, volto a repetir uma frase que tu adoras: Criticar um show de wrestling sem terem assistido é como dizerem que uma rapariga é boa na cama sem nunca a terem comido. Quanto ao resto, só tenho que reiterar as desculpas que o Axel pediu no início do evento. Como disse no PCB [Pontapé no Céu da Boca], estava lá quando tudo aconteceu, e vi bem o desespero na cara dos mais altos responsáveis da APW quando isto aconteceu. Não pela imagem que poderiam passar, mas sim pelo facto de desiludirem aquelas pessoas que tinham pago bilhete para verem Ric Flair. Mas também deixo uma promessa: Ric Flair é o General Manager da WSW e vai estar presente no próximo evento da WSW.
 
"O Fantástico" David Francisco em ação
DP – Muitas pessoas acusam o Mad Dog de ter falta de carisma e de ser um Jeff Jarrett um pouco ao estilo português. Qual é a tua opinião sobre o assunto?
DF – As acusações ao Mad Dog, apesar de por muitas vezes serem exageradas, têm uma base que é verdadeira. Ele próprio o admite: a sua capacidade em ringue não é a melhor, ele não é nenhum Bret Hart. No entanto, tem duas coisas que se destacam, e que fazem com que ele tenha sempre sido o main eventer por excelência da APW, e campeão por 15 meses. A primeira é a sua imagem. O seu físico e o facto de lutar com um kilt é original e fica na cabeça de qualquer um. Qualquer pessoa que acompanhe minimamente o wrestling português ou que, pelo menos, tenha assistido às Tardes da Júlia naquele dia, se lembra do Mad Dog. Ou seja, a sua imagem resulta, e foi o passaporte para o sucesso da APW, tal como a imagem de Hulk Hogan foi o trampolim para o salto da WWE (numa escala bem mais pequena, como é óbvio). So para tu veres, lá no IT3, no meio do mar de gente que rodeava o Mad Dog, descobriram-se dois irmãos que têm o quarto cheio de merchandise do Mad Dog (estiveram no Pavilhão Rosa Mota, no Porto): fotografias, cartazes, autógrafos... E foram juntar os cartazes e os tapetes de rato vendidos pela primeira vez no IT3. O segundo fator para o seu sucesso é a sua paixão e dedicação. Se não me engano, o Mad Dog é o único lutador a não ter faltado a um único evento da APW, logo é alguém com quem os responsáveis podem sempre contar. Nos eventos trabalha que se farta, sendo um dos responsáveis pelo ringue, por exemplo, cuja arrumação e montagem coordena, juntamente com o Jorge. É uma dedicação incrível ao wrestling e à APW, que passa para todos nós (ele sempre se disponibilizou a ajudar-nos no que fosse necessário, e já aprendi muita coisa com ele). Por isso, tudo o que ele conseguiu é merecido. Quanto ao carisma, o que tenho a dizer é que os dois combates de Mad Dog que estão na Net são os piores que ele já fez. Experimentem ir a um evento da APW um dia, e vejam a energia que ele consegue passar para o público. Não é nenhum The Rock, nem nenhum Steve Austin, mas quem se pode comparar a eles em Portugal?
 
DP – Falando um pouco sobre a outra companhia portuguesa, por vezes nos balneários não se fala de Wrestling Portugal? O que se costuma dizer sobre essa companhia?
DF – Foste tocar na ferida... (risos) Fala-se do WP, claro que se fala. Tal como acredito que no WP um grande tema de discussão é a APW. Fala-se, sobretudo, acerca de assuntos internos e situações caricatas, que muitas vezes nos fazem rir. Quando saiu o Web Show, ele foi discutido, como é óbvio. A opinião do pessoal da APW acerca do WP é o de que o caminho que eles estão a tomar não é o correto, já que a aposta no público da internet não permite investimento, pois dessa maneira o wrestling não é considerado o que realmente é: um negócio. Discute-se também o que é chamado de "vírus WP", que consiste no facto de aqueles que passam pelo WP são infetados com um ódio genuíno à APW, mesmo se a única coisa que sabem sobre esta é que a APW tem um lutador chamado Mad Dog. Um fenómeno que, aliás, facilmente passou para a Net. Mas nunca se fala sobre o WP com arrogância nem superioridade. Muito sinceramente, desejamos-lhes o melhor dos sucessos, pois o seu sucesso é mais um passo para o sucesso do wrestling em Portugal. Há muito para dizer acerca da guerra APW/WP...
 
DP – Alguns membros do WP estiveram na APW anteriormente e hoje criticam essa federação de uma forma acérrima. Achas que essas pessoas estão a “cuspir no prato onde comeram”?
DF – Não vejo por aí. A APW foi uma oportunidade para eles, e eles fizeram alguns shows com a APW, ganharam experiência. A forma como saíram foi atribulada, como é óbvio, e isso levantou-lhes um rancor que faz com que a chuva de críticas aconteça. É normal que isso aconteça, mas, sinceramente, sinto que está na altura de deixar isso para trás. Na APW isso acontece. É cada vez mais rara a confusão começada por um membro da APW contra um membro do WP (a última de que me lembro foi a minha com o Salvador). No entanto, alguns elementos do WP insistem em abrir uma ferida que quer naturalmente fechar-se. E isso vê-se pela forma como o WP começou, e como publicita o seu trabalho: "WP = 0% Trapalhice" (acusando a APW de ser 100% trapalhice). O WP apresentou-se como alternativa, e conseguiu algum sucesso com isso, mas já passou a altura de deixar isso para trás e cimentar o WP por ser o WP e não por ser, alegadamente, melhor do que a APW... Mas o WP (alguns dos seus membros, não generalizemos) insiste em apresentar-se como alternativa. A alternativa nunca é a escolha mais comum, a que tem mais sucesso. A TNA apresenta-se como alternativa à WWE e, assim, nunca singrou verdadeiramente... Se o WP insiste em ser a alternativa, então será sempre a alternativa.
 
DP – E pelo aquilo que vês e que sabes, achas que o roster do WP tem mais talento do que o da APW?
DF – Sinceramente, em tempos já teve. As críticas do WP à APW já tiveram coerência. Éramos maus tecnicamente, e os nossos combates eram horríveis. Mas atualmente isso já não acontece. Evoluímos tecnicamente e percebemos a essência de um combate, e quem não o fez simplesmente abandonou a APW. Neste momento o roster da APW está cheio de talentos que, pessoalmente, me entretêm muito mais do que muitos do WP. Posso parecer pendente para um dos lados e não completamente objetivo, como é óbvio devido à minha posição, mas acreditem que durante muito tempo disse que o WP era melhor do que a APW. Mas as coisas agora mudaram. Um dia destes fiz um exercício de comparação com uns amigos meus. Sem lhes dizer nada de nada, mostrei-lhes o combate do Cougar e do Bammer do Web Show 1 e o combate entre Ultra Psycho e El Generico que encontrei na Net. Eles disseram-me que, apesar de terem gostado das manobras que viram no primeiro, preferiram o segundo, pois com menos manobras e menos espetaculares, o combate foi mais divertido e entreteve mais. Voltei a questioná-los acerca do primeiro e eles disseram que houve alturas em que já estavam fartos do combate. Nunca vi ninguém farto de um combate da APW. Ou seja, o main event do WP deixou de entreter, que é o principal objetivo do wrestling. Penso que isto diz tudo.
 
DP – Como vês o futuro do wrestling em Portugal?
DF – Com muito bons olhos. Neste momento estamos a evoluir, e as oportunidades têm surgido cada vez mais. Não sei quanto ao futuro do WP, mas quanto à APW sei que a divulgação vai aumentar cada vez mais, e esse será um fator importante para o crescimento do wrestling em Portugal. Vejo os eventos a aumentarem e a popularidade dos nossos lutadores a ser cada vez maior. É um processo moroso, é verdade, e vai dar trabalho, para além de que não atingirá a dimensão que o wrestling tem nos EUA (não há 10 mil pessoas para encher casas em Portugal...), mas será proporcional a Portugal (1500, 2000 pessoas). Vai correr tudo muito bem, espero, e espero estar envolvido nesse mundo...
 
Publicado originalmente a 19 de março de 2009
 

 


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