Para quem não está assim tão por
dentro do fenómeno, a
fórmula utilizada para apurar o coeficiente de cada país
baseia-se essencialmente na divisão dos pontos amealhados pelo número de
equipas que cada país tem nesse ano a participar nas provas europeias, sendo
que os pontos obtidos na
Liga
dos Campeões valem tanto quanto os que foram amealhados na
Liga
Europa ou na
Liga Conferência.
Nas fases finais, cada vitória
vale dois pontos e cada empate vale um (nas pré-eliminatórias, cada vitória
vale um ponto e cada empate vale 0,5). Ou seja, na presente temporada, cada
triunfo de
Sporting,
Benfica,
Sp.
Braga e
FC
Porto nas respetivas fases finais valeu dois pontos a dividir por cinco
(0,4) – a quinta equipa, o
Santa
Clara, foi eliminada nas pré-eliminatórias da Liga Conferência. E valeu
tanto a vitória do
Sporting
sobre o campeão europeu
Paris
Saint-Germain para
Champions
como o triunfo do
FC
Porto sobre o
Malmoe
para a
Liga
Europa: apenas os tais 0,4 pontos. Se Portugal tivesse seis equipas, cada
triunfo contribuiria 0,33 pontos para o coeficiente – é o que acontece esta
época com os
Países Baixos.
Ora, à exceção do bom desempenho
do
Vitória
de Guimarães na Liga Conferência na temporada passada, têm sido praticamente
só quatro equipas a somar pontos para Portugal, tal como
PSV,
Feyenoord,
AZ
e
Ajax
são (de longe!) os maiores contribuintes para os Países Baixos. Se os pontos obtidos
por essas quatro equipas forem divididos por cinco em vez de por seis, o
coeficiente será mais alto. E se estiverem uma ou duas equipas na
Liga
dos Campeões em vez de três, teoricamente é maior a tendência para somar
mais pontos.
É por isso que, no confronto
direto entre Portugal e Países Baixos, o modelo de cálculo tende a criar ciclos,
favorecendo quem está com menos equipas na
Champions
em particular e nas competições europeias em geral, apesar da existência de
bonificações de desempenho em que é aplicado o princípio da proporcionalidade tendo
em conta a importância das três provas.
Obviamente que quem gere entidades
como
Liga Portugal e
Federação Portuguesa de Futebol não pode simplesmente
assumir que é cíclico e deixar de intervir. Há fatores que podem contribuir para
a resiliência de Portugal no sexto lugar do ranking UEFA, como um calendário
mais favorável e um fortalecimento da segunda linha de clubes, para que sejam
mais do que quatro a somar e para que os quatro do costume somem mais. Mas uma
subida ao sexto lugar ou uma descida ao sétimo jamais deverá ser rececionada
com um otimismo exacerbado nem analisada numa perspetiva de profecia da
desgraça.
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