quinta-feira, 19 de março de 2026

Ranking da UEFA. Um modelo de cálculo que tende a criar ciclos

Portugal é o quarto país com melhor coeficiente em 2025/26
A subida de Portugal ao sexto lugar no ranking da UEFA foi natural, mas não deve observada com um otimismo exacerbado. O modelo de cálculo que dita os coeficientes e consequentemente a classificação e a atribuição vagas nas competições europeias em função da hierarquia tende a ser cíclico.
 
Para quem não está assim tão por dentro do fenómeno, a fórmula utilizada para apurar o coeficiente de cada país baseia-se essencialmente na divisão dos pontos amealhados pelo número de equipas que cada país tem nesse ano a participar nas provas europeias, sendo que os pontos obtidos na Liga dos Campeões valem tanto quanto os que foram amealhados na Liga Europa ou na Liga Conferência.
 
Nas fases finais, cada vitória vale dois pontos e cada empate vale um (nas pré-eliminatórias, cada vitória vale um ponto e cada empate vale 0,5). Ou seja, na presente temporada, cada triunfo de Sporting, Benfica, Sp. Braga e FC Porto nas respetivas fases finais valeu dois pontos a dividir por cinco (0,4) – a quinta equipa, o Santa Clara, foi eliminada nas pré-eliminatórias da Liga Conferência. E valeu tanto a vitória do Sporting sobre o campeão europeu Paris Saint-Germain para Champions como o triunfo do FC Porto sobre o Malmoe para a Liga Europa: apenas os tais 0,4 pontos. Se Portugal tivesse seis equipas, cada triunfo contribuiria 0,33 pontos para o coeficiente – é o que acontece esta época com os Países Baixos.
 
Ora, à exceção do bom desempenho do Vitória de Guimarães na Liga Conferência na temporada passada, têm sido praticamente só quatro equipas a somar pontos para Portugal, tal como PSV, Feyenoord, AZ e Ajax são (de longe!) os maiores contribuintes para os Países Baixos. Se os pontos obtidos por essas quatro equipas forem divididos por cinco em vez de por seis, o coeficiente será mais alto. E se estiverem uma ou duas equipas na Liga dos Campeões em vez de três, teoricamente é maior a tendência para somar mais pontos.
 
É por isso que, no confronto direto entre Portugal e Países Baixos, o modelo de cálculo tende a criar ciclos, favorecendo quem está com menos equipas na Champions em particular e nas competições europeias em geral, apesar da existência de bonificações de desempenho em que é aplicado o princípio da proporcionalidade tendo em conta a importância das três provas.
 
Obviamente que quem gere entidades como Liga Portugal e Federação Portuguesa de Futebol não pode simplesmente assumir que é cíclico e deixar de intervir. Há fatores que podem contribuir para a resiliência de Portugal no sexto lugar do ranking UEFA, como um calendário mais favorável e um fortalecimento da segunda linha de clubes, para que sejam mais do que quatro a somar e para que os quatro do costume somem mais. Mas uma subida ao sexto lugar ou uma descida ao sétimo jamais deverá ser rececionada com um otimismo exacerbado nem analisada numa perspetiva de profecia da desgraça. 









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