domingo, 21 de junho de 2026

Neste dia em 2006, Argentina e Holanda empataram a zero no jogo que ditou o adversário de Portugal nos oitavos do Mundial. Quem se lembra?

Messi atuou no jogo que opôs Argentina e Países Baixos em 2006
Tendo eu nascido em 1992, não fui a tempo de assistir à final do Mundial 1978 que deu o primeiro título à Argentina nem à partida do Campeonato do Mundo de 1998 que ficou marcada e decidida com um grande golo de Dennis Bergkamp, mas recordo-me de as seleções celeste e laranja se terem defrontado na fase de grupos do Mundial 2006, realizado na Alemanha.
 
Na altura, as duas históricas candidatas à vitória final ficaram incluídas no chamado grupo da morte, juntamente com a Costa do Marfim de Didier Drogba e dos irmãos Kolo e Yaya Touré e com a sempre talentosa Sérvia e Montenegro (ex-Jugoslávia), que tinha nas suas fileiras jogadores como Nemanja Vidic, Dejan Stankovic, Mateja Kezman e Savo Milosevic.
 
Apesar das dificuldades, tanto a Argentina de Roberto Ayala, Juan Pablo Sorín, Gabriel Heinze, Estebán Cambiasso, Javier Mascherano, Juan Román Riquelme, Pablo Aimar, Maxi Rodríguez, Lucho González, Javier Saviola, Hernan Crespo, Carlos Tévez e um jovem de 19 anos chamado Lionel Messi – e já agora, também o atual selecionador Lionel Scaloni, na altura lateral direito do West Ham –, como a Holanda de Edwin van der Sar, Khalid Boulahrouz, Phillip Cocu, Rafael van der Vaart, Wesley Sneijder, Dirk Kuyt, Ruud van Nistelrooy, Robin van Persie, Giovanni van Bronckhorst, Mark van Bommel e Arjen Robben conseguiram apurar-se para os oitavos de final após as duas primeiras jornadas devido a vitória sobre Costa do Marfim e Sérvia e Montenegro.
 
Na derradeira ronda da fase de grupos, Argentina e Holanda defrontaram-se em Frankfurt, num encontro em que ambas decidiram poupar vários jogadores apesar de estar em jogo o primeiro lugar no grupo – a primeira classificada defrontaria o México, enquanto a segunda seria adversária de Portugal. A falta de importância dada ao encontro pelos dois selecionadores, o holandês Marco Van Basten e o argentino José Pékerman, também se refletiu no resultado final: um 0-0.
 
“No jogo que ditou o próximo adversário de Portugal, Diego Maradona não exibiu a sua exuberância nas bancadas e a imagem do sereno Johan Cruijff também não surgiu nas imagens televisivas. A pobreza da arte captada pelas câmaras era o espelho do que se passava em campo: pouco futebol, escassa emoção e zero em golos. As duas equipas chegaram a Frankfurt já classificadas para os oitavos-de-final, com o mesmo número de pontos obtidos com as vitórias sobre a Costa do Marfim e Sérvia e Montenegro. Neste encontro apenas estava em jogo a vitória no Grupo C e a consequente fuga ao desafio com Portugal, pelo que os dois técnicos optaram por uma contenção nas equipas titulares. Tal como fez Scolari, também o holandês Marco Van Basten e José Pékerman decidiram deixar no banco de suplentes os jogadores amarelados. Uma decisão que afetou mais a formação laranja, que atuou sem cinco jogadores que contribuíram para o apuramento: Robben (um dos elementos mais influentes na manobra da equipa e por quem tem passado a maioria dos lances ofensivos – e que falta fez ontem!), Van Bommel, John Heitinga, Van Bronckhorst e Mathijsen. Já a Argentina não contou com a presença de Saviola, Crespo e Heinze. Sem dúvida baixas de peso que tiveram nítida influência quer no resultado final quer no nível exibicional, que tornou este sétimo clássico entre duas potências com tradições futebolísticas num dos menos emotivos de sempre. Contudo, tal não significa que, a espaços, não se tivessem registado lances bem construídos e que poderiam ter resultado em golo. E neste âmbito, os argentinos estiveram mais perto de o conseguir. A Holanda, que iniciou o Mundial com um triunfo difícil frente à Sérvia e Montenegro (1-0) e depois derrotou a Costa do Marfim também pela diferença mínima (2-1), até começou o jogo com uma atitude mais ambiciosa. E durante os primeiros dez minutos foi a única equipa a ver-se em campo, sem ter, no entanto, conseguido ser uma ameaça. Um fôlego que durou até ao momento em que a Argentina decidiu impor mais velocidade ao seu futebol. Nesses momentos, o meio-campo e defesa da Holanda evidenciaram as suas fragilidades e em duas jogadas consecutivas (minutos 27 e 28) esteve perto de sofrer um golo: na primeira ocasião o poste evitou os festejos (seria autogolo de Nistelrooy, que tentou desviar um livre de Riquelme) e na segunda o remate de Maxi Rodriguez saiu ligeiramente ao lado da baliza. Mas também mais não construíram os argentinos. Mesmo depois do intervalo, a partida manteve-se numa sucessão de lances repartidos, construídos com um futebol previsível e de escasso interesse. Cenário que se alterou ligeiramente quando Van Basten fez sair os apáticos Van Persie e Van Nistelrooy. A Holanda melhorou a sua exibição, chegou a ameaçar, mas não foi o suficiente para conseguir evitar Portugal”, escreveu o Diário de Notícias.
 







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