terça-feira, 22 de outubro de 2019

A minha primeira memória de... um jogo entre Benfica e equipas francesas

Miccoli perante a oposição do defesa francês Tafforeau
Ver o Benfica defrontar equipas francesas é quase um clássico de pré-época, talvez à exceção dos anos mais recentes, em que as águias têm viajado para os Estados Unidos a fim de participar na International Champions Cup. Antes da minha primeira memória de um jogo diante de formações gaulesas, houve pelo menos três jogos particulares desde que acompanho futebol: Lyon em 2000, Auxerre em 2002 e Marselha em 2004.


Mesmo contabilizando esses, dos quais tenho vaga memória, o primeiro de que me lembro efetivamente ao ponto de ter na língua o resultado e autor do golo: 1-0 ao Lille no Estádio da Luz, com Fabrizio Miccoli a decidir. O jogo, referente à 1.ª jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões, marcava o regresso das águias à Champions, prova na qual se estreava o novo recinto dos encarnados.

O Benfica, que meses antes se tinha sagrado campeão nacional 11 anos, tinha acabado de trocar Giovanni Trapattoni por Ronald Koeman no comando técnico. É verdade que perdeu Miguel, um jogador importante para a conquista do título, mas contratou Nélson (ex-Boavista), Léo (ex-Santos), Miccoli (emprestado pela Juventus), Anderson (ex-Corinthians), Beto (ex-Beira-Mar) e Karagounis (ex-Inter de Milão).

Do outro lado estava um Lille que era vice-campeão francês, tendo ficado apenas atrás do Lyon, que na altura dominava a Ligue 1. O então jovem médio de 19 anos Yohan Cabaye, os então jovens laterais de 20 e 21 anos Mathieu Debuchy e Stephan Lichtsteiner e o então jovem de 18 anos Kevin Mirallas eram os jogadores da equipa orientada por Claude Puel que assumiram um papel de maior destaque no futebol mundial.


No jogo da Luz, a 14 de setembro de 2005, o 0-0 persistiu durante 90 minutos, mas em tempo de compensação o pequeno Miccoli cabeceou para o fundo das redes à guarda do internacional senegalês Tony Sylva na resposta um cruzamento de Mantorras a partir do lado direito, dando a vitórias aos encarnados.


“Foi preciso esperar pelo período de compensação para se festejar um golo na Luz. Na estreia no Grupo D da Liga dos Campeões, o Benfica venceu o Lille, somando assim os três primeiros pontos numa competição a que está de regresso após sete anos de ausência. O jogador em destaque foi Miccoli. Além do golo de cabeça, no seguimento de um cruzamento de Mantorras, o camisola 30 dinamizou o ataque do clube da Luz. Um triunfo moralizador, depois do mau início de campeonato”, escreveu o Diário de Notícias, em alusão a um arranque de campeonato em que os encarnados tinham somado apenas um ponto em nove possíveis.

Mais de dois meses depois, os dois conjuntos encontraram-se no Stade de France, em Saint-Denis, nos arredores de Paris. Desportivamente, o cenário não era muito animador à entrada para a essa jornada, a penúltima da fase de grupos, pois os encarnados ocupavam a lanterna-vermelha do grupo, com quatro pontos, menos um do que o Lille e o Manchester United e menos dois do que o líder Villarreal. Porém, socialmente o Benfica praticamente jogou em casa, contando com o apoio de dezenas de milhares de emigrantes, num jogo marcado por uma autêntica romaria de portugueses espalhados por França e pelos países vizinhos ao estádio.

Embora em apuros, o Benfica apresentou um onze bastante conservador, com quatro centrais de raiz (Anderson, Luisão, Alcides e Ricardo Rocha), dois laterais (Nélson e Léo) e ainda dois médios de características defensivas (Petit e Beto). Sobravam Nuno Gomes e Miccoli.


O resultado final foi um empate a zero, precisamente o mesmo do Manchester United-Villarreal que se disputava à mesma hora em Old Trafford. “Empate todo-o-terreno. Ronald Koeman mexeu radicalmente na equipa, apostando em seis defesas na equipa inicial. A baliza de Quim esteve (quase) à prova de bala, mas no centro faltou quem pensasse mais o jogo. Aquele remate de Mantorras no último segundo poderia ter mudado tudo...”, escreveu O Jogo.

O nulo, porém, deixava tudo em aberto para a última jornada, em que o Benfica precisava de ganhar aos red devils para seguir em frente e... ganhou mesmo, deixando a equipa de Cristiano Ronaldo fora das competições europeias logo em dezembro.

























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