sexta-feira, 6 de março de 2020

Os 10 clássicos mais marcantes entre Cruzeiro e Atlético Mineiro

Cruzeiro e Atlético-MG dividem corações em Belo Horizonte
Atlético Mineiro e Cruzeiro protagonizam o maior clássico do estado de Minas Gerais e um dos mais importantes do futebol brasileiro. Rivais há quase um século, os clubes de Belo Horizonte têm protagonizado mais de cinco centenas de duelos acesos, válidos para o Campeonato Mineiro, Brasileirão e Copa do Brasil.


O Estádio Independência e o Mineirão têm sido os palcos privilegiados dos palcos entre o galo alvinegro e a raposa azul. O primeiro marcou o reforço da rivalidade na década de 1950, o segundo recebeu públicos superiores a 100 mil espetadores entre o final dos anos 1960 e o início dos de 1980.

Vale a pena recordar os grandes clássicos entre os dois times. Veja aqui a nossa seleção de dez mais marcantes, por ordem cronológica.


27 de novembro de 1927 – Campeonato Mineiro
Num campeonato atribulado, que foi interrompido devido às preparações para o Campeonato Brasileiro de Seleções Estádios e em que houve equipas que não tiveram condições para terminar a prova, foi aplicada a maior goleada de sempre dos clássicos mineiros já nos derradeiros jogos.
Num encontro disputado em duas partes de 40 minutos, Getúlio, Mário de Castro (dois), Said (três) e Jair (três) marcaram para o Atlético Mineiro, enquanto Ninão bisou para o Palestra Itália, designação que o Cruzeiro teve até 1942.
Com este resultado, os atleticanos garantiram a conquista do título, o terceiro estadual para o Galo, depois de 1915 e 1926, interrompendo dez anos consecutivos de domínio do América Mineiro.
Ainda assim, há jornalistas e historiadores que tenham colocado em causa o jogo, alegando não existir nenhuma prova material de que o encontro tivesse ocorrido.



9 de outubro de 1977 – Campeonato Mineiro (3.º jogo da final)
Mais equilíbrio era impossível no Campeonato Mineiro de 1977. O Atlético venceu a primeira fase com um ponto de vantagem sobre o rival, mas o Cruzeiro retribuiu o favor na segunda fase, levando a uma final entre os dois clubes.
No primeiro jogo da decisão, o galo venceu por 1-0, mas a raposa ganhou o segundo jogo por 3-2, com hat trick do uruguaio Hebert Revétria e atirou a atribuição do troféu para o terceiro encontro.
Num Mineirão a rebentar pelas costuras, com 122.544 pessoas nas bancadas – segunda maior assistência do clássico, a seguir a um encontro de 1969 que teve 123.351 -, o Atlético colocou-se em vantagem aos 35 minutos por Reinaldo. Porém, Revétria voltou a mostrar faro pelo golo, empatando aos 70’ e adiando a decisão para prolongamento. No tempo extra, Cruzeiro foi mais forte e marcou por duas vezes, por Lívio Damião (97’) e Joãozinho (104’), garantindo a conquista do 22.º título mineiro por parte dos cruzeirenses.



21 de novembro de 1999 – Campeonato Brasileiro (2.ª mão dos quartos de final)
Uma eliminatória memorável, numa altura em que o campeonato brasileiro ainda se decidia no formato mata-mata. Na primeira mão, o Atlético tinha vencido por 4-2, com bis tanto de Guilherme como de Marques, enquanto Paulo Isidoro e Müller marcaram para o Cruzeiro.
No segundo jogo, o Cruzeiro entrou com tudo e esteve por duas vezes em vantagem. Ricardinho inaugurou o marcador aos 34’, mas Guilherme empatou aos 38’. Müller recolocou a raposa em vantagem no jogo e mais perto de empatar a eliminatória no começo da segunda parte (47’), mas Adriano Gerlin igualou o encontro a um quarto de hora do fim (75’). Ainda faltava algum tempo e os cruzeirenses, então orientados por Levir Culpi, necessitavam de marcar dois golos para empatar a eliminatória, mas foi Guilherme quem voltou a marcar (80’), com o peito, aproveitando um cruzamento de Bruno na execução de um livre lateral pela direita e uma saída em falso do guarda-redes André.
Nesse ano, o Atlético, que contava com Belletti e Caçapa na equipa, só foi travado na final, pelo Corinthians.



29 de abril de 2007 – Campeonato Mineiro (1.ª mão da final)
O Atlético apresentou-se na final há sete anos sem ganhar o título estadual, mas goleou o rival por 4-0 com uma exibição de gala e coloco praticamente uma mão no troféu logo após o primeiro jogo.
Já depois da expulsão do central Gladstone (37 minutos), que meses depois seria emprestado ao Sporting, o galo adiantou-se no início do segundo tempo, por Éder Luís (46’), que meses depois haveria de vestir a camisola do Benfica. Porém, foi preciso esperar pelos últimos dez minutos para ver os restantes três golos atleticanos: Danilinho (82’), Marcinho (90+1’, de grande penalidade) e Vanderlei (88’), sendo que este último ocorreu numa altura em que o guarda-redes cruzeirense Fábio estava de costas para o lance.
No segundo encontro, o Cruzeiro venceu por 2-0, resultado insuficiente para evitar o 39.º título mineiro do rival.



16 de setembro de 2007 – Campeonato Brasileiro (26.ª jornada)
2007 foi definitivamente um grande ano para o clássico mineiro. Depois de ter perdido a final do Mineirão, o Cruzeiro venceu o jogo da primeira volta do Brasileirão por 4-2 e o do segundo turno por 4-3 num encontro impróprio para cardíacos.
Em pleno Mineirão, dois golos de Roni (11’ e 25’, de penálti) colocaram a raposa na frente. Porém, o Atlético operou uma reviravolta fantástica, primeiro reduzindo por Gerson (30’) e depois empatando (37’) e dando a volta (57’, de grande penalidade) por Marinho. A perder por 3-2, o Cruzeiro lança em campo o menino Guilherme, de apenas 18 anos, que em menos de 20 minutos faz dois golos (61’ e 77’). e devolve a vantagem à sua equipa. Absolutamente incrível!
O jogo ficou ainda marcado pela expulsão de Coelho, por agressão a Kerlon, num momento em que este justificava a alcunha de foquinha ao dar toques na bola com a cabeça.



27 de abril de 2008 – Campeonato Mineiro (1.ª mão da final)
O Cruzeiro esteve mais de uma dezena de jogos sem perder com o rival entre 2007 e 2009, naquele que foi um dos maiores períodos de invencibilidades nos clássicos. Um dos principais destaques dessa fase hegemónica foi a goleada na primeira-mão da final do Mineirão de 2008.
Depois de ter sido derrotado por 0-4 no ano anterior, a raposa começou a construir uma vitória folgada ainda na primeira parte, com golos de Charles (12 minutos), do antigo defesa sportinguista Marcos na própria baliza (19’) e de Ramires (38’), que um ano depois rumaria ao Benfica. Guilherme (67’), que já na época anterior tinha faturado ao galo, e Thiago Heleno (78’) completaram a manita.
No segundo jogo o Cruzeiro voltou a vencer, desta feita por 1-0, e confirmou a conquista do 34.º título estadual da sua história.



26 de abril de 2009 – Campeonato Mineiro (1.ª mão da final)
Na tal série de mais de uma dezena de jogos sem perder com o rival entre 2007 e 2009, o Cruzeiro voltou a aplicar uma goleada por 5-0 na primeira-mão final do Mineirão em 2009, repetindo o resultado do ano anterior.
Kléber, o Gladiador, abriu caminho para a vitória confortável ainda na primeira parte, logo aos 39 minutos.  Leonardo Silva, zagueiro que anos depois viria a tornar-se uma figura no Atlético Mineiro, bisou no início da segunda parte (55’ e 62’). Quem bisou logo a seguir foi outro defesa, Jonathan, que faturou por duas vezes na reta final do encontro (79’ e 86’), numa altura em que o galo já atuava com menos um homem devido à expulsão de Leandro Almeida.
Na segunda-mão, registou-se uma igualdade a um golo, o que permitiu ao Cruzeiro conquistar o 35.º título e reaproximar-se mais do rival, que na altura contabilizava 40.



24 de outubro de 2010 – Campeonato Brasileiro (31.ª jornada)
Mais um clássico recheado de golos, desta vez no Brasileirão e com o triunfo a sorrir ao Atlético Mineiro. A vitória alvinegra começou a ser construída pelo avançado Obina, que no espaço de 23 minutos fez um hat trick e colocou o galo a vencer por 0-3 (7’, 23’ e 30’) no Parque do Sabiá, em Uberlândia, enquanto decorriam as obras de remodelação do Mineirão a pensar no Mundial 2014.
Gilberto reduziu para o Cruzeiro ainda antes do intervalo (36’), Réver voltou a dar uma vantagem de três golos a meio do segundo tempo (66’), antes de Thiago Ribeiro bisar no espaço de dois minutos (76’ e 78’) e relançar o jogo.
O resultado prejudicou o Cruzeiro na luta pelo título, com o Fluminense a aproveitar para ultrapassar a raposa nessa jornada, e permitiu que o Atlético saísse da zona de despromoção.



4 de dezembro de 2011 – Campeonato Brasileiro (38.ª jornada)
À entrada para a última jornada, o Cruzeiro necessitava de ganhar ao rival para não depender de terceiros para garantir a permanência, enquanto o Atlético Mineiro não podia alcançar mais do que uma vaga na Copa Sul-Americana do ano seguinte.
Porém, nesse dia o improvável aconteceu na Arena do Jacaré, em Sete Lagoas: a aflita raposa não só ganhou como goleou o galo e evitou a despromoção à Série B. “Foi o jogo mais tenso da minha vida. O Cruzeiro, que nunca caiu, jogaria num estádio acanhado e lotado. Passámos a semana toda concentrados em São Paulo. Se acontecesse o pior, não sei o que aconteceria connosco, pois a Arena do Jacaré é pequena, os vestiários são apertados, a torcida fica bem perto. Então era uma tensão muito grande. Jogámos sem nossos dois principais jogadores, que eram o Fábio (guarda-redes) e o Montillo (médio ofensivo). Mal dormimos de madrugada. Mas creio que fomos bem conduzidos pelo Wagner Mancini, que nos ajudou bastante e têm uma parcela significativa nessa vitória. Ele soube nos colocar para cima, mesmo em situação em baixa”, recordou em 2017 o antigo médio cruzeirense Leandro Guerreiro, em entrevista ao Superesportes.
O antigo médio benfiquista Roger, que substituiu Montillo nesse jogo, inaugurou o marcador aos 9 minutos. Leandro Guerreiro (28’), Anselmo Ramón (33’) e Fabrício (45’) ampliaram a vantagem e colocaram o resultado em 4-0 ao intervalo. Wellington Paulista fez o quinto ainda antes da hora de jogo (57’), Réver marcou o golo de honra dos alvinegros pouco depois (61’) e Everton fez o 6-1 final aos 90’, já depois de Wellington Paulista e Werley terem sido expulsos.
A partir de então, os cruzeirenses passaram a sinalizar o seis com as mãos para provocar o rival. E a direção do Cruzeiro escolheu Roger como sócio 61 mil do clube em 2014.



27 de novembro de 2014 – Copa do Brasil (2.ª mão da final)
Foi preciso esperar até 2014 para ver os dois rivais mineiros discutirem entre eles um título mineiro, neste caso a Copa do Brasil, naquela que foi a segunda final decidida entre equipas da mesma cidade, depois de Flamengo e Vasco da Gama em 2006.
No primeiro jogo, na Arena Independência, o Atlético venceu por 2-0, com golos de Luan e Dátolo.
Porém, estava tudo em aberto para a segunda-mão, disputada no Mineirão. Embora contasse com o apoio do seu público, o Cruzeiro voltou a sair derrotado, desta vez com um golo de Diego Tardelli no final da primeira parte (45+2’). Foi a primeira Copa do Brasil de sempre para o Atlético Mineiro.



















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