Hoje mais conhecido pelo trabalho
como treinador, viveu durante grande parte da carreira na sombra de outros
guarda-redes. Foi assim durante meia dúzia de anos tanto no
Deportivo
da Corunha como no
FC
Porto. E mesmo no
Vitória
de Guimarães, que o catapultou para a alta-roda, nunca foi um titular indiscutível.
Nascido a 25 de janeiro de 1974
em
São Tomé e Príncipe, mudou-se para Portugal aos oito anos e começou a jogar
futebol nas camadas jovens de dois clubes do Barreiro, o Santoantoniense e a
Quimigal
(antiga CUF, atual Fabril). Depois rumou a norte para prosseguir a formação
nos Caçadores “Os Torreenses”, de Valença, tendo-a concluído no
Vitória
de Guimarães.
A primeira época na equipa
principal, 1992-93, foi vivida na sombra de Madureira e Jesus, tendo apenas
atuado no jogo da última jornada do campeonato, uma derrota em Barcelos às mãos
do
Gil
Vicente (0-2). Por essa altura, já era internacional sub-18 por Portugal.
Na temporada seguinte esteve
emprestado ao Vila Real, na antiga II Divisão B, o que lhe permitiu jogar com
regularidade, apesar de ter descido de divisão.
No regresso ao Dom Afonso
Henriques parecia destinado a ser o terceiro guarda-redes, atrás de Zé Carlos e
Madureira na hierarquia, mas acabou por agarrar a titularidade em janeiro de
1995, a tempo de disputar um total de 20 jogos (e sofrer 22 golos) até ao final
da época.
No verão de 2002, já com Jorge
Mendes estabelecido como um dos principais agentes FIFA do futebol português,
transferiu-se para o
FC
Porto no âmbito da transferência que levou
Jorge
Andrade para a Corunha.
Na primeira passagem pelos
dragões
foi quase sempre suplente de
Vítor
Baía. Ainda chegou a destronar o
eterno
99 durante os primeiros meses, quando o
veterano
guarda-redes teve um desentendimento com
José
Mourinho, mas viria a perder o posto ainda em novembro de 2002, só o
reavendo em partidas de menor importância. Tal como na época anterior, foi o
dono da baliza durante toda a caminhada na
taça,
tendo inclusivamente marcado um golo de penálti numa
goleada
ao Varzim nas Antas (7-0), mas foi relegado para o banco na final, um
triunfo sobre a
União
da Leiria. Ainda assim, adicionou ao palmarés a conquista
desse
troféu, do
campeonato
e da
Taça
UEFA.
Em 2003-04 voltou a ser o
guarda-redes da
Taça
de Portugal, desta feita com direito a atuar na final, perdida para o
Benfica
(1-2). No campeonato só atuou após estar garantida a conquista do título e na
Liga
dos Campeões não chegou a ir a jogo.
No início da época seguinte, mais
do mesmo. No entanto, aproveitou em novembro e dezembro 2004 problemas físicos
de
Vítor
Baía para atuar em sete jogos às ordens do espanhol
Victor
Fernández. Uma taquicardia do habitual titular permitiu-lhe mesmo jogar na
Taça
Intercontinental, tendo mantido a baliza a zero antes do
triunfo
sobre o Once Caldas no desempate por penáltis.
No verão de 2005 transferiu-se
para o Dínamo Moscovo, emblema russo que nessa altura também recrutou
Costinha,
Maniche,
Derlei,
Frechaut,
Danny, Thiago Silva,
Seitaridis
e Cícero no futebol português. Até começou por jogar com regularidade na
Rússia, destronando o arménio Roman Berezovsky, mas em 2006 passou para a
sombra do lituano Zydrunas Karcemarskas.
Em janeiro de 2007 regressou a
Portugal para defender a baliza do
Desp.
Aves. Embora tivesse atuado em toda a segunda volta – 15 jogos, 19 golos
sofridos –, não conseguiu impedir a despromoção à
II
Liga.
Ainda assim, no final dessa época
voltou ao
FC
Porto, desta vez para ser suplente de Helton, precisamente após
Vítor
Baía ter pendurado as luvas.
Nesta segunda passagem pelo
Dragão,
que coincidiu com os últimos três anos na carreira, disputou 30 jogos – a
juntar aos 31 da primeira passagem – e venceu mais dois campeonatos (2007-08 e
2008-09, a juntar aos de 2002-03 e 2003-04) e uma
Taça
de Portugal (2008-09, a juntar à de 2002-03) e tornou-se um líder no
balneário. Nesse período os
dragões
também venceram a
Supertaça
de 2009 e a
Taça
de Portugal de 2009-10, mas Nuno não foi utilizado nessas competições. Pelo
meio foi convocado para o
Euro 2008,
devido à lesão de Quim, mas não chegou a jogar de quinas ao peito.
No verão de 2010 terminou a
carreira de jogador e iniciou a de treinador, aos 36 anos. Começou como adjunto
de
Jesualdo
Ferreira no
Málaga
e no Panathinaikos e estreou-se como técnico principal no
Rio
Ave, um clube muito bem relacionado com Jorge Mendes, em 2012-13.
Na segunda época ao leme dos
vila-condenses
atingiu as finais da
Taça
de Portugal e da
Taça
da Liga, guiando o clube pela primeira vez às competições europeias.
Valorizado, deu o salto para o
Valencia.
Na primeira temporada em Espanha conseguiu a qualificação para a
Liga
dos Campeões, tendo vencido o
Real
Madrid em casa e empatado no
Santiago
Bernabéu. Paralelamente, foi eleito treinador do mês da
liga
espanhola por três vezes (setembro e dezembro de 2014 e fevereiro de 2015),
numa altura em que Jorge Mendes tinha bastante influência no clube, que na
altura tinha como proprietário Peter Lim. Acabou por deixar o cargo a 29 de
novembro de 2015, na sequência dos maus resultados no início da segunda época
no clube.
Em 2016-17 orientou o
FC
Porto, mas não conseguiu ganhar qualquer troféu. Foi segundo classificado
no campeonato, eliminado na fase de grupos da
Taça
da Liga e afastado precocemente da
Taça
de Portugal pelo
Desp.
Chaves. Na
Liga
dos Campeões, caiu aos pés da
Juventus
nos oitavos de final.
Seguiram-se quatro anos muito
produtivos à frente do
Wolverhampton.
Em 2017-18 sagrou-se campeão e treinador do ano do Championship (segundo
escalão). Na época seguinte guiou o
Wolves
à 7.ª posição da
liga
inglesa, a melhor classificação de sempre do clube na era
Premier
League, e às competições europeias – o que já não acontecia desde 1980-81.
Em 2019-20 atingiu os quartos de final da
Liga
Europa – o melhor desempenho europeu do clube desde que foi finalista da
Taça
UEFA em 1971-72 – e na quarta e última temporada no Molineux Stadium
tornou-se no treinador com mais jogos no clube. Paralelamente, foi eleito
treinador do mês da
Premier
League em setembro de 2018 e junho e outubro de 2020.
No verão de 2021 foi anunciado
como treinador do
Tottenham
e até começou muito bem a aventura no norte de Londres, tendo sido eleito
treinador do mês da
Premier
League em agosto, mas foi demitido no início de novembro, após cinco derrotas
em sete jogos.
Entre julho de 2022 e novembro de
2023 orientou o Al-Ittihad, tendo vencido a
Supertaça saudita de 2022 e o
título nacional (o primeiro do clube em 14 anos) em 2022-23.
Em dezembro de 2023 assumiu o
comando técnico do
Nottingham
Forest. Na primeira época no City Ground conseguiu assegurar a permanência
e na segunda qualificou a equipa para as competições europeias pela primeira
vez em 30 anos, mas acabou demitido em setembro de 2025, no culmina de um
relacionamento complicado com o proprietário
Evangelos Marinakis. Pelo meio foi
eleito treinador do mês da
Premier
League em outubro e dezembro de 2024 e em março de 2025.
18 dias após deixar o
Nottingham
Forest, assumiu o comando técnico do
West
Ham. Não conseguiu salvar os
hammers
da despromoção, tendo experienciado a primeira descida de divisão da carreira,
mas a evolução da equipa permitiu-lhe continuar no cargo na época seguinte, que
está a decorrer, tendo sido eleito treinador do mês do Championship em setembro
de 2026.
Sem comentários:
Enviar um comentário