terça-feira, 17 de março de 2026

Hoje faz anos o extremo veloz do Salgueiros que deu o salto para o Benfica. Quem se lembra de Nandinho?

Nandinho disputou 257 jogos e marcou 40 golos na I Liga
Um extremo à antiga, um destro muito rápido que jogava à direita, daqueles que iam à linha para cruzar. Tal como em campo, foi subindo por aí fora na carreira: começou nos distritais e, após brilhar no Salgueiros, chegou ao Benfica.
 
Nascido a 17 de março de 1973 na cidade do Porto, esteve escondido nas divisões secundárias até aos 22 anos. Concluiu a formação e iniciou o percurso como sénior no Candal, nos distritais da AF Porto, patamar no qual continuou a jogar com a camisola do Ataense entre 1992 e 1994. Em 1994-95 representou o Castêlo da Maia na III Divisão Nacional e de lá saltou para o Salgueiros, então na I Liga. “Foi um percurso difícil. Eu joguei toda a vida e fiz formação nos distritais. Fiz a minha formação no Candal, passei por vários clubes. Enquanto sénior, Candal, Ataense, até ir à terceira divisão, ao Castêlo da Maia, com 21 anos. Foi a primeira vez que joguei em relvado, nunca tinha jogado em relvado. Antigamente, nos distritais só havia pelados”, recordou ao jornal A Bola em setembro de 2024.
 
A afirmação no emblema de Paranhos foi praticamente imediata, o que lhe valeu três internacionalizações pela seleção nacional de sub-21 logo na primeira época no clube, incluindo uma diante da Itália de Fabio Cannavaro, Alessandro Nesta, Christian Vieiri e Alessandro Del Piero já na fase final do Europeu da categoria.
 
 
Nas temporadas que se seguiram continuou a progredir, acabando por explodir em 1997-98, com 13 golos no campeonato – apenas Mário Jardel (FC Porto/26 golos), Nuno Gomes (Benfica/18), Ayew (Boavista/16), Isaías (Campomaiorense/14) e Karoglan (Sp. Braga/14) faturaram mais. Como consequência, deu o salto para o Benfica no verão de 1998. “O Benfica já tinha surgido, logo nessa primeira época em que eu fui para o Salgueiros. Não só o Benfica, como os outros dois grandes também mostraram interesse na altura. Infelizmente, tive uma lesão que acabou por me afetar no meio da época, que me fez parar durante uns tempos. E esses alegados interesses acabaram por ficar em banho-maria, por assim dizer. Fiz mais dois anos no Salgueiros, que era uma equipa que, nessa altura, andava sempre ali na primeira metade da tabela. Tínhamos boas equipas. Muitos jogadores foram potenciados”, lembrou Nandinho, dando os exemplos de Luís Carlos, Renato e Leão.
 
 
Apesar de uma boa pré-época de águia ao peito, foi ficando de fora das escolhas de Graeme Souness nos jogos a doer, até porque à sua frente tinha nada mais nada menos do que Karel Poborsky. “Naquele momento era um jogador com muito mais golo, com mais capacidade, e jogava. O problema era que quando ele não jogava, eu não era opção e isso para mim tornou-se uma frustração, até porque eu estava habituado a jogar sempre, a jogar, a jogar”, contou o extremo portuense, que acabou por atuar apenas quatro vezes pelo Benfica, tendo marcado um golo ao Alverca.
 
 
E foi precisamente o Alverca que o recebeu, por empréstimo, na segunda metade da época 1998-99, ajudando os ribatejanos a assegurar a permanência. Em 17 jogos no campeonato, marcou cinco golos, entre os quais três ao Sporting, num triunfo caseiro sobre os leões.
 
 
Depois optou por desvincular-se do Benfica e assinar pelo Vitória de Guimarães, clube ao qual esteve contratualmente ligado durante três anos. Uma experiência “agridoce”, de acordo com o próprio. “Começou muito bem, uma primeira época [1999-00] em que joguei muitos jogos. Fiz 31 jogos, quase sempre jogava. Era uma equipa nova, um projeto novo. Uma equipa da qual tinham saído muitos jogadores da época anterior e que tinha sido renovada. Fernando Meira, Pedro Mendes, que tinham estado emprestados ao Felgueiras, acabaram por regressar ao clube, num projeto de três anos. Por isso fiquei esses três anos em Guimarães, para voltar a colocar o Vitória na Europa. O treinador [Quinito] acabou por sair, algumas confusões, e nós acabámos de ficar arredados na Europa. Depois, no ano seguinte [2000-01], veio um treinador [Paulo Autuori] que não contou comigo e que me dispensou. Estive três ou quatro meses a treinar à parte, até que o treinador acabou por ir embora e eu fui reintegrado. Acabei por jogar também sempre, muitas vezes até com o lateral direito. Uma época difícil para o Vitória, safámo-nos na última jornada. No ano seguinte [2001-02], acabou por acontecer o mesmo. Voltei a ser dispensado e aí, sim, tive um ano sem competir. Foi difícil, foi muito difícil”, recordou.
 
Após esse ano de inatividade, esteve perto de voltar ao Salgueiros, que tinha acabado de descer à II Liga, mas decidiu assinar pelo Gil Vicente, tendo passado quatro anos e meio em Barcelos: “Foi o clube onde eu estive mais tempo. Acho que as coisas acabaram por funcionar bem. Apanhei sempre muito bons grupos, bons treinadores. E acabei por ser um jogador sempre muito utilizado, muito útil à equipa. Fiz lá quatro anos e meio. Fiz mais de 100 jogos. Houve ali uma grande empatia com os adeptos, a cidade... Tudo funcionou bem, graças também àquilo que eram os grupos de trabalho que fui encontrando. Fiz lá quatro anos e meio bons, onde deixei também a minha marca.”
 
     
 
Em 2006 rebentou o Caso Mateus, os gilistas foram despromovidos na secretaria e Nandinho ainda acompanhou a equipa na II Liga durante meio ano, mas depois rumou ao Leixões, tendo encerrado a carreira, aos 34 anos, com uma subida à I Liga, em 2007.
 
Após pendurar as botas formou-se em Desporto, tendo tirado a licenciatura em Desporto e Educação Física. Paralelamente, foi tirando os cursos de treinador. Desde então já treinou juniores e seniores do Gil Vicente, Famalicão, Almería B, B SAD e três clubes no Médio Oriente.



 




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