Hoje faz anos o extremo veloz do Salgueiros que deu o salto para o Benfica. Quem se lembra de Nandinho?
Nandinho disputou 257 jogos e marcou 40 golos na I Liga
Um extremo à antiga, um destro
muito rápido que jogava à direita, daqueles que iam à linha para cruzar. Tal
como em campo, foi subindo por aí fora na carreira: começou nos distritais e,
após brilhar no Salgueiros,
chegou ao Benfica.
Nascido a 17 de março de 1973 na
cidade do Porto, esteve escondido nas divisões secundárias até aos 22 anos.
Concluiu a formação e iniciou o percurso como sénior no Candal, nos distritais
da AF Porto, patamar no qual continuou a jogar com a camisola do Ataense
entre 1992 e 1994. Em 1994-95 representou o Castêlo da Maia na III Divisão
Nacional e de lá saltou para o Salgueiros,
então na I
Liga. “Foi um percurso difícil. Eu joguei toda a vida e fiz formação nos
distritais. Fiz a minha formação no Candal, passei por vários clubes. Enquanto
sénior, Candal, Ataense, até ir à terceira divisão, ao Castêlo da Maia, com 21
anos. Foi a primeira vez que joguei em relvado, nunca tinha jogado em relvado.
Antigamente, nos distritais só havia pelados”, recordou ao jornal A
Bola em setembro de 2024. A afirmação no emblema
de Paranhos foi praticamente imediata, o que lhe valeu três
internacionalizações pela seleção
nacional de sub-21 logo na primeira época no clube, incluindo uma diante da
Itália
de Fabio Cannavaro, Alessandro Nesta, Christian Vieiri e Alessandro Del Piero
já na fase final do Europeu da categoria.
Nas temporadas que se seguiram
continuou a progredir, acabando por explodir em 1997-98, com 13 golos no
campeonato – apenas Mário
Jardel (FC
Porto/26 golos), Nuno Gomes (Benfica/18),
Ayew (Boavista/16),
Isaías
(Campomaiorense/14)
e Karoglan
(Sp.
Braga/14) faturaram mais. Como consequência, deu o salto para o Benfica
no verão de 1998. “O Benfica
já tinha surgido, logo nessa primeira época em que eu fui para o Salgueiros.
Não só o Benfica,
como os outros dois grandes também mostraram interesse na altura. Infelizmente,
tive uma lesão que acabou por me afetar no meio da época, que me fez parar
durante uns tempos. E esses alegados interesses acabaram por ficar em
banho-maria, por assim dizer. Fiz mais dois anos no Salgueiros,
que era uma equipa que, nessa altura, andava sempre ali na primeira metade da
tabela. Tínhamos boas equipas. Muitos jogadores foram potenciados”, lembrou
Nandinho, dando os exemplos de Luís
Carlos, Renato e Leão.
Apesar de uma boa pré-época de
águia ao peito, foi ficando de fora das escolhas de Graeme
Souness nos jogos a doer, até porque à sua frente tinha nada mais nada
menos do que Karel
Poborsky. “Naquele momento era um jogador com muito mais golo, com mais
capacidade, e jogava. O problema era que quando ele não jogava, eu não era
opção e isso para mim tornou-se uma frustração, até porque eu estava habituado
a jogar sempre, a jogar, a jogar”, contou o extremo portuense, que acabou por
atuar apenas quatro vezes pelo Benfica,
tendo marcado um golo ao Alverca.
E foi precisamente o Alverca
que o recebeu, por empréstimo, na segunda metade da época 1998-99, ajudando os ribatejanos
a assegurar a permanência. Em 17 jogos no campeonato, marcou cinco golos, entre
os quais três ao Sporting,
num triunfo caseiro sobre os leões.
Depois optou por desvincular-se
do Benfica
e assinar pelo Vitória
de Guimarães, clube ao qual esteve contratualmente ligado durante três
anos. Uma experiência “agridoce”, de acordo com o próprio. “Começou muito bem,
uma primeira época [1999-00] em que joguei muitos jogos. Fiz 31 jogos, quase
sempre jogava. Era uma equipa nova, um projeto novo. Uma equipa da qual tinham
saído muitos jogadores da época anterior e que tinha sido renovada. Fernando Meira,
Pedro
Mendes, que tinham estado emprestados ao Felgueiras,
acabaram por regressar ao clube, num projeto de três anos. Por isso fiquei
esses três anos em Guimarães, para voltar a colocar o Vitória
na Europa. O treinador [Quinito]
acabou por sair, algumas confusões, e nós acabámos de ficar arredados na
Europa. Depois, no ano seguinte [2000-01], veio um treinador [Paulo Autuori]
que não contou comigo e que me dispensou. Estive três ou quatro meses a treinar
à parte, até que o treinador acabou por ir embora e eu fui reintegrado. Acabei
por jogar também sempre, muitas vezes até com o lateral direito. Uma época
difícil para o Vitória,
safámo-nos na última jornada. No ano seguinte [2001-02], acabou por acontecer o
mesmo. Voltei a ser dispensado e aí, sim, tive um ano sem competir. Foi
difícil, foi muito difícil”, recordou. Após esse ano de inatividade,
esteve perto de voltar ao Salgueiros,
que tinha acabado de descer à II
Liga, mas decidiu assinar pelo Gil
Vicente, tendo passado quatro anos e meio em Barcelos: “Foi o clube onde eu
estive mais tempo. Acho que as coisas acabaram por funcionar bem. Apanhei
sempre muito bons grupos, bons treinadores. E acabei por ser um jogador sempre
muito utilizado, muito útil à equipa. Fiz lá quatro anos e meio. Fiz mais de 100
jogos. Houve ali uma grande empatia com os adeptos, a cidade... Tudo funcionou
bem, graças também àquilo que eram os grupos de trabalho que fui encontrando.
Fiz lá quatro anos e meio bons, onde deixei também a minha marca.”
Em 2006 rebentou o Caso Mateus,
os gilistas
foram despromovidos na secretaria e Nandinho ainda acompanhou a equipa na II
Liga durante meio ano, mas depois rumou ao Leixões,
tendo encerrado a carreira, aos 34 anos, com uma subida à I
Liga, em 2007. Após pendurar as botas formou-se
em Desporto, tendo tirado a licenciatura em Desporto e Educação Física.
Paralelamente, foi tirando os cursos de treinador. Desde então já treinou
juniores e seniores do Gil
Vicente, Famalicão,
Almería B, B SAD e três clubes no Médio Oriente.
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