sexta-feira, 12 de junho de 2026

Damião em entrevista (parte 2): "Um dos meus objetivos é entrar no radar de uma empresa de topo"

Damião num evento do Wrestlefest em Corroios
Condecorado e idolatrado apesar da tenra idade, o “Young Killer” da Tapada das Mercês que carrega dois cinturões aos ombros conta como se construiu uma das personagens mais populares do wrestling nacional, revela pormenores do dia em que trabalhou num evento da All Elite Wrestling, passa em revista uma carreira que inclui passagens por promotoras de Espanha, Reino Unido e Irlanda, traça objetivos e desvenda quais os lutadores com quem tem melhor química e quais os que gostaria de enfrentar. 

Também nesta segunda e última parte da entrevista, Damião fala sobre a estreia gloriosa, a fratura na cabeça durante um combate com "Goldenboy" Santos, o processo de escolha das músicas de entrada e as diferenças entre os vários públicos que tem encontrado.

David Pereira - Meses depois de começares a treinar meteu-se a pandemia de covid-19 pelo meio e só te estreaste a 15 de maio de 2022. Como é que foi a construção do wrestler Damião tanto em termos de gimmick em geral como in ring em particular?
Damião - Quem me ajudou muito neste processo foi o Pégaso porque quando bate a pandemia o Pégaso recusou-se a deixar que esta geração que tinha entrado fosse embora. Porque era muito fácil parar o wrestling e as pessoas começarem a encontrar outras coisas, outras formas de gastar o seu tempo. Mas o Pégaso pegou em nós e nós todas as semanas, por zoom, fazíamos aulas de promos. E o conceito era muito simples: ele dava-nos um conceito, dava-nos um traço de personalidade e nós tínhamos que apresentar isto em formato de promo e depois ao fim de semana víamos e dávamos feedback.
Com o passar das semanas, eu e o Pégaso fomos encontrando cada vez mais quem era o Damião e percebemos que eu funciono muito melhor se canalizar as emoções reais do que se tentar forçar algo que não é de certa forma pessoal para mim. Então foi relativamente fácil encontrar a personagem do Damião porque não foge muito do Damião real. É só eu, mas com se todas as minhas emoções viessem à flor da pele instantaneamente. Sou eu vezes dez ou vezes 100.
Em termos de wrestling foi mesmo durante esses dois anos e meio. E eu sinto que mesmo após a minha estreia até agora houve todo um processo, houve todo um trabalho, houve toda uma melhoria. Por isso eu não diria que quando me estreei já tinha algo definido. Eu tinha um conceito, tinha uma ideia que eu queria explorar, mas ainda era muito básico, ainda eram coisas isoladas que eu fazia bem, que eu gostava de fazer. E eu sinto que só de algum tempo para cá é que eu realmente comecei a perceber quais é que são os meus momentos, quais é que são os meus golpes e qual é que é a minha presença realmente.
 
Onde é que o Damião wrestler, uma espécie de bom rufia da Linha de Sintra que faz questão de frisar que vem de… 2725 Tapada das Mercês, e o Francisco Damião pessoa, se diferenciam?
Eu acho que onde há aqui a separação é que o Damião wrestler gosta do spotlight. É o mundo onde eu não me importo de estar à frente de muita gente a mostrar o que sou. Na vida real eu sou um bocadinho o oposto e isso às vezes choca um bocadinho as pessoas. Eu sou uma pessoa um bocadinho mais reservada, gosto do meu espaço, gosto da minha privacidade e eu acho que aí é a principal diferença. O Damião é uma pessoa muito ruidosa, que fala muito alto, que se expressa com muita vontade e com muita paixão e isso tudo está cá dentro de mim, mas na vida real sai muito pouca vez.
 
Fora do wrestling: o que fazes e quais são os teus interesses e objetivos?
Gosto muito de desporto, de estar com os meus amigos. Sou uma pessoa que viaja muito entre adorar companhia e gostar de me isolar às vezes. É uma batalha muito psicológica, às vezes, durante os meus dias. Os meus objetivos são conseguir criar algumas responsabilidades financeiras para continuar esta jornada que é o wrestling e eventualmente daqui a alguns anos conseguir entrar no radar de uma empresa de topo. Neste momento o wrestling é a minha única fonte de rendimento, por isso é que o faço muitas vezes em muitos sítios.
Em termos académicos entrei na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em Estudos Artísticos, o que não é muito relevante para a minha vida em geral. Parei a faculdade a meio mesmo porque estavam a começar a surgir mais oportunidades e mais chances noutros países e a minha cabeça já não estava a conseguir.
 

Fez extra work para a AEW

Damião num show da AEW em Cardiff
Os eventos em Portugal têm aumentado, mas ainda não é suficiente para viver disto. Qual é a tua estratégia para te mostrares? Já foste contactado para algum tryout de uma grande promotora?
Não, tryout nunca fui. Fiz extra work para a AEW em dezembro, mas isso também eu não conto bem como um passo enorme. Sinto que, sendo de Portugal a estratégia não foge muito do que já se sabe que se deve fazer, que é: tem que se viajar, tem que se dar a conhecer. No wrestling há muito esta cultura que é: até eu ver com os meus próprios olhos eu não acredito. É muito difícil alguém ver alguma coisa na Internet e achar que é o suficiente e que compensa pagar-me a mim para fazer o trabalho do que se calhar o wrestler que ele tem a 20 minutos, que mora ali ao lado. Então eu sinto que que estas estratégias de trabalho passam muito por networking, falar com o máximo número de pessoas possível, mostrar o máximo de serviço possível e realmente mostrar que quero mais do que os outros. Então vai ser sempre este trabalho de ir aos sítios, apresentar-me, mostrar o que faço e esperar que seja o suficiente.
 
Como correu essa experiência na AEW? Onde foi?
Foi em Cardiff. Foi uma experiência incrível, principalmente para mim que sou muito fã deste wrestling alternativo e que cresci a ver wrestling real tipo Ring of Honor e New Japan Pro Wrestling. Foi um bocadinho surreal ver estes ídolos todos, mas não foi nada que definisse o futuro de alguma coisa.
 
Dos mais conhecidos, com quem é que te cruzaste?
Com toda a gente que tu possas imaginar. Depois de algumas horas lá sem fazer nada, eu estou lá fora, estou ao telefone com a minha mãe, e quem eu vejo a passar é o Prince Nana. Percebo que é a minha oportunidade, estou sozinho ali com ele, não há mais ninguém. Começámos a falar, falámos sobre tudo, tudo, tudo, tudo, ele dá-me todos os conselhos possíveis e, a dada altura, ele recebe uma chamada, diz que tem que ir não sei aonde, e diz para o acompanhar. Quando eu dei por mim, estava atrás de uns barracões, com o Prince Nana e a Mercedes Moné, a falar sobre a vida, sobre as conquistas recentes de cada um, tudo muito humano, muito pessoal. Acho que foi dos melhores momentos, sem dúvida.
 
Há aquele sentimento de querer pedir uma foto com eles, mas, ao mesmo tempo, não o fazer porque são colegas de trabalho?
Nos primeiros dois minutos, talvez, sim. Sempre fui uma pessoa com os pés assentes na Terra e, nesse sentido, da mesma forma que eu sou um ser humano, eles são seres humanos, estamos no mesmo ambiente, é o nosso trabalho. Por isso, acho que rapidamente, pelo menos para mim, perco rapidamente essa vontade quando percebo que nos estamos a tratar de igual para igual. E quando eu percebo que, se calhar, vale um bocadinho mais a pena espremer o cérebro deles e adquirir conhecimento do que propriamente tirar fotos e fazer perguntas um bocado mais de fã, porque esse meu lado perdeu-se muito com o tempo em que eu fui fazendo wrestling. Quando vejo essas pessoas, o que realmente me dá gosto, me preenche e me deixa a sair de lá satisfeito é se consegui aproveitar ao máximo o momento em que eu tive para ficar a saber mais, para fazer as perguntas certas. E acho que isso me dá muito mais satisfação do que propriamente tirar uma foto.
 
Já que falamos em grandes promotoras, vou introduzir um tema que, pelo menos há uns anos, era visto como um entrave para os wrestlers portugueses. Tens 1,75 m. Sentes que o tamanho ainda importa no wrestling?
Embora nos últimos anos, se calhar, as coisas tenham mudado um pouco, o tamanho, principalmente nas grandes empresas, vai sempre ser um fator decisivo. O wrestling no seu estado mais puro ainda é imagem. Ainda é vender um produto. Se nós queremos vender isto como os melhores atletas, larger than life, não pode ser um rapazinho de 1,75 m. Contudo, eu acho que, logicamente, já há mais espaço para os lutadores mais pequenos em termos de estatura terem mais oportunidades. Mas ainda têm que trabalhar mais, têm que ser melhores em todos os aspetos. Mas eu acho que isso também me dá uma motivação extra porque eu não fui abençoado pelos deuses com 4,5 m. Por isso, tenho que ser o melhor que eu conseguir ser, senão, nunca na vida, isto vai dar alguma coisa. Eu acho que isso me dá um bocadinho mais de força.
 

A estreia gloriosa e a fratura na cabeça

Logo na tua estreia, a 15 de maio de 2022, não só conquistaste o Título de Honra do WP como te tornaste o mais jovem detentor de um cinturão de wrestling em Portugal, aos 16 anos e oito meses. Como viveste essa conquista?
Para mim foi tudo muito surreal. Passou tudo muito rápido até. É daquelas coisas que, na cabeça de um miúdo de 16 anos, ainda não consegues perceber o que se está a passar, nem depois. São muitas emoções, muita coisa, muito rápido. Eu vejo estas conquistas no wrestling como recompensas pelo meu esforço. Foram dois anos e meio de muito esforço. De não faltar a quase nenhum treino, mesmo quando me doía qualquer coisa, mesmo quando estava doente.

 
Falaste em dores… já sofreste alguma lesão grave?
A mais grave foi partir a cabeça num combate contra o Santos, em Aveiro, a 29 de dezembro de 2024. Foi num dive, as minhas pernas ficaram presas na corda e bati diretamente no chão. Foi sangue por todo o lado. Fizemos dez minutos e tínhamos mais dez. Também já arrebentei o joelho, mas esse meu joelho está constantemente no limite entre estar vivo ou estar morto.
 
Mas duas semanas depois já estavas a lutar outra vez…
Sim, eu tirei os pontos e no dia a seguir estava a lutar outra vez. Como Murder Business. Em Madrid. É surreal também.
 
É inevitável falar nas tuas músicas de entrada. Tens uma música própria, feita para ti, que usas em singles, enquanto quando estás com os outros elementos dos Murder Business ou vais lá fora entras ao som de Kara Davis, de Regula. Como foi esse processo de escolha das músicas?
A música que eu agora uso no WP foi o Dave Wolf Rodriguez que me abordou, a dizer que tinha muito interesse no que eu fazia, que queria fazer parte e fazer uma música. Fomos os dois para o estúdio e acompanhei o processo inteiro. Dei feedback, para ver como é que aquilo se traduzia para o wrestling, e foi uma colaboração muito engraçada. E saiu essa obra que o Damião.Wav. Está aí em todas as plataformas.

 
Em relação a Kara Davis, isso foi o RAFA. Somos os dois fãs de Regula. Ouvimo-lo em todo o lado e achámos que era muito apropriado. Somos muito reais no que mandamos cá para fora e no que mostramos e Kara Davis faz parte de nós e é legitimamente, em forma de música, como a nossa relação é, como andamos, como falamos e nos protegemos. E acho que isso passa para quem ouve e para quem vê.
 
 
Entretanto, já participaste em shows da RevPro (maior empresa do Reino Unido), OTT (Irlanda) e empresas espanholas, com destaque para um reinado de campeão de tag team ao lado de RAFA na espanhola Triple W. Que balanço fazes dessas participações no estrangeiro? O que mais tens aprendido?
Acho que ainda continua a ser um sonho tornado realidade. Quando eu comecei a perceber mais sobre wrestling e a ver wrestling mais pela aprendizagem e menos por ser fã, o que eu via era Rev Pro, era OTT. E pisar esses mesmos palcos onde eu já vi lendas, mostra que de certa forma eu estou no caminho certo e motiva-me todos os dias a saber que já lá estive, quero voltar e que vou fazer tudo por isso, para ser uma constante no wrestling europeu cada vez mais.
 
Em Espanha tens desempenhado sobretudo o papel de heel. É algo de que gostas? O que te sentes mais confortável a fazer?
Acho que não é bem uma questão de preferência. Sou wrestler e é o meu trabalho fazer o que me pedem. Desde o primeiro momento em que chegámos à Triple W foi assumido que íamos ser heels. Era o que fazia esse sentido pela história que eles queriam contar connosco. E desde aí nunca mudou. Não porque tivesse havido grande conversa sobre isso, mas foi assim que eles quiseram o nosso serviço e foi isso que nós apresentámos. Eu acho que a parte boa de eu ter estas duas facetas e estes dois mundos é que me permite evoluir muito nos dois lados. Não me foco só em trabalhar como face e em melhorar o meu trabalho como face, como também tenho oportunidades muito boas de trabalhar o meu heel e de melhorar esse meu heel. Por isso eu acho que eu gosto muito dos dois. O que eu gosto realmente é das reações, sejam elas quais forem. O que eu quero sempre é fazer um bom trabalho em qualquer que seja o meu papel. E se isso tiver que ser como heel, então eu vou dar 120% para aquela sala inteira a sair de lá a odiar-me.
 
Já tens ido a shows de companhias de Madrid e Barcelona com e sem RAFA e “Goldenboy” Santos, wrestlers portugueses maioritariamente do Norte têm ido a shows de uma promotora de Vigo, o Gomes recentemente foi a eventos de uma promotora de Cantábria, entre outros casos. Em sentido inverso, os Arma Secreta da Lucha Libre Barcelona estiveram, por exemplo, no Wrestlefest “Lutas & Vinho Verde”. Sentes que caminhamos cada vez mais se falar já num cenário ibérico com vários territórios?
Sim. Se estamos a caminhar para um cenário com vários territórios, não sei, mas honestamente espero que sim, porque acho que é um bocadinho lógico. Surpreende-me até, durante este tempo todo, ainda não ter sido feita esta conexão, este um mais um. Acho que isso ajuda toda a gente. Ajuda os wrestlers, as promotoras, os fãs que só veem coisas novas e boas, porque há muito talento em Espanha e há muito talento aqui em Portugal. Eu acho que está mais do que na hora, e isso é lógico, de começar a haver esta troca e esta exploração de novos sítios, por parte tanto de wrestlers portugueses como de wrestlers espanhóis. Por isso, não sei se vai ser no futuro próximo, mas adorava que acontecesse isso. Gostava muito que nós nos uníssemos mais, de certa forma, dentro do possível, e houvesse mais este intercâmbio de wrestlers.
Mas também parte de cada um para tornar isso possível. Acho muito bem o Gomes estar a ir onde está a ir. O Ricky Boy agora também teve a sua estreia em Barcelona. Por isso, sim, fico muito feliz de ver mais gente a passar as fronteiras e a perceber que dá. Espero que mais gente siga e que venham mais de lá também. E que isso daqui a uns anos seja uma grande festa.
 
“Gostava muito de ter um combate com a Cláudia
Qual é o combate ou quais são os combates de que mais te orgulhas e que consideras os teus melhores e com que wrestler sentes que tens melhor química em ringue?
Diria que é o combate de tag team com o RAFA contra o Renzo Rose e o Matthew Bullett Smyth. Sou muito fã do meu combate com o Ramon Vegas na Batalha Final em 2023, a minha primeira Batalha Final, onde eu reformei a lenda que é o Ramon Vegas. E orgulho-me muito disso por razões óbvias. Gosto muito do meu último combate com o Pedras, acho que foi o meu melhor trabalho daqui em Portugal em termos de ringue.
Com quem é que eu tenho química? Eu e o “Knockout” podemos ir para o ringue de olhos fechados. Eu e o RAFA podemos ir para o ringue de olhos fechados. Eu e o Ricky Boy podemos ir para o ringue de olhos fechados. E eu e o Iker Navarro funcionamos muito bem.
 
 
Com quem é que no circuito português ainda não trabalhaste e gostavas de trabalhar?
Gostava muito de ter um combate com a Cláudia. Acho que isso também é lógico. Quero muito trabalhar com a Cláudia. Quero muito trabalhar com o Rossi.
Gostava muito de trabalhar com o Gomes individualmente, porque nós já trabalhámos muito em tag team, mas foram fases muito diferentes da nossa carreira e da nossa evolução como wrestlers. Acho que o Gomes tem vindo a evoluir cada vez mais a um ritmo muito fixe, eu também sou um wrestler completamente diferente e acho que seria muito interessante um combate entre mim e o Gomes.
Gostava muito de trabalhar com o Paulinho e com o Ricky Boy em singles.
 
E, internacionalmente, que wrestler gostarias de defrontar?
Kuro (de França), Luke Jacobs e o seu parceiro, Ethan Allen. Também são pessoas muito boas e wrestlers incríveis
Das principais promotoras Okada, Takeshita, Je’Von Evans, Chad Gable e Walter [Gunther].
 

“Público do Porto é a descoberta do ano”

Emocionado após conquistar o Título Nacional do WP
Nota-se que o clima que se vive no wrestling português é um clima de amizade e cooperação, mas também de grande competitividade. É mesmo assim? Como se gere as emoções e os egos de um roster que, após um show (que normalmente é o único do mês), pelo menos metade sai derrotado dos seus combates? Existe um ambiente saudável no seio desta que é chamada uma geração de ouro?
Acho que grande parte desta colaboração agora do wrestling português surge muito da minha geração, que chega sem passado nenhum. Portanto, para nós não aconteceu nada, para nós nunca houve nada, queremos estar em todo lado, queremos ser wrestlers e tudo o que ultrapassa o querer ser wrestler já não é connosco. O que se passa no backstage, isso eu não sei. Posso dizer-te que como é que eu vejo este ambiente: para mim está sempre tudo bem, porque eu separo muito o ambiente de wrestling da vida real. São duas coisas muito diferentes: eu quando entro num balneário de wrestling, eu estou lá para fazer um trabalho, e dentro de um trabalho eu tento ser o mais profissional possível, seja qual for a condição, seja o que me for pedido. Eu perco muito pouco com egos, e quem é que ganha, quem é que perde, quem é que vai over ou para quem vai o belt. Isso foge muito do meu interesse. Para mim, wrestling nunca vai ser isso, wrestling nunca vai ser o que é que eu meto na minha estante, quando chego a casa. Isso não diz nada sobre mim como wrestler. O que para mim diz mais é se eu contribuo bem para o show, se eu faço o que me foi pedido, se o papel que me foi dado foi feito com excelência absoluta. E isso é o que me interessa.
 
Já lutaste no WP no Centro Shotokai de Queluz, em eventos do Wrestlefest nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, na APW em Portimão e no estrangeiro em Espanha, Irlanda e Reino Unido. Que diferença sentes em relação à forma como o público vibra com os espetáculos?
Eu sinto que, sim, são todos muito diferentes e é muito fácil nós descrevermos algo como chato ou como mau, mas acho que para nós até é quase uma bênção, porque, se formos ver bem as coisas, nós temos quatro públicos mega acessíveis para todos os wrestlers aprenderem a trabalhar de formas diferentes e não se prenderem à mesma coisa em todo o lado. Portanto, o facto de haver crowds tão diferentes força-nos a sair um bocadinho da zona de conforto e ter que explorar mais o que é que funciona e o que é que não funciona.
Eu acho que o Porto é a descoberta do ano. O Porto é incrível, sempre foi, e incrível em tudo o que é eventos. Fala-se muito sobre esta mística que é fazer eventos no Porto e, de facto, só quem vive é que percebe realmente a quase loucura que é aquilo ali dentro.
Acho que no Algarve se está a criar uma cultura muito bacana também, os novos bookers estão a fazer um trabalho ridiculamente bom.
O Wrestlefest claramente fala para a juventude, para a malta mais alternativa, para a malta dos copos e das saídas à noite. Acho que também é um público incrível para wrestling e é um público muito bom para se explorar novas cenas e para se aprender.
Acho que o Centro Shotokai vai sempre ser muito family friendly, o que também é um desafio acrescido, porque já não se pode usar métodos fáceis para pôr um público a reagir. Não posso dizer uma asneira nem mandar um dedo do meio, porque sei que vai ter uma reação. Aprende-se a trabalhar muito para o público mais juvenil e eu acho que também é bom nesse aspeto.
São todos muito diferentes, mas são todos especiais da sua forma e eu tenho um carinho geral por cada um.
 
Atualmente és treinador no WP. Como tem estado a correr a experiência e quais são as tuas principais preocupações nessa função?
Tem sido incrível assumir o cargo que eram de pessoas por quem eu tenho uma consideração enorme, por quem eu devo muito da minha carreira. E eu acho que a primeira preocupação real é fazer um trabalho tão bom ou melhor do que o que foi feito comigo. E por isso tento sempre pensar não só no coletivo, mas também no individual. Gosto de me focar em cada aluno pelo que é. Outra preocupação grande é conseguir, daqui a um ano ou dois anos, apresentar uma nova geração que eu espero que seja melhor do que a minha. Eu não quero que o wrestling português volte a estagnar. Eu quero que isto seja daqui para cima, sempre. E os que vierem a seguir que sejam melhores do que nós. E os que vierem depois deles que sejam melhores, por aí em diante. Por isso eu acho que é conseguir encontrar este meio termo entre focar-me na minha carreira e na minha melhoria e em formar os próximos e d dar-lhes boas bases para que eventualmente voem sozinhos.
 
Como é a tua rotina? Quantas vezes treinas? Tens restrições alimentares? Sais muito amassado dos treinos?
Eu treino ginásio todos os dias para ganhar peso, que neste momento é um dos meus objetivos principais. Jiu-jitsu faço três vezes por semana. E treino wrestling duas vezes por semana. Por isso as minhas semanas são muito físicas, sempre. 




 
 
 


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