segunda-feira, 16 de março de 2026

Um CENÁrio já visto e que não me agrada por (Mc)Inteiro

Randy Orton virou heel no último SmackDown
Pelo segundo ano consecutivo, a WWE decidiu promover um heel turn de um veterano para que o combate pelo WWE Championship na WrestleMania não seja um (enfadonho) babyface vs. babyface. Em 2025, foi John Cena a virar vilão para defrontar o campeão e nova cara da companhia Cody Rhodes. Agora é Randy Orton, em circunstâncias muito parecidas.
 
Tal como há um ano, o heel turn foi impactante. Se o de John Cena ganhou até contornos de histórico, o de Randy Orton ficou marcado pela brutalidade do ataque ao autodenominado “QB1.
 
Mas, no ano passado, o heel turn viral de Cena não teve consequência numa grande heel run. O Never Seen 17 manteve sempre o apoio de grande parte do público e nunca conseguiu tornar-se um vilão legítimo, fizesse o que fizesse e estivesse quem estivesse do outro lado, por carregar uma bagagem de mais de duas décadas como babyface e sobretudo por ter chegado a um ponto na carreira em que a admiração que os fãs têm por ele é bastante sólida.
 
Com ingredientes diferentes e a uma escala menor, porque nunca foi a cara da WWE, há o perigo de acontecer o mesmo a Orton. Mesmo como babyface, o mestre do RKO nunca deixou de ser “The Viper”, alguém a quem os fãs perdoavam e até aplaudiam atitudes de heel, como RKOs a outros babyfaces, incluindo o seu antigo parceiro de tag team Matt Riddle. A exceção foi talvez quando Orton hesitou em aplicar um Punt Kick em Cody na final do torneio King of the Ring do ano passado. Por nunca ter passado propriamente a fronteira de tweener, devido à ambiguidade da personagem, e porque já granjeia de uma admiração de mais de duas décadas por parte dos fãs, também não o vejo a ser vaiado de forma monumental.
 
 
Lembro-me perfeitamente de que nos meus primórdios como fã de wrestling, em 2006, praticamente nenhum veterano consagrado ser heel. Shawn Michaels, Triple H, Undertaker, Ric Flair e companhia já tinham chegado a um ponto em que as grandes memórias e a admiração que foram conquistando ao longo de muitos anos já não pareciam ser compatíveis com o estatuto de vilão. Organicamente, parecia ser algo legítimo e natural. Quando se optou pelo contrário, com Cena e logo numa tour de despedida, é que pareceu contranatura.
 
Algo que também não me agrada de todo nesta estrada sinuosa pela qual o WWE Championship tem passado nas últimas semanas é a ausência de Drew McIntyre no combate pelo título. Sou um fã do escocês e vinha a gostar muito da forma gradual como se tornou heel e, enquanto campeão, da sua obsessão por manter os mais perigosos candidatos longe do cinturão. A meu ver, estava a ser o principal heel da companhia, com boas doses de atitudes detestáveis e legitimidade enquanto campeão, sem nunca deixar de ser entretido. Percebo que a feud com Cody já ia longa, mas creio que ainda havia fôlego para vê-lo defender o título num sempre divertido triple threat match com Orton metido ao barulho. Ainda tenho a ténue esperança de que ele (e talvez Jacob Fatu) sejam adicionados ao main-event da primeira noite da WrestleMania 42. 




 
 
 


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