sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

O histórico do V. Guimarães defende Pedro Martins

Pedro Martins tem três qualificações europeias no currículo
Pedro Martins não resistiu a uma época abaixo das expetativas e à autêntica gota de água que foi a goleada sofrida em casa às mãos do rival Sp. Braga (0-5), acabando despedido do cargo de treinador do Vitória de Guimarães imediatamente após o jogo.

Se é verdade que olhamos para o emblema vimaranense como um histórico do nosso futebol, que tem uma massa adepta que não encontra paralelo fora do círculo dos três grandes e que desportivamente se pode considerar a quinta força em Portugal, também o temos que encarar como um clube instável, em que os bons resultados não encontram sequência.


Por muito que a segunda temporada com Pedro Martins ao leme não estivesse a correr de feição, urge analisar o passado recente dos minhotos, que desde a década de 1990 não conseguem qualificar-se para as competições europeias em anos consecutivos. O técnico de 47 anos, que até jogou de rei ao peito em 1994/95, tornou-se apenas mais um a falhar esse objetivo, mas o facto de este ser um problema crónico em Guimarães deveria ser tido em linha de conta.

Afinal, o antigo treinador de Marítimo e Rio Ave não fez menos do que os antecessores, entre eles nomes de peso no futebol português, como os atuais treinadores dos três grandes. O agora ex-timoneiro vimaranense sai da Cidade Berço com a melhor classificação em dez temporadas (quarto lugar), a maior percentagem de triunfos de um treinador durante o século XXI na I Liga (47,37), o recorde pontual na I Divisão (62, em igualdade com o registo de 1995/96), uma final da Taça de Portugal e uma campanha na Liga Europa dentro do normal para aqueles lados.

Mas há mais. O histórico dos vimaranenses no século XXI está repleto de oscilações classificativas, que tantas e tantas vezes não estão proporcionalmente relacionadas com orçamento e qualidade de plantel e treinador. Basta recordar os 9.º e 10.º lugares com Rui Vitória em 2012/13 e 2013/14, o 10.º com Sérgio Conceição (e Armando Evangelista) em 2015/16 ou o mais longínquo 14.º com Jorge Jesus (e Augusto Inácio) em 2003/04, ou mesmo a despromoção em 2005/06 (Jaime Pacheco e Vítor Pontes), com um plantel recheado de jogadores que conseguiram ser internacionais pelos seus países e construir boas carreiras. Desde que voltou da II Liga, em 2007/08, o V. Guimarães terminou no Top-5 da I Liga apenas por quatro vezes – 5.º lugar com Manuel Machado (2010/11) e Rui Vitória (2014/15), 4.º com Pedro Martins (2016/17) e 3.º com Manuel Cajuda (2008/09) – e, os obreiros dessas façanhas, à exceção de Rui Vitória que rumou ao Benfica, não saíram do D. Afonso Henriques propriamente pela porta grande.

Assim sendo, como é possível criar alicerces para uma maior consistência classificativa? Como é possível que, no espaço de dois meses, a administração da SAD do V. Guimarães não deixe sair Pedro Martins para o Olympiakos e depois o despeça? Como se explica um despedimento nem uma hora depois de um jogo, ainda como as emoções à flor da pele? Uma falta de coerência que, em vésperas de eleições, em nada abonam a favor de Júlio Mendes.






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