domingo, 29 de maio de 2016

I Liga 2015/16 | Onze Ideal


Cinco leões, três águias, dois dragões e uma revelação


João Mário e André Almeida integram esta equipa

Terminou a I Liga versão 2015/16. O Benfica foi o grande vencedor, mas o Sporting lutou pelo título até ao último jogo do campeonato, naquela que foi uma batalha a dois pelo cetro nacional. Não é, por isso, de estranhar, que ambos sejam os emblemas mais representados neste Onze Ideal.



Guarda-redes:
  
  
Utilizando apenas dados objetivos, a escolha Rui Patrício ajusta-se por se tratar do guarda-redes da defesa menos batida do campeonato. O guardião leonino somente falhou 61 minutos na I Liga, tendo sofrido 19 golos – restantes dois que o Sporting encaixou foi após a expulsão de Patrício no empate caseiro com o Tondela (2-2).
De qualquer forma, podem ser adicionados alguns dados subjetivos a esta eleição. No início da época perdeu a braçadeira de capitão por uma questão meramente logística, mas não perdeu estatuto no balneário e voltou a revelar-se um gigante entre os postes, desta feita com uma equipa à altura. Um autêntico monstro no um contra um, cada vez mais seguro a jogar com os pés e elegante nas estiradas e nas saídas aos cruzamentos. Raras foram as suas falhas ao longo da época.
Atualmente, é sem contestação um dos melhores da Europa na sua posição.


Centrais:



De patinho feio a general da defesa encarnada. Jardel há muito que deixou de intranquilizar os adeptos do Benfica, passando a ser um central que os deixe descansados. Já não é só o espírito guerreiro que o faz merecer elogios. Também é o posicionamento, a velocidade e a capacidade de concentração para marcar os atacantes adversários. É cada vez mais difícil de bater, deixou Luisão no banco e fez os benfiquistas esquecerem definitivamente Garay.



Há muito que o Sporting procurava um patrão da defesa, e há muito que Coates procurava mostrar por que razão o Liverpool o trouxe para a Europa pela porta grande. Foi o casamento perfeito. O central uruguaio chegou, viu, jogou e… não mais deixou de jogar. Foi um dos esteios de uma ponta final de campeonato em que os leões se apresentaram a muito bom nível, ainda que não tenham alcançado o desejado título nacional.


Laterais:


Muitos foram os que já disseram que André Almeida não tinha argumentos para jogar num clube com a dimensão do Benfica, mas a verdade é que o lateral foi silenciando os críticos, um a um, com os seus desempenhos em 2015/16.
Não só manteve a fama de consistente e de bom defensor, como mostrou que tem qualidade ofensiva. Foi autor de várias assistências e intérprete de inúmeras subidas pelo corredor direito. Finalmente explodiu e fez esquecer o eufórico início de temporada de Nélson Semedo.
Não teria chocado quem quer que fosse se tivesse sido chamado ao Euro-2016.



Um dos poucos jogadores portistas a agradar aos próprios adeptos em 2015/16 foi Miguel Layún. O mexicano chegou já com o campeonato a decorrer e praticamente sem experiência nas principais ligas europeias, mas revelou-se uma das melhores unidades dos dragões durante toda a temporada, se não mesmo a melhor.
Embora seja destro, atuou preferencialmente pelo lado esquerdo e não foi por isso que deixou de fazer mossa ofensivamente. Prova disso foi o facto de ter sido o futebolista com mais assistências na I Liga (15). Além de ter jogado nas duas laterais, também chegou a desenrascar como central e extremo.


Médios:


Tem sido frequente, nos últimos anos, jogadores oriundos de clubes de dimensão inferior não conseguirem agarrar o lugar quando chegam a um grande. Mas não foi nada disso que aconteceu a Danilo Pereira. Impôs a qualidade que já lhe era reconhecida no Marítimo e remeteu para segundo plano um Imbula que tinha acabado de ser a contratação mais cara do Porto, e não deixou que Rúben Neves se tornasse um titular indiscutível.
Fez alguns jogos na fase final da temporada a central, para dar melhor saída de bola à equipa, e consolidou a sua posição na Seleção Nacional. Prova disso foi a sua chamada ao Euro-2016, apesar da forte concorrência para a posição de médio mais defensivo.



Após duas boas temporadas com Leonardo Jardim e Marco Silva como treinadores, as exibições de Adrien deram um salto qualitativo nas mãos de Jorge Jesus. O médio sportinguista apareceu transfigurado na época que agora findou, com a braçadeira de capitão e uma alma imensa.
Mostrou-se irrepreensível no papel de segundo médio, com profundidade ofensiva e bastante acerto e garra nas missões defensivas. Marcou os mesmos oito golos na Liga que em 2013/14 e 2014/15, mas o nível dos seus desempenhos melhorou e prova disso foi a convocatória para o Euro-2016.


Extremos:


  
Com Marco Silva, João Mário conquistou a titularidade no Sporting. Mas com Jorge Jesus, explodiu. Começou a temporada como segundo médio, mas o regresso de William Carvalho e a saída de Carrillo da equipa empurraram-no para o flanco direito.  Aparentemente, não tinha as características mais adequadas para jogar ali, mas acabou por ser como extremo que sentiu a liberdade para espalhar a sua classe e revelar-se crucial no último terço do terreno.
Salvo qualquer hecatombe, tem tudo para se tornar a maior venda de sempre dos leões por larga margem e ser titular no Campeonato da Europa que se avizinha.



Já tinha dado nas vistas na segunda metade da temporada passada, ainda como júnior de segundo ano, mas foi nesta época que Diogo Jota mostrou toda a sua qualidade. Tanto como extremo ou segundo avançado, tem na irrequietude, velocidade e drible as grandes armas.
Com 12 golos, tornou-se o jogador sub-20 com mais remates certeiros numa só edição do campeonato português, batendo a marca que Simão tinha registado pelo Sporting em 1998/99. Dois pormenores a salientar: joga numa equipa de média dimensão da I Liga e… é português.
Com naturalidade, despertou a atenção dos olheiros internacionais, tendo já acordado a transferência para o Atlético Madrid.


Avançados:


O grande artilheiro da I Liga, com 32 golos. O melhor registo dos últimos 14 anos, superando os números de Liedson (25 em 2004/05), Cardozo (26 em 2009/10) e Jackson Martínez (26 em 2012/13). Jonas já tinha sido um abono de família para o Benfica em 2014/15, com 20 remates certeiros, mas na caminhada para o tri revelou-se um autêntico homem-golo.
A sua elegância e versatilidade e eficácia na finalização estiveram perto de conquistar a Bota de Ouro. Não a conseguiu, perdendo-a para Luis Suárez, mas como prémio de consolação regressou à seleção brasileira, que vai representar na Copa América deste ano.



Islam Slimani era, até ao verão de 2015, considerado um avançado bastante limitado tecnicamente e com o jogo aéreo como principal arma, embora também já tivesse revelado enorme garra e capacidade para dar profundidade ao ataque. Com Jorge Jesus, transfigurou-se. Começou a participar mais na construção das manobras ofensivas, reforçou a agressividade e aperfeiçoou a habilidade na finalização.
Marcou 27 golos na presente edição da I Liga, alcançando melhor registo do que nas duas épocas anteriores… somadas. Em 2013/14, tinha apenas apontado oito, e na temporada seguinte, chegou aos 12. Superou a época mais goleadora de Liedson, que tantas saudades tinha deixado em Alvalade.


Treinador:


Quando Rui Vitória foi anunciado como treinador do Benfica, muitos foram os que levantaram dúvidas. Afinal, apesar do bom trabalho em Guimarães, as suas equipas ainda não tinham mostrado um futebol ambicioso e clube grande. Também se dizia que era demasiado humilde e que ia sentir a herança pesada deixada por Jorge Jesus. Foi o que aparentou o início de época, marcado por inúmeras saídas e uma pré-época pouco ortodoxa na América do Norte.
Somou várias derrotas no arranque, chegando a estar a uma distância considerável dos líderes do campeonato. Houve quem pedisse a sua demissão e Luís Filipe Vieira até se viu obrigado a chamar à época que agora findou de ano zero.
Mas a poeira assentou. Quando Rui Vitória finalmente encontrou o seu onze, a sua matriz, o Benfica tornou-se praticamente imparável. Ganhou 20 dos últimos 21 jogos do campeonato e bateu o recorde de pontos num só campeonato: 88.
E apesar do registo impressionante, é injusto resumir o seu trabalho a meros números. Afinal, fez aquilo que adeptos e treinadores também tanto gostam: potenciar e valorizar jogadores. Ederson, Lindelof e Renato Sanches são os principais rostos de uma aposta na formação encarnada, mas as evoluções exibicionais de jogadores como André Almeida, Jardel e Pizzi também merecem rasgados elogios.  




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