sexta-feira, 3 de junho de 2016

I Liga 2015/16 | Revelações

Campeão Benfica é o clube mais representado


André Horta e Renato Sanches mostraram-se em 2015/16

A cada edição da I Liga, novos valores vão emergindo e reclamando um lugar ao sol. Desde o jovem que veio da formação, ao reforço pelo qual ninguém dava nada, passando ainda por aqueles que já tinham tido oportunidades, mas ainda não tinham mostrado tanta qualidade. São as chamadas revelações.




Guarda-redes:


O registo de 39 golos sofridos em 24 jogos não é o mais impressionante dos cartões de visita, mas ninguém tem ligado a números quando se fala de João Miguel Silva. O jovem guarda-redes ultrapassou a concorrência dos mais experientes Assis e Douglas e, com as duas mãos, agarrou a oportunidade chamada baliza do Vitória de Guimarães.
Além da paixão pelo clube que representa, mostrou também reflexos, energia, garra e determinação enquanto última barreira dos vimaranenses.
Fala-se do interesse de Sporting e Benfica e até já há quem diga que está aqui o futuro guardião da Seleção Nacional.


Centrais:



Após dois anos a marinar na equipa B e num empréstimo aos espanhóis do Reus, Rúben Semedo finalmente conquistou o seu espaço na I Liga.
Primeiro no Vitória de Setúbal, onde chegou cedido na fase inicial da temporada, estabelecendo-se como central indiscutível e revelando-se fundamental até após a sua saída, pois os sadinos não mais tiveram a baliza a zeros.
Depois, no Sporting, a casa-mãe, para onde voltou em janeiro e agarrou um lugar no onze, relegando para o banco e bancada centrais como Paulo Oliveira e Naldo, que estavam a dar conta do recado até então.
Houve quem reclamasse a sua chamada ao Euro-2016. A Seleção Nacional ainda não lhe chegou ao currículo, mas está para breve…




Partiu para 2015/16 como campeão europeu de sub-21 pela Suécia, mas com o estatuto de quarto central do Benfica. Lindelof começou a época na equipa B, aproveitou a lesão de Luisão para ir para o banco e a de Lisandro López para assumir a titularidade.
Entretanto, tanto o brasileiro e o argentino voltaram, mas o sueco já tinha colocado uma estaca com o seu nome no onze encarnado, destacando-se como um central moderno e fiável, de futuro, mas sobretudo… de presente.
Vai representar a sua seleção no Euro-2016 e tem gigantes do futebol europeu bastante atentos à sua evolução.


Laterais:


Terminou a temporada de forma discreta, enquanto suplente de André Almeida, mas ninguém pode esquecer o fulguroso inicio de época de Nélson Semedo. O lateral encarnado, que há vários anos alinhava pelos bês, estava a fazer esquecer Maxi Pereira e a ser uma das principais figuras do campeonato nas primeiras jornadas.
Marcou na estreia na I Liga, numa goleada por 4-0 ao Estoril, e quando estava a ser titular indiscutível no Benfica sofreu uma lesão grave… na estreia pela Seleção Nacional.



Provavelmente, uma presença discutível quando o tema é revelações. Marvin Zeegelaar tem o selo da formação do Ajax, jogos pela equipa principal do clube de Amesterdão e, na I Liga, já vinha com uma temporada completa ao serviço do Rio Ave e enquanto titular.
Mas, em 2015/16, partiu definitivamente a loiça toda. Fixou-se como lateral-esquerdo – também pode jogar a extremo – e revelou-se uma autêntica locomotiva na faixa, não só se destacando pelo pendor ofensivo como pela solidez defensiva. O facto de ser alto (1,86 m) é abonatório, e num ápice se tornou membro do onze ideal de Jorge Jesus no Sporting, onde Jefferson tinha até então um papel aparentemente intocável.  


Médios:


Quando a época começou, Vukcevic aparentemente estava destinado a um empréstimo ao Moreirense. Mas as aparências iludem e, o montenegrino, que já era internacional pelo seu país, convenceu Paulo Fonseca e pegou de estaca num sempre exigente Braga, onde tinha passado as duas temporadas anteriores na equipa B.
Destacou-se no duplo pivot do meio-campo, preferencialmente ao lado de Luiz Carlos, e despertou o interesse dos grandes do futebol português.



É, muito provavelmente, a maior revelação da I Liga. Renato Sanches partiu para 2015/16 na equipa B, como um mero jovem desconhecido de 17 anos que nem integrou a pré-época do plantel principal, e terminou a época a ser vendido para o Bayern por €35 milhões. 
Apesar da tenra idade, que ainda lhe confere o estatuto de júnior, surpreendeu tudo e todos ao agarrar rapidamente um lugar no onze do Benfica, revelando-se preponderante para a conquista do tricampeonato.
A agressividade defensiva, o forte remate e a facilidade de chegada à área são as suas principais características, tendo até impressionado o selecionador nacional Fernando Santos, que o chamou para o Euro-2016.



Emprestado pela segunda temporada consecutiva ao Vitória de Guimarães, Otávio mostrou em Portugal o valor que o Porto já tinha vislumbrado quando o contratou aos brasileiros do Internacional.
Apontou seis golos em 25 jogos na I Liga, exibiu a sua qualidade técnica e intensidade, e viu Pinto da Costa garantir a sua integração no plantel dos dragões em 2016/17.



Após se ter estreado na alta-roda do futebol português ainda enquanto júnior de segundo ano, na temporada transata, André Horta revelou o seu talento em 2015/16 no Vitória de Setúbal, equipa onde assumiu o papel de maestro.
Qualidade técnica, visão de jogo, agressividade e gosto por jogar bem, bonito e a um ritmo alto levaram-no a transferir-se para o Benfica.


Avançados:


Já tinha participado em bastantes jogos pelo Arouca nas duas temporadas anteriores, mas foi em 2015/16 e no Vitória que André Claro finalmente explodiu. Junto ao Sado, o avançado português alinhou em todas as jornadas do campeonato e apontou 12 golos.
A sua mobilidade, polivalência, qualidade técnica e espontaneidade de remate foram as armas que revelou na época que agora findou.



Só Jonas, Slimani e Mitroglou fizeram melhor do que ele. Léo Bonatini cumpriu a primeira temporada completa em Portugal com um registo de 17 golos na I Liga, o que lhe confere uma média de um tento em cada dois jogos. De fazer inveja.
Foi o grande destaque de um Estoril tranquilo na tabela classificativa e que ainda ameaçou chegar à Europa, mostrando-se um avançado completo. É elegante, bom finalizador, tem qualidade técnica e para além de ponta de lança, pode jogar como segundo avançado ou até como extremo, e sempre com um desempenho agradável.


Treinador:


Pegou no Belenenses nos últimos lugares da classificação e levou-o à tranquilidade. Mas Julio Velázquez não quis conquistar pontos a qualquer custo. O treinador espanhol de 34 anos quis fazê-lo com um futebol bonito e bem jogado, apoiado, rente à relva e com bastante mobilidade.
Tanto fazia se o sistema era o 4x4x2, 4x3x3 ou 3x5x2, o jovem técnico mantinha a sua ideia de jogo e não abdicava dela. Por privilegiar um futebol de qualidade, promoveu várias adaptações individuais que visavam essa melhoria de jogo, como Rúben Pinto a central, Tiago Almeida a lateral-direito e Fábio Nunes a lateral-esquerdo.
Também pagou por querer fazer omeletes sem ovos, mas a ideia com que se fica é de que, quando caiu, caiu de pé.




Sem comentários:

Enviar um comentário