quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Luka Modric: Um peixe fora de água


Desde que o interesse do Real Madrid em Luka Modric se intensificou, no último verão, que me perguntava constantemente o que ele poderia acrescentar aos “merengues”.


Trata-se de um grande jogador, com imensos recursos técnicos, uma eficácia muito elevada no que toca a passe e drible, no entanto, no Tottenham via-o numa linha intermédia no meio-campo, entre o médio mais recuado, Scott Parker, e o “10”, Van der Vaart, tendo como funções principais trabalhar para a recuperação de bola, mas sobretudo, após essa etapa, conseguir mantê-la, deixá-la jogável para os companheiros e desenhar ataques.

Era um “8” com muitas características de “10”, uma espécie de organizador de jogo a cinquenta metros da baliza, com as tais preocupações em manter a posse de bola e em concluir de forma eficaz a recuperação de bola e início dos ataques, aproximando-se de forma frequente da área contrária, mas nos “Spurs” mais como muleta de Van der Vaart do que propriamente como homem do último passe ou até como rematador. As suas funções eram ilimitadas, mas o que é certo é que as foi cumprindo sempre bem, deixando equilibrada e focando para si as luzes da ribalta, que faziam adivinhar uma transferência para um clube mais ambicioso.

Modric no Tottenham: Tem um médio-ofensivo pelo meio a fazer a ponte entre si e o ponta-de-lança

Quando começou a ser revelado o interesse do Real, cedo perguntei o que poderia trazer aos “merengues”, mas sobretudo de que forma poderia mostrar em Madrid as suas melhores capacidades.
Primeiro porque se falava nele como uma alternativa a Mesut Özil para a posição logo atrás à de ponta-de-lança, precavendo uma saída de Kaká que não chegou a acontecer. Não me pareceu boa ideia!
Sempre vi o croata como alguém que quando pega na bola está a cinquenta metros da baliza adversária, não a vinte ou trinta, e logo com responsabilidades diretas no último passe, em finalizar e em fazer permutas com os extremos, entre outras funções.
Talvez seja demasiado assertivo para uma posição que exige ousadia e em que muitas vezes os seus intérpretes são intermitentes (Özil é um caso), para além de não ser aí que poderia mostrar-se ao melhor nível, seria mais atrás, até porque nesta posição expõe uma das suas principais fragilidades: não é um rematador por excelência, um marcador de golos, algo que também se exige a quem joga naquela posição. Em Londres, andou sempre na média dos 3/4 golos por época, praticamente metade do registo do próprio Özil ou até de Kaká numa época em que não tenha dificuldades físicas. Para já, o “novo Cruijff”, como alguns lhe chamam, marcou um único golo no emblema da capital espanhola, e não existe melhor exemplo do que estou a falar que este falhanço diante do Valencia, na passada terça-feira:


Como este vídeo, existem outros. Mas o seu rendimento abaixo da média como “10” no Real não se ficam apenas por aspetos técnicos e por uma estatística que não o favorece em termos de golos e assistências. Taticamente gosta de se sentir na sua zona de conforto, e por isso, é normal pegar no jogo a partir de uma posição bem recuada, perto do duplo “pivot” defensivo (geralmente constituído por Xabi Alonso e Khedira), criando um fosso enorme entre ele e o ponta-de-lança no centro do terreno.

Modric no Real Madrid: Joga como médio-ofensivo, vem pegar no jogo bastante atrás, e há um fosso enorme entre si e o ponta-de-lança

Seria a solução para um melhor rendimento colocá-lo num dois lugares à frente da defesa, ao lado de um médio mais posicional como Xabi Alonso? De facto poderia, e até pode ser o sector em que este futebolista dos Balcãs pudesse encaixar, se não estivéssemos a falar do modelo de jogo do Real, em que estes centro-campistas se libertam muito pouco, até porque nas transições defensivas, os homens do ataque não defendem e é preciso compensar isso.

Sem a liberdade que tinha no Tottenham numa linha intermédia no miolo e sem capacidade para desempenhar uma posição para a qual não tem rotinas e várias características fundamentais, Luka Modric, eleito o pior reforço do ano em Espanha, mas com uma qualidade técnica indesmentível, é em Madrid um verdadeiro peixe fora de água.

2 comentários:

  1. Luka Modric é um jogador excepcional

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  2. Muito grato amigo e irmão, por ter postado um comentário nas paginas do DIVULGADOR.
    Desde hoje estou seguindo o teu blog, e feliz porque vc faz um trabalho de mostrar algo bom para as pessoas que é a parte de entretenimento, juntamente com informações importantes para as pessoas.
    Felicidades e fica na paz do Senhor.

    DIVULGADOR

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